domingo, 2 de setembro de 2012

Um medo




Thayze Darnieri


Recentemente, experimentei pitadas fortes de tensão ao ler trechos de um livro cujo intuito, naquele estágio, era instigar o terror através do medo de seu protagonista. Ele conseguia materializar seu pavor por meio dos ratos, todavia, ao me perceber vestindo a pele do personagem questionei-me: qual o meu medo?

Longe de afirmar com veemência ser uma mulher absolutamente destemida. Recordo-me dos meus tempos de criança, quando meu coração disparava ao apagar das luzes ou algum tempo mais tarde quando era embaraçoso falar com desconhecidos. No entanto, a minha dificuldade não reside na ausência do sentimento, talvez ela esbarre no obstáculo da realização concreta, visto que o meu medo veste perfeitamente a carapuça do abstrato e viaja pela apreensão diante do não controle. 

O meu maior medo, portanto, é desconhecer a reação compatível aos estímulos alheios ou o domínio racional frente a ao desconhecido. Receio pela manipulação psicológica ou o desequilíbrio dos sentidos e sentimentos, uma vez que, exceto pela morte, as dificuldades mentais ou reais nascem para a solução e render-se a elas significa aceitar o negativo.

Entretanto, tal ignóbil característica nunca me impediu de bambear as pernas ao ser surpreendida, mas o sobressalto nada tem a ver com o medo.

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