domingo, 31 de maio de 2009

Crepúsculo I





"Fiquei paralisada no meu lugar, encarando inexpressiva as costas dele. Era tão mesquinho. Não era justo. Comecei a pegar minhas coisas devagar, tentando bloquear a raiva que se espalhava em mim, com medo de que meus olhos enchessem de lágrimas. Por algum motivo, minha ira canalizada para meus dutos lacrimais. Normalmente, eu chorava quando estava com raiva, uma tendência humilhante."



trecho do livro Crepúsculo, de Stephenie Meyer

sábado, 30 de maio de 2009

O que é isso companheiro?




Thayze Darnieri



Uma boa conversa é sempre fortalecedora. No entanto, para mim, o elemento essencial da trama é a energia germinada por meio do interesse do receptor junto ao conhecimento do emissor. Foi em um papo desses, semana passada, durante um jantar, que alguém levantou o assunto ditadura militar que findou no desenrolar dos fatos narrados no filme de Bruno Barreto, precedido pelo livro de Fernando Gabeira, O que é isso companheiro?

Apesar do título não me soar estranho, uma vez que, boa parte do enredo conta com colheradas bem cheias de história do Brasil, além da indicação ao Oscar em 1997 de Melhor filme estrangeiro. Até então o interesse não havia brotado em mim, entretanto, como sou dotada de uma curiosidade absurda, resolvi, após ouvir tudo que meus oradores tinham a dizer, buscar mais informações sobre o ocorrido e assisitir, finalmente ao filme.

É uma história desenvolvida sob os fatos cuja memória de Gabeira (Paulo) conseguiu reter das experiências vivenciadas em 1969, os motivos que o levaram a se aliar a um grupo de jovens revoltados com a situação do país, até o sequestro do embaixador americano, Charles B. Elbrick. Não obstante, o narrador não se autointitula herói, não afirma com veemência ser esta a versão absoluta dos fatos, admite seus sentimentos, sua ingenuidade e a de seus companheiros, as falhas do plano, as divisões internas, a euforia pela liberação dos presos, o fim do sonho.

Em vista disso, despida de hipocrisia e fantasia, percebi-me direcionada hermeticamente à reflexão acerca daqueles que lutaram e acreditaram fielmente no futuro da nação, visto que indiscutivelmente houve uma voz no passado que lutou, mesmo que em vão. Contudo, não importa a razão, se eram loucos na tentativa de impor o comunismo ou socialismo, ou se era somente a luz efêmera de uma paixão juvenil. O importante de fato foi a existência de cidadãos conscientes da situação vivida pelo povo brasileiro e fizeram o que estava ao seu alcance na luta por um único objetivo: a liberdade.


sexta-feira, 29 de maio de 2009

repetição da repetição





"Tudo indica que um trauma não é uma lembrança nociva por ser forte demais; ao contrário, em geral, ele é um evento mal lembrado de maneira insuficiente. (...) Mas não é cedo para notar que a cura das experiências penosas de nossa vida não está no esquecimento, mas no esforço para se lembrar delas em toda a sua incômoda complexidade."



trecho da crônica Lembranças traumáticas, de Contardo Calligaris, publicado no jornal Folha de São Paulo, no dia 16 de abril de 2009.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

nosso encontro

foto: Marília Rodrigues



Thayze Darnieri






É natural da convivência humana pessoas entrarem e saírem do círculo de relações habitual. Tal apego pode acontecer de súbito, ser uma conquista diária, um papo esporádico, uma dependência física, uma afinidade profunda. Entretanto, não importa como surgem essas relações de amizade, o tempo passado junto, a extensão dos encontros, as coisas em comum, uma vez que, o relevante é a intensidade do sentimento compartilhado pelos corações.

Foi em uma fase conflituosa, quando não enxergava um ser sequer e ninguém me via, quando o complexo de inferioridade característico do adolescer saltitava dos meus poros, ela me percebeu e realizou o feito de me convencer que eu poderia ser inserida em meio a sociedade. Ao seu lado, aprendi que passar o tempo com alguém podia ser divertido, conheci a possibilidade latente do ser humano se amoldar ao ambiente na qual está inserido, acho até que libertei a gargalhada já existente no fundo da minha alma com ela.

