sexta-feira, 30 de abril de 2010

respiração

 foto: Ernesto Rodrigues/AE




"Só na calma do corpo podemos descobrir as pressas da alma."




Padre Fábio de Melo

quinta-feira, 29 de abril de 2010

alguma sorte



"É bem possível que os homens estejam piorando, mas, por sorte, as mulheres estão cada vez melhor. Como assim?

Nas primeiras décadas depois dos anos 1960, parecia que as mulheres, para afirmar sua independência e conquistar sua cidadania, teriam que renunciar a ser "mulher", pois, por exemplo, a maternidade e o próprio desejo sexual eram considerados como caminhos de submissão ao homem e ao patriarcado.

Pois bem, (...) Mas não por isso elas dependem dos homens. Talvez seja porque não há homens de quem depender. Talvez seja porque elas são as novas mulheres -mulheres sem a culpa de serem 'mulher'."
 
 
trecho do texto Novas mulheres, de Contardo Calligaris, publicado no jornal Folha de São Paulo, no dia 29 de abril de 2010.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

blá blá blá



"Se você não sabe fazer algo bem feito, faça parecer difícil."


Bom dia por quê?, via twitter, @bomdiaporque

terça-feira, 27 de abril de 2010

quando?




"Em que momento os conflitos geracionais descambam para a falta total de empatia?

Jamais alcançaremos as particularidades e os antecedentes das vidas que não são nossas. Isso é trabalho de analista. O caminho que busco – até aqui sem ajuda de terapeuta – é construir minha história familiar o mais próximo possível dos meus sonhos. E acredito que, nessa busca, dois ingredientes não podem faltar: amor e atenção. Fiquemos atentos, então."


trecho do texto Eles terão orgulho de nós?, Isabel Clemente, no blog Mulher 7x7

segunda-feira, 26 de abril de 2010

por que não?



"As empresas preferem as pessoas que erram tentando fazer o melhor do que as que nunca erram porque nunca tentam nada diferente".
Angela Souza

domingo, 25 de abril de 2010

mente feminina mente




"Polêmicas à parte, quem discordaria de que homens e mulheres, sob determinados aspectos, são mesmo diametralmente diferentes?

Do alto da confessa ignorância desse que vos escreve, limitado pela simplicidade do sistema que lhe é natural, cabe ressaltar que, ao longo dos últimos 20 anos pelo menos, tentei, sem sucesso, compreender a essência feminina. Não que todo empenho tenha sido em vão, apenas não foi ainda suficiente. Como saldo parcial do processo, uma intrigante constatação: o que diz a mulher e o que ouve o homem (ou vice-versa) são como estações de trem, separadas por trilhos de uma montanha russa.

Não foram, portanto, poucas as vezes – e acredito estar falando em nome de muitos aqui – em que tive a nítida impressão de haver um tradutor, oculto e desregulado, distorcendo minhas palavras, intenções e sentimentos. Alguns poderiam chamá-lo de peculiaridade do gênero, outros, de TPM. Mas, antes que me atirem pedras, devo registrar que não atribuo toda culpa por tantos desentendimentos à síndrome. Claro que não. Caso a guerra entre os sexos fosse o mês de fevereiro, a TPM corresponderia apenas ao dias de Carnaval.

Mergulhando mais fundo na canhestra metáfora, não é difícil apontar paralelos entre a misteriosa fase do ciclo menstrual e a festa momesca: ambos são inevitáveis, encorajam mudanças abruptas de comportamento, se estendem por até 7 dias e podem causar enxaqueca. Se você é mulher e considerou que a esdrúxula comparação só poderia provir da cabeça de um homem, bem, acho que você está certa. Leitoras, por favor não tomem a brincadeira como falta de respeito, e sim como prova da absoluta escassez de subsídios que nos auxiliem a lidar com… a coisa.

Na ausência de provimentos adequados para enfrentar o inimigo, a estratégia mais sensata é retroceder. Em nosso caso, não é diferente. Quando a TPM transforma qualquer espaço em campo de batalhas, a experiência recomenda retirar a tropa e se esconder em local seguro, até que passe o turbilhão. Na prática, isso significa não perguntar ou responder nada, não pedir ou dar opinião sobre qualquer tema, não mencionar assuntos delicados, não fazer piadas, de preferência nem falar, mas, sobretudo, sob nenhuma hipótese perguntar : “você está naqueles dias, né?”

