sábado, 31 de outubro de 2009

o dom da ubiquidade





"Estou à procura de um livro para ler. É um livro todo especial. Eu o imagino como a um rosto sem traços. Não lhe sei o nome nem o autor. Quem sabe, às vezes penso que estou à procura de um livro que eu mesma escreveria. Não sei. Mas faço tantas fantasias a respeito desse livro desconhecido e já tão profundamente amado. Uma das fantasias é assim. Eu o estaria lendo e de súbito, uma frase lida, com
lágrimas nos olhos diria em êxtase de dor e de enfim libertação: Mas é que eu não sabia que se pode tudo, meu Deus!"



Clarice Lispector

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

qualquer dia

foto: Thayze Darnieri




Thayze Darnieri


Às vezes, pela distração dos dias que insistem em se repetir deixamos esquecidos os momentos memoráveis de um passado longíquo. Dias cheios de linhas e cores, um dia particular que enche os olhos, marcados por uma data específica e merecem comemoração de aniversário, seja o dia do nascimento, um ponto de partida, o reinício de uma vida ou qualquer coisa que valha sorriso, bolo e balões.

Hoje, ao conversar brevemente com um amigo, soube que ele passaria por um rito de passagem. Esta solenidade celebraria a despedida do seu antigo apartamento, símbolo da sua magnânima generosidade, uma vez que, acolheu 10 pessoas em sua casa, incluindo-me na conta e sem contabilizar o gato, nem todas ao mesmo tempo, em um período de cinco anos.

Considerei tão curioso o fato de celebrar a partida, normalmente, quando se tem algo novo para admirar, despreza-se o velho, mesmo sem querer. Portanto, esqueça, não existe dia não-importante, cante as alegrias, marque na agenda um acontecimento novo, pule e compartilhe as conquistas com quem só te quer bem, chore a derrota ou apenas transforme um dia que não dizia nada em uma festa.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

a vida como ela é...





"No início, os filhos amam os pais. Depois de um certo tempo, passam a julgá-los. Raramente ou quase nunca os perdoam."



Oscar Wilde

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Simpatia de giz





"Eu não aguento mais ouvir o que você diz
O teu jeito de profeta lá da Praça Paris
Esse jeito de ser o que você queria ser, mas não é
Me olha como folha e pensa como raiz
É o teu jeito de bancar um cara rico e feliz, mas não é
Mete o pau na água e compra um chafariz
Acha que é um rei e ri dos meus bem-te-vis
Acha que é o dono dessa bola que eu não quis, mas não é
Eu não suporto mais tua simpatia de giz
O teu jeito de saber do vento mais que o nariz
Esse jeito de ser o que você queria ser, mas não é
Me olha como ET e pensa como perdiz
É o teu jeito de bancar um cara rico e feliz, mas não é
Querendo me ensinar aquilo que eu sempre fiz
Usando o que é dos outros pra sonhar e não diz
Fundando a filial querendo ser a matriz, mas não é..."



música Simpatia de giz, de Oswaldo Montenegro



terça-feira, 27 de outubro de 2009

o lado bom

foto: Thayze Darnieri



"Ao tornar-me uma narradora de vidas fui aprendendo algo determinante para o curso da minha existência. Toda vida é uma invenção própria. Não que ela não seja feita de fatos, de dados concretos, de eventos incontroláveis. O que é absolutamente uma criação própria é a forma como cada um olha para a sua vida.

De fato, há uma só existência. Mas são várias as possibilidades de narrativas desta mesma existência. Um mesmo episódio, por exemplo, vivido por você e por sua mãe, será contado de maneira às vezes totalmente diversa por você e por ela. E ninguém estará mentindo. Da mesma forma, o mesmo fato vivido por você poderá ser narrado de formas opostas por você mesmo, em momentos diferentes da sua vida. E você estará sendo verdadeiro em ambas as ocasiões.

Isso não significa distorcer o que acontece ou aconteceu. Apenas que há muitas possibilidades de olhar para o que acontece ou aconteceu. Há muitas verdades possíveis. E é a escolha de como olhar para os eventos (ou a falta deles) de sua vida que vai determinar a própria vida. Ou seja: ao escolher como olhar para sua vida você escolhe quem você é."



trecho do texto Qual é a sua história?, de Eliane Brum

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

embaixo do guarda-chuva





Thayze Darnieri


Há quem diga que correr atrás de ônibus é um artifício do destino para reafirmar sua transbordante pobreza.

Quando cruzo, finalmente, a porta, dando adeus ou pelo menos "até amanhã" ao primeiro fastidioso dia de compensação de horas, divagando no sonhado momento em que lançarei mão dos sapatos e tomarei um banho quente. Eis que vejo o meu ônibus escapar do foco de visão, sem tempo de acenar e coragem para correr atrás, ele simplesmente se vai, em contrapartida, fica a chuva para me acompanhar.