Contudo, como fiz diversas vezes, agora era ela que tinha que ir embora. Mudou para sua cidade e nunca mais a vi. No entanto, com o advento da tecnologia e a teia de relacionamentos construídos ao seu redor, a reencontrei e agora a tenho por perto, mesmo que virtualmente. Assim pude saber como viveu a sua vida desde que os meus olhos se perderam dela, e, por causa disso, talvez tenha entendido a nossa sintonia de antigamente.

Enfim, segundo as nossas promessas, hoje, deveríamos ter nos encontrado nessa cidade que de tão louca, nos faz apaixonada por ela. No entanto, como não foi possível, estou daqui mandando energias boas para que edifique ainda mais a felicidade em sua vida.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

reticências





Henrique Szklo



As palavras são uma invenção do homem. Não existem na natureza. A linguagem da natureza é muito mais sutil, ampla, difusa e por isso mesmo, poderosa. O homem criou a linguagem para facilitar a sua vida - a mesma razão pela qual inventou todo o resto – mas como todas as invenções, naturais e anti-naturais, esta possui um perverso efeito colateral. Como a função primária da palavra é justamente definir as coisas de forma clara, objetiva e inconteste, já vai aí uma falha intransponível. Nada na natureza é totalmente claro, objetivo e inconteste, portanto as palavras definem apenas uma pequena e insignificante fração das coisas. A fração mais superficial e óbvia. Seu real e complexo significado fica fora da zona da linguagem criada pelo homem. A palavra não traz em si atestado de idoneidade. Como se diz, o papel aceita tudo e, digamos que isto pode se extender pela linguagem falada como um todo, portanto uma boca aceita tudo. A palavra não possui mecanismos de comprovação de sua autenticidade. Já a natureza quando se comunica, apesar de nos faltar clareza em muitos momentos – mais por nossa limitação do que por qualquer outra causa - o faz de forma inconteste, contundente e plenamente comprovável. A natureza não se comunica com palavras. Se comunica com sinais. Sinais amplos e complexos, que exigem de seus interlocutores um pouco mais do que um raciocínio lógico. Uma pupila tem muito mais a dizer sobre o verdadeiro pensamento de alguém do que uma lingua. A lingua mesmo pode trazer informações valiosas. Não pelo seu movimento em busca da construção de sons, mas em sua textura, umidade, rigidez e tamanho. A palavra, portanto é limitada, limitadíssima. Não carrega em seu bojo todo o espectro de significados que aquele objeto, ato, conceito ou idéia têm. Se conforma em definições leigas e preguiçosas e mesmo assim temos a sensação de que “entendemos o mundo”, porque eventualmente conheçamos muitas palavras e milhares de suas combinações ilusórias.

terça-feira, 26 de maio de 2009

O Demônio e a Srta. Prym V





"Seu vocabulário era limitado, ela não conseguia encontrar outra palavra para descrever as muitas sensações que os outros lhe causavam, mas era isso que acontecia: "enxergava" os outros, conhecia seus sentimentos."




trecho do livro O Demônio e a Srta. Prym, de Paulo Coelho

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Lenovo




O Lenovo Group Limited, anteriormente conhecido como Legend Group Ltd e New Technology Developer Incorporated é um dos maiores fabricantes mundiais de computadores pessoais e o maior na região do Pacífico asiático a partir de 2006. A empresa foi fundada em 1984 por um grupo de onze engenheiros liderados por Liu Chuanzhi em Beijing, mas a empresa controladora só passou a existir em 1988, em Hong Kong. Em 2005, a Lenovo comprou a Divisão de PCs da IBM. Sua sede está situada em Raleigh, Carolina do Norte, nos Estados Unidos, sede do extinto grupo ThinkPad da IBM.

A companhia entra numa disputa forte em varejo, concorrendo principalmente com modelos básicos dos grandes fabricantes, como os HP Compaq e Dell Inspiron. Hoje, a Lenovo é quarta maior fabricante mundial de PCs, ingressou neste mês no varejo brasileiro com a intenção de chegar à liderança desse segmento até 2011, quando espera controlar entre 12 e 13% das vendas totais do País ao consumidor final. O posto pertence hoje à brasileira Positivo, de quem, inclusive, a Lenovo já negociou a compra no final do ano passado.

