segunda-feira, 30 de novembro de 2009

do lado de cá

foto: Marília Rodrigues



Thayze Darnieri


Quem mora em São Paulo, quem conhece, quem imagina, quem sonha e quem não está nem aí sabe que na maior cidade do país sempre tem o que fazer, inclusive e principalmente em entretenimento: cinema para qualquer gosto, teatro para qualquer bolso, balada para qualquer tribo, exposição para qualquer época, passeio para qualquer horário.

Entretanto, diante de fartas ofertas, sem pestanejar escolho o aconchego e conforto do meu lar. Há julgue loucura, insanidade ou preguiça, houve um tempo que cheguei acreditar devia ser uma burrice extrema deixar de me embebedar em cada gota de garoa. Achei que fosse só eu, julguei que fosse somente aqui em casa, eis que encontro o blog 4 paredes, da Revista Época São Paulo, que promete "novidades para quem não quer sair de casa" (até) na cidade onde não falta opções para diversão.

Para tanto, ultimamente, tem listado a partir dos tópicos: internet, TV aberta ou a cabo?, rádio, livros, DVDs, games e hobbies em geral, quais as preferências caseiras da personalidade em questão. E você, como faz da sua casa um parque de diversões?

domingo, 29 de novembro de 2009

alguma razão





“Não adianta aperfeiçoar a vela; ela nunca chegará a lâmpada.”



Júlio Ribeiro
citada como a "miopia do marketing", no decorrer das provas que cumpri hoje

sábado, 28 de novembro de 2009

sombra do alheio





"Ideologia são as maneiras como o sentido serve para estabelecer e sustentas relações de dominação".

John B. Thompson


Quando adolescentes a palavra de ordem é ideologia, são tantas e tão diversificadas que fica praticamente impossível determinar rumos ou planejamentos. Ideias brotam no mesmo ritmo das vontades, parecem incrivelmente plausíveis e praticáveis, no entanto, eram apenas suposições amarradas a quem vive com os pés longe do chão.

O tempo corre, logo defronta-se: idade adulta, com ela a obrigação de responsabilidade e o despertar da maturidade. A independência toma um novo significado, a despeito do conceito falsamente apreendido no adolescer, ela traz consigo pesos para que a liberdade assuma seu devido valor. Ser independente não é apenas ser livre, é também ser totalmente responsável pelas suas escolhas.

Para alguns a vida obriga, para outros opção, uns menos transfigura-se em escolha experimentar as urgências do sentir autonômo de seguir no sentido que considera correto, ponderando, se necessário, quando questionado, mas com a certeza de obedecer a sua intuição e não viver a sombra do alheio.


Thayze Darnieri

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

fuga para o mundo real





"Quando você muda de canal, falamos mal de você pela suas costas".



aforismo citado pela personagem Mandy, do desenho As Terríveis Aventuras de Billy e Mandy

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

sensações em presente

foto: Thayze Darnieri



Thayze Darnieri


Ontem ganhei um presente, ainda não é meu aniversário, nem tão perto assim do Natal, dia das crianças já era, nenhuma data em especial. Era um dia qualquer, estressante pela manhã, corrido no decorrer da tarde, seguido por uma noite literalmente morna, preocupações rotineiras, afazeres repetidos e sem novidades notáveis.

Um menino disfarçado de homem que me entregou este presente, mais do que um pacote e laços de fita, dedicou-me uma canção e disse: "não se importe com traduções, apenas sinta a harmonia do sons, o casamento entre o arranjo e a voz. Ouça depois, mas com calma!"

Segui as intruções. Era James Taylor, automaticamente, voei para os meus tempos de criança, quando ouvia o CD da mamãe repetidas e repetidas vezes, enquanto ia ler meus livros, no raro tempo que ficava sozinha em casa. Com as pernas para o ar, deitada no tapete, viajava para interior dos pensamentos e ações dos personagens que viviam uma autonomia que eu ainda não possuia. Senti leveza, paz, tranquilidade, quietação junto com a serenidade que eu tanto precisava!