São 18h05, meu guarda-chuva e eu ainda esperaremos por no mínimo 20 minutos até que o próximo ônibus aponte no semáforo da rua acima. Olho meus pés mal acomodados em uma sapatilha encharcada, a água corre na beira da calçada, não há mais ninguém na rua.

De súbito, carros e mais carros descem descontroladamente a avenida, sem entender a lógica do tempo, um deles faz minar até o meio das minhas pernas aquela água que antes era apenas acessório dos meus pensamentos.

A blusa era branca, agora compõe-se num fundo sem cor somado à uma textura indefinível. Alívio, ele vem chegando! Ao levantar o braço percebo a grande movimentação que acontece no interior do ônibus, penso: melhor seria se não estivesse tão lotado. Respiro: mas ficar ensopando de fora, porquê?

O que deve significar ser acometida pelo casamento perfeito desses infortúnios cotidianos? A salvação é que nem o mais clichês dos azares, nem a soma deles me roubaria o bom humor e o sorriso dos olhos. Seria ainda necessário uma carga maior e mais profunda de eventos para me tirar do sério. "Porque gostoso é rir da vida!"

domingo, 25 de outubro de 2009

Puzzle Bobble





Puzzle Bobble é uma espécie de jogo de puzzle arcade, criado pela Taito Corporation, filho do popular Bubble Bobble, sem design modernos e mecânica simples, virou mania nos fliperamas e gerou diversas continuações e variações baseados nos seus princípios.

Na "arena" já contém um padrão previamente acordadas de cor "bolhas", na parte inferior da tela, por sua vez, o jogador controla um dispositivo que direciona as bolhas aleatoriamente para o disparo. O objetivo é destruir a totalidade das bolhas, contudo, elas somente são removidas do jogo quando a bolha atirada une-se a um grupo que forme três ou mais elementos idênticos.

Depois de todos os tiros, o "teto" da arena do jogo cai ligeiramente para baixo, junto com todas as bolhas preso a ele. O número de tiros entre cada gota do teto é influenciada pelo número de cores bolha restantes. Quanto mais perto as bolhas chegarem ao fundo da tela, mais rápido a música toca, e se cruzar a linha na parte inferior, Game over!




sábado, 24 de outubro de 2009

padrão de normalidade





"... não pude deixar de pensar como o mundo é um local estranho. Tempos houve em que certos comportamentos pessoais eram parte da diversidade humana. Uma pessoa tímida era simplesmente uma pessoa tímida. Uma pessoa expansiva era simplesmente uma pessoa expansiva. Nem todos podemos ser borboletas. Alguns acordam para o mundo e descobrem, ao contrário do que Kafka dizia, que os pequenos insectos também tem o seu encanto.


(...)

Basta olhar para os amigos tímidos, ou então para as crianças hiperativas (ou deliciosamente preguiçosas), e encontrar neles um potencial doente, um potencial demente, a exigir intervenção psicofármica. Uma parte da medicina moderna acredita na ideia, pessoalmente aberrante, de que deve existir um padrão de "equilíbrio comportamental" para definir um ser humano harmonioso, realizado e feliz. O problema é que poucos correspondem ao padrão."


texto Os normalopatas, de João Pereira Coutinho, publicado no jornal Folha de São Paulo, no dia 30 de junho de 2009.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O Amor mais amigo





"Há certas horas,
Em que não precisamos de um Amor
Não precisamos da paixão desmedida
Não queremos beijo na boca
E nem corpos a se encontrar na maciez de uma cama

Há certas horas,
Que só queremos a mão no ombro,
O abraço apertado
Ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado
Sem nada dizer

Há certas horas,
Quando sentimos que estamos pra chorar,
Que desejamos uma presença amiga,
A nos ouvir paciente,
A brincar com a gente, a nos fazer sorrir

Alguém que ria de nossas piadas sem graça
Que ache nossas tristezas as maiores do mundo
Que nos teça elogios sem fim
E que apesar de todas essas mentiras úteis,
Nos seja de uma sinceridade inquestionável
Que nos mande calar a boca ou nos evite um gesto impensado"



William Shakespeare

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Transtorno Obsessivo-Compulsivo




Thayze Darnieri


Qualquer ser humano que se preze cultiva um hábito de estimação, sem perceber está endireitando quadros, desvirando fotos, cronometrando o banho, lavando a louça, tirando a mesa, dormindo de lado, fechando as portas, pulando o meio-fio e somando os números e inventando anagramas com as placas dos carros.

No entanto, se esses costumes rotineiros passarem a ser compulsivamente incontroláveis, pode ser sinal do Transtorno Obsessivo-Compulsivo, apelidado de TOC, uma doença em que o indivíduo sofre de ideias e/ou comportamentos persistentes e repetitivos, que podem parecer absurdas ou ridículas para a própria pessoa e para os outros. Se não insistentemente saciado, o indivíduo é dominado por pensamentos desagradáveis e sem sentido, difíceis de afastar da mente.

