terça-feira, 30 de junho de 2009

é a certeza!




"Os amigos são parentes que a gente mesmo arranja."



Eustache Deschamps

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O Pianista





Thayze Darnieri



Wladyslaw Szpilman é um jovem talentoso pianista polaco que se apresenta ao vivo na rádio, no entanto, nas ruas, bombas germânicas quase emudeciam a fabulosa melodia. Dessa forma, inicia-se o emocionante O Pianista: o testemunho de uma impressionante sobrevivência durante a Segunda Guerra Mundial. Szpilman, que perdeu todos aqueles que lhe eram mais queridos, consegue ainda assim celebrar a coragem, a força e a vida.

Este filme como outras milhares de obras se passa durante o Holocausto, diversas delas já vi, li ou ouvi, no entanto, sempre perguntava-me qual o verdadeiro significado desse termo. Uma vez que, não existe quem não saiba a relação histórica, mas o meu interesse era tender para área etimologica.

A palavra holocausto vem do grego antigo: todo queimado. Possui origens remotas em sacrifícios e rituais religiosos da Antiguidade, onde plantas, animais e até mesmo seres humanos, eram oferecidos às divindades, sendo completamente queimados durante o ritual.

Só a partir do século XIX, passou a designar grandes catástrofes e massacres, até que após a Segunda Guerra Mundial o termo foi usado especificamente para se referir ao extermínio de milhões de pessoas que faziam parte de grupos politicamente indesejados pelo então regime nazista.

Entretanto, voltou a ser utilizada para descrever as grandes tragédias, sejam elas antes ou depois da Segunda Guerra, qualquer extermínio de vidas humanas executado de forma deliberada e maciça por meio do fogo ou não.








domingo, 28 de junho de 2009

O Amor nos tempos do Cólera III





"... já tinha percebido há algum tempo quanto ia repudiar a lembrança daquela mulher sem redenção, e acreditava conhecer o motivo: só uma pessoa sem princípios podia ser tão indulgente com a dor."



trecho do livro O Amor nos tempos do Cólera, de Gabriel García Marquez

sábado, 27 de junho de 2009

conversa: alimento sagrado





"Quando conversamos com pessoas que têm opiniões parecidas com as nossas, tendemos a radicalizar nossos pontos de vista; quando nossas conversas envolvem pessoas de ponto de vista opostos, ficamos mais moderados. O processo, segundo os estudos que Sunstein conduziu, é assim: um grupo mais ou menos homogêneo se reúne para conversas. Conforme trocam ideias, um vai alimentanto o outro com argumentos. A mecânica premia as convicções. Todos querem parecer melhores ante seus pares. Evidentemente, conforme a radicalização se acirra, algumas pessoas começam a se incomodar. Em silêncio ou reclamando alto, deixam o grupo. A saída dos moderados apenas reforça a convicção dos que ficam de que estão no caminho certo."




trecho do texto A internet é formada por pontos de vista, de Pedro Doria, publicado no jornal Folha de São Paulo, no dia 1 de junho de 2009.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

como bolinha de sabão







Thayze Darnieri



No tempo da minha infância, passava horas e horas observando o comportamento dos adultos com admiração, sempre imaginando como eu agiria quando chegasse a minha vez de ser gente grande também. Entretanto, questionava-me se a minha vontade era retardar ainda mais esse momento ou correr o mais rápido possível ao encontro dele.

Será que é legal crescer? Lembrava do olhar parado do meu pai preocupado com os vencimentos das contas e jorrar incessante de dívidas, bem como o brotar incontrolável de doenças em progressivo descontrole no corpo e na mente da minha mãe e sua idas cada vez mais constantes aos médicos e milhares de especialidades.

Sem poder evitar, um dia ao acordar aquela menina, que tinha medo de crescer, não existia mais e junto com ela sumiram a inocência e a naturalidade que saltitava de seus olhos. Mesmo julgando que o modo mais leve de um adulto viver é jamais deixar o espírito infantil desaparecer, vislumbrei com tristeza a impossibilidade de um adulto carregar consigo eternamente a pureza intrínseca aos pequenos.