A companhia lançou neste mês que as primeiras máquinas, chamada IdeaPad, destaque para a tecnologia Veriface, que usa a webcam para identificar o rosto do usuário. No entanto, disponíveis apenas na rede Fnac em todo o País, mas promete fechar novos acordos com grandes redes ao longo do ano.



fonte: revista INFO

domingo, 24 de maio de 2009

Feira da Liberdade

foto: Vitor Veríssimo



Aberta desde 1975, recebe milhares de paulistanos e turistas interessados em itens que vão de yakisoba aos peixes ornamentais. As barraquinhas vendem bijuterias, peças de vestuário, artigos místicos, instrumentos musicais, plantas, curiosidades e oferecem muita comilança em pé, em meio à multidão.

Com cerca de 240 barracas que oferecem itens orientais e ocidentais, a Feira de Arte, Artesanato e Cultura da Praça da Liberdade, ou simplesmente "Feirinha da Liberdade", funciona aos sábados e domingos, das 9h às 18h, no bairro oriental de São Paulo.





fonte: Folha online

sábado, 23 de maio de 2009

esmola





Thayze Darnieri



Para falar com destreza e convicção, é necessário o mínimo de conhecimento no assunto a qual pretende abordar. Portanto, considero-me incapaz de julgar os motivos que levam um ser humano a pedir esmola, roubar ou se prostituir. Contudo, ao me deparar com uma pessoa nessas situações é impossível não questionar o que levou esse ser a chegar nesse nível tão extremo.

Hoje, me deparei com uma “sinuca de bico”. Em uma fila de supermercado, uma senhora me abordou munida de carrinho e alguns mantimentos de primeira necessidade pedindo para que eu pagasse suas compras, não era nada demais, apenas café, açúcar, ovos e frango. Veio com o papo de praxe, citando uma doença grave, a vergonha em pedir e o quando Deus irá me recompensar pela boa ação.

Admirei-me pela sua tática, se ela pedisse dinheiro simplesmente, provavelmente não me comovesse. Entretanto, nesse momento, surgiu uma lembrança muito forte das palavras do meu pai, que abomina dar esmola, nem que seja moedas, em contrapartida, é incapaz de negar comida a alguém que passa fome.

Aquela senhorinha mirrada conseguiu amolecer o meu coração e a minha opinião contrária à apoiar quem esmola, concedi o seu pedido. Nenhuma de suas palavras entrou na minha cabeça, somente revivi a sensação de gratidão pelo fato de saber que esse dinheiro não me faria falta alguma.

Cheguei a conclusão óbvia, não me interessa a razão pelo qual ela clama por auxílio, uma vez que, quando estendi a mão, não estava a ajudando, naquele momento fazia bem a mim mesma.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Star Trek







Thayze Darnieri



Para mim, falar de Star Trek não é nada relativo ao décimo-primeiro filme da franquia, muito menos algo relacionado a Jornada nas Estrelas, até porque desconheço o conteúdo dos outros longas, bem como, jamais havia ouvido termos como Frota Estelar, romulanos e Enterprise. E sim, exprimir a minha admiração por J. J. Abrams, diretor e produtor de Star Trek, um apaixonado por ficção-científica e mais um dos responsáveis pela volta ou ressurreição do modismo nerd.

No entanto, não faço parte dessa onda, conheci J. J. Abrams da maneira mais mulherzinha possível. Em uma madrugada, há muitos anos atrás, zapeava de canal em canal a procura de algo que fizesse companhia a uma insône, assim encontrei totalmente por acaso um seriado juvenil: Felicity. Desde então, comecei a acompanhar religiosamente noite a dentro, e em uma das aberturas vi aquele nome nos créditos iniciais e nunca mais esqueci. Algum tempo depois, em mais uma madrugada, na mesma busca, vi a queda de um avião em uma praia paradisíaca, eis que me surpreendo e vejo aquele nome de tempos novamente. Nasce aí, um vício: Lost.

