domingo, 23 de setembro de 2012

Acrobata da Dor




Cruz e Souza

Gargalha, ri, num riso de tormenta, 
como um palhaço, que desengonçado,
nervoso, ri, num riso absurdo, inflado
de uma ironia e de uma dor violenta.

Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
agita os guizos, e convulsionado
salta, gavroche, salta clown, varado
pelo estertor dessa agonia lenta...

Pedem-se bis e um bis não se despreza!
Vamos! retesa os músculos, retesa
nessas macrabas piruetas d'aço...

E embora caias sobre o chão, fremente
afogado em teu sangue estuoso e quente,
ri! Coração, tristíssimo palhaço.


Você



"Você é mais do que sei
É mais que pensei
É mais que esperava, baby..."


trecho da música Você, de Tim Maia

domingo, 16 de setembro de 2012

Era uma vez... Grimm




Thayze Darnieri


Era uma vez, em um reino distante, uma mocinha inocente, uma senhora frágil, um homem bom, uma madrasta má e uma moral da história, talvez com um sangue aqui ou uma morte acolá, e assim repetindo de geração em geração se escreve um bom conto de fadas.

Nos meus tempos de criança, ganhei uma coletânea de livretos dos Irmãos Grimm, cada exemplar continha uma história largamente ilustrada, todavia, aqueles livros destoavam do universo infantil comum, uma vez que, suas ilustrações eram excessivamente realistas e em tons escuros. Para tanto, foram aqueles livros gastos pela repetida leitura os responsáveis pelo meu mergulhar no universo fantástico dos contos.

Diante do pretenso saber, fui ao musical Era uma vez... Grimm imaginando ver uma releitura daquilo que conhecia bastante. Ledo engando, a começar pelo belo cenário e funcional, a peça vai além de repetir os contos propagados pelos irmãos Grimm, conta a perspectiva, a história e as influências dos irmãos ao unir os contos que foram transmitidos e retransmitidos ano após ano.

Atores desconhecidos com titânico talento, narram os contos do Chapeuzinho Vermelho, O Junípero e Cinderela a ponto de hipnotizar os espectadores sensíveis. No entanto, aliado ao encantamento suscita os sons do terror da "moral da história", visto que, os contos repassados como infantis originalmente eram permeados de sangue e violência a dar inveja a mais maldosa das madrastas. Exemplo disso foi o desenrolar do único conto desconhecido por mim: "O Junípero", cujo enredo mesmo que infantilizado deve causar terror a muita criança inocente.

Para tanto, o musical empolga e seduz tanto que torna-se difícil não sair do teatro cantando e dançando as músicas em tom de ópera e ao mesmo tempo divertidas, desconhecidas até o tão esperado abrir das cortinas. 
   


Frio de Calor





"Quem não sabe o que fazer com o frio na barriga, esfria também o coração."


Tati Bernardi





True Love





"Like the feeling of all the seasons changing
Love is a memory
And in these last days, when iniquity blazing
Truth love speaks..."


trecho da música True Love, de SOJA


domingo, 9 de setembro de 2012

Mister Simpatia

foto: Thayze Darnieri



Thayze Darnieri


As pessoas são estranhas. Para tanto, ao construir o meu universo perfeitamente seguro excluí o elemento humano gratuito a fim de dispensar tempo somente aos seres com energia compatível a minha, dessa forma, seccionei por empatia os personagens e descartei convivências desnecessárias.

Sinceramente, no decorrer desse processo metódico com resultado garantido percebi as escamas do conformismo crescendo pouco a pouco sobre a minha pele. Havia criado, sem querer, uma fórmula particular para a solidão, uma vez que, ao fechar as janelas para a entrada de novos ares bloqueava a aceitação de qualquer meio de troca ou simples trato com o próximo.

Era um medo ilógico como os outros, mas desejava ardentemente me proteger do desprezo primário ou da decepção futura. No entanto, a resposta saltitava bem diante de mim com olhos brilhantes e genuinamente simpáticos, pertencentes àquele alguém que agia com tamanha naturalidade quando inserido no cenário dos meus medos que me induzia a questionar o fantasma da sociabilização.