Há algo de diferente no brilho dos olhos que se perde no decorrer da vida, um grito no fundo da alma clama por realidade, seja uma decepção pelo comportamento de outrem, uma tristeza profunda perante a fraqueza humana ou a óbvia necessidade da subsistência. Em um momento qualquer, as lágrimas se secam e aquela beleza pueril some diante da sua vista como bolinha de sabão.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

o barulho do abismo





"Não se pode fazer nada sem a solidão".



Pablo Picasso

quarta-feira, 24 de junho de 2009

filhos e pais





"Na adolescência, os filhos percebem que os pais não podem protegê-los nem satisfazê-los e que também são pessoas com conflitos, problemas e necessidades. Nessa transição, ocorre o tal conflito de gerações.

Hoje, muitos pais se recusam a enfrentar esse período. Alguns delegam ao filho, repentinamente, todas as responsabilidades. Para eles, é como se os filhos passassem diretamente da infância para a vida adulta.

Outros se sentem impotentes e fragilizados para enfrentar os questionamentos que os filhos fazem a respeito de tudo. Para eles, é como se perdessem, de largada, a autoridade que ocupavam perante o filho. Por último, há os que se recusam a aceitar seu amadurecimento.

Em todos os casos, as consequências não são boas para os filhos. Eles podem recusar qualquer instrução, aviso ou orientação ou se sentirem abandonados ou infantilizados.

Para quem está em processo de aquisição de autonomia e de formação da identidade adulta, a falta de contraponto entre a visão dos pais e a própria e a ausência de certas normas firmes impostas pela família impedem a segurança da transição.

Os conflitos entre filhos adolescentes e seus pais é saudável. É por meio deles que o jovem cresce, amadurece, avalia suas convicções e a legitimidade delas para, então, usá-las em sua vida. Para tanto, os pais precisam ser potentes para reconhecer quando o filho ainda precisa da atuação deles e quando é preciso negociar, ceder.

É certo que os pais errarão na medida, em algum momento. Mas devem, a todo custo, evitar errar pela ausência."


trecho do texto Conflito em casa, de Rosely Sayão, publicado no jornal Folha de São Paulo, no dia 4 de junho de 2009.

terça-feira, 23 de junho de 2009

O Amor nos tempos do Cólera II




"Acabavam de celebrar as bodas de ouro matrimoniais, e não sabiam viver um instante sequer um sem o outro, ou sem pensar um no outro, e o sabiam cada vez menos à medida que recrudescia a velhice. Nem ele nem ela podia dizer se essa servidão recíproca se fundava no amor ou na comodidade, mas nunca se haviam feito a pergunta com a mão no peito, porque ambos tinham sempre preferido ignorar a resposta. Tinha ido descobrindo aos poucos a insegurança dos passos do marido, seus transtornos de humor, as fissuras de sua memória, seu costume recente de soluçar durante o sono, mas não os identificou como os sinais inequívocos do óxido final e sim como uma volta feliz à infância. Por isso não o tratava como a um ancião difícil e sim como a um menino senil, e esse engano foi providencial para ambos porque os pôs a salvo da compaixão.


Coisa bem diferente teria sido a vida para ambos se tivessem sabido a tempo que era mais fácil contornar as grandes catástrofes matrimoniais do que as misérias minúsculas de cada dia."



trecho do livro O Amor nos tempos do Cólera, de Gabriel García Marquez

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Desperate Housewives





Thayze Darnieri



Foi durante um telejornal, que surgiu a Marc Cherry a ideia para produzir um novo seriado. Ele havia assistido uma matéria sobre a esquizofrênica Andrea Yates, mulher que em 2001 afogou seus cinco filhos na banheira, um por um, porquê julgava não suportar mais o peso da maternidade. Então, se perguntou porque não falar do cotidiano aparentemente normal e sem graça de algumas mulheres comuns.

Desperate Housewives é uma série de televisão estadunidense, transmitida pela ABC desde 2004. Em Wisteria Lane na cidade ficcional de Fairview, cinco donas de casa durante as suas lutas domésticas enquanto vários mistérios são desvendados. Seu estilo, por sua vez, combina com elementos de drama, comédia, mistério e novela.