Bônus: Shower the People

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

o cair das nuvens





"O suicídio sempre foi uma coisa que me apaixonou! Sempre pensei em cometer suicídio, vários dias de minha vida. Não duvidei nem um único segundo da minha vida que minha morte pudesse vir a ser causada por alguém que não fosse eu mesmo."


Remi Valet La Ronoopibu, outro alterego de Mauro Pietrobon

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Maneiras




"Se eu quiser fumar eu fumo
Se eu quiser beber eu bebo
Eu pago tudo que consumo
Com o suor do meu emprego
Confusão eu não arrumo
Mas também não peço arrego
Eu um dia me aprumo
Eu tenho fé no meu apego..."



trecho da música Maneiras, de O Rappa

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

por um minuto





"Paciência e perseverança tem o efeito mágico de fazer as dificuldades desaparecerem e os obstáculos sumirem".


John Quincy Adams

domingo, 22 de novembro de 2009

saudade da saudade




"And people everywhere think
Something better than I am,
But I miss you. I miss..."


trecho da música Ode to my family, de The Cranberries

sábado, 21 de novembro de 2009

sem mentiras





Thayze Darnieri



Não há nada mais abominável que mentir, nada mais asqueroso do que o ser mentiroso.

Minha mãe sempre dizia: "Confiança é como um cristal, uma vez quebrado, nunca mais se reestabelece". Antes mesmo de entender o que viria a ser um cristal e a impossibilidade de reconstitui-lo, fui condicionada a relacionar o ato de confiar a algo perfeito, porém frágil.

Para tanto, por medo de destruir a sua beleza evitei durante muito tempo confiar inteiramente. Preferi não saber, não ver, não ouvir, contudo, ao fugir me descobri presa na desconfiança: o infeliz ato de não confiar é um sentir traiçoeiro, a mente vacila, imagina inúmeras possibilidades de erros de conduta, mentiras intermináveis e tramas absurdas.

Com o passar da vida, aprendi a cair quando há alguém para me aparar antes do chão; engolir as decepções, apesar de demorar a digeri-las; a conceder uma segunda chance, quiçá terceira; a me colocar no lugar do outro.

No final, quando não tiver mais solução, o segredo é levantar os olhos, respirar bem fundo e secar as lágrimas. Neste momento, o coração naturalmente irá mostrar a resposta do caminho correto a ser seguido, para alguns o perdão, para outros o desprezo.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Lua Nova IV





"- Eu minto muito bem, Bella, tenho de ser assim.


Fiquei paralisada, meus músculos se contraindo como se recebesse um impacto. O rasgo em meu peito se abriu; a dor me tirou o fôlego.
Ele sacudiu meu ombro, tentanto me fazer relaxar.

- Deixe-me terminar! Eu minto bem, mas, ainda assim, você acredita em mim com muita rapidez. - Ele estremeceu. - Foi... doloroso.

Esperei, ainda paralisada.


(...)

- Exato. Mas nunca imaginei que seria tão fácil fazer você acreditar! Pensei que seria praticamente impossível... Que você teria tanta certeza da verdade que eu teria de mentir por horas para pelo menos plantar a semente da dúvida em sua mente. Eu menti, e lamento muito... Lamento porque magoei você, lamento por ter sido um esforço inútil. Lamento não tê-la protegido do que sou. Menti para salvá-la, e não deu certo. Perdoe-me.

Ele continuou:

- Mas como pôde acreditar em mim? Depois de todas as milhares de vezes que eu disse que a amavaa, como pôde deixar que uma palavra anulasse sua fé em mim?


Não respondi. Estava chocada demais para formular uma resposta racional."



trecho do livro Lua Nova, de Stephenie Meyer

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

o dia de partir





Thayze Darnieri



Hoje, o meu desejo era sair correndo para aquele lugar que remete familiaridade e aconchego, mesmo quando não há ninguém em casa. Onde tem comida pronta, colo sem cobranças, papo experiente, sábios conselhos, lágrimas de felicidade, riso infantil e grito de alegria.