Agora me veio aqui um pensamento: imaginem quantos fatos históricos não foram deflagrados por uma TPM? Quantas guerras, tratados e rebeliões tiveram influência, direta ou indireta, da ebulição hormonal feminina? Quantos generais ou presidentes, munidos de espada ou caneta, se deixaram levar pelos apelos de suas mulheres, à beira de um ataque de nervos?

Não me espantaria se num futuro não muito distante alguém se dispusesse a bolar um jeito de monitorar tais oscilações com propósitos definidos, tal como se faz com as marés, as frentes frias ou as bolsas de valores. Ainda assim, como toda previsão, seria uma ciência inexata, o que nos levaria de volta ao ponto do qual partimos. Afinal, se para nós 2 e 2 é sempre igual a 4, para elas, as vezes, é 5."


trecho do texto 2 e 2 são 5, de Bruno Medina, no blog Instante Posterior

sábado, 24 de abril de 2010

tempero da vida




"Conversar com Paula me fez entender que eu estava levando as recomendações da minha avó muito ao pé da letra. Não se trata de conquistar alguém com comidas gostosas. Trata-se de ser capaz de um gesto de carinho com o outro. É uma questão muito mais emocional e afetiva do que de gula. Vendo meu namorado estressado, com os nervos em frangalhos nos últimos dias, resolvi preparar um jantar para ele se sentir amparado. Nada muito sofisticado. Em vez de esquentar o arroz e grelhar o frango de todas as noites, decidi fazer um risoto com o que encontrei nos armários e preparei um picadinho de frango com legumes. Peguei o super tempero secreto preparado pela mamis, misturei o arroz, tomate sem pele, palmito picado e requeijão. Cortei abobrinhas, cenouras, tomate e cebola para refogar junto com os bifes de frango que cortei em pedacinhos. Reguei tudo com shoyo. Uma hora depois coloquei o jantar na mesa. Meus amigos, estava horrível! O pobre do namorado, tentando agradar, disse: “está ótimo seu macarrão”. Acontece que decidi usar arroz integral em vez do comum, sem saber que ele demora muito mais tempo para cozinhar. Para ajudar, esqueci a panela no fogo enquanto escutava o namorado desabafar. O arroz, além de duro, torrou. O picadinho de frango tinha gosto de shoyo queimado, se é que isso é possível. Com a minha mania de não usar óleo, o frango pegou na panela e virou um refogado de queimado quando eu joguei o shoyo. Quando acabou a tortura, digo, a refeição, atacamos os restos de ovo de Páscoa. Foram exterminados. O arroz que sobrou foi para o lixo, apesar da minha dor no coração.

(...)

Perguntei para a Paula se essa história de cozinhar não era só para quem sabe, tem tempo e pode gastar muito com ingredientes especiais (os verdadeiros gourmets). “Cozinhar não é nada glamouroso”, ela me respondeu. “Eu até concordo que é necessário um pouco de tempo, mas, se uma receita tiver mais de 15 ou 20 ingredientes, eu não faço. As melhores comidas são as mais simples, feitas com ingredientes naturais, comuns.” Lembrei-me das receitas que fazem sucesso lá em casa e que foram passando de geração em geração. (...) Ao terminar o pequeno inventário gastronômico da família, tive de dar razão à minha avô e à Paula: cozinhar é um ato de amor (seja ele fraternal ou entre marido e mulher). Mas ainda não estou tão certa de que carinho ao cozinhar basta por si só."



trecho do texto A comida pode salvar um relacionamento?, de Marcela Buscato, no blog Mulher 7x7

sexta-feira, 23 de abril de 2010

um passo para a plateia




"Portanto, agora, quando eles sorriem pra mim, sentados de frente, quietos, eu apenas pergunto, já me tirando do lugar de ser gostada: e o que você tem pra mim, afinal? E eu sei futuramente que a resposta é avassaladora, passa por coisas alheias do tipo “nada” e por coisas lindas do tipo “e nada é a boa resposta, garota”. Mas por enquanto, ainda acho tudo assim mesmo. Uma grande e triste e quase intolerável maldade. Um dia, é só o que eu quero, eu vou ficar quieta e entender tudo. Quer dizer: eu vou é querer abrir mão de entender tudo."


trecho do texto Angústia, de Tati Bernardi

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O vermelho e o negro I




"É sobretudo a ele que me importa enganar, e ele me adivinha".


trecho do livro O vermelho e o negro, de Stendhal

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Brasília, a Capital da Esperança



"Brasília é uma epopéia digna das vastas possibilidades e aspirações desta nação".

