terça-feira, 31 de março de 2009

alguma teoria





Vanessa Vieira




A discussão sobre a natureza da homossexualidade mobiliza a psicologia e outros campos da ciência. Seria ela determinada por fatores biológicos ou culturais? Até meados do século XX não havia muitas dúvidas sobre a questão. O homossexualismo era catalogado pela Organização Mundial de Saúde como distúrbio mental e a culpa quase sempre recaía sobre a educação recebida dos pais. Freud considerava a homossexualidade uma forma de retardo no desenvolvimento do indivíduo, causado por um pai ausente ou por uma mãe superprotetora.

Os estudos mais recentes indicam que, embora as experiências de vida possam concorrer para que alguém se torne homossexual, os fatores biológicos, decididamente, têm um papel nesse processo. Uma pesquisa divulgada na semana passada, feita pelo Stockolm Brain Institute, do Instituto Karolinska, na Suécia, foi recebida pelo meio científico como a prova mais consistente até hoje do peso do fator biológico na homossexualidade. A conclusão da pesquisa mostra que o cérebro de pessoas homossexuais se assemelha mais ao de indivíduos do sexo oposto do que ao de heterossexuais do mesmo sexo.

Na pesquisa, noventa voluntários foram submetidos a exames de tomografia e ressonância magnética no cérebro. Os cientistas viram que tanto homens heterossexuais quanto mulheres homossexuais apresentam uma assimetria: o hemisfério cerebral direito é um pouco maior que o esquerdo. Entre homens homossexuais e mulheres heterossexuais, por outro lado, o volume dos dois hemisférios é equivalente.

As imagens mais eloqüentes da pesquisa foram obtidas ao se observar as conexões das amígdalas cerebrais. Homens gays e mulheres heterossexuais apresentam mais conexões neuronais na amígdala esquerda, enquanto em lésbicas e homens heterossexuais elas predominam na amígdala direita. "É provável que essas diferenças se estabeleçam ainda no útero ou muito cedo na infância", afirma a coordenadora do estudo, a sueca Ivanka Savic.

A relevância da pesquisa sueca é reforçada pelo fato de as imagens terem sido captadas com o cérebro dos voluntários em repouso, ou seja, sem o estímulo de imagens sugestivas ou de tarefas mentais a ser realizadas, como ocorre na maioria dos trabalhos desse tipo.

Estudos anteriores já haviam demonstrado similaridades entre homossexuais e heterossexuais do sexo oposto. Homens homossexuais e mulheres heterossexuais têm, estatisticamente, desempenho inferior em tarefas de orientação e navegação. Essa função é processada primariamente pelo lobo parietal direito, mais desenvolvido nos homens do que nas mulheres. Por outro lado, mulheres heterossexuais e homens homossexuais costumam sobressair nos testes verbais, o que pode ser explicado pela maior simetria dos circuitos da linguagem no cérebro feminino. Ou seja, elas utilizam os dois lados do cérebro para executar uma tarefa que os homens concentram apenas no hemisfério esquerdo. As pesquisas que chegaram a essas conclusões, no entanto, não tinham como afirmar se as diferentes formas de reagir dos cérebros homo e heterossexual se deviam a razões biológicas ou resultavam da aprendizagem. O estudo do Instituto Karolinska joga a favor da primeira alternativa.

Pesquisas que atribuem origens biológicas ao homossexualismo costumam causar controvérsia entre pessoas que se relacionam com o mesmo sexo. Parte da comunidade gay avalia que elas são positivas porque mostram que o homossexualismo é uma característica inata, tanto quanto a cor dos olhos, e, portanto, algo natural. Mas há quem entenda que essas pesquisas podem levar à conclusão de que o homossexualismo é uma anomalia, uma doença hereditária. Os que partilham dessa opinião temem que se instale a eugenia sexual, com tentativas de intervir nos embriões para prevenir o nascimento de homossexuais.

Desde a Grécia antiga se procuram explicações para o homossexualismo. Em sua obra O Banquete, escrita no século IV a.C., Platão atribui ao dramaturgo Aristófanes a narrativa que se segue. No início dos tempos, as criaturas eram duplicadas. Havia homens grudados a homens, mulheres a mulheres e homens a mulheres. Essas criaturas se voltaram contra os deuses e tentaram escalar até o céu para investir contra eles. Zeus reagiu e, para enfraquecer as criaturas, partiu-as ao meio. Desde então, cada um dos seres humanos busca sua metade. As metades andróginas se complementam num casal formado por homem e mulher. As mulheres resultantes da criatura feminina buscam outras mulheres e o mesmo acontece com os homens resultantes de uma criatura masculina. Ao comentar a situação dos homens que se apaixonam por outros homens, Aristófanes diz: "Não é por despudor que o fazem, mas por audácia, porque acolhem o que lhes é semelhante".

Mais de dois mil anos depois, com menos poesia, cabe à ciência explicar o homossexualismo.



artigo A diferença se vê no cérebro, publicado na Revista Veja, edição 2066, do dia 25 de junho de 2008.

segunda-feira, 30 de março de 2009

amor = amor




"Ama e faz o que quiseres. Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos."



