domingo, 29 de julho de 2012

Para Roma, com amor





Thayze Darnieri


Saímos com uma sensação sem definição imediata. Nem sempre acontece comigo, mas toda vez que paro para apreciar o Woody Allen quase sempre sou arrebatada pelo complexo emaranhado da rotina banal ou da simplicidade dos sentimentos.

Andando despretensiosamente pelas ruas de Roma, Alec Baldwin esbarra novamente no mundo fantástico explorado em Meia-Noite em Paris, para tanto, sem aviso prévio ou qualquer nuance, a cápsula do tempo é a aberta e a conversa entre os personagens de Jack e John transmuta-se em comunicação do passado com presente como personificação nostálgica de uma realidade de outrora. 

Woody Allen surge como o seu personagem preferido: o paranoico. No entanto, dessa vez, a frustração irritante surpreende e transforma-se no momentos mais hilários do enredo, quando o inimaginável acontece e quase todos embarcam na loucura de acrescentar ao cenário de uma montagem teatral um chuveiro.

Em uma ponta solta, Roberto Benigni constrói uma crítica ao submundo das celebridades cuja personalidades aparecem e desaparecem, literalmente, do dia para a noite. Sem razão aparente, talento ou substância um famoso nasce e passa a ser aclamado, admirado e perseguido até o dia que outro ser igualmente sem graça toma seu lugar.

O ciclo é fechado por um casal interiorano que vislumbra em Roma a luz de uma nova vida até a chegada do furacão Penelope Cruz. Todavia, entre encontros e desencontros o casamento que peca pelo vício do superficial romântico aprofunda-se quando posto à prova em experimentações externas, uma vez que, às vezes é necessário olhar fora para descobrir uma ausência incubada.

A adorável imperfeição do humano permeia o novo filme de Allen: Para Roma, com amor. Recortado por quatro histórias independentes que cruzam a praça Campo dei Fiori, entretanto, levianamente entrevi a segmentação das histórias por meio do id, ego e superego de Freud, mas o ímpeto arrebatou-me ao demonstrar a humanização latente gerada a partir do conflito entre as energias psíquicas. 

Para tanto, o movimento do ego pressionado pelas forças contrárias insistentes tenta conter os impulsos do id, que percebe e manipula a realidade para aliviar a tensão resultante para lidar com a busca do superego pela perfeição é presença nas quatro histórias. Afinal, os personagens vivem a vida em sua completude, com coragem suficiente para tentar ou firmeza o bastante para recuar.





Um mais um






"Homem e mulher não é para dar certo, é para amar!"


Xico Sá, no programa Fim de Expediente, transmitido pela Rádio CBN, no dia 27 de julho de 2012.



Wish You Were Here







"How I wish
How I wish you were here
We are just two lost souls
Swimming ina fish bowl..."


trecho da música Wish You Were Here, da banda Pink Floyd

domingo, 22 de julho de 2012

A tal intimidade






"O fato é que não é possível escolher os íntimos - eles simplesmente são".

trecho do texto Intimidade é muito mais do que ficar pelado, do blog Casal Sem Vergonha


Relacionar-se não se vincula a rótulos. Às vezes, nos relacionamos pela obrigação de ser simpático e cordial, forma-se uma postura padrão a partir da necessidade de sustentar os controles sociais nasce um sorriso e o esboço de um diálogo superficial. No entanto, tal postura não configura desvio de caráter ou dissimulação, talvez seja somente um mecanismo de defesa. 

O humano nasce livre, todavia, ao declinar do ponteiro inevitavelmente alguma experiência desagradável passa o pé a frente do seu desimpedido andar e você simplesmente cai. Contudo, ao fixar os olhos no chão, antes de obedecer ao impulso de levantar, algo se transforma: uma casca liga-se ao seu corpo para que da próxima vez doa menos. 

Em outros momentos, o sublime simplesmente acontece, sem perceber por qual razão ou em que circunstância o "estado de repouso" se dissipa e surge bem diante dos seus olhos "uma nova forma de viver, agir e principalmente sentir". Entretanto, a mania de teorizar explica através da conquista pontual e gradativa de intimidade, isto é, despir filtro por filtro no intuito de conhecer o outro por dentro.

Apesar disso, não suponha prematuramente tratar-se de uma receita de bolo. A intimidade é condimento raríssimo e não combina facilmente com qualquer ingrediente, portanto, não está necessariamente atrelada aos laços familiares, ou ao amor, ou à amizade, ou ao sexo. Ser íntimo é quando a cumplicidade e a verdade não intimidam mais.


Thayze Darnieri



Change






"People change. Feelings change. It doesn't mean that the love once shared wasn't true and real. It simple just means that sometimes when people grow, they grow apart."

trecho do filme (500) Days of Summer

"Descontraída e feliz"




"Felicidade é questão de ser..."


trecho da música Felicidade, de Marcelo Jeneci

domingo, 15 de julho de 2012

Não sei se caso ou compro uma bicicleta









Thayze Darnieri


"Não sei se caso ou compro uma bicicleta". Por vezes, ainda me impressiono com a genialidade da simplicidade do clichê. Sempre usei tal expressão com ironia ao me referir a seres excessivamente indecisos, no entanto, algo de uns dias para cá clareou meus pensamentos e pude compreender a profundidade arraigada no populacho.

Mergulhada em emoção devido ao envolvimento com o resultado, julguei a indecisão alheia superficialmente citando o malfadado ditado mentalizando o significado simplório: casamento é compromisso e a bicicleta alude a liberdade. Para tanto, uma escolha elimina a outra, se vivo pelo vento no rosto não posso fechar a janela ao passo que se opto pelo compromisso devo ver a vida por entre as grades.

O óbvio piscava com luzes florescentes bem diante dos meus olhos. Ao contrário do que supunha, o dito não falava sobre as amarras do compromisso ou do regalo da vida de solteiro, discursa a respeito da importância do equilíbrio. Sendo assim, da mesma forma que para manter-se em uma bicicleta é necessário pedalar, no casamento é imperioso estar disposto a mantê-lo para não cair.

No fim das contas, a questão não se resume somente a escolha, afinal, nem sempre cabe o exercício da lógica. Apenas, equilibre-se!


Lições em conta-gotas






"Chorar não resolve, falar pouco é uma virtude, aprender a se colocar em primeiro lugar não é egoísmo. Para qualquer escolha se segue alguma consequência, vontades efêmeras não valem a pena, quem faz uma vez, não faz duas necessariamente, mas quem faz dez, com certeza faz onze. Perdoar é nobre, esquecer é quase impossível. Quem te merece não te faz chorar, quem gosta cuida, o que está no passado tem motivos para não fazer parte do seu presente, não é preciso perder para aprender a dar valor, e os amigos ainda se contam nos dedos.

Aos poucos você percebe o que vale a pena, o que se deve guardar para o resto da vida, e o que nunca deveria ter entrado nela. Não tem como esconder a verdade, nem tem como enterrar o passado, o tempo sempre vai ser o melhor remédio, mas seus resultados nem sempre serão imediatos".


Charles Chaplin


Telegrama






"Nêgo, sinta-se feliz..."



trecho da música Telegrama, do Zeca Baleiro



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