Apesar de ter sido descrito há mais de um século, o Transtorno Obsessivo-Compulsivo ainda é considerado um "enigma". Questões como a descoberta de possíveis fatores etiológicos, diversidade de sintomas e como respondem aos tratamentos continuam sendo um desafio para os pesquisadores, devido ao caráter heterogêneo do transtorno.

Vários estudos têm apontado para a importância da identificação de subgrupos mais homogêneos de pacientes a fim de distinguir fenótipos específicos que possam dar pistas para a identificação dos mecanismos etiológicos da doença, incluindo genes de vulnerabilidade e, por fim, o estabelecimento de abordagens terapêuticas mais eficazes.

Para tanto, reitera-se que esses comportamentos só podem ser considerados compulsivos, se ocorrerem em uma frequencia bem acima do necessário diante de qualquer padrão de avaliação. Por exemplo, mesmo sem fazer parte desse grupo, se deixo a casa sozinha, é obrigatório conferir a porta pelo menos três vezes antes sair de fato, senão é o mesmo que escancará-la à Deus dará.

Afinal, quem não tem manias?



quarta-feira, 21 de outubro de 2009

face negra



"Se todo mundo fosse como eu, a humanidade estaria perdida. É sério. Confesso aqui de público que sou desnecessário. Mais que isso, sou prejudicial à saúde da sociedade como um todo. A maçã podre que pode estragar todas as outras. Enfim, eu não presto."


trecho da crônica Se todo mundo fosse como eu, Henrique Szklo

terça-feira, 20 de outubro de 2009

avante!

foto: Vitor Veríssimo



Thayze Darnieri


A sensação é outra, mas há exatamente um ano, deixava para trás aquela que será para sempre o meu lar e caminhava em direção ao meu destino. Na mala, coloquei a esperança, a coragem e pedaços de lembranças para alimentar a saudade, cuidadosamente dispensei o medo, o orgulho e a caixinha com as desnecessárias tralhas de estimação, afinal, de algum modo, esta seria uma ótima oportunidade de começar do zero.

Confesso que olhei para trás, naquele momento, prometi a mim jamais voltar ao ponto de partida, uma vez que, ainda que uma gigantesca e valiosa fração dos meus sentimentos inevitavelmente residam lá por toda eternidade, minha mente, apesar do coração palpitar, nunca conseguiu vislumbrar um futuro debaixo daquele céu.

No avião, cada lágrima representava um dia que deixaria de compartilhar e testemunhar ao lado de quem me é fundamental, entretanto, ao abrir as portas do desembarque vi aquele que seria o meu companheiro e guia de vida. Ponderei por um segundo e larguei as dores prematuras no aeroporto, respirei fundo e mergulhei naquela que seria, até hoje, a maior e mais enriquecedora aventura da minha vida.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

idade dos olhos

foto: Thayze Darnieri



"A velhice não deve ser encarada como algo ruim. Uma pessoa velha não é como um sapato velho que tem que ser eliminado e sim é uma pessoa vivida, com uma uma bagagem de conhecimento gigante. Não me refiro a conhecimentos físicos ou matemáticos - mesmo que os tenha - mas estes, qualquer um pode ter a partir de um certo ponto e outros, nunca tê-los. Me refiro à experiencia de vida e esta, só os anos vividos, as águas passadas por debaixo da ponte e as quedas trazem."



trecho do texto Uma semana diferente, de Vitor Veríssimo

domingo, 18 de outubro de 2009

Aniversário


Queridos leitores, sou autor do blog Talvez Útil e amigo pessoal da autora do Verde e Laranja.

Para este dia, obtive, com muita honra, o dever de elaborar um post com tema e característica a minha escolha. Isso se deve ao fato de hoje – 18/10 – ser meu aniversário, (sim, é como se fosse um presente da autora do blog que leem) logo, imaginei abordar um tema nos moldes da minha página, algo que todos temos contato, mas que muitas vezes sabemos muito pouco – ou nada – sobre. E por que não falar do fator motivador deste “regalo”?!


Aniversário – que é o que comemoro hoje - é a repetição do dia e do mês em que se deu determinado acontecimento. Num sentido mais geral, refere-se à comemoração de periodicidade anual de qualquer evento importante, como o nascimento de alguém, a morte de uma personalidade, o fim de uma ditadura ou uma batalha.

É um evento comemorado por muitos tipos de culturas ao redor do mundo. No Brasil, em aniversários de nascimento de uma pessoa, é comum que se faça uma festa e todos cantem ao aniversariante a canção “Parabéns pra você” . Algumas religiões não recomendam e outras nem toleram a comemoração do aniversário. Em algumas culturas, o aniversário é comemorado 9 dias após a data de nascimento, o que traria mais sorte e felicidade no ano seguinte.

Nas comemorações de aniversário, é comum ter convidados da família e amigos. Bolo, brigadeiro, salgadinhos e bebidas são exemplos de alimentos bastante comuns neste tipo de comemoração.