Santo Agostinho

domingo, 29 de março de 2009

o début




O baile de debutantes surgiu em reinos europeus, sobretudo nos locais que hoje conhecemos como França, Inglaterra, Alemanha e Áustria. As famílias nobres realizavam um grande baile para a sociedade da época, tendo como objetivo principal mostrar que sua filha estava se tornando uma mulher. A própria origem da palavra francesa début significa estreia, início. Na realidade, a função do baile também era atrair possíveis pretendentes para a moça. Desta forma, mostrar que ela já não era mais criança significava dizer aos homens que ela estava pronta para ser uma boa esposa e mãe. Para aquele estilo de sociedade, o importante era o romantismo, e sim a aliança entre família nobres.

Essa tradição nobre de apresentar a filha para a sociedade se manteve com as famílias burguesasm após a Revolução Francesa de 1789, e chegou com toda a força aos países colonizados, como Estados Unidos e Brasil. Aqui, a festa se tornou extremamente popular na década de 50 do século XX. Para economizar, as famílias passaram a realizar festas em conjunto nos clubes. Num só dia, várias meninas eram apresentadas à sociedade, gerando até colunas sociais sobre quem era a mais bonita ou a mais simpática. Na década de 80, as meninas passaram a preferir presentes ou viagens no lugar da festa.

Nos anos 90 e 2000, a comemoração voltou com força total e reavivou tradições como a troca do vestido e as velas. Atualmente, o ritual se inicia com a troca de sapatos pelo pai, que possui dois significados: informar aos participanetes que a moça já está pronta para dar seus próprios passos e representar a passagem para a vida adulta (salto alto). À meia noite, a debutante coloca um vestido de gala, simbolizando a passagem de menina para mulher. Na hora da valsa, as 15 velas simbolizam os 15 anos de vida. Ao apagar cada vela, a debutante comemora o fim de uma etapa.

Ao contrário das décadas anteriores, a maioria dos bailes agora é realizado com apenas uma menina, tornando este momento ainda mais único. Quem diria que uma festa para arranjar um bom partido para as moças se tornaria uma comemoração tão emocionante e divertida como as atuais festas de debutante.


fonte: Revista Debutante Acontece







"Nove vezes indicado e três vezes vencedor do Oscar de melhor trilha sonora, Maurice Jarre, pai do compositor Jean-Michel Jarre, morreu neste domingo, 29, em Los Angeles aos 84 anos. Autor de mais de 150 trilhas sonoras, ficou internacionalmente famoso pelo Tema de Lara, a melosa melodia do filme anti-comunista Doutor Jivago (1965), música preferida do ex-presidente Itamar Franco, responsável pelo segundo dos seus três Oscar – o primeiro foi em 1962, por Lawrence da Arábia, o terceiro por Passagem para a Índia, em 1984, todos filmes dirigidos pelo britânico David Lean."



sábado, 28 de março de 2009

sobre Guarapari

foto: Thayze Darnieri




Thayze Darnieri


Após 14 horas de viagem, percorridos por terra cerca 900 km, ouço depois de quase um ano o barulho do mar novamente, imediatamente sinto uma sensação revigorante de liberdade e frescor que o somente esse som remete. Avistava pela primeira vez a orla de Guarapari (na linguagem indígena significa guará = pássaro; e pari = armadilha, portanto, armadilha de pássaro).

Para quem não sabe, uma vez que, fui questionada diversas vezes essa semana, Guarapari é um município do estado do Espírito Santo. Sua história diz que o núcleo inicial da povoação aconteceu em uma antiga taba goitacás, onde Anchieta erigiu uma capela em honra a Sant'Ana, e a residência dos missionários. Por sua vez, em 1677, o donatário Francisco Gil de Araújo levantou a igreja de Nossa Senhora da Conceição, tomando status de vila em 1679, com o nome da padroeira, cuja festa se comemora em 8 de dezembro. Finalmente, tornou-se cidade em 1891.

A antiga vila fundada pelo Padre José de Anchieta em 1585 é hoje o principal pólo turístico do Espírito Santo, visto que diversos turistas do mundo inteiro vão em busca de suas belezas naturais e às areias monazíticas, isto é, com virtudes alegadamente terapêuticas, apesar dos benefícios no tratamento de artrite ou reumatismo não terem comprovação científica. Com mais de 30 praias e boa rede hoteleira, chega a atrair 700 mil turistas no verão.

Entretanto, devido ao breve período que permaneci e a má sorte com o tempo, pude conhecer apenas a Praia do Morro, ao norte do centro da cidade, que conta com quatro quilômetros de extensão, sendo assim, uma das maiores praias do município. Devido ao seu tamanho é possível observar disparidades no seu percurso, de um lado as ondas são fortes, onde a concentração de banhistas é mais intensa, ideais para prática de surfe, windsurfe e bodyboarding, em contrapartida, do outro lado, a parte na qual fiquei hospedada e observei mais, as águas são calmas, igual a sua movimentação, perfeito para turistas à procura da calma e silêncio do mar ou casais apaixonados. Muito procurada na alta temporada, dispõe de diversos bares e restaurantes em sua orla, quiosques e iluminação noturna em seu calçadão.



sexta-feira, 27 de março de 2009

DHARMA





O Dharma significa Lei Natural ou Realidade. Com respeito ao seu significado espiritual, pode ser considerado como o Caminho para a Verdade Superior. O Dharma é a base das filosofias, crenças e práticas que se originaram na Índia. No entanto, no início o real significado da palavra DHARMA era completamente obscuro, mas posteriormente foi revelado que seria uma sigla, que significa: Department of Heuristics And Research on Material Applications (Departamento de Heurística e Pesquisas em Aplicações Materiais). Representado por variações de um logo octogonal que aparece na maior parte de seus produtos e estações.