Em 2005 foi uma das séries mais vistas em todo o mundo. Há ainda uma versão argentina da série que já terminou sua primeira temporada, sendo um relativo sucesso de audiência. Em contrapartida, a versão brasileira, exibida pela Rede TV! concluiu a primeira temporada sem mais planos de ir em frente.







domingo, 21 de junho de 2009

Dia dos namorados macabro 3D





Thayze Darnieri



Não tem jeito! Qualquer experiência, seja ela qual for, deve ser vivida "como manda o figurino", senão o sabor do momento desaparece em detalhes, uma vez que, uma conjunção de coisas pequenas acabam por tornar algo cada vez maior.

Persegui o filme Dia dos namorados macabro na versão 3D por quase um mês sem sucesso, sempre surgia um contratempo que me afastava das salas de projeção, quando menos esperava o filme havia mudado para um cinema diferente e o meu ritmo não conseguiu acompanhar essas ligeiras deslocações.

No entanto, era uma coisa que não podia deixar de experimentar: a possibilidade de vivenciar ainda mais intensamente uma história de terror. Sendo assim, ao encontrar com surpresa na locadora o DVD, incluindo aqueles óculos de papel prometendo a visualização em 3D, não pensei duas vezes, levei para casa.

Contudo, a mesma frustração que assola uma pessoa que se aventurou na execução de um prato pela primeira vez, seguindo todas vírgulas da receita passo a passo e, mesmo assim, cria uma refeição aguada e longe da aparêcia original, recaiu sobre mim ao iniciar o filme.

A perfeição não era o objetivo, visto que os ingredientes que compunham o experimento não formariam jamais um elemento harmônico e consistente, falta um detalhe aqui, um instrumento cá, uma astúcia acolá. Produzindo, por fim, um resultado bem aquém do mínimo esperado.



sábado, 20 de junho de 2009

O Amor nos tempos do Cólera I





"... amava a vida com uma paixão sem sentido, amava o mar e o amor, amava seu cachorro e ela, e à medida que a data se aproximava ia sucumbindo ao desespero, como se sua morte não tivesse sido uma decisão própria e sim um destino inexorável."




trecho do livro O Amor nos tempos do Cólera, de Gabriel García Marquez

sexta-feira, 19 de junho de 2009

uma diferença





"Um homem se apaixona através de seus olhos, a mulher através de suas orelhas".




Woodrow Wyatt

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Memória de minhas putas tristes IV





"Assim comecei a entender que não obedecia às minhas ordens, mas aguardava a ocasião para me agradar."



trecho do livro Memória de minhas putas tristes, Gabriel García Marquez

quarta-feira, 17 de junho de 2009

soluçoso coração





"Se eu soubesse que iria viver tantos anos, teria cuidado mais de mim".



Eubie Blake




Já sentiu aquela sensação que poderia ter feito mais? O nome desse sentir está longe do arrependimento, moléstia, vício ou omissão, simplesmente me falta o energia para atividades que exijam que a ponta do meu nariz ultrapasse os limites do vão da porta.

Posso culpar as baixas temperaturas ou mesmo a preguiça, mas no fim é essa durmência que me faz permanecer em casa, durante qualquer tempo livre que surja, ao invés de atender ao chamado de pessoas queridas que pedem a minha presença em eventos imersos em diversão e longe das complicações cotidianas.

Posso estar fugindo de oportunidades latentes, mas a energia doméstica me suga com uma força tão forte e esqueço que posso estar perdendo o prazer de aprender ao conversar sobre um assunto que não entendo muito bem, se conhecerei alguém que vá mudar a minha perspectiva de vida, se viverei experiências diferentes com pessoas antigas ou repetir com pessoas novas cenas de outrora, se brincarei de ser feliz e se enxugarei as lágrimas.

Sei que posso, no entanto, no profundo desse poço de possibilidades procuro algo que suscite uma vontade alheia a minha vontade. Entretanto, enquanto isso não acontece vou ficar aqui megulhada e misturada as cobertas acompanhando meus lúgubres pensamentos à espera do palpitar de um coração que sabe o que quer e não pestaneja em esperar.



