quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Com o pé em 2010

foto: Heloísa Rovere



Thayze Darnieri


Odeio pensar em retrospectiva, assola-me uma melancolia desmedida e as lágrimas rolam independente da minha vontade. É um choro indiferente, sem explosão de alegria ou derradeira tristeza, a água que sai pelos olhos lava e purifica os meus anseios e planos não realizados, bem como brinda a vitória e assinala mais alguns itens no rol dos momentos inesquecíveis.

O que você lembra de 2009? Enquanto Sarney prova que justiça vale só para os mortais, Susan Boyle emociona o mundo, ninguém consegue ficar parado ao ouvir o hit Single Ladies, o seguríssimo avião da Air France cai, Ronaldo "brilha muito no Corinthians", a morte de Michael Jackson vira comoção mundial, a gripe suína passa o desespero, a lei antifumo entra em vigor, o ENEM ganha em descrédito, o Rio de Janeiro recebe o direito de sediar as Olimpíadas, o apagão atrapalha a vida de quem está ali embaixo, a falta de assunto culmina na defesa da garota do vestido curto, a economia estabiliza entre altos e baixos, mais dinheiro de corrupção na cueca, tragédias com causas climáticas inundam o país, fecha-se uma década.

Em 2009, vivi o ano do silêncio. Aprendi a calar para ouvir, dei crédito os desaforos gritados, assim como me alimentei de críticas construtivas, entendi que quando se sonha com o dia seguinte é primordial que engula o sapo de hoje, adquiri o vício do planejamento, olhei para trás sem chorar, chorei por medo de perder, cuidei para ter sempre, perdi meu coração incontáveis vezes, duvidei que seria capaz, assustei-me com o amor que dedicam a mim, comecei por medo, continuei por necessidade, sobrevivi com esforço, enfim, conquistei tijolinho por tijolinho a alegria de todos os dias pelo prazer de viver.

Aventuras possíveis por/com ele, meu professor, conselheiro e parceiro nesses 365 dias. Responsável mor da minha felicidade, companheiro na alegria e na tristeza, na saúde e na doença até que esse próximo ano nos separe. Começamos separados e fatidicamente terminaremos separados, para mim, emoção o suficiente para os próximos trezentos e tantos dias.

Feliz 2010!


quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Eclipse IV




"Eu nunca mais o magoaria. Seria a missão de minha vida. Nunca mais seria o motivo daquele olhar."



trecho do livro Eclipse, de Stephenie Meyer

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

chiado da alma




"O silêncio é um dos argumentos mais difíceis de refutar".




Josh Billings

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

antes...





"O ano acaba nessa semana. Impõe-se o momento de lembrar, reconhecer e desejar. Antes que o tempo nos leve tudo o que trouxe. Antes de o amor virar saudade, do medo virar dor ou alívio, do vigor transformar-se em lembrança."



trecho do texto Antes que o tempo leve, de Moacyr Góes, no jornal O Dia online

domingo, 27 de dezembro de 2009

ruminar o vazio




"Gosto de recordar. Minhas reminiscências me contextualizam no agora que me envolve. É simples. O passado vivido serve como ponto de apoio para a interpretação que faço do presente. Eu sei quem sou, mas em partes. Meu saber tem limites. Está coberto por uma névoa existencial que reconheço instigante. A acessibilidade do que sou passa pelo empenho cuidadoso de minhas investigações. É uma aventura que requer cuidados. Não posso atentar contra o mistério do que sou, antes do tempo. A revelação humana é processual. Dá-se aos poucos, assim como a poesia se dá ao poeta.

Quero ampliar cada vez mais o aperfeiçoamento deste conhecimento. A memória me auxilia. Busco nos registros do passado os detalhes que estão esparramados pelas idades da vida. A infância é um campo fértil destes detalhes. Recordo-me dos primeiros registros que tenho. O menino que sofria de tantos medos ainda está aqui. Dorme nos braços do adulto que me tornei. Eu embalando a mim mesmo. Jeito interessante de reconciliar as fases do tempo num mesmo espaço. Terapia que realizamos sem consultório, quando pela força do entendimento somos capazes de conceder perdão aos erros que cometemos ao longo de nossa história. O adulto olha nos olhos do menino e o aconselha ser mais leve. Propõe que os traumas do passado sejam esquecidos.