Pós-Lost, graças a maneira do J. J. Abrams de fazer ficção-científica, entendi que filmes desse gênero nem são maçantes, nem uma correria sem sentido. Pude, enfim, entrar na sala de cinema temerosa e sair satisfeita.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

o fim do mundo





"A internet é, para quem quiser e souber, um mundo sem fim. As artes são, também para quem pode, o fim do mundo, o fim de um mundo, o mundo num lugar onde ficamos felizes em nos postar à beira do abismo."



trecho do texto Brincando com as palavras, de Noemi Jaffe, publicado no jornal Folha de São Paulo, no dia 5 de maio de 2009.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

terça-feira, 19 de maio de 2009

Chácara Klabin



A região atualmente conhecida como Chácara Klabin (parte da Vila Mariana) foi uma área de passagem que exerceu importante papel na formação da sociedade paulista e colonial e abrigou inúmeras chácaras e fazendas.

Com o fim da escravidão no século XIX e vinda de grande número de imigrantes europeus, foram alteradas as posses sobre as quais se assentavam as estruturas produtivas da sociedade paulista Planaltina.

Após ser de posse de outros imigrantes, em 1887 chega a São Paulo Moishe El-Chono Klabin, mais tarde Maurício F. Klabin. Armou-se do melhor jeito que pode com as nove libras esterlinas e vinte quilos de tabaco que trouxe consigo e começou a fazer cigarros. Saía a vendê-los em empórios e albergues. Com o dinheiro, comprava mais tabaco até que empregou-se em uma tipografia e aprendeu o ofício da escrituração. Os donos da tipografia ofereceram-lhe a compra dela e, com o negócio fechado, tornou-se proprietário. Assim, após o sétimo ano de trabalho duro, Maurício trouxe a família para o Brasil. Após algum tempo, a família Klabin passou a ser a maior detentora de terras na região. Além de ser um dos pioneiros na indústria do papel no Brasil, seu filho, Emmanuel Klabin, criou a Cerâmica MFK, a primeira olaria de forno contínuo em São Paulo, entre as ruas Ricardo Jafet e Arcipreste Ezequias.

A família Klabin possuía vários inquilinos para os quais alugava como chácaras entre 1920 e 1967, pois precisava garantir a posse das terras. As chácaras normalmente ficavam próximas ao córrego Ipiranga, o que permitia plantio de verduras e criação de gado leiteiro para pequena produção.

Por volta de 1950, um dos moradores, o Sr. João Botecchia, entrou na justiça para reclamar direito de usocapião das terras localizadas na altura da atual Rua Francisco Cruz. O processo correu até 1967, quando a justiça deu ganho de causa à família Klabin. Ainda assim, nos dezessete anos que durou o processo, o Sr. Botecchia alugou terrenos, o que deu início à favelização da região.

No início dos anos 70, a Favela do Vergueiro, que abrigava 1.171 barracos e cerca de 5 mil pessoas, segundo as contagens da época, cedeu lugar para o loteamento Chácara Klabin. O empreendimento mais nobre da região da Vila Mariana ocupou 10 mil metros quadrados.

O professor de Economia de Recursos Naturais na Universidade de São Paulo (USP), Fauzi Saad, presidente das entidades que congregam as universidades abertas para a terceira idade em São Paulo, vivenciou a mudança por meio do Movimento Universitário de Desfavelamento (MUD). "A Chácara Klabin era a maior favela da cidade e a nossa tentativa era desfavelizar várias regiões da capital", explica Saad. "O resultado é a mini-cidade construída em uma área salutar."

Com a ajuda da força pública, foram fechados os bares e então, com acompanhamento da Secretaria de Promoção Social, iniciou-se pacificamente o processo de transferência dos moradores da favela. A família Klabin arcou com a compra das madeiras para construção de novas casas, em outro local, assim como com os custos para o transporte de mudança desses moradores.



segunda-feira, 18 de maio de 2009

as particularidades de cada um




"O legado irrenunciável da psicanálise é sobretudo a necessidade de pensar nas pessoas uma por uma, sem ilusões ou entusiasmos coletivos, ou seja, sem esquecer aquela mulher que, no porão, ainda está esperando para saber que horas será apedrejada."



trecho do texto Ahmadinejad e Foucault, de Contardo Calligaris, publicado no jornal Folha de São Paulo, no dia 7 de maio de 2009.

domingo, 17 de maio de 2009

mudanças em mudança




"O interessante, é mesmo assim, a experiência!"