Lar onde não mora o silêncio, há barulho de criança chorando, meninos correndo, televisão e rádio ligados, o som do carro subindo a rampa da garagem, mulheres conversando e o barulho da máquina de costura.

Lá onde todo mundo se parece, o amor não ofende, a briga é demonstração de afeto, as regras são claras, e quando surge uma discórdia logo revolve um calor no coração. Longe, tão longe que a saudade não alcança e o pensamento não esquece.

Seria um pouco mais de mil e duzentos quilômetros percorridos em 11 dias, sem parar. E valeria a pena! Respiro fundo, recobro as forças e espero ainda mais. Logo chega o dia de partir!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

desesperança de leve




"Raiva é insanidade passageira"



Horácio

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Tensão Pré-menstrual






Thayze Darnieri


Ele sempre diz: "Mulher é um bicho muito estranho!". Eu concordo sempre, mais uma vez, para variar, ele tem razão. E digo mais, não sou a única que assina em baixo, tanto já o vi repetir essa memorável afirmação diversas vezes rodeado por outras figuras femininas, e jamais nenhuma delas discordou dele.

Nós somos acometidas mensalmente por dores profundas, personalidade bipolar, inchaço e formigamento nas pernas, sono excessivo ou improdutividade intelectual, desajuste de apetite, ou seja, a conhecida TPM - tensão pré-menstrual, um conjunto de sintomas físicos e comportamentais que ocorrem na segunda metade do ciclo menstrual podendo ser tão severos que interfiram significativamente na vida biológica, psicológica e social da mulher.

Já fiz barbaridades, desde cavar forças para rasgar a camiseta do meu irmão por pura raiva até brigar gratuitamente com quem só quer o meu bem. Para tanto, muitos dizem que se trata de uma desculpa para as mulheres externarem a loucura incubada ou dizerem cobras e lagartos para quem quiserem, mas discorre de uma desordem neuropsicoendócrina que dispara os sintomas da síndrome alterando a atividade da serotonina em nível de sistema nervoso central.

Feliz dos homens que nunca saberão o que é se sentir tão impotente ao ponto de desejar que o mundo pare, enquanto as lágrimas caem e a dor não passa. Difícil é conter os respingos dos choros ou pontapés em quem, sem saber para onde correr, está por perto.


segunda-feira, 16 de novembro de 2009

... no meio do caminho





"Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite. É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje. Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por lavarem a poluição. Posso ficar triste por não ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças, evitando o desperdício. Posso reclamar sobre minha saúde ou dar graças por estar vivo. Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido. Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho. Posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a Deus. Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades. Se as coisas não saíram como planejei posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar. O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser. E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma. Tudo depende só de mim."



Charles Chaplin

domingo, 15 de novembro de 2009

eu escrevo...





Thayze Darnieri



Tenho dito: escrever está muito distante de falar. Mesmo que, às vezes, as palavras sejam praticamente iguais, falar jamais jamais será compatível à transcrição das palavras, uma vez que, ao soltar letras ao vento conta-se com elementos gestuais, expressão da face e do olhar, maior espontaneidade, agilidade de raciocínio, respiração, contexto e ambiente.

Ao passo que, ao transformar esses sentidos em palavras, naturalmente as frases confiaram com um resultado mais rebuscado. A riqueza do texto escrito mora na capacidade de repetir e analisar a mensagem no decorrer do tempo, por incontáveis mentes cujas personalidades tomaram para si o entendimento e compreensão ao seu modo, nem sempre compatíveis ao autor.

Portanto, ao capturar as noções da escrita de outrem, não observe a intenção de quem o escreveu, vista o seu pensamento ao do escritor, misture as fantasias e invente uma nova lógica, antes de julgar se parece ou não com o estilo pessoal daquele narrador de ideias.

sábado, 14 de novembro de 2009

o que é ridículo?

foto: Thayze Darnieri



"Do sublime ao ridículo é só um passo."



