segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Quem me roubou de mim? I



Uma mudança só é consistente se, de fato, a palavra alcançou as profundezas da mentalidade. Nenhum comportamento será modificado se a mente que o produz não estiver verdadeiramente transformada. Mudar de mentalidade é assumir um novo jeito de interpretar os fatos, as pessoas e o mundo. Por isso as palavras são ditas, são escritas. Para que tenham o poder de transformar mentalidades.” 


trecho do livro Quem me roubou de mim?, de Fábio de Melo

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Vai saber




“Eu não merecia isso”. Pense com calma. Provavelmente, merecia sim."


Bom dia por quê?, via twitter, @bomdiaporque

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Amor e Outras drogas




Thayze Darnieri


Em um bela segunda-feira, daquelas que levanto às 4 horas da manhã para conseguir chegar no horário, sonolenta e desejosa por uma cama, entro em um ônibus cujos dizeres indicam o meu destino, no entanto, diferente do habitual. Quando, finalmente, encontro repouso e meu olhos estão prestes a se fechar e gozar uma soneca curta e sacolejante, algo chama a atenção, na televisão do ônibus passa um trailer e não consigo mais dormir.

O amor não é simples, nunca será fácil e jamais em hipótese alguma coerente. O amor é sintonia silenciosa, desejo de ser melhor, e, quiçá a personificação do conceito atribuido à felicidade. Contudo, às vezes, inebriados por momentos não-facéis a essência desaparece, esquece a razão pela qual está, esteve e sempre estará lá pulsando todos os dias, complica a facilidade ao tomá-la por masoquismo.  Diante de devaneios assim, chego a certificar-me que talvez seja por isso que inventaram as histórias de amor, para que de forma inconsciente vislumbre-se a fabulosa existência dos amores perfeitos, histórias absurdamente complicadas ou pessoas com hábitos e perspectivas ainda mais estranhas.

Amor e Outras Drogas é uma comédia romântica tal qual uma comidinha caseira, porém, algum tempero sobressai tão harmonicamente que transforma o clichê em incrivel e saboroso. Para tanto, cumpre o seu papel: arrebatar o coração feminino ao se apaixonar mais uma vez pelo cafageste, desvendá-lo e encontrar o príncipe encantado, sofrer ao lado do par desfeito e emocionar-se ao torcer a cada reviravolta de um amor turbulento, intenso e verdadeiro.


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Misery VII




Se fosse num livro, tudo seria de acordo com o roteiro... Mas a vida era uma desordem. O que podia ser dito de uma vida em que a maioria das decisões era tomada depois de um copo de bebida ou alguma coisa qualquer? Uma vida que não era sequer divida em capítulos?"

trecho do livro Misery, de Stephen King



quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Nova Rodoviária




Depois de muita espera e adiamentos, o Novo Terminal Rodoviário de Brasília foi inaugurado no dia 25 de julho de 2010, a Rodoviária Interestadual de Brasília, substituirá a antiga Rodoferroviária,  recebe as linhas de ônibus interestaduais procedentes ou com destino a cidades de praticamente todos os Estados do Brasil. 

O novo terminal possui 20 mil metros quadrados de área construida, o empreendimento integra o que há de mais inovador em termos de construção: arquitetura sustentável. A edificação foi projetada para favorecer a iluminação natural, o que reduz o consumo de energia elétrica, além de possibilitar o reaproveitamento de águas pluviais. A "Nova Rodoviária" está preparada para receber mais de 140.000 passageiros por mês, localiza-se ao lado da Estação Shopping do metrô, portanto, em frente ao Park Shopping e próximo ao Carrefour Sul.

Há muitos tempo Brasília estava precisando de uma nova rodoviária, os serviços oferecidos na Rodoferroviária eram completamente incompatíveis com a realidade da capital do país. Não havia relógio para orientar os passageiros e seu péssimo estado de conservação aflorava diante da sujeira e desorganização.

fonte: Socicam

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Os sofistas




Thayze Darnieri


Os sofistas eram mestres e nômades, viajavam para atrair jovens abastados interessados no saber. Apesar disso, duvidavam da capacidade humana no que tange ao aprendizado, em contrapartida, acreditavam piamente na habilidade da oratória, uma vez que, o saber sofístico é uma aparência, a retórica é uma artimanha para enganar o receptor. O bom uso da palavra conduz seu orador frente a um único ouvinte ou verdadeiras multidões, durante discursos longos ou breves explanações a convencer qualquer pessoa sobre qualquer assunto.

