domingo, 31 de janeiro de 2010

silêncio masculino




"Mas atire a primeira pedra a mulher que nunca ligou novamente depois de dar de cara com a secretária eletrônica. Sempre bate aquela esperança de que a pessoa não tenha ouvido ou não tenha tido tempo de atender e que você deve dar pelo menos mais uma chance antes de deixar um recado.

Estava pensando sobre as razões para esse comportamento e concluí que pode ter a ver com a relação de nós, mulheres, com o silêncio. Em geral somos mais ruidosas – basta entrar em um elevador com um grupo só de homens ou só de mulheres para comprovar – e, ao que parece, nos acostumamos com esse diálogo contínuo.

Numa mesa de bar com amigas, o silêncio seria visto como falta de assunto, como um certo mal-estar depois de um comentário estranho ou um sinal de tédio. Já para os homens, tenho a impressão, a falta de palavras não seria interpretada necessariamente como negativa: pode ser simplesmente que está todo mundo feliz, reunido em torno de uma cervejinha, e está tão bom que, às vezes, não é preciso falar nada.

Nem é preciso dizer que essa diferença na interpretação do silêncio é, muitas vezes, responsável por desentendimentos entre os casais. Em geral, mas mulheres questionam: “Por que você está tão quieto?”. E os homens rebatem: “Por que você quer falar sobre isso de novo?”

Comecei a pensar sobre as diferenças entre homens e mulheres em relação ao silêncio recentemente, depois de ver O Segredo de Brokeback Mountain pela primeira vez, cinco anos depois do lançamento. Não me lembro exatamente das críticas ao filme na época, só que causou polêmica pelo relacionamento gay. Mas, para mim, o que mais chamou atenção foi o silêncio.

Na minha opinião, o filme mostra com muita sensibilidade a visão masculina para a ausência de palavras. Não foram necessárias muitas para que o amor entre os vaqueiros Ennis Del Mar e Jack Twist nascesse, na montanha Brokeback. E não foram necessárias muitas para que ele continuasse ao longo dos anos. Não que o silêncio não tivesse seu lado ruim – o segredo era a única forma de proteger os dois do preconceito –, mas ele também carregava muita ternura e entendimento.

O fato de, por aqui, eu ficar muitas horas em silêncio, na biblioteca, lendo ou escrevendo, talvez tenha me levado a fazer essas reflexões e a repensar minha própria relação com essa ausência da fala. Em vez de preocupação ou tédio, é para mim, agora, paz e entendimento."


trecho do texto As mulheres e o silêncio, Letícia Sorg, no blog Mulher 7x7

sábado, 30 de janeiro de 2010

O Casamento de Rachel





Thayze Darnieri


É natural do humano gerar conflitos. No entanto, nessa lógica equação respeita-se a ironia: quanto mais próximo, maior a chance de desentendimento, talvez a proximidade dos laços institivamente chame a intimidade e o livre trânsito pelo universo alheio. O outro supõe-se capaz no direito de interferir com atos e palavras nos acontecimentos e decisões individuais, bem como destrói barreiras e bolhas sem se certificar antes se dói.

Imagine, no âmbito familiar que subentende relações viscerais, devido a personalidade genética e as ligações sanguíneas. Para tanto, gens não garantem afinidades muito menos relacionamentos cordiais, como prova o filme O Casamento de Rachel, que permeia o conturbado amor fraterno entre duas irmãs à beira de um ataque de nervos, ao passo que os pais apáticos e ao mesmo tempo culposamente zelosos, permanecem sem pulso em qualquer situação.

Kym e Rachel, não são mais crianças, moldaram suas vidas com liberdade, entretanto, vislumbra-se que o excesso de autonomia foi prejudicial tanto para aparentemente bem sucedida quanto para viciada em recuperação. Estabeleceu-se caminhos sem volta mediados por rancores e arrependimentos, contudo, por ora resta apenas recriar o respeito mútuo e apesar dos pesares selar a paz quando a distância é a melhor companhia.



sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

The Cranberries





Thayze Darnieri



A noite de hoje me remeteu a um dia por pouco perdido na memória: nós mal nos conhecíamos, mas sua figura notável já havia arrebatado a minha atenção. Aquele dia marcava a data de nascimento de um amigo, quando não importava mais contar os anos, eis que enquanto procurava palavras que se encaixassem, logo abaixo na página de Orkut, vi o nome dele somado a algumas inscrições por ora sem significado, ilustrado com uma foto despretenciosa e ao mesmo tempo instigante.

Não sabia, seria ele o escolhido para trilhar e acompanhar os meus passos dali para frente. Para tanto, o ainda desconhecido suscitou a ânsia em desvendá-lo, mesmo superficialmente, usando o universo virtual como ferramenta, dirigi-me as fatídicas comunidades, que não dizem nada, contudo amostragem por amostragem esta se enquadrava mais no que entendo por conhecer. No fim, ficou apenas a pergunta: quem é Dolores O'Riordan?