Aplica-lhe a pedagogia que sugere que erros não são fontes de castigos, mas de virtudes. Segura pela mão, acende a luz do quarto escuro e o convence que fantasmas não existem."



trecho do texto Reminiscências, de Padre Fábio de Melo, publicado no jornal O Dia online

sábado, 26 de dezembro de 2009

Eclipse III





"Eu o fitei nos olhos, tentando decifrar a emoção que ardia por baixo da superfície. Ele me olhou, e a falsa despreocupação de repente escapou. Ele estava radiante - a cara de anjo brilhando de alegria e vitória. Ele estava tão glorioso que me tirou o fôlego".


trecho do livro Eclipse, de Stephenie Meyer

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Mãe, Feliz Natal!





Thayze Darnieri


Ouço o barulho do cuco, é meia-noite. Primeiros minutos do dia 25, olho para os lados, nenhuma menção a votos, felicitações, beijos ou abraços, a conversa continua, pela primeira vez o assunto não é a ditadura ou o pensamento de um filósofo qualquer, o tema é inesquecivelmente humano: a dor e a delícia da maternidade.

Ainda sob a ótica confortável do filho, vejo com admiração o olhar materno. Algo perto da pureza, casado com força e vigor imensuráveis, salpicados de ternura e encanto, fora de qualquer molde, esse cuidado não mora necessariamente no clichê Mariano. Antes de nós houve vida, experiências e decisões que as contruíram para que chegassêmos a salvo. Uma personalidade já cristalizada amolecida com choros e lágrimas a cada sofrimento do filho, multiplicada pela alegria transbordante ao ver um sorriso sincero.

Devo confessar que não admitia nenhum crédito aos clamores maternais, só podia ser exagero, uma vez que, ao passo que eram extremamente amáveis vestiam a carapuça da loucura ininteligível. Sem qualquer aviso, uma névoa diferente nestas mães distante do "biotipo" formal, me fez crer que a maternidade não tem cor, vestimenta, traços ou trejeitos.

Semelhante ao nosso Natal, mãe sempre será mãe, independente do papai Noel não existir, a família estar longe, a indiferença aos cumprimentos, saudações e orações. Em contrapartida, ao quebrar o frio protocolo e destituir a cobrança, percebe-se o espírito está no que é de fato valoroso: um pequeno gesto, a lembrança de um fato longínquo, um presente inesperado e a diversão em preparar os pratos.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

dia universal do perdão





Thayze Darnieri


Ontem disse que não me importava com os julgamentos alheios, ressaltei que eram relevantes apenas as opiniões de algumas cabeças amigas, uma vez que, estas conhecem bem o funcionamento da minha personalidade e as reações advindas dela. Descobri, também, que hoje é o Dia Universal do Perdão, devido a iminência do Natal, estimula-se que os corações do mundo se libertem das amarras e rancores para então passar o aniversário de Jesus livre de todo o mal.

Se não bastasse conhecer essas informações, hoje, discuti estupidamente com uma pessoa que nada sabe sobre mim e se sentiu no direito de me rotular, no entanto, logo veio me pedir desculpas que não aceitei. Apesar da dificuldade que sinto em perdoar, visto que quando perdoo esforço-me para que meu coração se renda verdadeiramente do fruto da discórdia, fiquei a refletir a razão pela qual este ser indiferente me ofendeu tanto.

Desacredito das mentes que pisam nas outras em seu benefício, nas que são forçosas para se destacar, nas que fogem da sua natureza para agradar, nas que aparentam um coração leve e guardam uma alma apodrecida, nas que fingem nada entender para escapar da culpa, nas que escorrem o veneno para não engoli-lo.