Mauro Pietrobon

sábado, 16 de maio de 2009

teoria de bar

foto: Thayze Darnieri


"Há três tipos de homem: safado, cafageste e canalha. É impreterível que seja safado, é dispensável que seja cafageste e é abominável que seja canalha".





Thayze Darnieri, em divagações loucas tentando definir o que seria um "homem perfeito"

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Rua Augusta





Há mais de um século atrás, por volta de 1875, a Rua Maria Augusta mais era que uma trilha ligando uma chácara - na região da Rua Dona Antônia de Queiroz -, à atual Avenida Paulista. Mais tarde, a partir da década de 1950, a rua não só deixou o “Maria” de lado, como transformou-se em um centro de compras e símbolo de sofisticação.

A Augusta passou a abrigar grifes, espaços gastronômicos e se tornou ponto de encontro de artistas. No fim dos anos 50, a via se transformou na rua dos endinheirados, com um comércio de produtos finos. Nas duas décadas seguintes, os cinemas e lanchonetes da região viraram um atrativo para os jovens. Após o auge, veio a decadência. A região se tornou a rua da prostituição em São Paulo e, com isso, começou a desvalorização imobiliária.

Durante os idos anos 60 e 70, com os baixos aluguéis se abriu um espaço para o surgimento das casas alternativas. Por conseguinte, a juventude dominava suas calçadas e foi ali que surgiu o primeiro espaço multicultural do país, o primeiro buffet de festas da cidade, a primeira boate gay.

A Rua Augusta reunia em si os interesses da vanguarda. Hoje, ela concentra restaurantes, lojas de grife e cinemas de um lado, e botecos e casas noturnas de todas as naturezasdo outro. E mesmo após o enorme sucesso dos shoppings centers pela cidade, ela se mantém firme na tarefa de representar as diversas facetas da cidade em um só corredor.

O que de fato aconteceu foi a coexistência pacífica de todos esses grupos distintos, "a completa tradução" do espírito paulistano, com o perdão de Caetano Veloso e da esquina da Ipiranga com a São João.


quinta-feira, 14 de maio de 2009

"famosidade"




"A fama brota de um coquetel imprevisível de catalisadores. Muitos dos que são pegos em sua luz parecem cervos paralisados por faróis de carro. E até quem busca a fama está mal preparada para ela. É verdade, quanto mais uma pessoa se conhece, menos a fama pode defini-la. Mas essa força nunca pode ser totalmente controlada e sempre tem a última palavra".



trecho do texto Uma força incontrolável, de Michael Kepp, publicado no jornal Folha de São Paulo, no dia 16 de abril de 2009.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

mulheres e mulheres




"O que, além do rabo e dos chifres, esta humilde datilógrafa tem em comum com Dercy Gonçalves ou com a atriz e mulherão Paula Burlamaqui?

Nunca fiz parte de tribo nenhuma, nunca me filiei a nenhuma agremiação e estou com Groucho Marx quando ele dizia que jamais pertenceria a um clube que aceitasse alguém como ele como sócio.

Também não tenho nada a ver com Tiana, ex-jogadora de futebol do Vasco e atual líder comunitária da favela da Rocinha que perdeu o pai, mãe e dois irmãos para o tráfico. Com Cristiane, ex-catadora de lixo, de paradeiro incerto. Com Nélida, que saiu adolescente de Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo, para buscar fama e fortuna como modelo e atriz na capital. Com a ex-ministra (quem me dera) Marina Silva. Com a kalunga Joana, de 107 anos, que nunca deixou Cavalcanti o povoado em que nasceu, em Tocantins, ou com a prostituta Rosa que já completou 60 anos de profissão e se orgulha de ter servido a um inteiro navio negreiro.
(...)