Dwight D. Eisenhower


Ela sempre esteve ali ao lado, mas foi preciso mais que proximidade para que eu pudesse entender e então amá-la. Era um mundo novo, cuja terra forçosamente tornara fértil para as oportunidades e desejos desesperadamente ansiados: a Capital da Esperança, tornara-se reduto de sonhos desde a sua inauguração, destinada essencialmente para viabilizar mais que a existência embaixo do céu azul brilhante e nuvens de algodão.

Para mim, aconteceu após pequenos pulos, ao respirar profundamente à espera de coragem, percebi que compreendia os códigos e vontades típicos da cidade que adotaria como minha: quem mais ao ouvir "tesourinha", "Eixão", "L2", "W3", "entrequadras", "zebrinha" compreende para onde deve ir, isso sem citar as inúmeras siglas que, acredite, facilitam bastante a localização. Além de ler as vontades do clima, saber a época das chuvas intermináveis ou quando o umidade esquece daquelas terras e ar de tão seco machuca narinas e lábios.

Brasília tem alma, forma, verso e coração. Impossível explicar a sensação arrebatadora que me consome quando o avião pousa, um misto de alivio e paz, imagino que lá posso escolher ser fraca para ser acolhida e vulnerável para ser defendida. Portanto, por um motivo simples e talvez banal para alguns, é lá que escolhi viver, uma vez que de nada basta um mundo inteiro se nele bate um coração de pedra, aqui fortaleço a mente para saborear na volta o melhor do meu sentir.


Thayze Darnieri

terça-feira, 20 de abril de 2010

m&#%a




"Qualquer pessoa já foi incompetente pelo menos uma vez na vida. O problema é que, logo na sua vez, todo mundo percebe."


Bom dia por quê?, via twitter, @bomdiaporque

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Pausa?




Estão em reunião. O diretor financeiro na ponta da mesa, seguido, em ordem hierárquica, pelos gerentes, assistentes e estagiários. Precisam fazer uma projeção de lucros para o próximo ano. Ainda estão em maio, mas como o presidente tem um encontro com os investidores, pediu para ver esse número o quanto antes.

A reunião avança pelo horário de almoço. Os sanduíches permanecem intocados sobre a mesa. Ante a urgência do pedido, o presunto que pende dos pães lhes parece obsceno. Só os lápis são mordidos. O sub-gerente desmarca o cardiologista. A assistente desiste de ir ao banheiro com medo de perder alguma informação importante. Seguem debruçados sobre as planilhas, rabiscando taxas, quotas, alíquotas, porcentagens, remunerações, reduções de custos, cortes de salário, em busca de algum dígito que satisfaça a ânsia dos investidores.

Estão tão absortos que nem percebem quando Antônio, chefe do almoxarifado, oitenta e quatro anos, entra pela porta, trazendo consigo um dvd. Antônio avança pela sala com passadas pausadas e curtas. É de um tempo em que era preferível perder o trem do que caminhar com deselegância. Ele para na frente do aparelho. Aperta os botões com cautela.

It’s lovely to look at you, uma voz sussurra. Os executivos levantam o rosto. Vêem Fred Astaire declarando-se para Ginger Rogers. Os dois balançam o corpo para o mesmo lado, presos apenas pelo olhar um do outro. Fred Astaire engancha Ginger Rogers pela cintura. Os dois saem flutuando juntos, a despeito da gravidade, enlevados pela música.

O almoxarife está inclinado em direção à tela, um sorriso vincando as rugas, o pé batendo no ritmo da música, como se estivesse sozinho no ambiente. Quando Fred Astaire e Ginger Rogers saem do salão, sob os aplausos da orquestra, Antônio retira o dvd. Desculpa-se pela interrupção e fecha a porta atrás de si.