Logo, descobriria, sem pesquisar ou perguntar, que esta era a vocalista da banda irlandesa The Cranberries. Conta a história que os irmãos Noel e Mike Hogan criaram a banda em 1989 e poucos meses depois, Fergal Lawler entra para o projeto cujo nome original era The Cranberry Saw Us. Somente mais tarde, a maravilhosa voz de Dolores completaria a formação, ao vencer o teste compondo a letra de Linger.

Finalmente, hoje, fomos sentir de muito perto a banda em ação. Para ele, uma emoção indescritível ou talvez perto do que Mauro Pietrobon escreveu: "O cérebro da pessoa grita, o cérebro da pessoa treme, o cérebro da pessoa simplesmente entra em pânico, por alguns instantes a pessoa pode dar tilt, podendo então perder o equilíbrio e cair no chão; ou simplesmente sentar-se lentamente numa cadeira; poderia ainda escorrer uma lágrima, uma simples lágrima; ou ainda poderia ter um sorriso estampado em seu rosto."

Diante disso, jamais me perdoaria por não presenciar tamanha emoção. O show foi extraodinariamente belo, no entanto, por vezes ouvia o silêncio ao me perder admirando o brilho nos olhos daquele que parecia não crer na realidade do que vivia.


fonte: Wikipédia

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Não






"Não temo a solidão. Eu temo é gostar demais de ficar só."


Tico Santa Cruz, via twitter, @ticostacruz

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Hamlet III




"A imaginação o arrasta a qualquer ousadia".



trecho do livro Hamlet, de William Shakespeare

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

senta aí...





"Ah, por favor! Tem de ser muito ingênua para acreditar que um dia vai aparecer na sua porta o homem dos sonhos, preparado para atender a todas suas expectativas para o resto da vida. E que um casamento vai causar para sempre aquele friozinho bom na barriga de começo de paixão. Aceitar isso não é desespero, é maturidade.

(...)

Ao longo da vida, nos apaixonamos por muitas pessoas, inclusive, pelas erradas. Mas, admirar, só admiramos uma. Nesse ponto, Lori está certa. Precisamos ter paciência para deixar que as pessoas nos mostrem o que elas têm de melhor. E confiar que elas o farão."


trecho do texto Em busca do homem perfeito, de Marcela Buscato, no blog Mulher 7x7

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Dia de São Paulo





Num 25 de janeiro como hoje, numa capelinha de roça poeirenta com paredes de barro, a quilômetros e quilômetros de qualquer lugar civilizado, longe do mar, longe de tudo, no meio do mato, nos confins do sertão, celebrou-se uma missa. Anos depois, a história escolheu essa missa como o marco da fundação de São Paulo. Mas, naquele 25 de janeiro de 1554, não se deu nenhum ato solene, nenhuma inauguração, nenhum festejo oficial. Apenas uma missa inconsequente, reunindo uma dúzia de jesuítas e sabe-se lá quantos índios curiosos.

A cidade de São Paulo não surgiu em 1554. O que havia, então, era apenas um colégio no qual padres, desiludidos de levar seus corrompidos conterrâneos brancos ao caminho de Deus, tentavam converter as almas mais puras dos índios. Os índios se deixaram converter, mas pouco depois foram perdendo o interesse naquela chatice de Deus e pecados e começaram a abandonar o colégio para voltar para o mato. São Paulo quase desapareceu, quase acabou.

Mas aí surgiu por aqui a primeira atividade econômica da terra, a primeira de muitas tentações atraindo forasteiros em busca de dinheiro: caçar índios para fazer escravos. Foi assim que São Paulo nasceu de verdade: como o foco de onde partiam os caçadores de escravos.

Por muitos e muitos séculos, São Paulo não era um lugar para construir a vida – era só uma passagem. Por aqui se passava a caminho da caça aos índios no interior, no Paraná. Depois, por aqui se passava a caminho das minas de prata e ouro de Minas, do Mato Grosso, de Goiás. Depois, por aqui se passava carregando o café, plantado no oeste do estado, a caminho do porto de Santos. Passagem. Sempre passagem.

São Paulo só foi virar um lugar mais definitivo, um destino, onde se constrói coisas para durar, no final do século 19, com a industrialização e a multidão de imigrantes que lhe forneceu mão-de-obra. Mas, ainda assim, permaneceu entranhada a sensação de um lugar temporário, de uma passagem. Tanto é assim que, numa pesquisa do Ibope divulgada recentemente, 57% dos 11 milhões de paulistanos declararam que mudariam daqui se tivessem condições.