Denomina-se aniversário natalício o dia correspondente ao do nascimento da pessoa, e geralmente é celebrado com festa e presente, o que não é uma prática bíblica. Até o quarto século, o cristianismo rejeitava a celebração de aniversário natalício, sendo que há apenas duas menções da celebração contidas no livro sagrado cristão, que resultam na morte de duas pessoas, incluindo o servo de Deus chamado João Batista, o próprio que batizou Jesus Cristo.

Na atualidade, os vários costumes de celebração de aniversários natalícios têm uma longa história. Suas origens acham-se na mágica e na religião. Os gregos acreditavam que cada um tinha um espírito protetor ou gênio inspirador que assistia seu nascimento e vigiava sobre ele em vida. Esse espírito tinha uma relação mística com o deus em cujo aniversário natalício o indivíduo nascia. Os romanos também endossavam essa ideia. O costume de acender velas nos bolos começou com os gregos. Bolos de mel redondos como a lua e iluminados com velas eram colocados nos altares do templo de Ártemis. As velas de aniversário, nos tempos antigos, eram para proteger o aniversariante de demônios e garantir segurança no ano vindouro. Atualmente, na crença popular, são dotadas de magia especial para atender pedidos. Acreditava-se também que as saudações natalícias tinham poder para o bem ou para o mal, porque a pessoa neste dia supostamente estava perto do mundo espiritual.

Nas celebrações de aniversário dos dias de hoje, não pode faltar a velha e boa musiquinha.

Essa música tem suas origens na canção “Good morning to all” que foi escrita e composta pelas irmãs Patty Hill e Mildred J. Hill (dos Estados Unidos) em 1893. Eram professoras do jardim da infância e desenvolveram vários métodos de ensino que ficaram conhecidos como “Little Loomhouse”. A canção foi criada para ser facilmente cantada por crianças.


“Good morning to you,
.
Good morning to you,
.
Good morning, dear children,
.
Good morning to all.”

Em 1912 apareceu escrita uma combinação da letra e melodia de “Good morning to all” no que se tornaria em 1935 "Happy Birthday to You" pelas mãos de Preston Ware Orem e R. R. Forman, canção que passou a ser utilizada em celebrações de aniversário natalício.

“Happy birthday to you,

Happy birthday to you,

Happy birthday, dear “name”

Happy birthday to you.”

No Brasil, a rádio Tupi do Rio de Janeiro organizou em 1942 um concurso para escolher uma letra que casasse com a melodia de "Happy Birthday To You". A vencedora foi a paulista Bertha Celeste Homem de Mello, que até sua morte, em 1999, fazia questão de que as pessoas cantassem a letra do jeito que ela escreveu:

"Parabéns a você,

Nesta data querida,

Muita felicidade,

Muitos anos de vida."

Independente de aniversariantes ou não no dia de hoje, tenham todos sempre muitas felicidades e muitos anos de vida.

Onde sappei: Wikipédia e Homem de Mello

sábado, 17 de outubro de 2009

sobre Guarujá

foto: Vitor Verísssimo



Thayze Darnieri



Como disse Amyr Klink: "um homem precisa viajar para lugares que não conhece, para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como imaginamos e não simplesmente como ele é ou pode ser". Independente do roteiro ou condições climáticas, é sempre válido fechar a porta de casa e sair em direção ao mundo.

Dessa vez, seguimos a caminho da cidade de Guarujá (Guaru-ya, passagem estreita), antes ilha de Santo Amaro, surge em sua atual forma, no final da Era Glacial, entre 20 e 10 mil anos, quando o Canal de Bertioga e o estuário de Santos são abertos com a contínua elevação do nível do Oceano Atlântico e criam a atual ilha, a separando do continente.

Em 22 de Janeiro 1502, o primeiro europeu pisa na ilha. Américo Vespúcio aporta na praia de Santa Cruz dos Navegantes, depois seguindo viagem a ilha de São Vicente. No entanto, a ilha, pantanosa e acidentada, não atrai a atenção dos colonizadores portugueses, que preferem-se centrar esforços na vizinha ilha de São Vicente, esta mais ampla e salubre e contando com um acesso privilegiado ao Planalto Paulistano, através de trilhas indígenas.

Apesar do desinteresse, alguns colonos portugueses acabam se instalando na costa ocidental de Santo Amaro, sobrevivendo de agricultura de subsistência, pesca e reparos de navegações utilizadas no estuário de Santos. No final do século XIX, com o surgimento do turismo, o desenvolvimento da economia paulista e a existência de um acesso ferroviário rápido e fácil entre o litoral e o Planalto Paulistano provocam um novo interesse pela ilha de Santo Amaro.