A maior parte de informações do projeto, vêm do Filme de Orientação do Cisne e de "Lost Experience". O primeiro, dá algumas informações do projeto e uma curta história, em quanto o segundo, explica-a totalmente, especialmente, da empresa patrono e fundadora da Iniciativa, a Fundação Hanso. Sabe-se que a Iniciativa DHARMA foi fundada em 1970 por Gerald e Karen DeGroot, dois candidatos a Doutores da Universidade de Michigan. Eles tiveram suporte financeiro do misterioso magnata e industrial dinamarquês Alvar Hanso e da sua empresa, a Fundação Hanso. O propósito da Iniciativa era possibilitar o trabalho em conjunto de cientistas e profissionais liberais de todo o mundo, permitindo assim que desenvolvessem pesquisas nas áreas de Meteorologia, Psicologia, Parapsicologia, Zoologia, Eletromagnetismo, Estudos Sociais.

A Iniciativa DHARMA, em grande parte, acabou após a Purgação em 1992, um evento que causou a morte de quase todos os membros na Ilha, pelas mãos de Ben Linus e os Hostis. "Lost Experience" confirmou que a Fundação Hanso cortou o financiamento da DHARMA em 1987.




quinta-feira, 26 de março de 2009

preparar-se





"A melhor maneira de se preparar pra vida é começar a viver."
Elbert Hubbard

quarta-feira, 25 de março de 2009

O Labirinto do Fauno




Fauno é nome exclusivo da mitologia romana, de onde o mito originou-se, como um rei do Lácio que foi transmutado em deus e, a seguir, sofreu diversas modificações, sincretismo com seres da religião grega ou mesmo da própria romana, o que causou grande confusão entre mitos variados, ora tão mesclados ao mito original que muitos não lhes distinguem diferenças. Assim, para compreender a figura de Fauno, é preciso inicialmente saber que o nome era usado para denominar, essencialmente, três figuras distintas: rei mítico do Lácio, na mitologia romana, deificado pelos romanos e, portanto, imortal, muitas vezes confundido com Pã, com Silvano e/ou com Lupércio; empregado no plural denomina criaturas que, tal como os sátiros da mitologia grega, possuíam um corpo meio humano, meio bode, e que seriam descendentes do rei Fauno, eram semideuses e, portanto, mortais; ou ainda um marinheiro que, ao apaixonar-se por Safo, obteve de Afrodite beleza e sedução a fim de que pudesse conquistar a poetisa. Desde a Antiguidade, em muitos festivais de Atenas, a maioria dedicados a Dionísio, diversas tragédias eram representadas antes de uma peça chamada "satírica", onde os atores, em coro, se fantasiavam de faunos e realizavam danças e cantos em flautas para cortejar o deus.


O Labirinto do Fauno se passa no período da Guerra Civil Espanhola, narra a história de uma menina, chamada Ofélia, que é levada pela mãe para um acampamento militar onde seu novo marido, um sanguinário capitão franquista, combate rebeldes anarquistas e republicanos escondidos na floresta. Atraída por uma fada que entra em seu quarto Ofélia é levada a um labirinto onde vive um fauno. O Fauno após examiná-la afirma ser ela a princesa desaparecida do reino subterrâneo do qual o labirinto é apenas o portal, para provar isso Ofélia é obrigada a executar três tarefas. Ela põe então em prática as ordens do fauno. Num cenário muito violento, o filme mistura ficção com realidade.








"Podendo ser classificado como um conto de fadas para adultos, O Labirinto do Fauno é uma obra de poderosa imaginação, uma fábula sombria sobre fantasia, realidade e ingenuidade capaz de seduzir até os mais céticos espectadores. Visto pelos olhos de Ofélia, o mundo de O Labirinto do Fauno é um lugar onde os seres mais ameaçadores e perigosos são os humanos."


trecho de crítica a O Labirinto do Fauno, de Silvio Pilau


fonte: http://pt.wikipedia.org/
http://www.cineplayers.com/

terça-feira, 24 de março de 2009

Motivos para no enamorarse

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"Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
ligeiro, ingrato, vão, desconhecido,
sem falta lhe terá bem merecido
que lhe seja cruel ou rigoroso.

Amor é brando, é doce e é piadoso.
Quem o contrário diz não seja crido;
seja por cego e apaixonado tido,
e aos homens, e inda aos deuses, odioso.

Se males faz Amor, em mi se vêem;
em mi mostrando todo o seu rigor,
ao mundo quis mostrar quanto podia.

Mas todas suas iras são de amor;
todos estes seus males são um bem,
que eu por todo outro bem não trocaria."