Ninguém consegue dizer uma palavra. Olham para os números, os gráficos, o relógio de parede, a persiana de metal, a foto do presidente, em busca de algum ensejo, alguma resposta, mas tudo parece estalar mudo no silêncio. Permanecem assim durante um longo minuto. Até que alguém formula uma pergunta: devemos levar em conta os custos fixos?, e tudo volta a ser como era antes.


texto Interlúdio, de Giovana Madaloso, no site Blônicas

domingo, 18 de abril de 2010

Almoço de domingo



Thayze Darnieri


Há quem diga que o melhor da festa é esperar por ela. Anseio, toda semana, pela chegada do domingo, quando o almoço não é feito por mim. Longe de mim considerar o ato de cozinhar um desprazer, me afogo no fogão em meio a fervuras e temperos com alegria, deleito-me ao idealizar pratos, misturas e combinações à espera do olhar crítico da plateia. Dedico criatividade, coragem, loucura, pesquisa e experiências em ideias, vontades e intuição a fim de um bom prato, nem sempre dá certo.

Entretanto, apesar do prazer em estar a frente das panelas, a cobrança excessiva por resultados saborosos em tempo hábil, às vezes, sobrepuja as sensações positivas e me encaminha direto ao sonho da mesa de domingo. Sem qualquer preocupação, sento-me a mesa responsável apenas por saborear o chamariz do histórico "almoço de domingo", com sabor de aconchego do lar e tempero de mãe, em pratos infalivelmente deliciosos.

sábado, 17 de abril de 2010

Curry




O caril ou curry é uma mistura de especiarias muito utilizada na culinária de países como Índia, Tailândia e alguns outros países asiáticos que, inicialmente, servia para temperar exclusivamente o arroz. Um preparado típico da culinária indo-portuguesa feito à base de pó amarelo de açafrã-da-índia, cardamomo, coentro, gengibre, cominho, casca de noz-moscada, cravinho, pimenta e canela. Para além destes ingredientes básicos, outros são incluídos, de acordo com as preferências: alforva, pimenta-de-caiena, cominhos finos, noz-moscada, pimenta-da-jamaica, pimentão e alecrim, alguns chegam a levar até setenta plantas diferentes. 

A introdução da palavra caril na língua portuguesa remonta a 1563, data do primeiro registo escrito, tendo tido como origem a língua tâmil. Apesar da sua antiguidade, a forma caril é pouco empregada no Brasil, onde são mais populares as formas inglesa curry ou japonesa carê, respectivamente para as culinárias indiana ou japonesa.


fonte: Wikipédia

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Hamlet VII



"Existe uma previdência especial até na queda de um pássaro. Se é agora, não vai ser depois; se não for depois, será agora; se não for agora, será a qualquer hora. Estar preparado é tudo. Se ninguém é dono de nada do que deixa, que importa a hora de deixá-lo? Seja lá o que for!"


trecho do livro Hamlet, de William Shakespeare

quinta-feira, 15 de abril de 2010

De volta a faxina




 "Comecei limpando as prateleiras. Depois fui para as gavetas. Tirei e dobrei a roupa de cama. Dei aquela caprichada no espelho, para tirar as manchinhas. E, para fechar com chave de ouro, aspirador de pó!

(...)

Pode ser porque era o lugar pequeno, e nem demorou tanto, ou porque fazia tempo que eu não fazia uma verdadeira faxina. Fato é que me senti feliz ao apagar a luz e deixar para trás aquele quarto cheirando à limpeza.

(...)

Talvez porque eu sempre associasse o trabalho doméstico a uma imposição da sociedade às mulheres. Aqui, longe da sociedade onde me criei, e do peso do dia a dia, me senti feliz e relaxada com o pano em punho, preocupada com a poeira que ficou no cantinho da gaveta.
Longe de mim dizer que devemos voltar a ser Amélia. Mas é exatamente porque deixamos de ser que podemos até curtir fazer faxina, cozinhar, lavar louça, o que for."


trecho do texto O Poder relaxante da faxina, de Letícia Sorg, no blog Mulher 7x7

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Um dom






No que se refere à capacidade de argumentação, parece haver consenso quanto ao fato de a humanidade se dividir em dois grandes grupos distintos: o dos que sabem e o dos que não sabem discutir. Reparem, no entanto, que esse talento ou, se preferirem, esse “dom”, em nada se relaciona a ter ou estar com a razão; a bem da verdade, desenvolver a referida aptidão costuma ser a estratégia adotada por quem tem hábito de entrar em bate-bocas desprovido de munição apropriada para defender seu ponto de vista, e, por isso, apela. Pois se é a racionalidade o principal aspecto que difere o homem de todas as outras espécies, o que, em tese, nos desobriga de resolver disputas pela imposição da força física (embora muitos nem sempre se dêem conta disso), a incapacidade ou a impossibilidade de aplicá-la sobre questões do cotidiano é justo o que nos aproxima da porção animal. Afinal, existe algo mais enlouquecedor do que sair de um debate com a desconfiança de ter sido derrotado por ironia ou frase de efeito?