A história os chamam de professores, advogados precursores e políticos natos, e de fato são, contudo, o conceito sofista sobrepuja as competências destes agentes quando considerados separadamente. Para tanto, considero sofistas contemporâneos os formadores de opinião, aqueles que através das ferramentas de mídia disseminam ideias, conceitos e argumentos aproveitando-se da grande exposição midiática, preceitos do discurso e superficialidade da massa no intento de apregoar e persuadir a população da sua verdade.


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Diário de uma Paixão IX



Eu encontro na previsibilidade da minha vida uma estranha sensação de conforto.” 


trecho do livro Diário de uma Paixão, de Nicholas Sparks


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Felicity




Quem ainda lembra de "Felicity"? Criada por J.J. Abrams e Matt Reeves, a série foi exibida de 1998 a 2002, e contou as experiências da estudante Felicity Porter (Keru Russell) na Universidade de Nova York ao longo dos seus quatro anos de faculdade, que correspondem as quatro temporadas.

O seriado tem um início bem comum e, até mesmo, um pouco clichê. A "mocinha" muda seus planos e decide seguir seu amor platônico da escola, o irresponsável - porém encantador - Ben Covington (Scott Speedman). Felicity vai para a mesma faculdade de Ben em função de uma carta romântica que ele escreveu em seu anuário, mas que, na verdade, não passava de uma brincadeira. Ben nem sabia quem ela era. Eram dois estranhos em uma cidade desconhecida.

No desenrolar do episódio piloto, ainda somos apresentados ao supervisor da faculdade, Noel Crane (Scott Foley), e à primeira nova amizade de Felicity, Julie Emrick (Amy Jo Johnson). Ao longo da série, conhecemos a gótica Meghan Rotundi (Amanda Foreman), o inovador Sean Blumberg (Greg Grunberg), o adorável Javier Quintana (Ian Gomez) e a estudiosa Elena Tyler (Tangi Miller), entre outros personagens secundários. Os episódios normalmente começam com Felicity gravando uma fita para enviar à sua amiga Sally Reardon (Janeane Garofalo), e terminam com a resposta de Sally. É uma forma inteligente de narrar os episódios e deixar o público ainda mais envolvido com as emoções da personagem.

A trama principal se desenvolve a partir de um dos melhores triângulos da história da TV, que fica por conta de Ben, Felicity e Noel. A história entre eles foi tão bem construída e os personagens têm tanto carisma, que fica difícil torcer para alguém. Mas, no fim, Noel é o melhor amigo, aquele em quem sempre se poderia confiar. O destino de Felicity é ficar com Ben, e isto é brilhantemente mostrado durante a quarta temporada. 

O que realmente diferencia esta série das demais são os dramas reais e os relacionamentos consistentes nela construídos. As temporadas acompanham os erros da protagonista, que, aliás, não segue o padrão das jovens da sua idade. Felicity é centrada, mas acaba tomando algumas decisões irracionais, o que faz com que os telespectadores a vejam mais como uma amiga com problemas do que como uma simples personagem.

Outro ponto interessante é o desenvolvimento de Ben Covington. É ele quem mais amadurece ao longo destes quatro anos de faculdade, tornando-se  responsável e, mais do que tudo, leal à Felicity. E para quem já se acostumou ao "vai e volta" dos casais principais, a série traz uma bela surpresa. A partir do momento em que decidem ficar juntos de verdade, Ben e Felicity têm poucas brigas, e só ficam separados durante alguns episódios da quarta temporada. O relacionamento que eles constroem é maduro e intenso. Uma paixão platônica e juvenil que é transformada em um amor real, bonito e digno de ser assistido.

"Felicity" ganhou vários prêmios, entre eles o Emmy e o Globo de Ouro de 1999, como a Melhor Série Dramática. Foi mais uma obra incrível de J.J., também criador dos memoráveis Alias e Lost. Para quem está cansado das séries adolescentes atuais, em que personagens ricos e fúteis dominam o mundo e vivem de uma forma irreal, vale a pena voltar um pouco no tempo e se deliciar na trama de Felicity. Um clássico. 


texto Felicity, extraído do blog Guilty Pleaures, por Daniele Pinheiro



domingo, 20 de fevereiro de 2011

Outra perspectiva



"É sempre mais fácil chamar os outros de incompetentes do que aperfeiçoar a si mesmo."