Entretanto, ainda figurava como sujeito passivo ao admirá-lo passear pelo mundo desconhecido da troca despretensiosa com estranhos. Logo, talvez como teste, emerge das profundezas do singelo um senhor Francisco, sob a alcunha de François, cuja história nos delatou sem travas ou amarras, refletida linha por linha em suas feições carregadas por uma vida lutada e deleitada, amainada pelo olhar de um pai orgulhoso de suas crias.

Naquele ínterim, assistia e participava do esquete sem muito crer na possibilidade de uma experiência tão pura ao mesmo tempo que tentava agradecer pelo oferecimento de uma perspectiva corajosa. Eis que François rapidamente manisfesta sua gratidão, quando eu que deveria lhe retribuir o carinho, me oferecendo um anel.

Sem jeito e sem palavras, decidi declarar o meu agradecimento pelos poucos e enriquecedores minutos com aquele senhor propagando simpatia aos outros que cruzassem o meu caminho. Nesse sentido, ao suprimir os pensamentos prévios a respeito do próximo me dispus a tentar antes de julgar e como símbolo passei a usar por todo tempo o anel de François. Afinal, é por meio de momentos simples em sua beleza que se escreve uma boa história de vida.



O poder da água





"Nada na Terra é mais suave e complacente do que a água, porém nada é mais forte. Quando ela se defronta com uma muralha de pedra, a suavidade supera a dureza; o poder da água prevalece." 


Lao Tsé / Lao Zi

Firework




"If you only knew
What the future holds
After a hurricane
Comes a rainbow..."


trecho da música Firework, de Katy Perry





domingo, 2 de setembro de 2012

Um medo




Thayze Darnieri


Recentemente, experimentei pitadas fortes de tensão ao ler trechos de um livro cujo intuito, naquele estágio, era instigar o terror através do medo de seu protagonista. Ele conseguia materializar seu pavor por meio dos ratos, todavia, ao me perceber vestindo a pele do personagem questionei-me: qual o meu medo?

Longe de afirmar com veemência ser uma mulher absolutamente destemida. Recordo-me dos meus tempos de criança, quando meu coração disparava ao apagar das luzes ou algum tempo mais tarde quando era embaraçoso falar com desconhecidos. No entanto, a minha dificuldade não reside na ausência do sentimento, talvez ela esbarre no obstáculo da realização concreta, visto que o meu medo veste perfeitamente a carapuça do abstrato e viaja pela apreensão diante do não controle. 

O meu maior medo, portanto, é desconhecer a reação compatível aos estímulos alheios ou o domínio racional frente a ao desconhecido. Receio pela manipulação psicológica ou o desequilíbrio dos sentidos e sentimentos, uma vez que, exceto pela morte, as dificuldades mentais ou reais nascem para a solução e render-se a elas significa aceitar o negativo.

Entretanto, tal ignóbil característica nunca me impediu de bambear as pernas ao ser surpreendida, mas o sobressalto nada tem a ver com o medo.

não-prisão




"Amar não é somar qualidade. Amar é subtrair defeitos e não liberdades. É mostrar sua parte mais suja, mais obscura, mais subversiva e ser aceita por isso (e não apesar disso). Amar é sentir-se segura o suficiente para  viver e deixar viver. Amar é acima de tudo confiar."


trecho do texto A Linha Tênue entre Relacionamento e Aprisionamento, de Laís Montagnana



Creep



"I don't care if it hurts
I wanna have control
(...)
I want you to notice
When I'm not around"


trecho da música Creep, de Radiohead



domingo, 26 de agosto de 2012

Quebra-Cabeça






"O vidro eclode para dar espaço a algo mais simples na esperança de ser mais forte e duradouro.
O teto de vidro se quebra para que as nossas faces encontrem o sol em sua plenitude.
Razão, não há, o momento e o calor existem apenas pelo sentir."

Barsan


Era uma criança ou pelo menos era assim que despretensiosamente nomeou essa fase crescente aos olhos e ao coração. Para tanto, trocou a confusão pela plenitude e fez questão de esquecer durante o percurso os rastros do passado, seu olhar a partir de agora seguiria avante e deliciar-se-ia com o presente sem cogitar o futuro.