Porque, na prática, o que se leva de uma discussão não é a quantidade ou a qualidade dos argumentos proferidos, mas sim a lembrança de como ela terminou. Pouco importa o sujeito passar 10, 15 minutos enfileirando os motivos que lhe concedam toda razão do mundo sobre o tema abordado; se no final da pendenga, mesmo em desvantagem, a outra parte encaixar um daqueles golpes fatais em forma de sentença – desses para os quais não há forma de se precaver – toda falácia terá sido em vão.

Eu, por exemplo, pertenço ao que poderia ser denominada uma subdivisão da categoria dos que não sabem discutir. Estou entre os que formulam a resposta perfeita, mas alguns minutos depois do momento propício para dá-la. Sobretudo na infância, foram muitas as vezes em que a réplica para frases iniciadas por “e você que….” ou “mas eu pelo menos…” só veio a caminho de casa ou na manhã seguinte ao quiprocó, quando era tarde demais para se beneficiar de seu efeito arrasador. Para os que sofrem desse mal não há outro remédio senão apenas imaginar a sensação de vingança, a reação estupefata do oponente e a aclamação pública junto aos ocasionais espectadores.

Cá entre nós, agora que o dia das crianças já passou, podemos reconhecer a capacidade singular que elas em geral possuem para destruírem seus similares. É no pátio da escola, portanto, onde se encontram as melhores chances que qualquer pessoa terá para aprender a… pensar rápido. Pressionado pelo risco de tomar na frente da turma um “morallll”, “toma-te”, “créu” ou qualquer outra dessas temíveis interjeições, somos submetidos ao penoso porém necessário exercício do confrontamento.

A partir daí cada um escolhe – ou aceita – o tipo de discutidor que virá a se tornar. O mais interessante nessa história toda é que não se conhece o grau de habilidade de quem quer que seja a menos que se instaure uma situação de atrito. Trocando em miúdos, há sempre a possibilidade do ser amado se revelar um legítimo patife na hora do vamos ver. Pelo sim pelo não, a título de precaução, recomenda-se desde o início do namoro ter em mente uns defeitinhos do outro que possam ser úteis em momentos adversos.


texto Moral, de Bruno Medina, no blog Instante Posterior

terça-feira, 13 de abril de 2010

Ela




"A compreenção de um amigo me transforma, Deus se revela através dele nos momentos em que eu mais preciso. Amigo é aquele que leva guaradado em seu peito meus erros, minhas feridas, misérias e defeiros, sem se quer jogar em minha cara o que eu tenha feito ainda que eles tenham razão."


Ziza Fernades

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Hamlet VI



"Mas por saber que o amor se constrói com o tempo, vejo casos que provam isso - O tempo lhe modifica a centelha e o ardor. Dentro da própria chama da paixão vive um pavio ou abafador que arrefece sua luz. E nada mantém a qualidade inicial: pois a qualidade, tornando-se pletórica, morre do próprio excesso. O que queremos fazer está sujeito a tantas demoras e desânimos quantas são as línguas, as mãos e os acidentes que o cercam. E assim esse devemos é um suspiro excessivo que, aliviando, dói."


trecho do livro Hamlet, de William Shakespeare

domingo, 11 de abril de 2010

A vida de David Gale




Thayze Darnieri


Uma história para ter alma é impreterível que nasça de algum sentimento. O genial A vida de David Gale certamente brotou da confiança, aquele sentir que sobrepuja léguas o exaltado amor, a mais poderosa arma diante de qualquer adversidade, difícil na conquista, dolorosamente fácil de perder.

A vida de David Gale é arrebatador em alma e vida, uma vez que a palavras formadas em seu roteiro surgiram de uma mente inquieta focada em transcrever a cerca da injustiça ou não-justiça da pena de morte, provocando a realidade conturbada vivida por um corpo, até que se prove o contrário, desesperadamente injustiçado.