Luís Vaz de Camões
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Motivos para no enamorarse é uma das opções na programação da Semana do Cinema Argentino em São Paulo promovido pelo HSBC Belas Artes, no período 20 a 26 de março. Uma vez que, o cinema na Argentina tem passado por uma revigoração desde a década de 1990, apesar da forte crise econômica atravessada pelo país. Filmes como El Hijo de la Novia, Nueve Reinas, Plata Quemada, El Abrazo Partido, Kamtchatka, La Ciénaga e Cenizas del Paraíso atestaram um salto de qualidade técnica e de linguagem na produção nacional e lançaram à fama internacional cineastas como Lucrecia Martel, Daniel Burman, Marcelo Piñeyro e Pablo Trapero. Além do mais, a Argentina foi o primeiro país da América Latina a produzir um longa-metragem que recebeu o certificado Dogma 95, com o filme Fuckland, de 1999.
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Esse fime do diretor Mariano Mucci e estrelado pela atriz Celeste Cid famosa por sua participação na novela Chiquititas produzida naquele país, conta a história da suposta Clara, cuja vida é permeada de situações de extremo azar, costuma passar seus dias na solidão em uma rotina de telemarketing e sonha com uma vida melhor trabalhando em outro emprego. De repente surge na sua vida um homem misterioso, um homem muito mais velho a quem apelidou de Teo, juntos eles combinam um 'código de convivência', com uma regra fundamental: nada de amantes.
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Thayze Darnieri
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segunda-feira, 23 de março de 2009

Minha mãe quer que eu case

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"Nem toda mulher nasce para ser mãe, e nem toda mãe é mártir."


Lya Luft

domingo, 22 de março de 2009

Quem quer ser um milionário?





"Inclusive ele é bem parecido com um conhecido exemplar nacional sobre infância, pobreza e violência."

Cecilia Barroso



Não é segredo para ninguém, já faz alguns anos que a Índia vem gradativamente conquistando o seu espaço na mídia mundial. A maior responsável por esse estouro é a crescente aceitação do cinema bollydiano, agregando no cotidiano de milhares de pessoas a cultura e os hábitos indianos, isso, portanto, tornou viável a aceitação e glorificação de um roteiro aos moldes de Bollyhood pela indústria cinematográfica no mundo inteiro.

Quem quer ser um milionário? mostra a faceta pobre da Índia por trás dos olhos de Jamal, um menino que passou poucas e boas até alcançar o seu destino: o amor de Latika, inclusive ser acusado por fraude no programa de perguntas e respostas no qual participa, visto que não é cabível tal feito a um garoto de cultura e história tão miserável que mal sabe ler. No entanto, a vida vira o jogo e prova que as respostas para chegar ao topo estavam na sua humildade e vivência sofrida.

Todavia, como boa brasileira que sou, creio ser inevitável não remeter em alguns momentos ao também aclamado e com menos pompa: Cidade de Deus. Para tanto, citando o próprio Slumdog Millionaire, vencedor de 8 Oscar, coube ao destino escolher o futuro daquelas crianças que à sua maneira deram a volta por cima diante das desgraças que assolaram seus caminhos, o brasileiro explorando o drama e o indiano cansagrado com um final feliz.

Em suma, discordo do estardalhaço conferido ao filme firmado como o melhor do ano, em contrapartida isso não significa que ele seja perda de tempo e muito menos desmerecedor dos prêmios a ele concedido. Entretanto, genialidade não é uma característica natural dessa montagem partindo do enredo extremamente óbvio até atuação apática perpassando por surtos de sagacidade de Dev Patel.


Thayze Darnieri







sábado, 21 de março de 2009

minha companhia




"Não sei o que é a solidão. Nunca me senti só. Acho fantástico ficar comigo mesma, com minhas milhões de dúvidas e preocupações".



Cleyde Yáconis

sexta-feira, 20 de março de 2009

deixa estar...





"Este é o início de uma nova viagem. É o movimento da vida. Meu ministério se desdobra em estradas desconhecidas. Bagagens pesadas que minhas mãos não podem carregar sozinhas. Olho para o lado, peço ajuda. Desconfio, acredito, aposto no que considero ser o melhor caminho. A solidão existe. Dispenso sem saber ao certo o motivo da dispensa. Deixo ir embora, não corro atrás, e porque não corro, desaprendo de correr..."



trecho do texto Meu Ofício, do Padre Fábio de Melo

quinta-feira, 19 de março de 2009

fábula goiana

"Sim, eu sou goiano
Mas eu sou urbano, não gosto de mato
Eu me mato se alguém me chama de caipira pira pora
Nossa Senhora não há nada mais que me irrite
Solta um som ligado bem plugado em 220..."


trecho da música Caminhoneta Zera, de Pedra Letícia




Pedra Letícia é uma banda formada na cidade de Goiânia em 2005, cuja marca é o humor irreverente e a inteligência das letras aliados à alta qualidade musical de suas canções. A teatralidade faz de seus show um momento pra se divertir, rir, dançar e cantar junto. O repertório que inclui clássicos do rock – nem sempre levados muito a sério - e várias releituras de músicas infantis, principalmente da década de 80, agrada públicos de todas as idades.



quarta-feira, 18 de março de 2009

feche os olhos!





"A verdadeira pessoa que você é revela-se nos momentos em que você tem certeza que ninguém está olhando. Quando ninguém está olhando, você é guiado pelo que você espera de si mesmo."