Experimentar essa sensação novata chocava-se com a barreira do complicado. No entanto, a impressão de déjà vu a perseguia e sem compreender quais os meios e os métodos a loucura convenceu a razão. O errado virou certo, a chance sobrepujou a dúvida, o medo do clandestino que congelava as mãos deu lugar ao calor do sol acompanhado pelo ressoante "bom dia".

Cada vírgula, cada respiração, cada medo, cada sorriso, cada lágrima, cada passeio de bicicleta, cada atraso, cada toque, cada tensão, cada estiagem, cada tempestade era um pedacinho de vida partícipe peça por peça de um quebra-cabeça de recortes disformes que no fim formaria um desenho simples, sem bordas e colorido.


Thayze Darnieri

Frestas de luz






"Dessa vez era um amor mais realista e não romântico: era um amor de quem já sofreu por amor."


Clarice Lispector



Daniel na Cova dos Leões





"Faço nosso o meu segredo mais sincero
E desafio o instinto dissonante.
A insegurança não me ataca quando erro
E o teu momento passa a ser o meu instante
E o teu medo de ter medo de ter medo
Não faz da minha força confusão..."


trecho da música Daniel na Cova dos Leões, de Legião Urbana


domingo, 19 de agosto de 2012

Breve Manual para Felicidade





Thayze Darnieri


Expectativa é a semente da frustração. O remédio parece simples: não espere e seja feliz! No entanto, no universo do humano, a felicidade é vizinha da esperança, uma vez que, por um movimento quase involuntário vincula-se o riso frouxo e a paz de espírito a um momento, a uma pessoa, a um sentimento ou a um evento. 

Esperar para ser feliz, eis um tempo definitivamente desperdiçado. Remete-me a necessidade contemporânea de resgatar as antigas regras de convivência, entretanto, ao estabelecer manuais de conduta, antes ou agora, a espontaneidade se esvai e leva consigo os sentidos e sentimentos genuínos. Sendo assim, respeitando religiosamente os preceitos da racionalidade, a primeira ação irresistível diante de qualquer oportunidade é pensar, perdeu-se a delícia da naturalidade no impulso.

Para tanto, derramando litros de clichê, aprenda a arte de apreciar um dia por vez, sem cobrar de si e muito menos dos outros a responsabilidade pela sua alegria. Com o passar do tempo e maturidade emocional, um mais um vai invariavelmente se tornará dois e assim por diante, a esperança no conceito perfeito de felicidade mudará de feição e o perfeito brilhará tão perto das mãos que você rirá mesmo quando tudo parecer errado.





1984 II





"O que você faz ou diz não importa: o importante são os sentimentos."


trecho do livro 1984, de George Orwell


Somebody That I Used to Know




"And I don't wanna live that way
Reading into every word you say
You said that you could let it go..."


trecho da música Somebody That I Used to Know, de Walk Off the Earth


domingo, 12 de agosto de 2012

Felicidade de Quarta





Thayze Darnieri


Era quarta-feira, Marina em seu ímpeto quase empurrava o ponteiro do relógio para dar cabo àquele dia mais rapidamente. Depois de um dia enfadonho, lerdo e improdutivo, seu pensar vagava direto para o momento em que poderia finalmente levantar suas pernas e se deliciar com primeiro momento de pausa do dia.

O chefe surtou por quase nada, a mãe não atendia seus telefonemas, o namorado desapareceu do mapa e, para completar, aquela amiga com qual planejava entornar suas insanidades e desesperos desmarcou em cima da hora. Inebriada pela sua sorte, seguia em direção ao ponto de ônibus munida dos fones de ouvido, tocava "Will You Still Love me Tomorow", na voz da Amy Winehouse, ao chegar percebeu uma movimentação estranha, havia mais pessoas do que o habitual, ou seja, sinal que faria a viagem de volta em pé.

Marina acreditava piamente no poder do pensamento, mas estava difícil controlar o seu insconciente reclamando tanto. Demorou pelo menos meia hora até que o seu ônibus apontasse, ela não correu e quando percebeu logo atrás surgia outro com o mesmo destino, esperou e subiu em um lugar bem menos lotado, no entanto, para sua surpresa, havia um único local vago, bem na frente ao lado da catraca. Sentou e agradeceu por sentar. 