Atualmente, o Guarujá é conhecido como a "Pérola do Atlântico" devido as suas belas praias e belezas naturais. Muito procurada pelos turistas na alta temporada, a cidade conta com praias urbanizadas e alguma selvagens, acessíveis apenas por trilhas. Além do litoral, oferece construções históricas e trilhas de ecoturismo. Outra atração local é a pesca artesanal, que pode ser vista e praticada em diversas praias do município.







sexta-feira, 16 de outubro de 2009

uma segunda mãe

foto: Renata Maciel



"A verdadeira família é aquela unida pelo espírito e não pelo sangue."



Luiz Gasparetto

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Cozinha solitária

foto: Thayze Darnieri



"O que você faz quando ninguém te vê fazendo ou o que você queria fazer se ninguém pudesse te ver?"


trecho da música Quatro vezes você, do Capital Inicial




Minha intuição gritava: não haverá ninguém em casa. Apesar de haver motivos óbvios para ser verdade, desconsiderei a ideia de imediato pelo hábito. Saí do trabalho, dei um pulinho na rua para resolver problemas de ordem prática, esqueci novamente de passar no supermecado para chegar logo, literalmente, ao calor do lar.

Por que ainda discuto com ela? Nenhuma luz ou qualquer barulho, estava realmente só. Respirei bem fundo para sentir melhor a sensação do momento, comecei a falar alto comigo enquanto planejava uma daquelas gororobas que preparamos somente quando há apenas um apreciador.

Recordei-me que recentemente havia lido a reportagem Cozinha solitária, de Mariana Weber, na revista Época, discorrendo como nos portamos diante desses prazeres íntimos sem plateia, "há quem se presenteie com banquetes e quem se entregue a gororobas, quem coma rapidamente, sem nem se sentar, e quem prepare piqueniques na cama (e convide o gato)".

A despeito da fobia de comer sozinha, deliciei-me com o jantar para um, mesmo sem ter ninguém olhando, obedeci aos cuidados e preceitos de quando não é unicamente para mim. Com este simples gesto, satisfiz não só o apetite ao despir mais um preconceito.

O que você gosta de comer quando está sozinho?



Thayze Darnieri
.
.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

um não-clichê

foto: Thayze Darnieri



"Todo grande escritor está sempre escrevendo o mesmo livro."


Gabriel Garcia Marquez

.
.
Ela estava totalmente perdida, não aguentava mais levar uma vida sem qualquer perspectiva, repetia dia após dia as mesmas ações, resultado do seu conformismo perante a iminente realização de um destino distante dos seus sonhos. Eis que, de súbito, surge um fio de esperança, e ela se vê automaticamente revigorada na sua nova busca. Entretanto, como nada vem de graça, ela precisaria se esforçar bastante, uma vez que, se tratava de vencer obstáculos desconhecidos. Ela tentou, mas quanto mais tentava menos entendia a lógica daquelas palavras sem sentido. Ela se desesperou. Ele entrou, exatamente pela porta na qual ela planejava fugir. Sem saber, naquele momento, conhecia o herói que a iria salvar dos percalços da sua novissíma aventura.

É, definitivamente, clichê: a velha história do mocinho que heroicamente resgata a mocinha da sua vida sem graça e sem propósitos. Mas é real, cotidiano e rotineiro (ao mesmo tempo)! E me pergunto: o que há de tão ruim em ser clichê? Antes, o que é clichê?
.
Originalmente, a palavra francesa clichê é o nome dado a uma espécie de matriz para impressão gráfica: uma placa em relevo ou baixo-relevo, fabricada em madeira, borracha, metal ou até nylon, usado para gravar imagens e textos por meio de prensa tipográfica. Trata-se do bisneto do carimbo, no entanto, por ser uma tecnologia dos idos do século XIX detêm um caráter quase artesanal. Portanto, cara por si só, além disso, agrega-se ao preço final a confecção do clichê e o tempo para entrega, em contrapartida, sua maior virtude é a flexibilidade para imprimir em diversos suportes com superfícies irregulares, seja em textura, maleabilidade ou tamanho, entretanto, com acabamento de qualidade superior aos artigos industriais de larga escala.

A partir disso, não se sabe nem onde nem quando, um ser de personalidade no mínimo curiosa, algumas pitadas de imaginação somada à um ótimo senso etimológico fez uso desta palavra pela primeira vez para se referir a algo que se repete com tanta frequência que já se tornou previsível e repetitivo dentro daquele contexto.

Todavia, essa expressão idiomática de tão utilizada e repetida, desgastou-se e perdeu o sentido ou ganhou o seu próprio significado. Para tanto, o ser humano e a sua sede por eterna originalidade peca quando considera o clichê algo idiota ou bobo, uma vez que, se o considera relevante por que não citar? Só por que milhares de pessoas tiveram a mesma idéia?