Thayze Darnieri

terça-feira, 16 de junho de 2009

Memória de minhas putas tristes III





"Pela primeira vez em minha longa vida me senti capaz de matar alguém. Voltei para casa atormentado pelo diabinho que sopra no ouvido as respostas devastadoras que não demos na hora certa, e nem a leitura nem a música mitigaram a minha raiva."



trecho do livro Memória de minhas putas tristes, Gabriel García Marquez

segunda-feira, 15 de junho de 2009

voando com as palavras




"As mariposas se parecem com livros e, como dizia Galileu, a natureza inteira é um grande alfabeto; há poemas feitos de água (lembrando Joan Brossa), que escorrem quando se abre a torneira; há o idioma dos passáros e os céus do sul, por onde passa um avião antigo."



trecho do texto Brincando com as palavras, de Noemi Jaffe, publicado no jornal Folha de São Paulo, no dia 5 de maio de 2009.

domingo, 14 de junho de 2009

Memória de minhas putas tristes II





"Havia achado, sempre, que morrer de amor não era outra coisa além de uma licença poética. Naquela tarde, de regresso para casa outra vez, sem o gato e sem ela, comprovei que não apenas era possível, mas que eu mesmo, velho e sem ninguém, estava morrendo de amor. E também percebi que era válida a verdade contrária: não trocaria por nada nesse mundo as delícias do meu desassossego."



trecho do livro Memória de minhas putas tristes, de Gabriel García Marquez

sábado, 13 de junho de 2009

Teus olhos

"Acho que eu não vou mais
Agora tudo tanto faz,
meu bem
Eu vi você passar
(...)
Mas eu conto com você
Pois enquanto eu não me resolver
Eu vou lá, eu vou lá..."


trecho da música Teus olhos, de Ivete Sangalo e Marcelo Camelo

sexta-feira, 12 de junho de 2009

2 anos!

foto: Thayze Darnieri




Thayze Darnieri




Fruto da exagerada e incessante discussão entre meu ego e superego com a necessidade louca que sinto em expressar sentimentos por meio de palavras, por volta das 21 horas, no dia 12 de junho de 2007, nasce o verdeelaranja.

Desde então, tenho sempre comigo uma testemunha para me acompanhar de perto e depois contar ao mundo tudo que senti, vivi, aprendi, assisti, conheci, entendi, vivenciei e li. Juntos descobrimos a vida, nos amoldando as experiências, adaptando-nos ao acelerar e as pausas da respiração, isso com o sentido maior de registrar um resgate futuro, uma melancolia passageira ou o mero orgulho de escrever dia após dia mais uma página da minha história.

Hoje é o post 730, cada um deles é resultado de uma conversa qualquer, uma discussão inoportuna, uma curiosidade inquietante, uma raiva infundada, uma felicidade irradiante, além da opinião acerca de um filme, trechos de livros, jornais, revistas ou passeios na internet que sussurram uma sintonia gritante e sons que elucidam melodias iguais aos pulos do meu coração.

Além do mais, falta-me habilidade com as palavras faladas, talvez quando o calor do momento surge a reorganização instantânea dos pensamentos se torna impossível. Portanto, faço uso das palavras escritas, quando assim, perante a calma para amenizar os pensamentos e reafirmar os sentidos elas se tornam mais fiéis ao me representar. Apesar disso, não dedicava tanto tempo quanto hoje, aproveitava o meu tempo com a leitura e me esquecia da escrita, mas ao ouvir de uma dessas pessoas que tocam no fundo da alma, redescobri em mim uma pessoa mais lúcida e segura para escrever.

O verdeelaranja é o espelho das minhas feições e caretas, atento aos meus suspiros e gritarias, corte e recorte das emoções e paisagens que alimentam a minha mente e os meus olhos. Enfim, a materialização do meu consciente inconsciente.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

ir para perto





"Aos vinte anos foi que me dei conta de que uma pessoa, se não tem mais vínculo familiar com alguém, possivelmente, fica sozinha na vida. Porque, dificilmente, os amigos permanecem, sem que antes as vicissitudes de suas próprias histórias os levem para longe."


trecho da crônica Mamãe me adora, de Luís Capucho, publicado na revista Junior, edição 11, do mês de junho

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Duplicidade




Thayze Darnieri



Quem consegue viver a sombra da mentira? Contudo, é sob a fumaça da competitividade excessiva e ao redor de vidas permeadas de enganações que se forma a história de amor e ódio entre dois espiões e duas empresas líderes de mercado.