Concentrou-se na música e tentou relaxar. Contudo, algo estranho lhe chamou a atenção, o senhor sentado ao seu lado se remexia no assento, balançava a cabeça com um sorriso e volta e meia soltava uma gargalhada sem emitir som algum. Era felicidade genuína, Marina ficou extasiada de alegria ao observar aquela cena rara e viajou por alguns segundos em busca do motivo pelo qual fazia aquele homem tão feliz.

Era sua mania secreta, espiar estranhos e entregar destinos imaginativos. Chamou-o de Mário, por causa do seu perfil carrancudo combinado com um olhar brilhante, ele era um homem por volta dos 40 anos, seu cabelo caía nos olhos, vestia somente bermuda e camiseta ignorando o frio e apesar de não demonstrar qualquer incômodo, não aparentava andar de ônibus todos os dias.

Mário estava desolado, no dia anterior sua primeira namorada após o divórcio havia lhe dispensado, ela sabia o quanto tinha sido difícil para ele se envolver novamente e o surpreende com um "não dá mais". Como assim? Ele a amava só não sabia como demonstrar tão prontamente, tinha esquecido como era simples namorar porque ainda carregava o peso do casamento. Ele a amava com absoluta certeza, só agora sabia, não tinha chorado pelo fim do casamento tanto quanto naquela última noite pelo fim do namoro. 

O telefone tocou, não passava das sete horas da manhã, quem haveria de ser. 

- Camila? Camila! - disse Mário com a voz sonolenta.

Sim, era Camila. Um suspiro de esperança tomou o coração de Mário. Ela parecia nervosa, mas não quis falar o assunto, disse somente que precisavam conversar. A ansiedade tomou conta do seu peito, ela iria pedir pra voltar, afinal, não fazia o menor sentido eles ficarem separados.

Camila o convidou para tomar café na padaria onde costumavam ir aos domingos, quando ele dormia na casa dela. Não questionou o destino, a razão, a vontade, simplesmente foi. Ao chegar, Mário viu que ela já o esperava e vestia aquele olhar familiar de quem tem algo de bombástico a dizer, após um cumprimento confuso e uma tentativa frustrada de falar amenidades. 

- Estou grávida! - solta Camila, sem jeito e visualmente confusa.

Mário abre um sorriso claro, livre e límpido para surpresa de Camila. Ele seria, finalmente, pai, nada poderia ser mais perfeito. Ela confessou que teve muito medo e seu primeiro impulso foi fugir de si mesma e dele, por isso terminou sem aviso prévio.

O resto do dia de Mário foi um desastre, Marina teria orgulho do seus problemas e silenciaria todas as suas reclamações bobas. Entretanto, nada seria capaz de tirar o sorriso do seu rosto, afinal, ele seria pai, melhor do que isso, seria o melhor pai do mundo, repetia para si toda vez que soltava uma gargalhada afônica.

Marina chegou ao seu destino, desceu do ônibus e sem saber o real motivo da felicidade daquele homem, desejou, por um momento, aquela felicidade verdadeira. Quis tanto que foi, sem precisar de explicação.



Olhar sem filtros







"Enxergar beleza onde ninguém mais a enxerga, é talento de quem vê além do óbvio. E de pessoas assim que a gente precisa se cercar na vida."


trecho do texto A Arte do Elogio, do blog Casal Sem Vergonha

Construção






"Sentou para descansar como se fosse um príncipe
Comeu arroz com feijão como se fosse um máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo"


trecho da música Construção, de Chico Buarque

domingo, 5 de agosto de 2012

O pedreiro e a puta



Thayze Darnieri


"Um pedreiro na cama e um intelectual na sociedade", disse os quatro ventos Tati Bernardi. Para tanto, vejo como o compatível feminino perfeito para o ditado que tenta exprimir o dito desejo masculino da tal mulher perfeita "uma puta na cama e uma dama na sociedade"

Afora o óbvio, aponto essas expressões idiomáticas além do sexo, vislumbro os dois universos primários de um relacionamento: o círculo menor, o casal e o círculo maior, os dois e o resto do mundo. Nesse sentido, a sintonia percebida no círculo maior depende do equilíbrio conquistado no círculo menor, uma vez que, perante o nível de intimidade e empatia experimentado pelo um mais um este conectará automaticamente a  uma percepção social predeterminada e aceita. 