Napoleão Bonaparte

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Você se acha bonito?

foto: Ricardo Guedes



Thayze Darnieri



Sem preconceitos, me entristecece ver alguém construir os pilares da personalidade baseando-se na vaidade, uma vez que, beleza é um conceito amplo e diverso. É unânime: iguais atributos podem se definir de inúmeras maneiras sob diferentes perspectivas, o belo, atraente, magnético e charmoso pode ser igualmente feio, desinteressante, cansativo, sem sal.

Concordo com a Megan Fox quando afirma que ao se deparar com alguém muito bonito, os outros já o julgam como voluptuoso ou burro, condicionando à beleza a jamais somar-se a qualquer qualidade vantagiosa. Contudo, a questão não é essa, a futilidade reside no indivíduo que desconsidera a essência e dedica-se exclusivamente ao externo, como na rede de relacionamento advinda da Dinamarca: BeautifulPeople, que admite apenas pessoas bonitas.

A admissão acontece por meio de votos dos partícipes, que acionam atráves de quatro níveis (dois negativos e dois positivos) se a foto do interessado faz jus à comunidade. O site informa que está é a oportunidade de relacionar-se somente com pessoas atraentes, no entanto, resguardo-me na ideia de admirar o belo, até que ele configure propaganda enganosa, bem como, refugio-me, em um bom papo, que diferente da aparência tende a apurar com o tempo.


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

conspiração





"Não é necessário que os relógios conspirem para dar praticamente a mesma hora ao mesmo tempo, é suficiente que inicialmente fossem colocados na mesma hora e dotadas do mesmo tipo de movimento, de modo que seguindo o seu próprio movimento cada um deles concordem em geral com todos os outros. A semelhança do mecanismo exclui qualquer maquinação."


Alain Accardo

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

(com bloqueio)



"Era outubro, chovia. E o escritor estava com bloqueio. “Não consigo pensar em nada”, ele pensava, se contradizendo. Pensar que não havia no que pensar era, em si, um pensamento, ele pensava. Ou pensava que pensava. O mundo, afinal, podia ser apenas um breve pensamento na mente de um deus infinitamente criativo ou genuinamente retardado. Isso lembrou Borges. Juvenal Borges, cafetão e agiota. O escritor devia 200 paus pra ele. Eu devia ter virado dentista, ele pensou. Dentista ganha dinheiro. Dentista não tem bloqueio, dentista só tem broca e boticão. Ele releu tudo. Ele pensou em suicídio. Mas tinha empenhado o revólver para comprar munição.

Mas veja: usar o bloqueio como tema não faz o bloqueio desaparecer. Você simplesmente muda de calçada e evita contato visual. Ele continua lá, paradão. Bloqueio adora ficar paradão. Então você finalmente percebe. Não é só você. Todos os escritores, em todo o mundo, estão diante do mesmo bloqueio. Ninguém escreve. Não há mais romances, contos, poemas ou livros de auto-ajuda. Não há mais bulas papais ou bulas de remédio. Não há mais roteiros, nem diálogos, nem peças, nem minisséries, nem novelas.

Você desliga o computador e vai assistir a um reality show."


conto O nada, de Oraldo Grunhevaldo


terça-feira, 10 de novembro de 2009

minha parcela de culpa






"A lei é inteligência, e sua função natural é impor o procedimento correto e proibir a má ação."

Cícero


Para mim, um mundo regido por leis tenciona menos confusão e discórdia, quando formado por uma população reta e cumpridora dos seus deveres e obrigações, uma vez que, diante de um acordo preestabelecido, o certo e o errado definem seus destinos, não há maneira de implorar perdão alegando desconhecimento ou inocência.

No entanto, o universo conspira contra e problama a hipocrisia: "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço". Distam regras pessoais, ao passo que cobram com fervor do próximo, transformam o mundo em uma imensa e irreversível bola de neve de cobrança externa e auto-indugência.