Realmente, na falta de chifres, escamas, penas ou, quiçá, de um rabo em comum, a única coisa que nos une é sermos do mesmo sexo, termos nos disposto a posar para o artista e compartilharmos do mesmo planeta terra."


trecho do texto O homem que ama as mulheres, de Barbara Gancia, publicada no jornal Folha de São Paulo, no dia 8 de maio de 2009.

terça-feira, 12 de maio de 2009

O Demônio e a Srta. Prym IV




"O senhor esteve no Paraíso, e não o reconheceu. Como acontece, aliás, com a maioria das pessoas neste mundo; procuram o sofrimento nos lugares mais alegres, porque pensam que não merecem a felicidade."




trecho do livro O Demônio e a Srta. Prym, de Paulo Coelho

segunda-feira, 11 de maio de 2009

o tom da verdade

foto: Angélica Abe


Thayze Darnieri



Ninguém é reconhecido pelo que fez, mas pelos sentimentos que depositou ao efetuar o seu intento, seja ao realizar um simples comando de computador ou ao construir em mentes delirantes opiniões sólidas. Entretanto, mesmo que o mais céticos discordem, é impossível negar que quando algo é realizado as energias advindas do seu criador refletem na sua criação.

Para tanto, o padre Fábio de Melo poderia ser apenas mais um padre-cantor que emplacou um sucesso e se tornou uma imagem conhecida fora da esfera católica. No entanto, esse não é o seu caso, ele tem a sua maneira de mostrar a presença de Deus, ao tratar as perspectivas das experiências de vida individuais como foco evangelizador. Até agora, nenhuma novidade, qualquer figura clérica faz uso das ações de Deus em nossas vidas para demonstrar a sua força, contudo, o padre Fábio possui o tom da verdade e fala com lucidez, diz com contudência e percorre os assuntos mais complicados e nem por isso atípicos, com a paz que lhe é peculiar.

Impossível ouvi-lo sem pausar os movimentos, refletir acerca dos pensamentos e viajar no infinito dos sentimentos.



domingo, 10 de maio de 2009

sem enganos

foto: Vitor Veríssimo


Thayze Darnieri




Durante a vida, agimos sem pensar nas consequências, simplesmente no ímpeto de saciar o espírito, seja elas ações boas ou ruins. Em um período da minha história, as letras eram furiosas e revoltas sem motivo algum, entretanto, a incessante fúria era destinada apenas a uma pessoa.


Na imaturidade da adolescência, acreditava que ela era obrigada a aturar meus caprichos e gritarias, no entanto, se meu coração pedia calma e colo, os momentos de desentendimento se dissipavam e corria para os seus braços. Não entendia que as mágoas alimentadas por meus gritos tinham o seu tempo para curar ou ao menos amenizar.


Com isso, a distância entre nós somente crescia. Sem mais o que fazer, encontrei consolo e paz em outro lar, doeu tanto, mas os dias iam passando e descobria um mundo novo longe da sua proteção. Finalmente, descobri o desabrochar da maturidade, notei que conseguia viver sem dependência emocional e busquei a tranquilidade que precisava para iniciar meu plano de vida.


Longe de você, esqueci o significado dos sentimentos funestos, não vivia mais emoções desgostosas, não chorava por atitudes erradas, perante o recomeço, meu coração aprendeu a viver a quietude e desenvolveu um trauma pelo passado, prometeu a si mesmo não reexperimentar essas práticas.


Porém, como somos o reflexo das nossas atitudes, hoje, sofro pelas minhas confusões passadas e, quiçá, você viva o resultado natural dos atos de outros tempos. Todavia, independente de todos os indícios contrários, não se engane, o meu amor por você, MÃE, é o maior, o mais forte e mais vívido.



sábado, 9 de maio de 2009

Cuidando do Cuidador




Não aguento mais! Tenho ouvido essa frase, em meio a lágrimas e apreensões, de quem cuida de alguém em tempo integral. Geralmente são mulheres - companheiras, noras ou filhas - que se esforçam para traduzir em ações sua vontade de zelar pelo bem-estar de um ente querido.

Diante desse desabafo, cabe entender muito mais do que julgar. Essa é uma situação que envolve sentimentos apurados por décadas, nem sempre agradáveis. Afloram mágoas e culpas que podem tornar essa relação muito carregada.

Como essa condição é muito frequente com o avançar da idade, em diferentes magnitudes, considero oportuno que todos reflitam sobre o tema, utilizando alguns conceitos como alicerce para esse repensar.

Fomos cuidados por alguém desde o início de nossas vidas e, bem ou mal, foi o suficiente para que chegássemos até aqui. Nem todo o cuidar, portanto, precisar ser explícito ou carinhoso para que seja eficaz.