O amor é a máquina de propulsão do mundo. Uma vez que, nada nasce sem amor, considerando que tudo pode ser amor desde o eterno amor-próprio até a efusiva paixão. Entretanto, quando o amor passa a ser incontrolavelmente forte e intenso, não há como evitar, cedo ou tarde uma erva daninha brotará no fundo do coração e apimentará com medo o seu amor. Logo, o objetivo desleal dessa praga é apenas testar a força do sentimento, sair à procura inconsciente de provas a fim de comprovar o incomprovável e, no fim, encontrá-lo onde sempre esteve.


No entanto, trata-se de mais do que apenas o desejo de estar sempre a frente, seja na face humana seja no universo corporativo. Um enredo com todos os elementos para ser um filme igual aos outros, mas possui um gancho de escape que modifica a perspectiva global a respeito do desfecho.


terça-feira, 9 de junho de 2009

Memória de minhas putas tristes I





"Nessa época ouvi dizer que o primeiro sintoma da velhice é quando a gente começa a se parecer com o próprio pai. Devo estar condenado à juventude eterna, pensei então, porque meu perfil equino não se parecerá jamais ao caribenho cru que era meu pai, nem ao romano imperial de minha mãe. A verdade é que as primeiras mudanças são tão lentas que mal se notam, e a gente continua se vendo por dentro como sempre foi, mas de fora os outros reparam."



trecho do livro Memória de minhas putas tristes, de Gabriel García Márquez

segunda-feira, 8 de junho de 2009

de joelhos





"Estar de joelhos é a posição correta se quisermos pensar o humano na sua condição mais profunda: seu medo, sua insegurança, sua capacidade de amar ainda que seja um ser infinitamente efêmero diante da ordem indiferente do mundo, enfim, sua natureza de respirar o mistério.

Muitas vezes penso que chorar nos torna uma pessoa menos ridícula. As lágrimas colocam as coisas nos seus devidos lugares."


trecho do texto De joelhos, de Luiz Felipe Pondé, publicado no jornal Folha de São Paulo, no dia 11 de maio de 2009.

domingo, 7 de junho de 2009

Crepúsculo IV





Thayze Darnieri



Quando vi minhas crianças discutindo fascinados e lendo ferozmente o livro Crepúsculo, logo constatei que se tratava de um novo fenômeno da literatura juvenil, assim como a saga de Harry Potter passou pela minha adolescência, Edward e Bella povoava a vida deles agora.

Para tanto, não me parecia nenhum pouco interessante, apenas mais uma história de seres fantásticos aquém da minha atenção. Alguns meses se foram e eis que surge este livro disposto na penteadeira do meu quarto, nesse momento, fui tomada por um misto de curiosidade e receio, mas decidi experimentar, não poderia ser tão ruim.

Era uma sexta-feira, cansada pelo trabalho e congelada pelas temperaturas pereclitantes dessa cidade, me pus a ler essa história de vampiros, quando percebi já estava tomada pelo romance entre o encantador Edward e a desastrada Bella, não pude me conter, mergulhei de cabeça no abismo de Forks e só voltei a tona na segunda-feira.

Tinha que sucumbir o estigma, no entanto, só poderia me ver livre após fechar o ciclo completamente, ou seja, ver a adaptação do romance para o cinema. Decepcionando-me mais que o esperado, visto que foram capazes de aniquilar os temores do Edward, maquear a confusão de Bella, praticamente ignorar a existência de Jacob, bestializar o esforço da família Cullen ao não-ataque aos humanos, portanto, acabar com a névoa de fantasia real edificada por Stephenie Meyer em detrimento de ação e coerência temporal.



sábado, 6 de junho de 2009

Adptação literária





Thayze Darnieri



Não sou nenhuma especialista, mas alguém pode me explicar por que é tão difícil ver adaptações cinematográficas descentes surgidas a partir de obras literárias?