Ralph S. Marston, Jr.

terça-feira, 17 de março de 2009

infarto: mal silencioso





Thayze Darnieri



O infarto caracteriza-se quando um coágulo sanguíneo e à aterosclerose (placas de gordura nas paredes internas das artérias) acarretam a diminuição ou cessação do fluxo sanguíneo em um determinado órgão, mais comumente o miocárdio (músculo cardíaco) e o cérebro (AVC), por sua vez, o tecido do órgão afetado sofre uma isquemia e uma posterior necrose, se não atendidas em tempo. Todavia, o infarto pode acontecer em pessoas em condições normais, dá-se um espasmo, contrai-se violentamente produzindo um déficit parcial ou total na alimentação sanguínea do vaso contraído.

O caminho para o infarto se abre de forma silenciosa, assim o paciente demora mais para receber o tratamento correto e o atraso pode ser fatal. Sem pistas, surge abruptamente e acompanhado de muita dor, uma sensação de "aperto" no peito, à altura do coração. Os níveis de dor são tão intensos que provocam suores frios, náuseas, vômitos e vertigens, irradiando para os ombros e braços (geralmente o esquerdo), mandíbula e costas. A duração da dor em geral é maior que 20 minutos e não alivia com o repouso nem com o uso de comprimidos sublingual.

Para tanto, os distúrbios cardiovasculares são a principal causa de mortes no mundo, com 17 milhões de óbitos – o equivalente a uma em cada três mortes. No Brasil, somam 300 mil por ano. Mantendo o cenário atual, estima-se que em 2020 as mortes provocadas por eles cheguem a 25 milhões. Não obstante, quando se associa esse crescimento ao aumento dos casos de obesidade, hipertensão e stress, o primeiro pensamento que vem à cabeça são as dificuldades em manter um estilo de vida saudável no mundo moderno. A justificativa para a falta de zelo com a própria saúde é derramada no corre-corre do dia-a-dia, uma vez que, o stress diário impede a prática da ginástica, uma boa dieta, o cigarro ou frequência ao médico. Essa é, no entanto, uma meia verdade. Se cada um examinar sua consciência, é bem provável que chegue à conclusão de que os hábitos nocivos incorporados ao cotidiano são fruto de uma opção, e não de uma impossibilidade. Essa escolha é movida pela simples preguiça de entrar numa rotina de exercícios físicos e pelo prazer inenarrável de regalar-se com comidas engordativas e bons tragos ou tragadas.

Entretanto, descobriu-se, para começar, que a idade para o início da prevenção reduziu dos 40 para os 20 anos, visto o crescente aumento de vítimas jovens. Tomando o Brasil como exemplo, nos anos 60, 65% das mortes por distúrbios cardiovasculares ocorriam entre pessoas com mais de 65 anos. Hoje, cerca de metade das vítimas fatais tem menos de 55 anos. E pior, quanto menor a idade, mais fulminantes tendem a ser os infartos e derrames. A explicação resigna no fato de com o passar dos anos, o organismo desenvolve uma rede auxiliar de vasos sanguíneos. Contudo, aos 40 ou 50 anos, ainda não houve tempo para a formação dessa trama de vasos secundários.

Aos 20 anos, todos já deveriam estar cientes dos riscos que correm de desenvolver algum tipo de doença cardiovascular. Mulheres, inclusive, porque elas estão cada vez mais suscetíveis a sofrer do coração. Sendo assim, é imprescindível conhecer o histórico familiar de males cardiovasculares e diabetes, medir com freqüência a pressão sanguínea e não perder de vista o índice de massa corporal, a circunferência abdominal e os níveis de colesterol e de açúcar no sangue. Dos 20 aos 39 anos, o ideal é fazer exames preventivos de cinco em cinco anos. A partir dos 40 anos, uma vez por ano.

A vida mais longa e saudável é uma das mais impactantes conquistas da civilização. Ela decorre da alimentação adequada, das melhorias sanitárias nas cidades, dos avanços da medicina de diagnóstico e da farmacologia. A dieta ideal, que supre todas as necessidades do corpo, precisa ter muitas frutas, legumes e verduras. Carnes magras são preferíveis, e o consumo de sal deve ser parcimonioso: no máximo, 6 gramas por dia. Metade do que os brasileiros despejam sobre seus pratos. Entre as recomendações que ganharam reforço está a da prática de exercício, um mínimo de meia hora por dia, uma vez que, o sedentarismo está relacionado a 54% das mortes por distúrbios cardíacos e a 50% dos derrames fatais. Em comparação ao indivíduo fisicamente ativo, o sedentário tem 40% mais probabilidade de sofrer um infarto. A ciência ainda não conseguiu determinar exatamente o motivo de a gordura abdominal ser mais nociva. O que se tem por certo é que ela aumenta os riscos de diabetes e facilita o entupimento arterial.

Portanto, sem sintomas latentes e de fácil constação, o remédio é a prevenção através do cautela contínua por meio de pequenas mudanças de contidiano. Em contrapartida a todos esses preceitos, certamente a maioria foge da vida saudável imaginando não constar nas provavéis vítimas. Para esses, quando não tem mais jeito, ainda resta o terreno da cirurgia propriamente dita, onde a evolução é espetacular. Para se ter uma ideia, há trinta anos, 10% dos pacientes morriam na mesa de operação. Esse número caiu para menos de 1%. Sendo que, uma das conquistas mais importantes ocorreu na angioplastia, antes, consistia em apenas desentupir com cânulas as veias e artérias. O inconveniente era que esse procedimento, não raro, tinha de ser repetido mais de uma vez. Agora, os médicos contam com a possibilidade de implantar nos vasos do coração dispositivos que os mantêm desobstruídos, mecanismo esse que recebe o nome de stents (algo parecido com uma mola de caneta).