São Paulo é tão passagem que, há anos, os prefeitos daqui dedicam a maior parte de sua energia e dos seus recursos construindo novas vias para os carros passarem. O atual prefeito, por exemplo, está alargando as avenidas marginais, que correm ao lado do decrépito Rio Tietê. Agora o asfalto vai até a beiradinha do rio, deixando espaço para um carro a mais passar.

Mais carros significa mais monóxido de carbono, o que aumenta a possibilidade de tempestades. Mais asfalto significa mais chuva, e menos capacidade de absorver a água em excesso. O prefeito, inocente, alega que as enchentes que estão submergindo a metrópole no último mês são culpa da chuva em excesso. Verdade. Mas ele parece não ver o óbvio: que as chuvas em excesso são consequência direta da nossa relação com a cidade, que vemos como apenas um lugar de passagem. Ninguém faz planos de longo prazo para São Paulo. Ninguém sonha com o futuro da cidade. Ninguém planeja a metrópole de 2030, de 2050, de 2080: um lugar de convívio, um lugar para viver. Apenas alargamos as avenidas para que São Paulo continue sendo um lugar para passar.

São Paulo é rica, é dinâmica, é uma força que vai mover um pedaço grande da economia mundial no século 21. Mas seu modelo urbano é caquético. Administrações visionárias têm proposto um novo modelo urbano em metrópoles latino-americanas como Bogotá e Cidade do México. Enquanto isso, nossos prefeitos continuam firmemente atolados no século 20.


texto Cidade de passagem, Denis Russo Burgierman, publicado na revista Veja on line

domingo, 24 de janeiro de 2010

Ser filho...

foto: Arquivo pessoal



Nós estamos acostumados a ler e a ouvir mensagens que falam o que é ser mãe.
Mas o que é ser filho?


Ser filho é reconhecer que alguém tornou sua vida possível e se sacrificou para que você viesse a ser o que é.

Ser filho é lembrar que alguém se alegrou com suas vitórias e chorou com você em suas derrotas.

Ser filho é entender que aquela que tantas vezes lhe perdoou pode um dia precisar de perdão.

Ser filho é ser mãe às avessas e um dia cuidar de quem cuidou, alimentar quem alimentou e amparar quem amparou.


Ser filho é sentir a falta daquela que foi mãe e tantas vezes sentiu a falta daquele que era filho.



poema Ser filho é..., de Mario Persona

sábado, 23 de janeiro de 2010

Parque da Independência

foto: Vitor Veríssimo



Thayze Darnieri


É fascinante abrir a janela e ver lá fora uma imensidão de história envolta em meio aos prédios ao saborear pedaços do passado nesse turbilhão de novidades. Hoje, o destino é novamente o Parque da Indepedência que junto ao riacho do Ipiranga, onde Dom Pedro I proclamou a independência de Portugal, abriga a Casa do Grito, o Monumento à Independência e o Museu do Ipiranga.

Diz a lenda que a atual Casa do Grito, serviu de pouso para D. Pedro na noite anterior do "Independência ou Morte", tanto que é possível vê-la na famosa obra de Pedro Américo de Figueiredo. Restaurada a estrutura de pau-a-pique, aberta a visitação conta um pouco da história de seus primeiros moradores e a sua ligação com o momento histórico.

O grandioso monumento, também chamado de "Altar da Pátria", circuscrito "às margens plácidas", é um conjunto escultórico em granito e bronze idealizado e executado pelo escultor italiano Ettore Ximenes, por ocasião do primeiro centenário da Independência e inaugurado ainda incompleto em 1922. Em sua cripta está instalada a Capela Imperial, construída 1952 para abrigar os restos mortais de D. Pedro I, de sua primeira esposa D. Leopoldina e sua segunda esposa Amélia de Leuchetenberg.

Por fim, o pomposo prédio do Museu do Ipiranga, que conta com grande acervo de objetos, mobiliário e obras de arte com relevância histórica, especialmente aquelas que possuem alguma relação com a Independência do Brasil e o período histórico correspondente. Para tanto, a principal obra de seu acervo é o quadro encomendado por D. Pedro II a Pedro Américo a fim de retratar o momento do grito que libertou o Brasil.

No entanto, apesar do derramar imponente dos elementos por todo o parque, tenho maior predileção pela escadaria de entrada do museu, devido ao seu valor histórico não se ater apenas ao povo paulistano, mas celebrar o desbravar do Brasil: no corrimão estão colocados esferas com águas dos rios destrinchados entre os séculos XVI e XVIII, nas paredes estátuas dos desbravadores bandeirantes, bem como as regiões por onde passaram mais notoriamente e ao centro D. Pedro I como herói da Independência.


sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

mais uma de amor

foto: Thayze Darnieri



"A confidência corrompe a amizade, muito contato a consome, o respeito a conserva."



Cícero

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Hamlet II





"E trata de guardar estes poucos preceitos:
Não dá voz ao que pensares, nem tranforma em ação um pensamento tolo.