Ler é um ato profundo, exige concentração e um mínimo de criatividade. Ao saborear uma história escrita, o leitor une em si todas as funções necessárias para produzir um filme, no simples passar de páginas como em um movimento de varinha de condão, a vida se trasforma em preto e branco, viajo para o século XVII, a forma humana é esquecida e adquiro grandes poderes, voo sem asas e sem escalas direto para o paraíso, posso encontrar o princípe encantado atrás da porta, deparo-me com figuras despresíves e vilãs repugnantes, enfim, prostro os meus sentidos perante os sentimentos do personagem.

Para tanto, ao assistir um filme, não me importa se é uma grande produção, quantos milhões foram gastos, efeitos especiais, figurinos, cenários ou locações dispendiosas, cortes e tomadas sensacionais. Indispensável é, quando transpor para imagens as palavras do autor, trazer consigo o sabor da sensação vivida pelo narrador. Uma vez que, não há mais espaço para o roteirista criar, as nuances do enredo já são domínio público, no entanto, apesar disso, o leitor ainda deseja reviver as emoções que um dia estiveram presas na sua imaginação, agora dispostas através da perspectiva de outra pessoa.

Parece simplório, contudo, para mim, os profissionais de cinema se apegam tanto em respeitar o formato original que perdem o essencial.



sexta-feira, 5 de junho de 2009

Crepúsculo III




"Não como um homem pode hesitar antes de beijar uma mulher, para avaliar sua reação, para ver como seria recebido. Talvez ele hesitasse para prolongar o momento, esse momento ideal da expectativa, às vezes melhor do que o próprio beijo".



trecho do livro Crepúsculo, de Stephenie Meyer

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Heroes





"Mesmo com todo seu poder, é um defeito do homem não poder escolher o seu destino. Ele pode apenas escolher como reagirá quando o chamado do destino viver. Esperando que terá coragem para responder a altura."



narração durante o encerramento do episódio Dont' Look Back, do seriado Heroes

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Crepúsculo II




"Minha mente tinha tempo livre demais e estava saindo do controle. Flutuava entre uma expectativa tão intensa que era quase dolorosa e um medo insidioso que ameaçava minha firmeza. Precisei ficar me lembrando de que havia tomado a minha decisão e não ia voltar atrás. Peguei o bilhete dele em meu bolso com uma frequência muito maior do que a necessária para absorver as duas palavrinhas que ele escrevera. Ele queria que eu ficasse sã e salva, disse a mim mesma repetidas vezes. Simplesmente me prenderia à crença de que no final das contas, esse desejo venceria os outros. E qual era minha alternativa - suprimi-lo de minha vida? Intolerável."




trecho do livro Crepúsculo, de Stephenie Meyer

terça-feira, 2 de junho de 2009

O gato que roubava meias





Britâncios tentam desvendar mistério de "gato ladrão de meias". Os donos de um gato com uma paixão por meias entregaram folhetos para os seus vizinhos na cidade de Loughborough, no centro do Reino Unido, para saber se eles perderam alguma meia. O gato Henry, de um ano, levou para casa ao menos 57 meias desde que nasceu. Os donos querem saber agora se ele tem pegado as meias de varais dos vizinhos ou se tem entrado nas casas pra roubá-las. Henry pode ser visto constantemente sentado sobre um muro próximo à casa de seus donos com uma meia na boca. A dona, Louise Brandon, diz que até agora não conseguiu devolver as meias roubadas aos proprietários. "As pessoas devem estar comprando outras meias, porque agora Henry está vindo com peças novas para casa. É um pouco embaraçoso."


Folha Online



Realmente era embaraçoso. Todos os dis Henry voltava para casa trazendo uma meia apanhada ninguém sabia onde. Aparentemente fazia-o por gratidão, para retribuir a seus donos o bom tratamento que deles recebia. Mas era um presente incômodo.

O casal Brandon temia que um dia um vizinho irrompesse na casa deles, aos gritos, ameaçando denunciá-los à polícia. Mas devolver as ditas meias seria missão impossível, porque, como gatuno (gatuno mesmo), Henry era soberbo: não havia qualquer indicação acerca do lugar em que tinha praticado o furto.