Afinal, relacionar-se é muito mais do que demonstra as comédias românticas ou conjecturas dos familiares e dos amigos. Romanceando os ditados, entrevejo "puta" e "pedreiro" como a demonstração pura e simples da exploração conjunta e simultânea e o, consequentemente, revelar do instinto mais profundo, sem qualquer medo ou receio de que aqueles olhos te vejam como a maioria.


1984 I





"A heresia das heresias era o bom senso. E o aterrorizante não era o fato de poderem matá-lo por pensar de outra maneira, mas o fato de terem razão. Porque, afinal de contas, como fazer para saber que dois e dois são quatro?"


trecho do livro 1984, de George Orwell

Morrer, Viver, Morrer




"Besouro, Moderno, Ezequiel.
Candeeiro, Seca Preta, Labareda, Azulão.
Arvoredo, Quina-Quina, Bananeira, Sabonete.
Catingueira, Limoeiro, Lamparina, Mergulhão, Corisco!
Volta Seca, Jararaca, Cajarana, Viriato.
Gitirana, Moita-Brava, Meia-Noite, Zambelê..."


trecho da música Sangue de Bairro, do Chico Science





domingo, 29 de julho de 2012

Para Roma, com amor





Thayze Darnieri


Saímos com uma sensação sem definição imediata. Nem sempre acontece comigo, mas toda vez que paro para apreciar o Woody Allen quase sempre sou arrebatada pelo complexo emaranhado da rotina banal ou da simplicidade dos sentimentos.

Andando despretensiosamente pelas ruas de Roma, Alec Baldwin esbarra novamente no mundo fantástico explorado em Meia-Noite em Paris, para tanto, sem aviso prévio ou qualquer nuance, a cápsula do tempo é a aberta e a conversa entre os personagens de Jack e John transmuta-se em comunicação do passado com presente como personificação nostálgica de uma realidade de outrora. 

Woody Allen surge como o seu personagem preferido: o paranoico. No entanto, dessa vez, a frustração irritante surpreende e transforma-se no momentos mais hilários do enredo, quando o inimaginável acontece e quase todos embarcam na loucura de acrescentar ao cenário de uma montagem teatral um chuveiro.

Em uma ponta solta, Roberto Benigni constrói uma crítica ao submundo das celebridades cuja personalidades aparecem e desaparecem, literalmente, do dia para a noite. Sem razão aparente, talento ou substância um famoso nasce e passa a ser aclamado, admirado e perseguido até o dia que outro ser igualmente sem graça toma seu lugar.

O ciclo é fechado por um casal interiorano que vislumbra em Roma a luz de uma nova vida até a chegada do furacão Penelope Cruz. Todavia, entre encontros e desencontros o casamento que peca pelo vício do superficial romântico aprofunda-se quando posto à prova em experimentações externas, uma vez que, às vezes é necessário olhar fora para descobrir uma ausência incubada.

A adorável imperfeição do humano permeia o novo filme de Allen: Para Roma, com amor. Recortado por quatro histórias independentes que cruzam a praça Campo dei Fiori, entretanto, levianamente entrevi a segmentação das histórias por meio do id, ego e superego de Freud, mas o ímpeto arrebatou-me ao demonstrar a humanização latente gerada a partir do conflito entre as energias psíquicas. 

Para tanto, o movimento do ego pressionado pelas forças contrárias insistentes tenta conter os impulsos do id, que percebe e manipula a realidade para aliviar a tensão resultante para lidar com a busca do superego pela perfeição é presença nas quatro histórias. Afinal, os personagens vivem a vida em sua completude, com coragem suficiente para tentar ou firmeza o bastante para recuar.





Um mais um






"Homem e mulher não é para dar certo, é para amar!"


Xico Sá, no programa Fim de Expediente, transmitido pela Rádio CBN, no dia 27 de julho de 2012.