Os amigos que tenhas, já postos à prova,
Prende-os na tua alma com grampos de aço;
Mas não caleja a mão festejando qualquer galinho implume
Mal saído do ovo. Procura não entrar em nenhuma briga;

Mas, entranto, encurrala o medo no inimigo,
Presta ouvido a muitos, tua voz a poucos.
Acolhe a opinião de todos - mas você decide.
Usa roupas tão caras quanto tua bolsa permitir,
Mas nada de extravagâncias - ricas, mas não pomposas.
O hábito revela o homem,

E, na França, as pessoas de poder ou posição
Se mostram distintas e generosas pelas roupas que vestem.

Não empreste nem peça emprestado:
Quem empresta perde o amigo e o dinheiro;
Quem pede emprestado já perdeu o controle de sua economia.
E, sobretudo, isto: sê fiel a ti mesmo.

Jamais serás falso para ninguém

Adeus. Que minha bênção faça estes conselhos frutificarem em ti."


trecho do livro Hamlet, de William Shakespeare

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O melhor conselho que recebi





Thayze Darnieri


Ao iniciar, de fato, a vida adulta fiquei deslumbrada com a liberdade e autonômia, apesar da consciência plena de obrigações e deveres. Ainda vivia aquela loucura e rebeldia de viver um dia de cada vez, sem sonhar para não me frustrar, distante de qualquer plano B, até que fui percebendo que o tempo não era suficiente para os meus desejos e o dinheiro acabava antes mesmo que pudesse usurfruir. Diante do desespero da bagunça, eis que surge o pitaco do meu conselheiro mor: "planeje, anote se necessário, organize-se, só assim visualizará o positivo e o negativo, para usar de acordo com as suas reais necessidades." O conselho era financeiro, no entanto, aquelas palavras enraizaram profundamente no inconsciente que hoje não consigo me levantar da cama sem antes dispor as atividades do dia, agora, sobra tempo e energia para enfrentar o sol de hoje, vislumbrando a sombra de amanhã.


inspirado na reportagem O melhor conselho que recebi, publicado na revista Época on line

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Amélia?




"Sei que posso morder a língua no futuro. Não tenho filhos e não sei como é equilibrar casa, trabalho e crianças. Imagino que seja muito difícil. Mas, para mim, é inaceitável pensar que nos dias de hoje a obrigação de equilibrar esses três elementos ainda recaia apenas sobre a mulher. E me espanta sobretudo que meninas da minha geração aceitem esse papel. Gente, o vintage pode até estar na moda, mas não precisamos voltar aos tempos em que a “Amélia é que era mulher de verdade”."


trecho do texto De volta aos tempos da Amélia?, de Marcela Buscato, no blog Mulher 7x7

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Ismália





Alphonsus de Guimaraens


Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...

Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.


No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto de céu,
Estava longe do mar...


E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu

Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...


domingo, 17 de janeiro de 2010

Hamlet I





"Fragilidade, teu nome é mulher!"




trecho do livro Hamlet, de William Shakespeare

sábado, 16 de janeiro de 2010

Galeria do Rock




Galeria do Rock é um centro de compras localizado no centro da cidade de São Paulo, entre a Rua 24 de Maio e o Largo do Paysandu, perto do metrô República com vista e entrada para Avenida São João. Fundada em 1963, com o nome de Shopping Center Grandes Galerias, possui 450 estabelecimentos comerciais, onde são vendidos CDs, discos, vídeos, camisetas, acessórios, bandeiras, pôsteres e itens de decoração. Além de estúdios de piercing e tatuagem e sedes de fã-clubes, como o Magical Mystery Tour (Beatles), Sepultura, e Raul Seixas.

No final dos anos 70, o edifício foi "invadido" por lojas de disco voltadas principalmente para o rock, comandada pela loja Baratos Afins, a primeira que se instalou por ali. Entretanto, há espaço para todos os estilos, sendo dividida em Hip-Hop no Subsolo, Skate e produtos mais populares no térreo, Rock nos Primeiro, Segundo e Terceiro Andares e Silk Screen e estamparias em geral nos terceiro e quarto andares.


sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Inteligências Múltiplas





Thayze Darnieri



É dita a sentença: "fulano é inteligente". Basta ser inteligente? Define-se, por senso comum, como a capacidade mental de raciocinar, planejar, resolver problemas, abstrair ideias, compreender linguagens, enfim, aprender. Em contrapartida, embora leigos normalmente percebam o conceito sob um escopo muito maior, na Psicologia, dista da criatividade ou sabedoria, designa como aspecto de personalidade.