"Por que vocês não ficam com as meias?", perguntou um parente, conhecido pelo cinismo. Proposta que o casal recusou indignado. Em primeiro lugar, aquilo equivaleria a uma verdadeira receptação de mercadorias roubadas; depois, Henry só trazia um pé de cada meia.

Os números variavem muito e além disso o gosto do bichano deixava a desejar: volta e meia (volta e meia mesmo) aparecia com uns carpins de cor roxa, ou furados, coisas assim.

Claro, poderiam se desembaraçar do gatinho; a verdade, porém, é que gostavam dele e pretendiam conservá-lo. Assim, resolveram tomar outra providência. Chamaram um terapeuta de felinos.

O homem veio, osbservou atentamente Henry (que bem naquele dia havia roubado mais uma meia) e fez seu diagnóstico: tratava-se de um gato fetichista. Assim como os fetichistas humanos são fixados em sapatos de mulheres, disse, Henry tinha fixação por meias.

O prognóstico era bom: o gato provavelmente melhoraria quando encontrasse a gatinha de sua vida. Era, portanto, questão de esperar, e os donos se dispuseram a fazê-lo.

Aí ele sumiu. Desapareceu completamente, sem deixar vestígio. O casal suspeitou de que alguém o tinha roubado; mas por quê? Henry nada tinha de especial, era um gato absolutamente comum. Mistério, portanto, mistério completo.

Ultimamente coisas estranhas têm acontecido. Perto da tradicional loja de meias na rua principal uma outra loja, também de meias, foi aberta. O dono é um forasteiro, ao que parece parente distante do terapeuta de felinos. E está indo muito bem. Ao contrário do antigo vendedor de meias, cujo negócio vai de mal a pior.

É que as meias de sua loja estão sendo roubadas. O estoque já está quase em zero. Enquanto isso, o recém-chegado comerciante fica na porta de seu estabelecimento, cantarolando baixinho, numa voz fanhosa que parece um miado de gato.


texto O gato que roubava meias, de Moacyr Scliar, publicado no jornal Folha de São Paulo, no dia 11 maio de 2009.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

A Comilança e Estômago





Thayze Darnieri



A gula é um pecado capital. No entando, após assistir ao franco-italiano A Comilança (1973) e ao ítalo-brasileiro Estômago (2007) fui obrigada a compreender que este é mais que somente uma transgressão a um preceito religioso, é o pecado dos pecados. Uma vez que, ao refletir concluí que os outros pecados nada mais são que uma ramificação de um desejo insaciável.

Considera-se a gula ingerir alimentos além do que necessário para saciar o corpo. Entretanto, esse pecado relaciona-se diretamente ao egoísmo humano: querer sempre mais e mais, não se contentando com o que possui.




Partindo desse princípio, fica fácil observar que Alecrim, o brilhante protagonista de Estômago, é a personificação da soberba, nele, apesar da sua fisionomia simpática e aparentemente inocente, une-se o orgulho, arrogância e vaidade. Ainda do brasileiro, a prostituta Iria materializa a avareza em suas ações, visto que detem um apego ultrajante pelos bens materiais e pelo dinheiro, mesmo quando é apenas reflexo dos seus anseios.




Agora, em A Comilança o intenso e descontrolado Marcello conflita raiva, ódio e rancor por diversas vezes quando provocado ou contrariado, propõe-se destruir e/ou fugir daquilo que provocou sua ira. Contudo, Michel nutre inveja por Marcello ignorando suas próprias bençãos e prioriza o status de outra pessoa no lugar do próprio crescimento espiritual. Já Philippe representa a preguiça devido a sua inanição perante as situações que lhe desagradam, mantem-se apático e em completa letargia quando deveria reagir. Por fim, a evidente luxúria característica de Andrea. Crê verdadeiramente no amor e adoração de Philippe, todavia, necessita provar a si mesma que Michel e Marcello também a desejam.

Para tanto, nesses casos a comida, na verdade, transformou-se moeda para transcrever as fraquezas humanas, seja na trilha da morte seja em busca de poder.

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