Para tanto, em face dos temas geradores não cabe ao espectador lugar menor do que juiz, no entanto, quando mais adentra-se ao universo do enredo, a justiça toma feições menores. Ao testemunhar a perspectiva de Gale veste-se, por diversas vezes, a carapuça da morte, da justiça, do medo, do perdão e da segunda chance, vacilando sempre na incerteza na escolha do provável desfecho. Sendo assim, a personagem Bitsy, de Kate Winslet, a ficção do roteiro, incorpora o espírito de quem presencia as quedas e fôlegos do réu.

Brilhante em sua essência, pertubador nos questionamento, surpreendemente corajoso. Prova, por fim, que os anos trouxeram para o cinema multifacetados efeitos visuais, ao passo que a alma nas histórias está prestes a ruir.

sábado, 10 de abril de 2010

mais parece mágica




"Você não precisa cozinhar obras-primas bonitas e complicadas. Bastam preparar boa comida de ingredientes frescos".


Julia Child

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Devaneios nostálgicos

foto: Thayze Darnieri



Thayze Darnieri


Nos olhos dele era possível mergulhar em busca das lembranças de um tempo que não volta mais. Respirei mais fundo, por um segundo, resgatei em mim aqueles anos particulamente inesquecíveis: quando a felicidade era coisa simples, talvez pelo desuso arbitrário de preocupações e responsabilidades. O futuro era inacreditavelmente promissor, diante do parâmento retumbante do olhar juvenil idealista, a vida voava sozinha em busca de sonhos.

Tramas e reviravoltas, vilãs e mocinhos, romances e palavras desencontradas, a vida parecia filme de "Sessão da Tarde". A ingenuidade me permitia viver em mundo paralelo no período em que me questionava passional, o sofrimento latejava, a lágrimas doíam e a felicidade palpitava no peito. Forçosa ou casualmente, a linha do tempo corre, o enlatado americano vira clássico francês, o drama água com açúcar toma corpo e ares de nobreza, bem como o terror apelativo veste um suspense cruel, para tanto, a existência cria consistência à procura de sentido.

O devaneios da nostalgia paralisam, olho do outro lado da mesa e vejo a esperança: dentro de uma velha obra em capa dura guardaram as memórias de uma história frutífera de amizade, ainda assim, a vida seguiu o seu rumo, mas volta e meia o livro calha naquela página e aproveita-se para respirar um fôlego daquelas sensações e, logo, regressa ao mundo real.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Erros e mais erros





“Quando o homem compreende sua realidade, pode levantar hipóteses sobre o desafio dessa realidade e procurar soluções. Assim, pode transformá-la, e com seu trabalho pode criar um mundo próprio: seu e sua circunstâncias.”



Paulo Freire

quarta-feira, 7 de abril de 2010

desordem de pensamentos





"O exercício de escrever crônicas, como é de se supor, frequentemente envolve a angústia de não se ter claridade quanto ao próximo tema a ser abordado. Pois eis que aqui está uma janela a expor um olhar sobre o cotidiano, e cabe apenas a mim definir, dia após dia, o que será visto através dela. Acontece, por vezes, de dois ou mais temas surgirem como candidatos, e em seguida se digladiarem pela chance de ganhar vida através da leitura de vocês; pela experiência adquirida, quando as forças se apresentam em seus cantos no ringue, é chegada a hora de assistir ao embate, até ser convencido por uma vitória soberana."


trecho do texto Passo em falso, de Bruno Medina, no blog Instante Posterior

terça-feira, 6 de abril de 2010

é verdade?





"Nessa overdose de lucidez eu entro em contradição".


Mauricio Baia, via twitter, @mauriciobaia

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Perfeição





"Algumas coisas, por mais impossíveis e malucas que pareçam, a gente sabe, bem no fundo, foram feitas pra um dia darem errado."


trecho do texto Onde achar um homem interessante em São Paulo. Ou não, de Tati Bernardi, no blog São Paulo: Crônicas com Endereço

domingo, 4 de abril de 2010

Para casa

foto: Marília Rodrigues




"Luz acesa, me espera no portão / Pra você ver / Que eu tô voltando pra casa / Me ver / Que eu tô voltando pra casa / Outra vez"

trecho da música Casa, de Lulu Santos


Em uma era muito distante, quando ainda era preciso fazer força para pular tão alto que pudesse alcançar o vão da porta, eu não ligava para espaços. Até que o ponto de não dar mais chegou, era irrevogável uma decisão que reinventasse aquela existência amuada, a porta se fechava as minhas costas e não havia para onde ir.