Para tanto, a inteligência é o termo usado para se referir à habilidade cognitiva, bem como o quociente de inteligência (QI) é o índice calculado a partir da pontuação obtida em testes nos quais especialistas incluem as habilidades que julgam compreender o termo inteligência. É uma quantidade multidimensional - um amálgama de diferentes tipos de competências, dispostos em uma construção hipotética para mensurar as habilidades cognitivas por uma perspectiva geral.

Nos idos dos anos 80, propõe-se a teoria das Inteligências Múltiplas afim de idenficar e segmentar as nove habilidades intrínsecas ao princípio de inteligência:
  1. Lógico-matemática - a capacidade de confrontar e avaliar objetos e abstrações, discernindo as suas relações e princípios subjacentes. Natural a matemáticos, cientistas e filósofos.
  2. Linguística - caracteriza-se por um domínio e gosto especial pelos idiomas e pelas palavras e por um desejo em os explorar. É predominante em poetas, escritores, e linguistas.
  3. Musical - identificável pela habilidade para compor e executar padrões musicais, executando pedaços de ouvido, em termos de ritmo e timbre, mas também escutando-os e discernindo-os. Pode estar associada a outras inteligências, como a lingüística, espacial ou corporal-cinestésica. Característica a compositores, maestros, músicos e críticos de música.
  4. Espacial - expressa-se pela capacidade de compreender o mundo visual com precisão, permitindo transformar, modificar percepções e recriar experiências visuais até mesmo sem estímulos físicos. Qualidade dos arquitetos, artistas, escultores, cartógrafos, navegadores e jogadores de xadrez.
  5. Corporal-cinestésica - traduz-se na maior capacidade de controlar e orquestrar movimentos do corpo. Inerente aos atores e aqueles que praticam a dança ou os esportes.
  6. Intrapessoal - expressa na capacidade de se conhecer, estando mais desenvolvida em escritores, psicoterapeutas e conselheiros.
  7. Interpessoal - expressa pela competência em entender as intenções, motivações e desejos dos outros. Habilidades explícita em políticos, religiosos e professores.
  8. Naturalista - traduz-se na sensibilidade para compreender e organizar os objetos, fenômenos e padrões da natureza, como reconhecer e classificar plantas, animais, minerais, incluindo rochas e gramíneas e toda a variedade de fauna, flora, meio-ambiente e seus componentes. Atributo de paisagistas, arquitetos e mateiros.
  9. Existencial - investigada no terreno ainda do "possível", carece de maiores evidências. Abrange a capacidade de refletir e ponderar sobre questões fundamentais da existência. Manifestada nos líderes espirituais e de pensadores filosóficos.
Embora ainda seja comum quantificar a inteligência através de teste de QI, com essas teorias o rótulo passa a ser desmistificado, vislumbrando o casamento da totalidade das características naturais ou adquiridas do ser, em diversos níveis, facetas e espécies. Portanto, logo não existe antônimos para inteligência, há indivíduos que desenvolveram mais alguns tipos de inteligência.


fonte: Wikipédia

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Efeito Borboleta






"É dito que algo tão pequeno como o bater das asas de uma borboleta pode causar um tufão do outro lado do mundo."

Teoria do Caos


É sabido que a vida é a congruência de decisões. No entanto, se opto por correr ao invés de caminhar, será que somente eu verei os acontecimentos desdobrarem em uma velocidade maior? Ao rever, talvez pela milésima vez, o querido Efeito Borboleta reformulei mais uma vez os meus conceitos a respeito do ato de escolher.

Confesso que sempre considerei o momento da escolha um tempo egoísta, naqueles segundos ou com sorte horas de reflexão cabia exclusivamente a mim pensar para decidir, uma vez que as consequências advidas da simples menção positiva ou negativa seriam respondidas somente por mim. Todavia, como em efeito dominó, um passo mal dado e uma sorte acumulada, decidirá no plural se caio ou permaneço em pé.

Para tanto, curiosamente há muito já vivia distante da ideologia comodista, a mente esqueceu como se pensa ou age em busca de vantagens. Afora o poder de voltar no tempo, como Evan encontrei a passagem para resultados benéficos e confortáveis não apenas para mim, mas para todos os respingos ao meu redor.



Thayze Darnieri

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Amanhecer III





"Há uma quantidade tremenda de tempo de sobra quando não se precisa dormir. Isso faz com que equilibrar nossos... interesses seja muito fácil."