As técnicas se aperfeiçoaram de tal maneira que muitos dos casos que antes necessitavam de grandes cirurgias, daquelas que rasgavam o tórax de cima a baixo, já são resolvidos com procedimentos bem menos invasivos. Com todos esses avanços, o tempo de internação médio em unidades de terapia intensiva caiu pela metade, do fim dos anos 70 para cá. Mas tudo isso não quer dizer que operar o coração se tornou tão fácil quanto extrair uma amígdala. É melhor evitar ao máximo o risco de cair na faca. Mude seu estilo de vida quanto antes. Parece difícil, mas só no começo. As recompensas aparecem imediatamente.




segunda-feira, 16 de março de 2009

lição de balé




Thayze Darnieri



Semana passada, em meio a uma conversa remeti-me a um tempo muito distante, quando ainda estava no colégio e era obrigada a ter aulas extraclasse. No entanto, por se tratar de uma instituição demasiadamente retrograda e tradicional as opções eram bastante limitadas, além da distinção entre atividades de "menino" e "menina". Para mim, uma adaptação complicada, uma vez que, vinha de uma instituição de ensino inspirada nas ideias politico-filosóficas da Escola Nova, portanto, a favor da igualdade em todas as suas vertentes, onde podia exercer minha vontade de jogar futebol, mas diante do tradicionalismo acabei caindo na dança.

Entretanto, o conservadorismo não era estendido as atividades fora de sala, as aulas de dança eram bastante dinâmicas, pois se tratava de uma professora eclética e por sua vez dominava os mais diferentes ritmos. Entre eles, fatidicamente o balé, que imediatamente vi com preconceito, por causa do collant e o rosa, bem como já havia me conformado com a minha falta de talento e coordenação motora, além do meu descompasso com a sincronia, logo, não existia nada para aprender, era apenas obrigação.

Ledo engano! Foi nas aulas de balé que aprendi algo que levaria para o resto da vida. Talvez pela adolescência ou excesso de timidez, andava por aí com os olhos fixos no chão, sem coragem para levantar a cabeça e direcionar o olhar para o horizonte, esbarrando na vida ao invés de encarar as metas e objetivos de frente. Isso graças a um preceito básico: postura, sem a verticalidade corporal fica impossível executar os movimentos, a plástica é disforme e, sobretudo, não há segurança ao realizar passos ou saltos que requerem equilíbrio.

Mesmo assim, não é justo dizer que postura seja meu forte. Contudo, foram importantes aqueles leves toques no queixo e chamadas para que levantasse a cabeça, naqueles momentos pude descobrir um mundo que ainda não conhecia, por mais que estivesse literalmente debaixo do meu nariz.

domingo, 15 de março de 2009

Noitão HSBC Belas Artes





Thayze Darnieri



Tenho minhas fases, ultimamente, retornei ao meu ciclo de insônia. Como agora, estou exausta, o corpo pede descanso, a cabeça clama por pausa, o sono até vem, mas quando me deito ele misteriosamente desaparece. Em um período assim, porque não ultrapassar os limites e sobreviver uma noite inteira sem dormir?

Eis que surge algo novo, pelo menos para mim, uma espécie de "corujão" de cinema: madrugada a dentro assistindo filme na telona. O Cinema HSBC Belas Artes oferece toda segunda sexta-feira de cada mês um Noitão, à partir da meia-noite até o raiar do dia com dois títulos pré-programados e opções surpresa, em uma dinâmica que vislubra ao público a possibilidade de construir sua programação de acordo com o seu perfil ou preferências. Para completar, nos intervalos entre as sessões todos os espectadores participam de sorteios de brindes entre convites exclusivos, camisetas, bolsas e filmes em DVD. E mais, após o final da última sessão, por volta das seis da manhã do sábado, o cinema oferece um gostoso café da manhã para todos os "sobreviventes" da maratona.

Nessa sexta, aconteceu o Noitão - "Armadilhas do Destino". Da qual participei e tive a oportunidade de assistir o inédito Gran Torino, com Clint Eastwood na direção e no papel principal.





"Gran Torino debruça-se sobre diversos temas da sociedade, como racismo, preconceitos, e dramas familiares, e embora não tenha uma história muito complexa, consegue cativar-nos. Não é um filme muito emotivo, e não conta com muitas cenas de acção (antes pelo contrário), mas transmite-nos uma possível realidade num qualquer bairro espalhado pela América, provando-nos que os preconceitos podem ser ultrapassados, e conseguindo provocar uma reflexão interior a todos aqueles que o assistirem."



trecho de crítica a Gran Torino, de Radikal-Rider


Em contraste com a seriedade e rabugice do enredo acima, irrompe no cronograma uma corriqueira comédia romântica aos moldes americados: Pagando bem, Que mal tem? A nova comédia de Kevin Smith, diretor que ganhou fama produzindo esse estilo.