Julga, contesta, briga, discute, e se esquece que a honestidade e retidão de caráter nasce no interior de cada um, antes de ser promulgado por toda humanidade. Portanto, se o conceito de humano está tão difuso a minha mão, bem como a sua tem parcela de culpa ao fechar os olhos em um pequeno delito ou por aquela atitude que "não fez por mal"



Thayze Darnieri

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

uma questão de postura




"Os chefes são líderes mais através do exemplo do que através do poder".


Tácito

domingo, 8 de novembro de 2009

a torcida

foto: Thayze Darnieri



Thayze Darnieri


Meu pai disse ironicamente: "Logo você, que adora futebol!" Ele não deixa de ter razão, não sou aficcionada pelo que acontece entre as quatro linhas, nem sei distinguir quando e porque ocorre um impedimento, entretanto, não configuro a classe que reconhece o gol quando todos começam a gritar.

Na minha casa, tradicionalmente, os homens se misturam entre críticas e debates intermináveis sobre o fatídico assunto, talvez se deva a isso a aversão da ala feminina a tudo que diz respeito àqueles homens correndo atrás de uma bola. No entanto, a curiosidade não me permitiu concordar somente por também produzir estrogênio e me enquadrar por preguiça em um nicho gratuito contra, sem ao menos experimentar o universo.

Um breve ensaio foi suficiente para constatar que essa não é a minha, todavia, jamais ao ponto de me antipatizar. Fico de olho, conheço os líderes, os favoritos, os derrotados, zapeio outro canal e volto para dar uma espiada, mas meu coração não bate forte por nenhum clube, não sofro e nem perco tempo com discussões.

Para tanto, sem paixão, o sentido enlouquecedor de um torcedor perde a razão, o clamor de um gol, o ataque ao juiz ladrão, a depreciação ao adversário, as brigas, os argumentos, nada disso tem perdão sem o brilho do amor que alguns muitos são capazes de dedicar as cores de um uniforme.

Isso sim é comovente em qualquer esporte!

sábado, 7 de novembro de 2009

Estádio do Pacaembu

foto: Thayze Darnieri




Thayze Darnieri


Sábado de sol, porque se afundar nesses puffs enquanto as imagens da televisão apenas colorem a vista e deixam a vida passar em preto e branco. Com as devidas precauções, cai de cabeça na nova experiência: assistir de perto um jogo de futebol. Para tanto, dirigimo-nos ao Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, mais conhecido por Estádio do Pacaembu.

O estádio leva este nome em homenagem ao "Marechal da Vitória", Paulo Machado de Carvalho, chefe da delegação brasileira nas vitoriosas campanhas das Copas de 1958 e 1962, mas é simplesmente chamado de Pacaembu devido a sua localização.

Inaugurado em 27 de abril de 1940 com a presença do então presidente da República, Getúlio Vargas, o qual foi recebido por enorme vaia dos paulistas por quem não era benquisto, do interventor Ademar de Barros e do prefeito Prestes Maia. A primeira partida foi disputada no dia seguinte, numa rodada dupla, entre o Palmeiras, na époce ainda Palestra Itália, e o Coritiba, e entre o Corinthians e Atlético Mineiro.

Apesar da cidade de São Paulo contar com grandes clubes do futebol nacional, este estádio pertence à prefeitura da capital paulista e pode ser utilizado nas partidas de futebol pela maioria das equipes do município, por meio de pagamento de aluguel.


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

olhos vermelhos




"Pra que sofrer se nada é pra sempre?
Pra que correr
Se nunca me vejo de frente

Parei de pensar e comecei a sentir
Nada como um dia após dia
Uma noite, um mês
Os velhos olhos vermelhos voltaram
De vez..."


trecho da música Olhos vermelhos, de Capital Inicial

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

quem tem ídolos?