Portanto, perante uma sociedade absorta pela maldade e o exagerado sentido de auto-preservação, entendi que aquele julgamento ofendeu por me misturar ao senso comum, paralisou-me quando a minha única vontade era sinceramente ajudar.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

sem direção





"E de repente a gente percebe que precisa cortar o cabelo, marcar um médico, e cisma de fazer tudo aquilo que não fez nos outros 300 e tantos dias do ano. O lado bom é que fica fácil pensar em resoluções para o Ano Novo: em 2010, não vou me estressar, vou me organizar, não vou deixar nada para última hora…"


trecho do texto Por que todo ano é assim?, de Mariana Weber, no blog Mulher 7x7

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

contraste




"É simplista, porém, pensar que apenas a educação dada em casa é culpada pela nossa falha de caráter nacional. Há muitos outros fatores protagonistas deste drama. (...)
Como esse sistema afeta individualmente cada uma delas é difícil de analisar e sempre será. Há família com muitos filhos e cada um tem uma personalidade completamente única. Pode haver futuros gênios afetuosos e futuros canalhas corruptos sentados na mesma mesa do jantar."


Jeffrey Shaffer, citado por Martha Mendonça, no texto Pais na berlinda: está tudo mesmo em nossas mãos?, no blog Mulher 7x7

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Eclipse II





"Fiquei tensa, esperando pela fúria - a dele e a minha -, mas só havia silêncio e quietude na escuridão do quarto dele. Eu quase podia sentir o gosto da doçura do reencontro no ar; a fragrância distinta do perfume de seu hálito; o vazio de nossa separação deixara seu próprio gosto amargo, algo de que só tive consciência quando foi removido.
Não havia atrito no espaço entre nós. A quietude era pacífica - não como a calma antes da tempestade, mas como uma noite limpa, intocada até pelo sonho de uma tempestade. E eu não me incomodei em ficar com raiva dele. Não me incomodei em sentir raiva de todo mundo."


trecho do livro Eclipse, de Stephenie Meyer

domingo, 20 de dezembro de 2009

meu dia feliz!

foto: Samara Fernanda

"



"Uma pessoa incrível, que conheci em um dia qualquer, em um momento qualquer, desses pelos quais todos passam e que geralmente não marcam em nada. Mas claro que naquele meu mais um dia qualquer, algo aconteceu e mudou a minha vida. Ainda bem que sou um pouco falante. "Olá, tudo bem?" Pronto, estava lançada a flecha do amor."


trecho do texto Vinte e poucos..., de Vitor Veríssimo



20 de dezembro de 1986, há 23 anos nascia a nossa Thayzinha: disse o tio Edson logo quando acordou. Depois de uma idade, comecei a desgostar da comemoração do meu aniversário, talvez pelo medo da expectativa, uma vez que, idealizar a lembrança poderia ser uma traumática frustração.

Hoje, após ver o carinho no olhar da família, ouvir as palavras da minha mãe, ganhar de presente o carinho, ser supreendida com a velha e imbatível receita de bolo, a delicadeza em combinar balões verde e laranja, a alegria pela meteórica passagem, rir sozinha relembrando as demonstrações sinceras de amor, ler melancolicamente um antigo apelido quase nunca citado no meu mais esperado cartão, chorar incontrolavelmente ao ler uma homenagem de quem está sempre por perto, sem tempo para me recuperar ler outra de quem deseja sinceramente estar por aqui.

Para tanto, diante de inúmeras provas de amor, ao conscientizar-me de que sou amada e benquista pelos meus amores, não teria como fugir dos parabéns e dos sinceros votos de felicidade, e muito menos continuar com meus pensamentos medonhos a respeito do vigésimo dia do mês de dezembro.



Thayze Darnieri

sábado, 19 de dezembro de 2009

de mulher para mulher

foto: Thayze Darnieri



"Mulher também é chegada em uma conversa de bar. Mas quando a gente se reúne em torno de uma cervejinha – uma só para não acabar com a dieta – e sanduíches de rúcula e tomate seco, os assuntos são bem diferentes. A gente não discute por que o Palmeiras perdeu um campeonato ganho (e até a vaga na Libertadores!) nem a incrível retaguarda daquela menina do outro departamento (a não ser que ela venha com calças agarradíssimas e sejamos forçadas a comentar a falta de elegância da colega ou as celulites aparentes – pausa para risada maléfica). A gente discute, entre outras maledicências, por que somos assim. Afinal, não são só os homens que não nos entendem. A gente também não!"


trecho do texto Mitos e verdades sobre a alma feminina, de Marcela Buscato, publicado no blog Mulher 7x7, da revista Época



Sinceramente, nunca fui muito afeita à amizades femininas. Desgosto da impraticidade das decisões, do egoísmo nos papos, da futilidade nas escolhas, da amontoado complicado de inexatidões, tanto que desde muito tempo rodeada de amizades masculinas desacreditei da ideia de possuir uma amiga de verdade.