Aperte o Alt, via twitter, @aperteoalt

sábado, 19 de fevereiro de 2011

O Discurso do Rei




Thayze Darnieri


Houve um tempo onde o medo era meu "melhor amigo". Encontrava no substantivo trauma um cantinho para resignar-em e justificar os excessos do meu drama, entretanto, com a mania de esconder guardei no profundo do inconsciente sentimentos meus que desconhecia: a coragem e uma gigantesca vontade de viver. O senhor do tempo é o único dono da verdadeira razão, demorou mais que o habitual e com uma mãozinha de um anjo da guarda superei pouco a pouco desde o medo de aspirador de pó até o desespero em ficar sozinha.

O Duque de York e o rei George VI, do devagar e instigante indicado ao Oscar O Discurso do Rei, e a sua odisséia para a superação de uma gagueira fruto de medos comuns descortinados no palco da realeza. O enredo explora o relacionamento entre o rei e o Lionel Logue, seu fiel companheiro, que apesar das diferenças de educação, status, princípios e ideologias encontram equilíbrio e mutuamente dão forma e brio as dificuldades na vida de ambos. Clássico sob medida e brilhante na atuação de Geoffrey Rush, o provocador fonoaudiólogo adepto de uma metodologia relativamente peculiar de sanar os dramas da fala que remeteu em alguns momentos ao também peculiar Josef Breuer, o fundador da psicanálise, devido à astúcia de métodos e os meios.






sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Diário de uma Paixão VIII




Ela tem razão quando diz que sou evasivo. Em dias como hoje, quando a memória dela desaparece, dou respostas vagas porque ao longo dos últimos anos já magoei minha esposa várias vezes, sem intenção, por causa de deslizes e coisas que eu disse sem pensar. Agora estou determinado a não deixar que isso aconteça de novo. Por isso, me seguro e me limito a responder somente o que é perguntado, às vezes não muito bem, e não falo nada voluntariamente.” 


trecho do livro Diário de uma Paixão, de Nicholas Sparks


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Confusão filosófica




"Por assim dizer, não é possível a um homem procurar nem o que ele sabe nem o que ele não sabe? Nem, por um lado aquilo que ele sabe, ele não procuraria, pois ele o sabe, e, nesse caso, ele não tem absolutamente necessidade de procurar; nem por outro lado, o que ele não sabe, pois ele não sabe nem mesmo o que procurar."

Platão

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Do lado de cá




"Do lado de cá, eu vivo tranquila
E o meu corpo dança sem parar
Do lado de cá, tem música, amigos e alguém para amar..."


trecho da música Do lado de cá, do Chimarruts

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Misery VI




Paul não sabia dizer, mas o simples fato dele quase não ter sentido dores na semana seguinte à amputação talvez fosse um bom indicador do quanto ele tinha chegado perto de afundar."

trecho do livro Misery, de Stephen King


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Eu minto




“O ser humano tem uma enorme capacidade de se iludir. Acho que somos os únicos bichos que optamos por uma vidinha feliz e alienada conscientemente.”

trecho da crônica É crer parar ver!, de Maria Paula, publicada em 21 de maio de 2006 no jornal Correio Braziliense


domingo, 13 de fevereiro de 2011

Apenas uma vez



Thayze Darnieri


Era urgente enterrá-lo, após um rio de lágrimas e um penoso luto. A morte é somente o ponto final de um livro escrito à mão composto por uma coletânia de textos dos mais variados estilos, entretanto, cada belo momento ou aquele período de crise transforma-se em sons que ecoarão por todo sempre. A palavra escrita é eterna, uma vez que, o tempo entre cada batida do coração escreve letra por letra o sentir que vivencia agora.

A pequena e independente produção irlandesa Apenas uma vez, é um desses capítulos que de tão bem escritos não duram para sempre na vida real, mas fica no ar o conto de fadas no lindo mundo da imaginação. Ele precisava dela, ela precisava dele, separados viviam as desesperanças de uma vida complicada e medrosa, juntos eles cantaram, literalmente, o sonho. A trilha sonora é completamente apaixonante em um enredo quase que completamente musicado, uma história simples, inocente e arrebatadora.



sábado, 12 de fevereiro de 2011

Diário de uma Paixão VII



Por isso eu mudei. Eu me tornei Fernão de Magalhães ou Cristóvão Colombo, um explorador dos mistérios da mente, e fui aprendendo, lentamente e de maneira estabanada, mas ainda assim aprendendo, o que tinha de ser feito. E aprendi o que para uma criança é óbvio. Que a vida é simplesmente uma coleção de pequenas vidas, cada uma vivida um dia de cada vez.”