Ninguém cuida de ninguém se não estiver bem. Muitos acreditam na necessidade de dedicar-se inteiramente a essa atuação, de modo a inexistir espaço para outras atividades. Isso pode ser um erro fatal. Se o cuidador não preservar sua saúde e seu bem-estar, não apenas reduzirá a qualidade dos seus préstimos como poderá ter que interromper suas ações.

Ao contrário, o cuidador tem que ser muito bem cuidado. Isso se tornou mais claro quando atentei para as recomendações que precedem a decolagem de uma aeronave. Enquanto as comissárias exemplificam com objetos, a gravação enfatiza que "em caso de descompressão, máscaras de oxigênio cairão à sua frente; coloque primeiro a sua frente antes de tentar ajudar quem estiver ao seu lado".

Lembro o quanto me surpreendi com esse conselho, mas logo entendi a mensagem: como poderia ajudar alguém sem respirar adequadamente? Sem me cuidar antes, ambos poderiam ser prejudicados.

O cuidar não pode ser solitário. Quem cuida sozinho, por opção, fica refém da sua decisão. Mesmo que com tarefas diferentes, de importância e intensidades diversas, os cuidados devem ser divididos entre todos os que puderem participar para que existam vários olhares atentos em busca da eficiência e múltiplas responsabilidades para dividir.

Por fim, essa ação não pode nem deve ser entendida como um investimento. Ao realizá-la, não se adquire o direito de beneficiar-se dela no futuro. A troca ocorre no presente, quando o cuidador dá o melhor de si em prol do seu objetivo, e o "ser cuidado" retribui com a sua compreensão de que merece aquela atenção. O cuidar é, portanto, uma via de mão dupla.

Ouso, neste sentido, parafrasear Paulo Freire, para quem a educação deve ser uma ato recíproco e consensual, ressaltando que todos os cuidadores, inclusive os profissionais, devem buscar fórmulas de aprimorar a sua saúde e bem-estar, aprendendo nas ruas tarefas cotidianas qual a relação ideal entre o dever e o prazer de realizá-las.



texto Cuidando do cuidador, de Wilson Jacob Filho, publicado no jornal Folha de São Paulo, no dia 7 de maio de 2009.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

sorte do dia





Sorte de hoje: Cuidado com o que você diz; entre aqueles que não dizem nada, poucos são os que ficam em silêncio



segundo o Orkut, está é a frase que permeia o meu caminho no dia de hoje

quinta-feira, 7 de maio de 2009

a linguística




"A linguagem é uma fonte não só de organização e métodos, mas também de ilusões e mistérios e é isso que seduz esta busca incessante."



Ferdinand de Saussure

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Pandemia do medo




"Desisti de fazer terapia no dia em que comecei a sentir-me culpado por não me sentir culpado. O analista esperava confissões pungentes sobre horrores vários e infantis. Nada tinha para lhe dizer. E essa ausência de esqueletos no armário começou a alimentar uma angústia sem nome. Eu era um caso dramático de ansiedade por falta de ansiedade.

Ainda sou. E assim se entende o meu estado de espírito sempre que o ano avança e não existe nenhum apocalipse pronto para exterminar a raça humana. Os meses passavam: janeiro, fevereiro, março. E as autoridades mundiais não lançavam gritos lancinantes sobre uma doença, uma anomalia técnica, um vírus descontrolado e mortal. Nem sequer um espirro!

(...)

Eis a verdade: andamos há muito tempo a fantasiar a nossa própria destruição coletiva. São as vacas. As aves. O "bug" informático. A pneumonia atípica. A catástrofe ecológica e climatérica que nos espera.

(...)

A realidade dos fatos não altera a nossa histeria.

E não altera porque a nossa histeria é profunda e incurável. Hoje, vivemos mais. Hoje, vivemos melhor. Mas apesar disso, entramos em pânico sempre que a morte, ou mesmo a mera possibilidade da morte, ameaça o nosso único deus: o corpo, o nosso corpo, e a "Religião da Saúde" que substituiu todas as outras teologias tradicionais.