Era o retorno para a cidade natal, novamente vivendo a experiência de uma nova escola, quando aquela menina tímida e incrivelmente simpática foi a primeira a conversar comigo. Muitos anos se passaram, após a primeira má impressão, quando novamente nos vimos juntas em uma fileira de carteiras no fundo da turma.

Ela vivia loucamente um amor platônico de adolescência e devido à proximidade espacial meu ouvido sabia de cada respiração do objeto de sua paixonite. Descobrimos sermos praticamente vizinhas, íamos e voltávamos para casa juntas, conversávamos desesperadamente ao ponto de ficarmos embaixo do sol do meio-dia na porta da casa dela sem perceber, embebidas por um assunto atrás do outro.

Até que um dia, finalmente, ela me convidou para entrar e de lá nunca mais saí, a sua gigantesca família me adotou e eu sentia naquele espaço um lar, não nos desgrudávamos. Vivenciamos cada experiência da adolescência uma ao lado da outra, confidenciamos nossas esperanças e sonhos, apoiamos e discutimos nossas loucuras, aplaudimos de pé o sucesso e as decisões uma da outra, jamais brigamos.

Os anos se passaram, crescemos e surgiu a urgente necessidade de seguimos os nossos caminhos. Apesar da enorme diferença de personalidade e ideologias, conquistamos uma amizade inacreditavelmente sólida e inabalável, hoje, no corre-corre do dia-a-dia, não temos mais a pausa para não falar de nada, contudo, de longe sei tudo que a aflige e ela entende qualquer um dos meus despropósitos.


Thayze Darnieri

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

saudade acumulada

foto: Thayze Darnieri




"Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade."


trecho da música Metade, de Oswaldo Montenegro


Às vezes, sinto culpa. O coração não palpita, as lágrimas não caem e reaconchego-me ao lar e as pessoas que tanto amo como se estivesse saído para dar uma volta. Os olhares alheios encharcados de carinho misturam o amor não vivido com a decepção da minha não retribuição explícita.

Talvez tal sentimento tão parecido com a culpa seja resultado da confusão entre a esperança e o hábito. Em algum momento, aquele coração que pulsa se acostumou em ficar sozinho, o desespero deu lugar a saudade, a mente concedeu uma chance para a experiência, as lembranças inesquecíveis de outrora abraçaram as novidades, o olhar que antes transmitia medo agora propõe o desafio.

Não esqueci de amar a quem meus olhos não contemplam, pelo contrário, a distância reafirma e comprova os verdadeiros sentimentos. Ainda durmo pelo cansaço das lágrimas que não cessam, perco o sono pela ansiedade da espera, sinto falta do olhar reconfortante e de palavras tranquilizadoras, acordo, no meio da noite, com vontade de sair correndo.

Entretanto, graças a dádiva do tempo conquistei um controle e uma paz que não me permitem perder momentos raros e tão preciosos com a tristeza, se estou de volta, nem que seja por alguns dias, é para aproveitar cada minuto para matar o que a saudade acumulou.



Thayze Darnieri

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

um passo




"Quase morrer não muda nada. Morrer muda tudo."



frase citada pelo simpático dr. Gregory House, do seriado House

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

verde ou laranja?






"Eu escolhi tudo o que tenho hoje, escolhi meu estilo, meu jeito de pensar, minha mania de me sentir mais gorda do que sou, enfim, escolhi a vida. A opção é uma dádiva, mulher que não tem opção é infeliz, mesmo aquela mais indecisa. O verde ou o azul? Podemos escolher, mais uma vez, o preto básico, mas ter as outras duas cores nos dá um alívio inexplicável.

Aí eu fico pensando, tantas escolhas devidamente analisadas, porém com conseqüências desastrosas e outras feitas por mero impulso feminino, as quais resultam em felicidade, mesmo que momentânea.

(...)