trecho do livro Amanhecer, de Stephenie Meyer

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Se puder sem medo

foto: Thayze Darnieri



Oswaldo Montenegro



Deixa em cima desta mesa a foto que eu gostava
Pr'eu pensar que o teu sorriso envelheceu comigo
Deixa eu ter a tua mão mais uma vez na minha
Pra que eu fotografe assim o meu verdadeiro abrigo
Deixa a luz do quarto acesa a porta entreaberta
O lençol amarrotado mesmo que vazio
Deixa a toalha na mesa e a comida pronta
Só na minha voz não mexa eu mesmo silencio
Deixa o coração falar o que eu calei um dia
Deixa a casa sem barulho achando que ainda é cedo
Deixa o nosso amor morrer sem graça e sem poesia
Deixa tudo como está e se puder, sem medo
Deixa tudo que lembrar eu finjo que esqueço
Deixa e quando não voltar eu finjo que não importa
Deixa eu ver se me recordo uma frase de efeito
Pra dizer te vendo ir fechando atrás a porta
Deixa o que não for urgente que eu ainda preciso
Deixa o meu olhar doente pousado na mesa
Deixa ali teu endereço qualquer coisa aviso
Deixa o que fingiu levar mas deixou de surpresa
Deixa eu chorar como nunca fui capaz contigo
Deixa eu enfrentar a insônia como gente grande
Deixa ao menos uma vez eu fingir que consigo
Se o adeus demora a dor no coração se expande
Deixa o disco na vitrola pr'eu pensar que é festa
Deixa a gaveta trancada pr'eu não ver tua ausência
Deixa a minha insanidade é tudo que me resta
Deixa eu por à prova toda minha resistência
Deixa eu confessar meu medo do claro e do escuro
Deixa eu contar que era farsa minha voz tranqüila
Deixa pendurada a calça de brim desbotado
Que como esse nosso amor ao menor vento oscila
Deixa eu sonhar que você não tem nenhuma pressa
Deixa um último recado na casa vizinha
Deixa de sofisma e vamos ao que interessa
Deixa a dor que eu lhe causei agora é toda minha
Deixa tudo que eu não disse mas você sabia
Deixa o que você calou e eu tanto precisava
Deixa o que era inexistente mas eu pensei que havia
Deixa tudo o que eu pedia mas pensei que dava



segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

enchente instantânea





Thayze Darnieri



Saio do metrô, uma aglomeração observa o mundo cair sem a mínima coragem para enfrentar o rio que se sobrepôs a Vergueiro. Saco meu humilde e surrado guarda-chuva da bolsa, na falsa crença de que ele me ajudará, e desbravo o pequeno trajeto até em casa.

Com a água chegando aos joelhos, pulo o meio-fio, quase escorrego e chego à calçada, onde o carros correm para me dar o banho que o céu não havia terminado. Entro, finalmente, no prédio, com a vergonha pesando nos pés, mais que a água dentro dos meus sapatos. O elevador me espera, respiro e agradeço a sorte de não encontrar ninguém para testemunhar o meu estado deplorável.

Aperto para subir, ele arrogante desce para a garagem, um senhor desconhecido adentra:

- Molhou? Está complicado a vida lá fora, não é?

- E eu que pensei ser exagero as notícias sobre as chuvas no jornal, nunca havia visto nada assim, em cinco minutos a rua virou rio.

- Sim, está difícil até para andar com o carro, na verdade, muito mais perigoso.

Chega ao destino do senhor, que se despede.

- Boa sorte, não gripe!

Acho graça, em contrapartida, suscita em mim um sentimento de compaixão pelas pessoas que sobrevivem ao desaguar de águas praticamente todos os dias, nessa terra de concreto, a enchente instantânea vira sem cuidado ou controle a vida dos que habitam onde a chuva não consegue desaparecer.

domingo, 10 de janeiro de 2010

promessas?




"Não passar o ano inteiro repetindo: “Nossa, como esse ano tá passando rápido!”.

Não exclamar a cada chuva, temporal, frio, calor ou vento repentino: “O tempo tá maluco!”.

Não usar a expressão “no meu tempo” para justificar a incapacidade de adaptação ao presente.

(...)

Evitar certezas.

Não confiar em quem afirma que as têm.

(...)

Não assistir ao Big Brother.

Nem ao horário político.

Desconfiar de promessas feitas no primeiro dia do ano."


trechos do texto Promessas para 2010, de Tony Bellotto

sábado, 9 de janeiro de 2010

a voz do diabinho






" A liberdade não consiste só em seguir a sua própria vontade, mas às vezes também em fugir dela".



Kobo Abe

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Only seventeen

foto: Vitor Veríssimo




Thayze Darnieri


Faça um exercício: imagine o ser impossível, aquele que consegue o improvável: agrega em si multifacetadas características desproporcionais e disformes transformando-se em uma combinação perfeita.

Até ontem, ele era apenas um garoto de 16 anos. No entanto, diferente de qualquer adolescente comum, "qualidade" inaplicável a ele, a idade é somente um número formal, uma vez que, afora a sua aparência juvenil, sua mente divaga por campos distantes e desconhecidos pela maioria dos mortais.