trecho do livro Diário de uma Paixão, de Nicholas Sparks



sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Remédio para alma




"Só sei que nada sei".


citado por Platão, em Apologia de Sócrates, o primeiro discurso

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Suicídio




Thayze Darnieri


O suicídio é um ato social. A teoria de Durkheim propõe que o suicídio, um ação aparentemente individual, desenvolve-se a partir de um complexo quadro social. Para tanto, classificou quatro tipos de suicídio: o suicídio egoísta, em uma população com baixa solidariedade, o sujeito não se sente vinculado à sociedade, portanto, findar sua vida terá pouco impacto no resto da sociedade. No outro extremo, reside o suicídio altruísta, onde um indivíduo está extremamente ligado à sociedade, tanto que comete suicídio por acreditar que sua morte trará algum benefício para a sociedade.

Émile Durkheim vislumbrou a anomia, isto é, a ausência de normas entre a sociedade e o indivíduo. Sendo este outro fator para o suicídio, uma vez que mudanças drásticas sem qualquer alicerce ou certeza na sociedade ordena o suicídio anômico. Em contrapartida, há o suicídio fatalista, quando a sociedade controla exageradamente o cumprimento das regras e determina ao sujeito quase nenhuma possibilidade de mudança e tornando-o amarrado ao sistema.

Matar-se é um ato extremo. Nesse sentido, considero plausível as ideias proposta por Durkheim,  visto que o resultado acaba na morte do indivíduo quando ele se encontra no extremo altruísta ou egoísta, anômico ou fatalista. Entretanto, diante da nossa sociedade comodista entrevejo que o suicídio relaciona-se a questões de interesse individual, resignando as facetas fatalistas e altruístas do suicídio e multiplicando as motivações egoístas e anômicas.


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O Direito



"O Direito é, por conseguinte, um fato ou fenômeno social; não existe senão na sociedade e não pode ser concebido fora dela. Uma das características da realidade jurídica é, como se vê, a sua socialidade, a sua qualidade de ser social.

Admitido que as formas mais rudimentares e toscas de vida social já implicam um esboço de ordem jurídica, é necessário desde logo observar que durante milênios o homem viveu ou cumpriu o Direito, sem se propor o problema de seu significado lógico ou moral. É somente um estágio bem maduro da civilização que as regras jurídicas adquirem estruturas e valor próprios, independente das normas religiosas ou costumeiras e, por via de consequência, é só então que a humanidade passa a considerar o Direito com algo merecedor de estudos autônomos."


trecho do livro Lições Preliminares de Direito, de Miguel Reale

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Amor e Inocência




Thayze Darnieri


Foi amor à primeira vista, desde quando assisti a adaptação cinematográfica de Orgulho e Preconceito (2005) encantei-me pela abordagem de Jane Austen a respeito das obviedades do amor e sem perceber havia descoberto aquela que poderia tomar o posto de "escritor favorito". Logo li este livro e outras de suas publicações, vi mais filmes e estudei algo sobre a sua história.

Jane Austen era uma mulher temporalmente deslocada, enquanto as moças sonhavam com marido e filhos, a jovem Austen perseguia obstinada a sua única certeza: a paixão pela palavras. Histórias inocentes com linguagem simples, carregadas de ironia e pinceladas de humor, transformaram o singelo em arrebatador, demonstram a certeza do amor vivido que, diz a lenda, se recusou a casar por obrigação e viveu o seu grande amor.

Sempre considerei Elizabeth Bennet um personagem autêntico e o mais próximo da mulher que suponho ter sido Jane Austen. Entretanto, jamais havia descortinado a sua personalidade forte e inquietante como propôs o filme Amor e Inocência, um prato cheio para os admiradores da escritora inglesa, uma vez que mais do que uma história típica de Jane Austen o enredo pesa a mão na ânsia de ser fiel, que tenta mostrar a faceta Bennet de sua autora com direito ao verdadeiro Mr. Darcy, no entanto, com fortes pitadas de vida real.



segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A boa ficção




"Quando alguém nos pergunta que livros mais nos marcaram, ou quais os nossos escritores preferidos, quase nunca o faz por curiosidade desinteressada ou simples abordagem. Trata-se, isto sim, de um desafio para o duelo intelectual.