Temos a opção. Quantas chances nos escaparam por causa de outras opções que pararam em nosso caminho. Viver e amar são complementares e quem nega isso vai contra o seu amor próprio. Mesmo que você escolha somente o si mesmo, é uma forma, talvez a mais autêntica, de amor; a maneira como optará pelo "como fazer" vai do coração e da razão.

No fundo eu acho que, na maioria das vezes, o tal escolher vem lá do fundo."


trechos do texto Use o coração!, de Thaty Hamada

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Excesso de ansiedade





"Quando você tem insônia, você nunca está realmente adormecido... E você nunca está realmente acordado."



Chuck Palahniuk

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

meia culpa





"O arrependimento faz com que a gente se dê chance para mudar. A culpa só machuca. Fiz o melhor que pude enquanto não tinha consciência. Eu sei que pode parecer uma desculpa esfarrapada e talvez até seja mesmo. Mas é a maneira que estou encontrando de dar a volta por cima e definir um novo rumo pra minha vida."



trecho do texto Meia culpa (confissões de um egoísta), de Henrique Szklo

domingo, 13 de dezembro de 2009

outro nome para tensão





"Alguns não conseguem afrouxar suas próprias cadeias e, não obstante, conseguem libertar seus amigos".



Zaratustra

sábado, 12 de dezembro de 2009

a cada cinco minutos

foto: Vitor Veríssimo



"E lá vou eu, a cada cinco minutos, namorar os flashes que você espalhou pela minha casa. Ainda que tudo não dê meia foto nossa, mal tirada. Se até o Natal você ainda gostar de mim eu promento gostar de você também."



trecho do texto Interrupções, de Tati Bernardi

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

ares de bom velhinho





"Você certamente sabe do que vou falar. Vai chegando o fim do ano, aí começam a aparecer reportagens sobre cartas enviadas ao Papai Noel com sonhos e mais sonhos acumulados e sem respostas nas agências de correio…
Quem não se emociona?

Cenas de crianças boquiabertas com a chegada do bom velhinho são um prato cheio para pessoas sensíveis encherem os olhos de lágrimas. Sem falar nas histórias de solidariedade que nos fazem pensar sobre o quanto ajudamos a quem precisa. Vocês podem achar que tudo isso faz parte do tal “espírito de Natal”, mas eu acho que o “espírito de Natal” de verdade faz a gente se comover com o inexplicável, nas horas mais inesperadas."



trecho do texto Sabe o espírito de Natal?, de Isabel Clemente, publicado no blog Mulher 7x7, da revista Época

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Divago





Quando o amor acaba? Em qual momento, segundo, em qual dos beijos a gente já não era mais a gente? Entre qual filme eu deixei de gostar de você? Será que foi no momento em que o microondas apitou dizendo que a pipoca estava pronta? Será que aquela linha na escova de dentes marcando a hora de trocar foi quem ditou o nosso fim? Se apenas eu soubesse quando isso aconteceu. O que fez de nós dois estranhos, dois mortos que jantam? A gente presta atenção na conversa da mesa ao lado. Nossos beijos são burocráticos, nosso sorriso é carimbado por uma impressão de fim. Somos o casal da pizzaria de domingo, que senta um ao lado do outro com dois copos de chopp intocados. Eu tomo banho de porta fechada, você não me pede mais livros emprestados. Sua mania de morder os lábios agora me irrita. Você olha para mim do mesmo jeito que olha a cortadora de frios na padaria. Nossos planos de futuro soam como bobagens adolescentes. Eu não levanto mais cedo que você só para escovar os dentes e dar o primeiro beijo fresco da manhã. E acho que ultimamente meu jornaleiro me conhece mais. Eu não vejo mais graça no que você fala, você não lê mais o que eu escrevo. Assim como um texto, de uma linha para outra, simplesmente acabou.




texto Fim., de Ana Reber, publicado no site Blônicas

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Eclipse I





"- Isso parece bem bizarro para você, não é? De certa maneira, você é muito mais madura do que eu aos 18 anos. Mas, por outro lado... Há muitas considerações em que você não deve ter pensado com seriedade. É nova demais para saber o que quer daqui a dez, quinze anos... E nova demais para desistir de tudo sem pensar com cuidado. Não pode ser imprudente com o que é para sempre, Bella."



trecho do livro Eclipse, de Stephenie Meyer

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

o colorido da chuva





"Enquanto o Rio está cheio de marginais, em SP, as marginais é que estão cheias de rio"
.