"Pagando bem, Que mal tem? segue a mesma linha de narrativa da filmografia do Kevin Smith, sem nenhuma novidade a comédia romântica vai sendo conduzida com humor e situações fáceis e com cenas de sexo não explicitas, caras e bocas de prazer."


trecho de crítica a Pagando bem, Que mal tem?, de Felipe Bastos
http://cinemaeafins.com/



Finalizando a programação com um filme-surpresa, o italiano Não se mova, baseado no livro homônimo de Margaret Mazzantini, contando com a mesma particularidade do primeiro título da noite, uma vez que, Sergio Castellitto acumula os papéis de diretor e protagonista.






"O filme tem um final feliz, por um lado, mas, por outro, as cicatrizes das memórias ainda afetam o cirurgião “viúvo-casado”, por assim dizer. Não é filme “made in Hollywood”. É uma viagem ao coração humano e suas inevitáveis contradições sem o uso de clichês."



trecho da crítica a Não se mova, de Sérgio Luiz dos Santos Prior
http://www.adorocinema.com/

Enfim, uma ótima pedida para passar a noite acordado, tanto que nem é dolorido passar pela madrugada e nem ver as horas voarem. Uma experiência fantástica até para o menor dos insones!


fonte: http://www.hsbc.com.br/

sábado, 14 de março de 2009

ir ao cinema




"Assim como prefiro o prazer tátil de ter um livro nas mãos, admirar sua capa e contracapa, abri-lo em qualquer página e deixar que as folhas corram à vontade para exalar o cheiro do papel, também gosto de ver filmes dentro de uma sala de cinema.

Reconheço que são prazeres meio antiquados e que, quanto mais o tempo passar, mais fora de época eles irão parecer. O consolo é que o moderno dura cada vez menos.

Gosto de entrar numa sala de cinema. É como entrar num templo, em busca de uma cerimônia que não se sabe qual é, mas que certamente será mais interessante que a vida lá fora."



trecho do artigo Ir ao cinema, de Cadão Volpato, para a Revista TAM nas nuvens, ano 2, número 14, fevereiro de 2009.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Válvula de escape?

foto: Thayze Darnieri


Válvula de escape? Para mim, nada melhor que andar de bike. Nesse momento, sinto a liberdade, o vento sopra meus cabelos, dá ar aos meus pensamentos, clareia minhas ideias, ao passo que em posse dela não perco o controle, uma vez que ela só se desenvolve de acordo com a minha força. Lá em cima, exercito o equilíbrio, além do seu sentido literal. No entanto, não é um exercício que saboreio com frequência, por isso, quando tenho a oportunidade aproveito ao máximo para ativar minha válvula, foi pedalando, depois de diversas tentativas que tirei essa foto.



Thayze Darnieri

quinta-feira, 12 de março de 2009

não quero!




"Eu ainda continuo acreditando que a pior de todas as vaidades é a vaidade de não ter vaidades. É a raíz torta que gera a repulsa pelo mais fraco, pelo diferente, pelo que considero pior que eu. Esta eu não quero."



trecho do texto Meu ofício, do Padre Fábio de Melo

quarta-feira, 11 de março de 2009

não é?




"Não há nada mais inútil do que fazer eficientemente algo que não deveria ser feito de todo."



Peter Drucker

terça-feira, 10 de março de 2009

nada por mim

"Você me tem fácil demais
Mas não parece capaz
De cuidar do que possui
Você sorriu e me propôs
Que eu te deixasse em paz
Me disse vai, eu não fui

Não faça assim
Não faça nada por mim
Não vá pensando que eu sou seu

Você me diz o que fazer
Mas não procura entender
Que eu faço só pra te agradar
Me diz até o que vestir
Com quem andar e aonde ir
Mas não me pede pra voltar...."

música Nada por mim, de Paula Toller

segunda-feira, 9 de março de 2009

se algum dia...





"Lembre-se que se algum dia você precisar de ajuda, você encontrará uma mão no final do seu braço. À medida que você envelhecer, você descobrirá que tem duas mãos - uma para ajudar a si mesmo, e outra pra ajudar aos outros."




Audrey Hepburn

domingo, 8 de março de 2009

mulher de qualquer jeito




"Mulher que se atrasa
Mulher que vai na frente
Mulher dona de casa
Mulher pra presidente

Mulher de qualquer jeito
Ninguém sabe o que ela tem no peito
Peito pra dá de mamar
Peito só pra enfeitar..."


trecho da música Eu gosto de mulher, de Ana Carolina

sábado, 7 de março de 2009

Meme Let's go!

foto: Vitor Veríssimo



Meme: "um termo usado pelos blogueiros para definir quando um autor tem seu texto copiado e continuado em outros blogs. Geralmente, os blogueiros usam memes para aprofundar um tema ou simplesmente aumentar o acesso a seus sites".



extraído da coluna Tira Dúvidas, de Fernando Panissi, no artigo Dicionário da Nova Internet




Não sou muito adepta de modismos blogueiros, no entanto, recebi da Ciça de No país das Ritalinas um meme tão peculiar e bastante curioso que não pude resistir.


Funciona assim:


I - Agarrar o livro mais próximo;
II - Abrir na página 161;
III - Procurar a quinta frase completa;
IV - Colocar a frase no blog;
V - Repassar para cinco pessoas.


Caí na frase "O pai chamara o pronto-socorro do manicômio para interná-lo de novo", do livro O Mago, de Fernando Morais, que coincidentemente havia acabado de ler.