Em geral, aqueles que vivem o meio literário mais de perto – escritores, tradutores, críticos, editores, jornalistas, professores, etc. -, ao ouvirem uma dessas perguntas fatídicas, sentem-se logo obrigados a responder com nomes de prestígio indiscutível no cânone do momento. E quanto mais árdua para o leitor comum for a legibilidade dessas obras e desses autores, quando mais deprimido for o clima neles predominante, quanto mais ideologicamente bem vistos, melhor.

A minoria daqueles um pouco mais despreocupados com sua imagem, ou com independência de julgamentos um pouco maior, procurará nomes capazes de conciliar prestígio junto aos especialistas e a adesão pessoa efetiva, decorrente de uma leitura realmente mobilizadora.

Mas se você ouvir alguém, num rasgo de coragem quase suicida, afirmando ter sido marcado por um livro que os cânones rotulam de menor, ou incluindo entre seus escritores preferidos um autor considerado de segundo ou terceiro time pelos especialistas, agarre-se a essa pessoa como se fosse um tesouro, um interlocutor precioso.

Isso porque a verdadeira abertura para a arte da escrita, e para qualquer forma de arte, não aceita os filtros acadêmicos, as imposições canônicas ou as patrulhas ideológicas. O leitor realmente livre reage única e exclusivamente ao seu intransferível contato com o texto. Só ele, portanto, é capaz de construir um cânone próprio, em que as hierarquias são estabelecidas por sua própria subjetividade."


trecho de A grande ficção e o bom gosto, de Rodrigo Lacerda, na apresentação do livro O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas







domingo, 6 de fevereiro de 2011

Um clique




"O que eu nunca vou saber é porque faço tudo isso comigo só porque tenho tanto pavor do tédio. Era só isso o que eu precisava saber."


trecho do texto Eu preciso saber, de Tati Bernardi

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Misery V



"De uma coisa ele tinha certeza: havia muito mais coisa errada com ele de que a imobilidade, assim como havia mais coisa errada com o que ele estava escrevendo do que o ene que faltava, do que a febre, do que os lapsos na continuidade, do que a perda da sua energia. A verdade era tão simples quanto terrível; tão terrivelmente simples. Ele estava morrendo aos poucos, mas morrer desse jeito era tão ruim quanto ele temia. Mas ele também estava se apagando, o que era péssimo, pois envolvia uma certa debilidade mental."


trecho do livro Misery, de Stephen King

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Diário de uma Paixão VI


"Queria outra coisa, algo diferente, algo mais. Paixão e romance, talvez, ou quem sabe conversas tranquilas em salas iluminadas à luz de velas, ou talvez, algo simples como não ficar me segundo plano."


trecho do livro Diário de uma Paixão, de Nicholas Sparks

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Tolerância




“Ante-sala da assistente social (e psicóloga pública) de Blackheath, sul de Londres, às duas da tarde. Três moças aguardam a vez de contar por que acabaram de se separar dos respectivos maridos. A primeira tem 25 anos, um filho de dois, é vendedora em uma loja de equipamentos de informática.

A porta do consultório se abre e uma mulher negra aparentando quarenta anos, chama pela jovem: 'Senhora Adams, queira entrar, por favor'. A doutora confere os dados pessoais e dá início à conversa:

- O que seu ex-marido faz?
- Ele é contador.
- Há quanto tempo vocês estavam casados?
- A gente se casou logo depois que eu engravidei do Lucas. Faz uns três anos.
- Vocês vinham brigando muito ultimamente?
- Foi piorando, sabe... (olha para o chão). Eu gosto de fazer torradas de manhã, mas ele não suporta cheiro de pão de forma.
- Foi isso? - insiste a médica.
- À noite também estava ficando difícil. Ele só quer ver o canal de esportes. Não me deixa ver nada do que gosto. Eu tinha que ficar implorando para mudar de canal, para assistir a um filme na Sky. Isso foi me irritando profundamente.
- E não teve jeito?
- Não.

Sai a primeira, entra a segunda moça. Catherine, 29 anos. Cabeleireira. Uma filha de oito meses. Mudou-se com o bebê para a casa dos pais, que moram no mesmo bairro, há uma semana. Ela namorou quatro anos antes de se casar. Mas o casamento não durou muito nem um ano.