Silvio Lach, em @melhores frases, via twitter



Vim de uma lugar onde há terra, solo arenoso e de cor vermelha amarelada, distante desse universo cinza nublado que veste do céu ao concreto cinza que embrulha o chão. Lá por causa do clima seco e calor efervenscente chove muito mais que aqui, mas não passa na televisão, já que não desagua em enchentes, derrama rios no meio da cidade, levando carros, casas, pessoas e vidas.

Como disse Ana Freitas, do Olhômetro: "Você mora na cidade? Então tenho certeza que você odeia chuva. Chuva é uma coisa muito desgraçada na cidade. O chão de concreto não foi deito para lidar com água caindo do céu."

Se a cidade está em meio ao caos, porque ei de me estressar sozinha em acordar as seis horas da manhã, enfrentar a chuva, caminhar mais rápido que o habitual naquele salto torto da bota, quando está há mais de 12 horas sem comer por causa de um exame de sangue que demora mais de três horas? Afinal, tenho quem se dê ao trabalho de sem ter obrigação alguma me acompanhe solidariamente nessa odisséia matinal e quem me ligue preocupado logo quando levantou e viu na televisão a turbulência que acordou junto com São Paulo.



Thayze Darnieri

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

como é mesmo?





"Se amigo é quem ri das nossas histórias, amigo de verdade é quem ouve nossas histórias várias vezes sem reclamar. Porém, qualquer pessoa que ofegue de alegria ao ouvir uma história pela terceira vez está fingindo.
Ou é um parente: algum pobre sobrinho Will ou tia Emily, sentado e prisioneiro da mesa da ceia do Natal, sendo educado, talvez disfarçando o horror de ver que a vida às vezes fica presa a círculos infindáveis onde a piada nunca muda."


trecho do artigo Psicólogos estudam os motivos que nos levam a contar as mesmas histórias, do New York Timas, zapeado no G1


domingo, 6 de dezembro de 2009

with you




"But you always really knew
I just wanna be with you..."


trecho da música Linger, de The Cranberries

sábado, 5 de dezembro de 2009

Vem andar comigo

foto: Vitor Veríssimo



"Basta olhar no fundo dos meus olhos / Pra ver que já não sou como era antes."


trecho da música Vem andar comigo, Jota Quest



Não coleciono preferências, sem banda preferida, melhor filme ou livro inesquecível. No entanto, costumo dizer que as minhas escolhas se dividem em fases, em uma época houve uma música, um personagem ou palavras que me marcaram, estas tomam para si o direito de serem preferidas naquela etapa.

Para tanto, foi o Jota Quest a banda que mais cantou a minha adolescência. Desde "fácil, extremamente fácil, pra você, eu e todo mundo", música que independente do contexto remete automaticamente a linda figura infantil do meu irmão, até a declamação otimista na introdução da música "De volta ao planeta", quando precisei de coragem para enfrentar o mundo por um futuro mais próspero.

Embalou a descoberta para o meu coração do sentir amor, quando "hoje só tua presença vai me deixar feliz"; depois ao sofrer a desilusão ouvindo e remoendo cada frase de "O que eu também não entendo", ao mesmo tempo que descobri as mil possibilidades de transmitir amor e se sentir amada, longe de obrigações e roteiros românticos; ao despretenciosamente atentar-me a letra de "Já foi" e o trecho "e quanto a gente paga pelos sonhos que deixou?" bater tão fundo, que qualquer fantasia que soasse plausível ainda na mente perdesse o sentido e transformasse em força para enfrentar.

Hoje, fui ao show deles, ver o Rogério Flausino de perto trouxe todas essas lembranças para o presente, lembrei, saboreei e voltei a superfície em duas horas. Agora, sem a presença deles na trilha sonora, mas com a experiência refletida através das mensagens somada aos meus sentimentos em suas músicas.