Para tanto, detêm um método peculiar de perceber o mundo e ver as pessoas, voz e postura de menino, fala e pensar de gente grande, sempre um passo a frente em astúcia e ideologias, questiona fingindo não entender, complica tencionando "causar", faz confusão por onde passa. Em contrapartida, apesar do assustador óbvio e, às vezes, me soar irritante, ainda consigo resgatar no profundo dos seus olhos algo parecido com pureza ou ingenuidade, a despeito da opinião geral, vejo que ele maculou o mundo, mas penso que o universo ainda o mantém ilibado.

Paradoxo ambulante, filho do mundo, gênio incompreendido. Alguém que gostei para entender e entendi para admirar!


quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

motivos para motivar-se





"É natural ter medo de mudar, ter medo de saltar no desconhecido, ter medo de lidar com o imprevisto. Até nas situações mais simples do cotidiano. (...) Às vezes, estamos tão presos aos nossos processos interiores que nos acomodamos em certas posições confortáveis e, no máximo, nos damos ao luxo de fazer uma lista de promessas para logo depois abandoná-la em algum canto. Porém se vencemos o primeiro estágio de romper a inércia, surge um sentimento imensurável, de realização, de vitória, de saber que estamos na rota certa. Não estou dizendo aqui que a motivação é o único ingrediente para uma transformação, mas que sem ela, nada acontece.

E você, qual seu desejo de mudança em 2010?"


trecho do texto As promessas para 2010, de Kátia Melo, no blog Mulher 7x7

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Amanhecer II





"É claro que todos nós nos sentíamos mal por ela, não éramos monstros - nesse sentido, pelo menos. Mas acho que a culpávamos pelo modo como lidava com a situação. Flagelando todos, tentando nos deixar tão infelizes quanto ela estava.

Eu nunca mais a culparia. Como alguém poderia evitar espalhar esse tipo de infelicidade? Como alguém poderia não tentar aliviar parte do fardo jogando um pedacinho dele nas costas dos outros?

E se isso me forçou a ter uma matilha, como eu poderia culpá-la por tirar minha liberdade? Eu faria a mesma coisa. Se houvesse uma forma de escapar dessa dor, eu também faria."


trecho do livro Amanhecer, de Stephenie Meyer

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Divino tempo





Thayze Darnieri


Despedidas, necessárias pela partida, obrigatórias pelos laços do coração e impreteríveis pela distância.

Devido as desavenças e mal-entendidos, custaria algum tempo mais do que o programado para chegada ao aeroporto, portanto, compensei mensurando com sobra o cálculo para ida. Cheguei muito antes, check-in sem filas, com sorte encontro um lugar diante do quadro de embarque ao lado do portão indicado.

Abro o livro, a história no ápice, mocinha a beira da morte, olho no relógio e as horas parecem correr, menos um problema: a espera declina rapidamente. O celular toca, notícias da chuva insistente no destino nutrem os rumores do atraso, o portão de embarque é trocado pela primeira vez, jogo as tralhas nas costas e busco um novo lugar no outro portão.

O celular, mais uma vez, som de preocupação, papo gratuito e fortuito para desafogar a demora, conjecturas para o voo no dia seguinte, o portão muda e logo depois desaparece a localização do voo no painel. Sem vontade, faço amigos de temporada e indignação, conversa e reclamações nessas duas horas e meia de prostração. Logo, finalmente, chega a nossa vez, forma-se rapidamente uma fila desorganizada para o ônibus que fará chegarmos ao avião.

A sensação de alívio ao entrar, soma-se ao encontrar a poltrona marcada na janela da saída de emergência. Sentada, ninguém no lugar ao lado, pernas esticadas e bagagem distante dos meus olhos, posso descansar e esquecer as palavras do comandante: "pouso em Guarulhos".

23h10, finalmente alça voo. Pouso quase uma hora da manhã, respiro e me refugio na ideia do fim próximo. Desembarque, translado, táxi, nunca senti tamanha emoção ao entrever o apontar da fachada do prédio, subo, abro a porta com caultela, ligo as luzes, dou graças à minha cama, amém ao meu quarto, aleluia a familiaridade.

Regresso por ter o meu lugar, após uma viagem conturbada desde o início, inundada de percalços e desentendimentos, brigas e confusões, sem paz ou descanso, o fim. Agora, posso desfrutar dos confortos, hábitos e manias intrínsecas ao meu lar, que tempo qualquer não compensa e dinheiro nenhum paga.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

o desafio de viver




Thayze Darnieri


Ontem dirigi-me à locadora mais próxima, julgando ser a única com ânimo suficiente para atravessar a noite acordada e sem o menor ânimo para sair de casa. No entanto, ao perceber as parcas opções disponíveis pós-feriado, restou-me usar como critério os títulos que ainda não havia visto, considerando um provável interesse em segundo plano. Levei Última Parada 174, Veronika decide morrer e Austrália, aparentemente, nada complementares.