- O que o Jonathan faz?
 - É advogado e sócio de um pub, junto com o irmão mais velho.
- Por que vocês se separaram?
- Ele tem costume de levantar às seis da manhã para ler o jornal. Mas antes gosta de fazer a barba. Acontece que ele usa o barbeador elétrico. E o aparelho faz um barulho horrível.
- Você não reclamou disso com ele? - a doutora queria apenas detalhes...
- Eu cansei de pedir para que fechasse a porta do banheiro. Mas entrava por um ouvido e saía pelo outro. Eu acordava com aquele barulho insuportável... e não conseguia mais dormir!
- Quem tomou a decisão foi você, presumo...
- Eu ameacei pedir o divórcio se ele não me respeitasse. Fingiu que não ouviu. Continuou a usar aquele maldito aparelho às seis da manhã, de porta aberta.

Meia hora depois, chega a vez da terceira moça. A mais nova das três. Laura, 22 anos. Grávida de seis meses. Casou-se aos dezenove. Ela dá aulas de inglês em uma escola de línguas. O (ex-)marido, cinco anos mais velho, é gerente assistente em uma agência do banco Barclay's, em Greenwich.

- Não tem volta não, doutora. O Terence decidiu ir embora. E não quer saber de reconciliação.
- Mas e se ele se arrepender? Você o aceitaria de volta?
- Pensando bem... acho que não, mesmo sabendo que estou para ter nenê.
- Por quê?
- A gente brigava feio por qualquer coisa... Um dia é a comida que está gelada. Outro é porque eu não levei o Simpson no veterinário.
- O Simpson era o gato siamês. E continua.
- Eu também não gosto que ele fume na cozinha...
- E o que foi a gota d'água?
- Faz uns três meses que eu passei a usar um perfume adocicado, do Kenzo. Eu adoro. Mas o Terence reclamava que o cheiro provocava enjoo nele. Ele queria porque queria que eu não usasse mais o perfume.
- E você?
- Oras, ele tem três perfumes que eu detesto. Mas eu respeito o gosto dele. Ele deveria respeitar o meu também. Só que não. Eu continuei usando o Kenzo. Ele simplesmente fez as malas e saiu de casa. Egoísta! Vá com Deus!, eu disse.

Relatos assim há muito andam tirando o sono de assistentes sociais, psicólogos e dos governos. Enquanto o numero de casamentos despenca no Reino Unido, o de divórcios bate a estratosfera. E esse não é um sintoma exclusivo da ilha britânica. Em maior ou menor grau (pouco menor), anda atingindo as nações europeias mais importantes.

A leitura que se faz disso é cruel para uma instituição milenar chamada família. O jovem europeu quer saber cada vez menos de casamento. Prefere levar vida de solteiro, namorar, cada um no seu compromisso assinado em cartório.

Paralelamente, aqueles que fizeram a opção pelo casamento oficial, no papel, na igreja, com festa, andam se separando com uma facilitada assustadora. Não tem mais essa de pensar duas vezes antes de tomar a decisão. Ou até tem. Só que a decisão, na maioria dos casos, tem sido pelo rompimento.

Como disse bem uma amiga que está fazendo mestrado em psicologia, em Londres, as facilidades e a independência proporcionadas ao indivíduo pela vida moderna estão tirando dos casais a paciência para trabalhar o relacionamento. Qualquer coisa hoje desgasta a relação; qualquer pequeno atrito gera grande conflito.

O homem perdeu aquele medo de irritar a mulher, de transformar a vida em um inferno de lamentações e ressentimentos. A mulher por sua vez, não teme mais romper os contratos, abandonar os valores consagrados, a aprovação dos parentes, amigos e vizinhos. Seria isso mesmo?

As pessoas ficaram mais autênticas. Porém, menos tolerantes também. Já não se dispõe a investir tempo e esforços para contornar crises em casa, superar diferenças, acertar os ponteiros. Se alguma coisa não agrada a um ou a outro, é fácil ir tudo pelos ares. O excesso de individualismo teria chegado aos lençóis, como disse um estudioso espanhol dos conflitos no casamento.”


trecho da crônica Tolerância Zero, do livro Olhar Crônico, de César Tralli




quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Reticências




"Éramos amigos e agora somos estranhos um ao outro. Mas não importa que assim o seja: não procuremos escondê-lo ou calá-lo como se isso nos desse razão para nos envergonhar. Somos dois navios cada um dos quais com o seu objetivo e a sua rota particular." 


Friedrich Nietzsche



terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Misery IV




"Para ser um escritor é preciso ter um pouco de talento, mas o único pré-requisito de verdade é a capacidade de lembrar a história de cada cicatriz."


trecho do livro Misery, de Stephen King

Pop