"O que eu quero é celebrar com essa lembrança o talento desses nossos ídolos, que, justamente, fazem a gente acreditar que o fascínio que eles exercem sobre nós vai ser eterno!"

trecho do texto Tudo passa - e tudo bem..., de Zeca Camargo



Admiro os que sabem do que gostam. Sempre ganhei tempo ao entrever as inúmeras formas de contar histórias, no entanto, nunca ninguém nem nenhum enredo me arrebatou fervorosamente. Gosto especialmente de alguns, não chego a desgostar de ninguém, muito menos sinto ojeriza por segmentos, só me falta profundidade ou paixão ao ler ou assistir as perspectivas do fato real e/ou ficcional de outrem.

Impulsionada pelas certezas dos outros sobre seus ídolos, o vídeo logo abaixo e mais alguns outros componentes, me vi revistando a mente em busca de algo que ao menos gostasse bastante. Como o vídeo é uma espécie de jogo da memória com os casais do cinema, optei por quem sabe seja o meu casal preferido do cinema, Sr. Darcy e Lizzy Bennet, de Orgulho e Preconceito, o romance ingênuo de Jane Austen que foi adaptado para os cinemas em 2005.

Alguém arrisca? Alguns são bem óbvios, outros nem imagino. Dizem que o primeiro é fora do cinema.


Thayze Darnieri


quarta-feira, 4 de novembro de 2009

enquanto não vem

foto: Mauro Pietrobon



"Está é a mais dolorosa de todas as doenças humanas: dispor de todo sentido e não ter nenhum poder de ação".



Heródoto (com adaptações)



As feições não mentiam, mas a voz dizia: "estou ótimo!". Acostumada ao mal humor proposital e a lucidez permanente, ver aqueles olhos petrificados misturados a palidez inerente as bochechas rosadas desapareceu com qualquer esteio.

Definitivamente, ver alguém que você ame doente ocupa os primeiros lugares no rol das situações angustiantes. Isto independe de gravidade ou andamento da doença, a angústia origina-se pela impossibilidade de agir, uma vez que, mesmo tomada todas as providências cabíveis a moléstia perdura até o bem acolher das respostas do corpo.

A vontade é ter poder suficiente para retirar a dor e a febre com as mãos, a fim de que recupere as cores e a vitalidade de outrora. Entretanto, na ausência de poderes mágicos me resta apenas velar os passos e descaminhos enquanto a saúde perfeita e o bom humor não voltam.


Thayze Darnieri

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Berro em pé





Tati Bernardi



Férias antes dos doze anos era coisa de criança, poderia ser incrível ou um fiasco, a depender da programação dos pais, do tempo, das brincadeiras propostas, dos velhos amigos do prédio ou dos novos da praia, fazenda ou o que fosse.

Férias aos doze não dependia mais de pai e mãe e muito menos do tempo lá fora. Eu já tinha um projeto de seio (dois, no caso) e minha saliva tinha engrossado justamente porque eu não comia mais só o que era molhado e mastigado pelos cuidados de quem cuida. O mundo seco me martelava e incendiava o tempo todo e haja liquido próprio pra continuar viva.

Foi assim que na última aula do último dia útil do mês de junho, minutos antes do sinal que separava uma classe de setenta e dois alunos das primeiras férias adultas de suas vidas, chegou pra mim um bilhetinho que dizia “quando tocar o sinal é pra berrar e ficar de pé”.

Eu olhei para trás e uma infinidade de garotos topetudos e garotas com brincos gigantes rasgando suas orelhas confirmaram o combinado com bochechas rosadas e olhos safados. Eu finalmente era um deles e combinei comigo que gritaria o mais alto que pudesse, pularia o mais alto que pudesse e ainda esmurraria o topo do céu o mais forte possível, como fazem os que vencem alguma coisa depois de muitos anos de sofrimento, semi desistências e vômitos de madrugada.