Os indicados são:


Vitor, do interessantíssimo Talvez Útil;
Deka, do delicioso Sem Gorduras Trans;
Lua, do misterioso LUA;
Thayze, do achado Baú de Mulher;
Grasii, do desatualizado Don't know why.

sexta-feira, 6 de março de 2009

somos superiores




"Todo o homem que encontro me é superior em alguma coisa. E, nesse particular, aprendo com ele".

Ralph Waldo Emerson



Descobri tardiamente o que era sentir inferioridade. Desde muito pequena fui exaltada pelas minhas qualidades e, por sua vez, os defeitos minimizados. Era um bebê esperto, uma criança linda, uma adolescente inteligente e uma jovem responsável, contudo, com o passar do tempo e a maturidade percebi-me presa a máxima que condena toda e qualquer espécie de excesso.


Ouvi, finalmente, uma voz dizer: Ninguém, no mundo inteiro, é totalmente perfeito. Compreendi, então, que era humana, um ser formado de características boas e outras nem tanto. Entretanto, ao invés de me entristecer diante desta constatação fui além, iniciei uma análise profunda da minha personalidade, listei qualidades e defeitos, tomei ciência dos meus atributos benéficos e os distingui os maléficos. Nesse exercício encontrei defeitos particulares, descobri pontos obscuros de caráter, confirmei, portanto, que o defeito não é uma propriedade negativa, servem apenas para diferenciar uma pessoa de outra.


No entanto, perante minha solidão, verifiquei que fatidicamente a realidade incluia outras pessoas, pude abrir meus olhos e visualizar o mundo e suas múltiplas possibilidades. Confesso até que durante o período em que detinha esse conceito individualista como lei de vida era incapaz de estabelecer vínculos, principalmente, qualquer coisa relacionada à amizade. Uma vez que, para cativar alguém ao ponto de estabelecer laços fortes e verdadeiros é necessário haver sensibilidade suficiente para se expor sem medo, em contrapartida, notar com curiosidade e naturalidade um universo que não é seu.


Esqueci de mim e fui explorar as mais diversas personalidades, nessa investigação, conheci fortalezas humanas escondidas no interior de cascas sensíveis, entendi a razão de gritos sem sentido, chorei por não aguentar a dor da desilusão, gargalhei alto apenas por estar contente em poder dividir a minha felicidade com o próximo, calei por medo de ouvir palavras tão duras que me ferirão por mais tempo do que foram pensadas para ser proferidas, aprendi acerca do conhecimento mais relevante ao mais inútil em conversas sem pretensão alguma.


Assim, distante de qualquer clichê, alcancei o meu juízo a respeito da elevação de um ser com outro. Para mim, inexiste a expressão "somos todos iguais", bem como sou contrária quando ouço "ninguém é perfeito", sendo que a perfeição está justamente nas diferenças, inevitavelmente haverá desequilíbrios de personalidade e conduta: ora serei eu superior em relação a você em algum aspecto, da mesma forma que em determinada perspectiva a sua superioridade será indiscutível quando me usar como referência.



Thayze Darnieri

quinta-feira, 5 de março de 2009

em pedaços




"'São pedaços de gente.' Os sonhos que ficaram perdidos no passado, ou o próprio passado de alguém, dentro daquela sacola. Eram sim, pessoas arquivadas. Uma viagem nunca feita, um amigo perdido, a criança que nunca veio ao mundo, um projeto, um doce dividido com alguém amado; a própria identidade. Pessoas que morriam a cada noite para renascer menos vivas no dia seguinte. Deixavam, as vezes, um rastro, uma parte mais ou menos importante de si mesmas... no lixo. Desde então, procuro em meu lixo a vida que vou deixando para trás. Guardo tudo. Mas creio que me falta algo daquele dom sobrenatural, pois quando observo tudo o que mantive, não me sinto um ser inteiro, mas alguém perdido num passado que já não lhe pertence."



trecho do texto (Em) pedaços, de Gabika Psy

quarta-feira, 4 de março de 2009

predileções...




"A fidelidade é o rosto mais sincero de nossas predileções."



Padre Fábio de Melo

terça-feira, 3 de março de 2009

quase o anti-amor




"Te amar não é fácil, é quase o anti-amor. É muito quase como se você nem existisse, porque só o homem perfeito mereceria tanto sentimento. E eu te anulo o tempo todo dizendo para mim, repetindo para mim, o quanto você falha, o quanto você fraqueja, o quanto você se engana. E fazendo isso, eu só consigo te amar mais ainda. Porque você enterrou meu sonho aprisionado pela perfeição e me libertou para vivê-lo. E a gente vai por aí, se completando assim meio torto mesmo. E Deus escrevendo certo pelas nossas linhas que se não fossem tão tortas, não teriam se cruzado."




trecho do texto Amor à segunda vista, de Tati Bernardi

segunda-feira, 2 de março de 2009

o destino chama





"Oh, eu não sei se ele está mais ruim do que já foi, para lhe dizer a verdade. Eu ainda mantenho a esperança de que quando os detalhes de sua verdadeira missão for revelada, nós vamos achar que ele é mais heróico do que pensávamos."



Michael Emerson sobre Ben Linus, seu personagem no seriado Lost

domingo, 1 de março de 2009

sagrado ócio




"O trabalho não é sempre necessário - existe uma tal coisa que é o ócio sagrado, o cultivo daquilo que é hoje medrosamente menosprezado."




George MacDonald

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