Para mim, o esforço para o não-clichê é ainda mais clichê, visto que por mais que corra do estigma não irá adiantar, esse conceito é intrínseco ao existir, protelar é besteira. Viva, publique, experimente, converse e conceitue partindo da sua vontade e assim, por mais que seja clichê é você!





texto Clichê, de Thayze Darnieri, publicado no blog Talvez Útil, no dia 14 de julho de 2009.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

o tempo cura





"O fato é que quase sempre chega um momento, na existência de um adolescente, em que, de repente, preparar-se para o futuro não lhe basta. Ele não quer se preparar, quer viver. Só que não sabe bem o que seria "viver": o mundo, como dizia a mãe de Forrest Gump, é uma caixa com chocolates variados, mas, no caso, por não conhecer os gostos e os recheios, o jovem hesita e morre de fome.

Os pais e os adolescentes que passam por essa situação não precisam se desesperar. O tempo cura muitos males, e a vida não é tão curta assim que um adolescente não possa "perder" alguns anos (tanto mais que nem sempre os ditos anos são propriamente perdidos)."



trecho do texto Educar pelo cinema, de Contardo Calligaris, publicado no jornal Folha de São Paulo, no dia 16 de julho de 2009.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

suspiros nostálgicos





"O idoso vive mais no passado do que os outros porque muito mais de sua vida está lá. Ainda assim, o passado se acumula atrás da gente a cada respiração. Mas só tem valor se você aprende com ele".



trecho do texto Quem vive do passado é museu, de Michel Kepp, publicado no jornal Folha de São Paulo, no dia 6 de agosto de 2009.

domingo, 11 de outubro de 2009

Eu sei que vou te amar III




"Nosso amor puro pulou o muro..."


frase de Chacal, epígrafe do livro e do filme, Eu sei que vou te amar, de Arnaldo Jabor


Sem discussão, um livro é absolutamente melhor que o filme. O nascer de uma adaptação caminha sentido livro-filme, transforma-se em cenas dando voz e expressão aos personagens antes inquilino de suas memórias. No entanto, Eu sei que vou te amar fez o trajeto inverso.

Assim mesmo, não mudo de opinião: um livro é indiscutivelmente superior à adaptação. Apesar de na sua execução o enredo ter obedecido aos moldes do cinema, a leitura foi agradável e não me deixou com a sensação de teatro. Entretanto, acredito ser necessário considerar que ele tem a minha idade, talvez naquela época fosse estilo ou genêro, ainda sim, me incomoda a dicção cujo texto foi declamado, bem como, a marcação de cena e os trejeitos amplos do casal.

Para tanto, a riqueza dos diálogos o transformariam em peça, filme e repetir de incontáveis formas trechos e mais trechos dessa discussão, seja na vida real ou, na ausência de coragem, fruto da imaginação, reflexo do incontrolável desejo de ouvir verdades, normalmente, desnecessárias.



Thayze Darnieri

sábado, 10 de outubro de 2009

aprende-se errando




"Aprende-se a viver em sociedade, envelhecer, amar. Aprende-se a construir, transformar, criar. Aprende-se novas línguas, novos conhecimentos, novas habilidades. Aprende-se a trabalhar e trabalhamos aprendendo. Aprende-se com a vida e com as pessoas. Aprende-se com os mais velhos e com os mais novos. Passa-se, enfim, a vida aprendendo. Isso é insofismável."



Luis Carlos Freire

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

filhos de Libra





Ouço com estranhismo quando alguém me julga mística, falta-me vários níveis para atingir o ápice espiritual. Entretanto, na ânsia pelo conhecimento, independente da origem e metodologia, aprofundei-me sem pretensão na pseudo-ciência da astrologia.

Por curiosidade, andei por entre os signos do zodíaco, talvez para compreender em teorias vagas mais sobre as reações do comportamento humano. Surpreendi-me no casamento de características e perspectivas, ao passo que assustei-me na incoerência e disformidade dos seres de um mesmo "grupo". Para tanto, um universo que vale a pena ser desbravado sem compromisso.

Uma contradição inquietante é a gratuita sintonia que nutro pelos filhos de libra, em nenhuma busca encontrei o menor vínculo entre mim e os equilibrados e justiceiros librianos. Não há explicação, desde meu pai, que faz aniversário hoje; passando pela minha segunda mãe, que convencionou-se como madrinha; até o meu melhor amigo, como ele mesmo se definiu: "segundo irmão, presente de Deus"; quando adentram os meus dias fazem baderna nos sentidos, sem pronunciar qualquer palavra preenchem os vazios arrombados pelos devaneios da loucura.



Thayze Darnieri


Libra é representado pelo mito de Astréia, filha de Zeus e Têmis, que instruía os humanos sobre a justiça. Ao decepcionar-se com a crescente iniquidade dos homens, a deusa resolve abandonar a Terra. Formou, então, a constelação que aparece com o equinócio de primavera, quando o dia e a noite têm a mesma duração, representando o equilíbrio entre ambos.

Na mitologia Grega, Libra está relacionado com três deuses: Athena, Apolo e Afrodite.

Athena, a deusa da inteligência, que ensinou aos homens diversas artes: caçar, colher, fazerem tarefas domésticas, e forneceu-lhes alguns instrumentos, como armas, porém, os humanos descobriram a maldade, e ela arrependeu-se de os ter ajudado, queria um mundo perfeito.