Faltavam quatro minutos e eu olhava pra trás, agradecida até não poder mais por ter sido chamada a pertencer. Eu, aos doze anos, prestes a devorar a vida como se doze anos fosse ser muito velha e muito terminal e muito tanto que não pudesse ser mais nada, não estava tão sozinha assim no mundo, eu tinha enfim amigos que berrariam comigo, de pé, a chegada de alguma coisa que eu não sabia bem o que era mas que tinha a ver com meus peitos pequenos e meu coração batendo com arritmia de valsa bem no meio das minhas pernas.

“Crescer não precisava doer tanto”, eu lembro que pensei ao sentir, pela primeira vez, que cada canto do mundo podia trazer o perfume da minha mãe. Ainda que o cheiro desse perfume de mãe não fosse o da minha. Crescer pode ser gritar quando não se aguenta e pode ser pular quando não se aguenta e pode ser com amigos já que, enfim, é de não se aguentar mesmo.

Eu só perderia a virgindade dez anos depois daquele dia, eu só beijaria na boca dois anos depois daquele dia, eu só me masturbaria pela primeira vez três anos depois daquele dia. Mas aquele dia, lembro bem, eu coloquei meu cabelo atrás da orelha e senti, com o tom da voz mental menos infantil, que a vida podia vir que eu tava pronta e a mataria no peito. Eu não teria dor de barriga. Que venham as férias.

E foi então que o sinal soou e eu berrei, de pé, com os braços muito esticados para o alto. Completamente sozinha. Seguida por caretas, dedos apontados e pelos sons de risos descontrolados, palmas e uivos de todo mundo.

Essa é minha última lembrança antes de me sentir envelhecendo. Como uma criança que comemora sozinha. Como uma louca que não aguenta isso tudo que é tão bom e terrível e não disfarça mandando bilhete anônimo e nem se escondendo em grupos de risos e chacotas.
E assim se seguiram todos os meus dias, até aqui. É sempre pra essa cena que volto, quando tenho a impressão muito convincente de que sinto os sinais que tocam com muito mais dor e grito e alegria que as pessoas que ficam na espreita dos que ansiosamente não suportam muito não ser puros.

Na hora eu quis morrer de vergonha, ódio e medo, mas hoje eu vejo que desde o começo eu sabia da maldade mas preferi, como troca justa com o que minha história ainda tinha pra me contar, dar uma chance, até o fim, para que o mundo pudesse me amar do tamanho que a gente ama o mundo aos doze anos.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

para não complicar




"Simplicidade, simplicidade, simplicidade! Tenha dois ou três afazeres e não cem ou mil; em vez de um milhão, conte meia dúzia... No meio desse mar agitado da vida civilizada há tantas nuvens, tempestades, areias movediças e mil e um itens a considerar, que o ser humano tem que se orientar - se ele não afundar e definitivamente acabar não fazendo sua parte - por uma técnica simples de previsão, além de ser um grande calculista para ter sucesso. Simplifique, simplifique."


Henry Thoreau

domingo, 1 de novembro de 2009

por mim

foto: Thayze Darnieri



"Deixa o que era inexistente mas eu pensei que havia / Deixa tudo o que eu pedia mas pensei que dava"


trecho da música Se puder sem medo, de Osvaldo Montenegro



O hábito é uma conquista. Antes meu corpo não dava o menor valor a rotina, um dia por vez e a cada raiar do sol a sentença da direção a seguir, não tomava café, não almoçava, ingnorava o despertador, esquecia das horas, meu armário era esconderijo, minha casa uma confusão.

Ouvi o silêncio, chorei desesperadamente, absorvi conversas como mandamentos, habituei os olhos a observar, sofri para acostumar. Tanto que nos momentos de insana lucidez acreditei repetir os gestos de uma mão que não me pertencia, repetia e repetia, em busca de perfeição ou ao menos um fazer passível de aprovação, só porque meu coração soluçava apenas na menção do mal julgamento.

Hoje, sem aqueles olhos por perto, descobri que o pertinente hábito de olhar para trás, não é mais para evitar um exame posterior, observar o correto, repetir o certo. Encontrei em mim alguém que eu tanto procurava!


Thayze Darnieri

Pop