Tememos a nossa destruição física. Mas, como em qualquer temor, recriamos e até desejamos essa mesma destruição, como se isso redimisse a radical solidão dos homens de hoje. Tão modernos que somos. E tão entediados que nos sentimos."




trecho do texto O triunfo dos porcos, de João Pereira Coutinho, publicado no jornal Folha de São Paulo, no dia 5 de maio de 2009.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Meu novo universo





"São os artifícios
Vícios deixando de ser
Os velhos compromissos
Pra esquecer
São pontos de vista
Uma conquista comum
O mesmo pé na estrada
De cada um


Sonhos, aventuras
Juras, promessas
Dessas que um dia acontecerão
Você me daria a mão?
Todos estes versos soltos dispersos
No meu novo universo serão
Palavras do coração..."



trecho da música Palavras do coração, de Bruna Caram

segunda-feira, 4 de maio de 2009

singular e único!

foto: Vitor Veríssimo




"Posso resumir ele em uma única frase: não existe ninguém no mundo inteiro como o Osório Filho!"


Thayze Darnieri, em uma de suas tentativas de definir o Osório Filho

domingo, 3 de maio de 2009

Batman - O Cavaleiro das Trevas




Thayze Darnieri



Discordo do grandioso estardalhaço dedicado à atuação de Heath Ledger em Batman - O Cavaleiro das Trevas. Talvez a minha decepção seja explicada pelo excesso de expectativa aliado ao estigma do Coringa de Jack Nicholson, para mim, o personagem sádico-cômico interpretado pelo veterano ficou intrínseca à personalidade do Coringa e o novo não conseguiu destruir.

A interpretação mais realista construída por Ledger é forte e assustadora, tendendo para a esquizofrenia muito distante da fantasia própria dos quadrinhos. Sendo assim, dá para imaginar a possibilidade real de existir um Coringa perdido em algum lugar do mundo, louco e obcecado por uma figura peculiar, quem sabe um Batman, já que o homem-morcego não possui poderes sobre-humanos, Bruce Wayne é apenas um bilionário que maximiza suas habilidades em sua batalha contra o crime onde ainda vivem à luz da esperança na justiça.

Enfim, meu nível de EE (como Pedro Neschling nomeia expectativa exagerada) estava alto, portanto, não posso classificar minha impressão. Digo somente que foi uma pena, como dizem as lendas, Heath Ledger não tenha aguentado o tormento de personificar o insano Coringa e findado o seu talento antes mesmo de desabrochar totalmente.

sábado, 2 de maio de 2009

O Demônio e a Srta. Prym III




" - Parece que você ama este lugar mais do que pensa.

Chantal tremia. Berta tornou a abraçá-la, colocando sua cabeça no ombro, como se fosse a filha que nunca tivera".



trecho do livro O Demônio e a Srta. Prym, de Paulo Coelho

sexta-feira, 1 de maio de 2009

o mundo é dos realistas





"Afirmam os entendidos que não devemos ser pessimistas. O pessimista - segundo o lugar-comum - começa perdendo, é derrotado antes mesmo de lutar. Leva para a faina de cada dia a carga de sua própria danação. Nada vai dar certo, nada vale a pena, nem mesmo se a alma não é pequena. O mundo, a civilização, as artes, o picolé, o canivete suiço, as calças jeans e as canetas esferográficas foram feitas por homens otimistas, que acreditavam nos outros homens.

Se todos fossem pessimistas, o mundo não teria sido, nem teríamos aquele termômetro que se bota no peito do peru de Natal para que apite na hora em que estiver pronto.

O otimista não chega a ser, exatamente, o oposto do pessimista. É o homem que acredita em alguma coisa e nesse acreditar joga as suas forças, seus escudos e armas, sua solércia. A eles, as batatas machadianas.

Entre os dois, entre pessimistas e otimistas, ficam os realistas, que são uma variante dos homens de boa vontade, nem tanto lá nem tanto cá, nem tanto o mar nem tanto à terra, antes pelo contrário, tudo tem dois lados, vamos ver com é que fica, é possível que tudo seja melhor, não adianta dar murro em ponta de faca nem chorar pelo leite derramado."




trecho da crônica Linguiça sem trema, de Carlos Heitor Cony, publicado no jornal Folha de São Paulo, no dia 24 de abril de 2009.

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