Pulei de galho em galho, por grande sorte ainda existem anjos da guarda que amparam a queda em qualquer instante. Ontem deixei a primeira nuvem que me acolheu, em meio a lágrimas e olhares zelosos, deixava sem dor, a casa onde comecei a enfrentar a vida de frente. Ia embora, mais uma vez em direção a minha casa, sentir os ares do lar que dia após dia ao lado dele, construi uma história com dias felizes e utensílios de cozinha, brigas e fotografias, silêncio e manias latentes, móveis e receitas novas.

Para tanto, hoje, poucas coisas me deixariam tão extasiada em felicidade do que abrir a porta e ver a personificação de uma sensação indescritível.


Thayze Darnieri

sábado, 3 de abril de 2010

Absinto




O Absinto é uma bebida destilada feito da erva Artemisia absinthium, criada inicialmente para fins medicinais, na Suíça por volta de 1792, pelo médico francês Pierre Ordinaire. Popularizou-se, no fim do século XIX, com o uso inveterado dos artistas da época talvez devido ao suposto efeito alucinógeno e comprovada porcentagem elevada de álcool (entre 40% e 85%).

A apelidada fada verde, devido a cor verde-pálida, encontrada ainda na forma transparente ou envelhecida, na cor castanho claro é servida, originalmente, com torrão de açúcar e láudano, este último um opióide. Sem o láudano, atualmente pode ser consumido com água, que reduz a graduação alcóolica da bebida, desta forma, sobre o copo com a bebida é colocada uma colher perfurada que sustenta o torrão de açúcar, e por onde passará a água gelada que será vertida lentamente sobre o torrão.

Na Europa do início do século XX o absinto foi considerado uma de droga de massas, levando a população ao alcoolismo e, segundo médicos da época, ocasionando outros problemas de sáude, inclusive mentais. No entanto, em 1908, por plebiscito popular, foi proibido na Suíca, outros países seguiram e em 1913 os EUA e quase toda Europa haviam adotado a proibição. Apenas na Espanha, Portugal, Dinamarca e Inglaterra ainda era permitido o consumo, desde que respeitados alguns preceitos. No Brasil, só foi legalizado em 1999, porém respeitados o limite máximo de teor alcoólico permitidos por lei: 54ºGL.

fonte: Wikipédia


A maneira mais interessante de servir absinto, o tcheco.


sexta-feira, 2 de abril de 2010

Paixão pelo chocolate




Thayze Darnieri


Até o último Natal, este era mais um trauma: derreter chocolate. Obviamente, resultado de uma experiência sem sucesso: quando menor, já dando meus saltos pela cozinha inventei um mini-bolo para presente de aniversário, este levaria riscas de chocolate branco para incrementar o visual repetido da cobertura solitária de brigadeiro, contudo era impreterível transformar o duro chocolate em uma massa maleável.

Sem a teoria e o conhecimento acerca da natureza do chocolate, picotei e deliberadamente joguei as lascas no microondas, em potência alta e muitos minutos initerruptos depois, vislumbrei algo jamais visto, chocolate queimado. Após o ocorrido e um bem bolado segundo plano, esqueci ta al faceta do chocolate.

Superado, bastante tempo de sobra e a não-original vontade de preparar chocolates para a Páscoa, enredei-me a nova atividade com receio, ainda que despretensiosa a respeito do resultado. Algumas horas e uma quantidade exagerada de trufas depois, sobrou a incontável sensação mágica de encontrar no chocolate prazer além do apenas cozinhar, sentia, nas etapas do preparo, que transmitiria de mordida em mordida todos os sentimentos depositados no toque, na temperatura, na textura, nos detalhes menores, no amor, na decicação, no cuidado mais do que em qualquer outra tentativa culinária.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Com retoques





"Se meter uma câmera na casa dessas pessoas que ficam tirando onda de super politicamente corretas, o que aconteceria? Nasceria um anjo..."


Tico Santa Cruz, via twitter, @ticostacruz

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