Wish You Were Here







"How I wish
How I wish you were here
We are just two lost souls
Swimming ina fish bowl..."


trecho da música Wish You Were Here, da banda Pink Floyd

domingo, 22 de julho de 2012

A tal intimidade






"O fato é que não é possível escolher os íntimos - eles simplesmente são".

trecho do texto Intimidade é muito mais do que ficar pelado, do blog Casal Sem Vergonha


Relacionar-se não se vincula a rótulos. Às vezes, nos relacionamos pela obrigação de ser simpático e cordial, forma-se uma postura padrão a partir da necessidade de sustentar os controles sociais nasce um sorriso e o esboço de um diálogo superficial. No entanto, tal postura não configura desvio de caráter ou dissimulação, talvez seja somente um mecanismo de defesa. 

O humano nasce livre, todavia, ao declinar do ponteiro inevitavelmente alguma experiência desagradável passa o pé a frente do seu desimpedido andar e você simplesmente cai. Contudo, ao fixar os olhos no chão, antes de obedecer ao impulso de levantar, algo se transforma: uma casca liga-se ao seu corpo para que da próxima vez doa menos. 

Em outros momentos, o sublime simplesmente acontece, sem perceber por qual razão ou em que circunstância o "estado de repouso" se dissipa e surge bem diante dos seus olhos "uma nova forma de viver, agir e principalmente sentir". Entretanto, a mania de teorizar explica através da conquista pontual e gradativa de intimidade, isto é, despir filtro por filtro no intuito de conhecer o outro por dentro.

Apesar disso, não suponha prematuramente tratar-se de uma receita de bolo. A intimidade é condimento raríssimo e não combina facilmente com qualquer ingrediente, portanto, não está necessariamente atrelada aos laços familiares, ou ao amor, ou à amizade, ou ao sexo. Ser íntimo é quando a cumplicidade e a verdade não intimidam mais.


Thayze Darnieri



Change






"People change. Feelings change. It doesn't mean that the love once shared wasn't true and real. It simple just means that sometimes when people grow, they grow apart."

trecho do filme (500) Days of Summer

"Descontraída e feliz"




"Felicidade é questão de ser..."


trecho da música Felicidade, de Marcelo Jeneci

domingo, 15 de julho de 2012

Não sei se caso ou compro uma bicicleta









Thayze Darnieri


"Não sei se caso ou compro uma bicicleta". Por vezes, ainda me impressiono com a genialidade da simplicidade do clichê. Sempre usei tal expressão com ironia ao me referir a seres excessivamente indecisos, no entanto, algo de uns dias para cá clareou meus pensamentos e pude compreender a profundidade arraigada no populacho.

Mergulhada em emoção devido ao envolvimento com o resultado, julguei a indecisão alheia superficialmente citando o malfadado ditado mentalizando o significado simplório: casamento é compromisso e a bicicleta alude a liberdade. Para tanto, uma escolha elimina a outra, se vivo pelo vento no rosto não posso fechar a janela ao passo que se opto pelo compromisso devo ver a vida por entre as grades.

O óbvio piscava com luzes florescentes bem diante dos meus olhos. Ao contrário do que supunha, o dito não falava sobre as amarras do compromisso ou do regalo da vida de solteiro, discursa a respeito da importância do equilíbrio. Sendo assim, da mesma forma que para manter-se em uma bicicleta é necessário pedalar, no casamento é imperioso estar disposto a mantê-lo para não cair.

No fim das contas, a questão não se resume somente a escolha, afinal, nem sempre cabe o exercício da lógica. Apenas, equilibre-se!


Lições em conta-gotas






"Chorar não resolve, falar pouco é uma virtude, aprender a se colocar em primeiro lugar não é egoísmo. Para qualquer escolha se segue alguma consequência, vontades efêmeras não valem a pena, quem faz uma vez, não faz duas necessariamente, mas quem faz dez, com certeza faz onze. Perdoar é nobre, esquecer é quase impossível. Quem te merece não te faz chorar, quem gosta cuida, o que está no passado tem motivos para não fazer parte do seu presente, não é preciso perder para aprender a dar valor, e os amigos ainda se contam nos dedos.

Aos poucos você percebe o que vale a pena, o que se deve guardar para o resto da vida, e o que nunca deveria ter entrado nela. Não tem como esconder a verdade, nem tem como enterrar o passado, o tempo sempre vai ser o melhor remédio, mas seus resultados nem sempre serão imediatos".


Charles Chaplin


Telegrama






"Nêgo, sinta-se feliz..."



trecho da música Telegrama, do Zeca Baleiro



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