Se não fosse pela postura de seus protagonistas: Sandro (Última Parada 174), vê sua vida de cabeça para baixo muito pequeno, no entanto, a partir do momento que começaria o martírio a sorte torna-se sua maior companheira, oportunidades chovem, depara-se com anjos da guarda nos lugares mais improváveis, além de escapar da morte iminente, na Chacina da Candelária. Entretanto, desperdiça a dádiva concedida com prazeres imediatos, sem jamais vislumbrar o dia seguinte, se não respirou nem para aprender a escrever, quem dirá lutar pelo pão de cada dia?



Veronika (Veronika decide morrer), do livro de Paulo Coelho, típica garota mimada que não precisou lutar nem por suas próprias conquistas, portanto, jamais experimentou o deleite de plantar sonhos e colher realidade, à custa de esforço. Contudo, ao sobreviver à tentativa de suicídio, descobre que por consequência do seu despautério viverá em contagem regressiva para a morte, só então descobre que vale a pena viver, será que dará tempo? Ela corre!



Sarah Ashley, a dona Patroa (Austrália), uma fútil senhora que sai do conforto do lar na Inglaterra e dirige-se à Austrália supondo que a demora para o retorno de seu marido deve-se a uma amante. No entanto, o inocente marido travava uma batalha em favor de seu rancho que lhe custou a própria vida, sobra assim para ela como herança o elefante branco, uma vez que para dar continuidade ao legado de seu marido seria necessário muita determinação, além de força braçal e manejo de gado. Todavia, Lady Sarah apesar da fragilidade e feminilidade que ostenta não é mulher para desistir sem tentar, empolga-se tanto na batalha de viver, que luta por si, pelos outros, por desigualdades sociais e raciais.

Enfim, a realidade inventada em Última Parada 174, o fatigante mensageiro Veronika decide morrer e o belo, porém demasiadamente extenso Austrália, mixam diferentes condutas prováveis quando se propõe ao desafio de viver. O negócio é não se prostrar diante do desafio, uma vez que oportunidades e chances jorram de todos os lados, basta amparar a sua. Afinal, esperar que ela adentre a sua porta e lhe dê bom dia é contar demais com a sorte, apesar que ainda assim há quem não enxergue como ensejo para o triunfo.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Amanhecer I





"Talvez.

É difícil para você estar lá, mas também é difícil ficar longe. Sei como é isso.

Sabe de uma coisa, Leah: talvez você queira pensar melhor no futuro, no que realmente quer fazer. Minha cabeça não vai ser o lugar mais feliz da Terra. E você terá de sofrer comigo.

Ela pensou em como me responder. Caramba, isso vai soar mal. Mal, honestamente, vai ser mais fácil lidar com a sua dor do que enfrentar a minha.

É bastante razoável."


trecho do livro Amanhecer, de Stephenie Meyer

sábado, 2 de janeiro de 2010

solução pelo sofrimento





"Há quem defenda que, para educar, proibir é a melhor solução."


trecho do texto Pai, afasta de mim este cálice, de Marcela Buscato, no blog Mulher 7x7

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

não-plano





"Pois eu acho que 2010 pode ser o Ano de Pensar. Bom projeto, boa intenção. Uma só, e já é bastante. Pensar: coisa que tão pouco fazemos, embora seja o que nos distingue das outras feras.

(...)

Pensar não é uma obrigação: é um direito, e deveria ser um prazer. Naquela horinha no ônibus ou no carro, andando, nadando, comendo, não fazendo nada – o que é um luxo, e nós, bobos, poucos saboreamos –, nada melhor do que deixar tudo de lado e refletir, ou deixar as ideias vagando numa atenção flutuante, como dizia Freud. Largar mão, por alguns instantes, dos compromissos, do cansaço, da falta de tempo, da dificuldade em ser feliz, da pouca harmonia consigo e com o mundo, das tragédias, das decepções universais ou pessoais – e dar-se o prêmio de pensar. Para algumas pessoas, parar para pensar não é desmontar.

E ficariam dispensados os dez ou doze ou três propósitos, as intenções fajutas eternamente repetidas – como as de emagrecer, romper ou melhorar o relacionamento, sair de casa, voltar a estudar, vencer na vida, ter filhos, mudar de emprego ou de parceiro, deixar de beber, de fumar, de se drogar com outras substâncias. A essência seria esta: neste ano, eu vou pensar. Em mim, na vida, nos outros, no mundo, em mil coisas ou numa coisa só – que seja realmente importante.

Pensar para ser uma pessoa mais decente; pensar para amar mais e melhor, começando por mim mesmo; pensar para votar com mais lucidez; pensar no que de verdade eu quero, se é que eu quero alguma coisa – ou sou do tipo que se deixa levar por desânimo, preguiça ou desencanto?"


trecho do texto O ano de pensar, de Lya Luft, publicado na Revista Veja, edição 2146, no dia 06 de janeiro de 2010.

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