Apolo, deus da arte, da leitura, do belo. É o sol, a luz, mas como toda luz, também produzia sombras. Simbolo da pureza e da perfeição, representa a harmonia, a moderação, a ordem e a razão, este é característico do signo de libra, incluindo, ainda, as relações sociais e o talento artístico.

Afrodite, deusa grega do amor, as diversas faces do amor e da paixão humana estão relacionadas a ela. Corresponde ao planeta Vênus, que rege Libra e Touro. Sempre amou a alegria e o glamour, é sedutora, bela e um tanto ambiciosa.


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Uma ótima "segunda-feira"






"Domingo é um dia polêmico. Tem gente que ama, tem gente que odeia. E vamos a dois extremos:

Há o grupo adepto aos Originais do Samba, da música Alegrias de Domingo. São pessoas que adoram acordar cedo, ir à praia ou ao clube, visitar amigos e familiares, ir ao estádio de futebol e recarregar as baterias para mais uma semana de trabalho.

O outro time é mais adepto ao rock-deprê de Domingo, um dos hits de maiores sucessos da banda Titãs. Esses prezam por acordar o mais tarde possível e passar o dia sem tirar o pijama, assistindo a toda a intensa programação dominical da TV aberta.

Se há um ponto em comum entre esses dois extremos é aquela leve depressãozinha do final do domingo, quando a cabeça se divide em pensar no final de semana que acabou e na dura semana que virá pela frente. Tudo porque segunda-feira costuma ser um dia sombrio tanto na vida dos que prezam pela agitação, como nos que preferem o descanso."



trecho do texto Uma ótima segunda-feira de trabalho, de Bruno Ferrari
http://colunas.epoca.globo.com/bombounaweb

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

o não-dormir





"A insônia consiste em dormir ao contrário."



Pérolas de vestibulares

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Deixa ela entrar





Thayze Darnieri




Não se fazem mais vampiros como antigamente. Culturalmente, os vampiros são indiscutivelmente charmosos e atraentes, em contrapartida, demonstram voracidade, impiedade e violência quando a "fome" os assola, como se alimentam de sangue humano, não medem esforços para saciar a sede, mesmo que isso signifique um número incontável de mortes.

Entretanto, além do vampirismo estar em voga, percebe-se uma repaginação no conceito de comportamento: despiram o rótulo de vilões e tornaram-se vítimas da própria prisão, necessitam do sangue, mas fogem do bote a espécie humana recorrendo à saídas astutamente engenhosas. Bem como, evitam a formação de exércitos ou comunidades, passam a ser solitários, apesar disso, suas figuras não visitam somente a penumbra da noite, agora dão preferência a cenários gélidos que justificam a intolerância a claridade e calor do sol.

Diferente da perspectiva proposta por Stephenie Meyer, Deixa ela entrar perde o foco no romance e ganha ao priorizar os dramas juvenis da vida de Oskar com 12 anos e o seu relacionamento com a vampira Eli com "12 anos mais ou menos". Envoltos em um terror nada aterrorizante, onde a moral da história é viver e enfrentar, à maneira deles, as dores da adolescência.



segunda-feira, 5 de outubro de 2009

da porta para dentro

foto: Vitor Veríssimo




"Duvido. A perfeição estética sempre me provocou um arrepio de horror pela espinha abaixo. Não apenas pela ambição tirânica que ela encerra: pela forma como determina um ideal que exclui grande parte da humanidade em volta."


trecho do texto Apologia dos carecas, de João Pereira Coutinho, publicado no jornal Folha de São Paulo, no dia 2 de junho de 2009.




A premissa básica: "não julgue o livro pela capa". Em defesa dos múltiplos aspectos do ser humano, a aparência dista o carácter, entretanto, dificilmente cor de pele ou comprimento do cabelo falará pela personalidade. É necessário esperar o rolar das horas para o indivíduo mostrar a que veio, se é digno do investir dos seus grãos de areia na ampulheta da vida.

Contudo, há bons atalhos, não digo totalmente confiavéis, mas eficientes para tomar partido em menos tempo. Diferente da cor dos olhos ou formato do rosto, sua casa fala muito ao seu respeito: o casamento dos objetos de decoração, disposição dos móveis, saídas arquitetônicas com a limpeza e organização dos ambientes, aromas e energias transmitidos através das paredes, calor e aconchego que permanece da porta para dentro.

Ultimamente, no entanto, devido a recente inserção do assunto reforma no meu dia-a-dia, tenho aprendido a afiar o olhar para miudezas de acabamento, bom gosto na combinação das cores e materiais, ouvir palavras e procedimentos nunca vistos, observar a fineza do detalhe em harmonia com o todo, compreender que antes de atender ao belo um lar deve apelar para praticidade, portanto, a construção de paredes sobrepuja a frieza do sólido e transforma-se no espelho dos seus habitantes.