Thayze Darnieri



sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

a gentileza





"Três coisas agradam a todo o mundo: gentileza, frugalidade e humildade. Pois os gentis podem ser corajosos, os frugais podem ser liberais e os humildes podem ser condutores de homens."

Lao Tse


Eles chegaram antes, esperaram e esperaram. Elas chegaram depois, um bobo papo rápido. O ônibus surge e pára, ela mal-educada passa na frente na fila. Ele se estressou e exaltou a falta de educação dela. Se já não bastasse o ato vil, rebateu as acusações dele como se fosse a dona da razão.

Talvez ela não enxergue seus erros, talvez acredite sempre na sua razão, talvez não esteja acostumada à chamadas para realidade, talvez ninguém parou para ensiná-la princípios básicos de educação, talvez ela seja tão insuportável que todos desejam chamar sua atenção, mas poucos abrem a boca.

Entristeço-me ao ver atitudes como essa e outras: lei para assentos e filas preferênciais, sendo que deveria ser natural ceder o lugar para idosos e deficientes; o Embarque Melhor, da linha vermelha, a reafirmação de que somente há respeito quando alguém está vigiando; leis e acordos para legitimar a cortesia, uma vez que, se o mundo descobrisse a dádiva da gentileza cenas assim seriam impossíveis. A gentileza é prima da educação e irmã da humildade, florescendo graça e elegância, exalando respeito pelo próximo e por si mesmo.


Thayze Darnieri

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Lua Nova V





Thayze Darnieri


É sabido da complicação intríseca às adaptações cinematográficas, dificuldade esta maximizada pela fixação adolescente devotada ao fenômeno juvenil Lua Nova, sequência de Crepúsculo. Visto que, os verdadeiros fãs têm as palavras de Stephenie Meyer decoradas, construiram para si uma Forks particular, sonham com o vampiro Edward e desejam a trasformação de Jacob.

No entanto, tal sensação de encatamento deve ser levada junto à pipoca para se envolver com o desenrolar de idas e vindas de Edward e Bella, e agora completando o triângulo amoroso a participação mais intensa de Jacob Black. Robert Pattinson se esqueceu que além de bonito, ele é ator e deveria sustentar seu papel, o fortíssimo amor de Edward perdeu valor e intensidade. Em contrapartida, Taylor Lautner, que pouco apareceu no primeiro filme, demostra com mais veracidade a sua admiração por Bella e a intricada metamorfose em lobisomem.

Falta sentimento e compromisso entre os personagens, uma vez que, trata-se de uma história de amor, vampiros e lobisomens são apenas pano de fundo. Contudo, não são só defeitos e reclamações, os efeitos visuais estão incomparavelmente melhores que em Crepúsculo e o respeito ao enredo original foi bem maior.





quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

em busca de nada




"Já fui em cardiologista pra saber se é do sopro. Em gastro pra saber se é do fígado (eu continuo insistindo que não é meu estômago que dói), em psiquiatra pra saber se é falta de alguma química, vitamina, deslocamento de massa. Já fui em benzedeira. Oftalmo pra acertar o mundo. Dentista pra encaixar meu desequilíbrio em devorar e relaxar e falar e deixar. Já fui em tantos médicos. Procurar engana o tempo e talvez seja só isso."



trecho do texto Angústia, de Tati Bernardi

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Twitter





"Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido."

José Saramago


Apesar de preencher, erroneamente, quase todo o meu tempo livre diante do computador, ainda não havia atendido ao piado do twitter. Como qualquer pessoa minimamente informada, ouvi bastante a respeito, observei páginas alheias, mas até então não havia considerado a ideia de me logar neste novo universo virtual.

Muito satisfeita com o mínimo pack Google, MSN e o utilíssimo Skype, para que mais? Depois de resguinar-me na expressão "por que não", acabei por adentrar no tão falado e comentado microblog apenas para ver qual a sua verdadeira utilidade, uma vez que, para mim, aparentemente ele nada vem para complementar, surge apenas para repetir uma ou outra característica já existente nas ferramentas que fazem parte do cotidiano de praticamente a totalidade da população terrena.

Ainda novata nesse mundinho um tanto complicado e cheio de manhas, posso estar sendo precipitada em minhas considerações, entretanto, posso dizer que não foi amor à primeira vista.


Thayze Darnieri

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