domingo, 9 de setembro de 2012

Mister Simpatia

foto: Thayze Darnieri



Thayze Darnieri


As pessoas são estranhas. Para tanto, ao construir o meu universo perfeitamente seguro excluí o elemento humano gratuito a fim de dispensar tempo somente aos seres com energia compatível a minha, dessa forma, seccionei por empatia os personagens e descartei convivências desnecessárias.

Sinceramente, no decorrer desse processo metódico com resultado garantido percebi as escamas do conformismo crescendo pouco a pouco sobre a minha pele. Havia criado, sem querer, uma fórmula particular para a solidão, uma vez que, ao fechar as janelas para a entrada de novos ares bloqueava a aceitação de qualquer meio de troca ou simples trato com o próximo.

Era um medo ilógico como os outros, mas desejava ardentemente me proteger do desprezo primário ou da decepção futura. No entanto, a resposta saltitava bem diante de mim com olhos brilhantes e genuinamente simpáticos, pertencentes àquele alguém que agia com tamanha naturalidade quando inserido no cenário dos meus medos que me induzia a questionar o fantasma da sociabilização.

Entretanto, ainda figurava como sujeito passivo ao admirá-lo passear pelo mundo desconhecido da troca despretensiosa com estranhos. Logo, talvez como teste, emerge das profundezas do singelo um senhor Francisco, sob a alcunha de François, cuja história nos delatou sem travas ou amarras, refletida linha por linha em suas feições carregadas por uma vida lutada e deleitada, amainada pelo olhar de um pai orgulhoso de suas crias.

Naquele ínterim, assistia e participava do esquete sem muito crer na possibilidade de uma experiência tão pura ao mesmo tempo que tentava agradecer pelo oferecimento de uma perspectiva corajosa. Eis que François rapidamente manisfesta sua gratidão, quando eu que deveria lhe retribuir o carinho, me oferecendo um anel.

Sem jeito e sem palavras, decidi declarar o meu agradecimento pelos poucos e enriquecedores minutos com aquele senhor propagando simpatia aos outros que cruzassem o meu caminho. Nesse sentido, ao suprimir os pensamentos prévios a respeito do próximo me dispus a tentar antes de julgar e como símbolo passei a usar por todo tempo o anel de François. Afinal, é por meio de momentos simples em sua beleza que se escreve uma boa história de vida.



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