Divagando pelo universo da decoração, encontrei este teste. Confira qual o seu estilo!



Thayze Darnieri

domingo, 4 de outubro de 2009

ódio, não!





Thayze Darnieri


Às vezes, a figura humana mostra formas tão deturpadas que me vejo incitada a me questionar: Eu odeio alguém? Confesso que a resposta não sai de supetão, preciso parar alguns instantes para fazer uma rápida busca e constatar com a consciência livre não desgostar tanto de um ser a ponto de alimentar um sentimento tão medonho.

No entanto, para mim, distante de qualquer clichê, o ódio mora bem próximo do amor, uma vez que, ao nutri-lo automaticamente significa importar-se. Portanto, se considera relevante perder tempo e saliva para se dedicar em estudar a humilhante capacidade de ser desprezível, a razão sobrevive e se comporta muito semelhante a um coração enamorado.

Sendo assim, este sentir ainda está na borda do poço, é possível ir além. Não gostar é diferente de desgostar, quando os olhos perdem o brilho e conhecem as trevas, e as ações se tornam impassíveis e sem calor, este sentir sobrepuja o ódio.

Nasce o desprezo, o mesmo que morte em vida. Nada mais importa, nem as experiências compartilhadas, nem a verdade ou a mentira, muito menos o motivo, se foi alheio a vontade ou por medo infantil. Uma porta se tranca as costas e não há lágrimas e desespero que comova, terra onde o perdão jamais pisou.

sábado, 3 de outubro de 2009

questão de escolha





"Depois de contar sua saga, reclamou do que considerava uma grande limitação: a sexual. Ser mulher ou homem deveria ser uma escolha, segundo a garota, e não uma determinação física. Ao ouvir isso pensei que talvez, no futuro, isso possa ser uma possibilidade."



trecho do texto Diversidade sexual, de Rosely Sayão, publicado no jornal Folha de São Paulo, no dia 16 de julho de 2009.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

lembranças do eterno

montagem: Renata Maciel / Thayze Darnieri



"Aquele momento, aquelas músicas, aquela energia tinha passado e aquilo não representava mais a vida deles. Adultos ou crescem ou vivem como Peter-Pans."


trecho do texto O Cara, de Pedro Neschling



Tive um grande amor de adolescência e nada platônico. Para mim, surgiu rápido como a paixão e cresceu em proporções que só o amor comporta, após uma viagem eu possuía um amor que o meu coração mal podia suportar. A felicidade e o bem estar eram tamanhos que o desejo era estar sempre junto, inventávamos razões e criávamos projetos como desculpa para tanta proximidade.

Não bastava o período da escola, queríamos o convívio extremo, conhecer os pais, zoar os irmãos, considerar como uma coisa só. A pureza e a ingenuidade dos nossos corações nos presenteou com a ausência de medos e receios, ainda não havíamos sido feridos pela decepção e desenganos inevitáveis à vivência, e isso só fez com que aquele amor florescesse cada dia mais.

Crescemos e descobrímos a vida juntos, dividíamos as experiências para ensinar o próximo a lidar quando fosse a sua vez, fomos companheiros para dar o ombro e aconselhar, ao mesmo tempo que rir ao contar potoca e caçoar repetidas vezes de uma besteira histórica. Obviamente, embalado com uma trilha sonora ultra eclética.

A afinidade e o bem querer eram tão grandes que não coube em apenas uma ou quem sabe duas almas. Há quem diga que éramos seis, a verdade é que fomos cinco e hoje sabe se lá quantos, uma amizade construída com o tempo, fortalecida nas diferenças e saudosa como nunca.

Vejo, nos nossos poucos esbarros e raras conversas, no profundo dos olhos, o carinho envolto nas lembranças de uma época inesquecível para todos nós.



Thayze Darnieri

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

quase nunca





Thayze Darnieri



Meu coração quase nunca falha. Quando bato o olho, intuição apita, neste momento, o coração pára, canta, vibra, acelera ou simplesmente segue o seu curso normalmente. Assim, a mente comunica-se com o corpo e o ensina a se portar diante do novo. Sou guiada pela espontaneidade, evito pensar em como agir, sinto as vibrações e me equilibro conforme os limites.

Entretanto, para quem observa dentro de outra perspectiva senão a presente ou me conheceu atuando em uma esfera diferente, assista e julgue o meu adequar como forçado, fantasioso ou mentiroso. Fácil quando o julgamento acontece sendo você o objeto analisado, uma vez que, a personalidade e relações são suas, portanto, consciente da causa de uma provável alteração, seja ambiente, humor ou desconforto.

Mentiria se dissesse que jamais me pus na figura do juiz. No entanto, examinar a reação do outro em um ambiente distante do habitual jamais me rendeu desalento e decepção, não foi nada explícito, mas o vacilo no olhar e a incongruente verdade destruiu algo que logo enganaria meu coração.




Pop