quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

começar de novo...




"Os dias talvez sejam iguais para um relógio, mas não para um homem."



Marcel Proust

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

ainda é Natal!




"Tenho pena daqueles que me perguntam, “até que idade você acreditou em Papai Noel?”. Ora, façam-me um favor! Não acreditar em você? No dia em que ficamos tão cínicos, não vale mais à pena, tudo perde a graça."



Pedro Neschling

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

perfeição diária




"O trabalho é como barbear-se. Não interessa se você fez um ótimo trabalho hoje, terá que repetir a performance amanhã."




Autor Desconhecido

domingo, 28 de dezembro de 2008

o dia a dia...




"Intimidade é uma merda, só gera filhos e amolações".



Dito popular

sábado, 27 de dezembro de 2008

meu tormento




"Hoje que a noite está calma
E que minha alma esperava por ti
Apareceste afinal
Torturando este ser que te adora
(...)
Hoje eu quero paz,
Quero ternura em nossa vida
Quero viver... "



trecho da música Tortura de Amor, de Waldick Soriano

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

O Caderno





Padre Fábio de Melo


Eu não sei se você se recorda do seu primeiro caderno, eu me recordo do meu. Com ele eu aprendi muita coisa, foi nele que eu descobri que a experiência dos erros. Ela é tão importante quanto às experiências dos acertos. Porque vistos de um jeito certo, os erros, eles nos preparam para nossas vitórias e conquistas futuras. Porque não há aprendizado na vida que não passe pelas experiências dos erros. O caderno é uma metáfora da vida, quando os erros cometidos eram demais, eu me recordo, que a nossa professora nos sugeria que agente virasse a página.

Era um jeito interessante de descobrir a graça que há nos recomeços. Ao virar a página, os erros cometidos deixavam de nos incomodar e a partir deles a gente seguia um pouco mais crescido. O caderno nos ensina que erros não precisam ser fontes de castigos. Erros podem ser fontes de virtudes! Na vida é a mesma coisa, o erro tem que estar à serviço do aprendizado; ele não tem que ser fonte de culpas e vergonhas.

Nenhum ser humano pode ser verdadeiramente grandesem que seja capaz de reconhecer os erros que cometeu na vida. Uma coisa é agente se arrepender do que fez! Outra coisa é agente se sentir culpado. Culpas nos paralisam. Arrependimentos não!

Eles nos lançam pra frente, nos ajudam a corrigir os erros cometidos. Deus é semelhante ao caderno. Ele nos permite os erros pra que agente aprenda a fazer do jeito certo. Você tem errado muito? Não importa, aceite de Deus essa nova página de vida que tem nome de hoje!

Recorde-se das lições do seu primeiro caderno. Quando os erros são demais, vire a página! O que está escrito em mim comigo ficará guardado, se lhe dá prazer. A vida segue sempre em frente, o que se há de fazer. Só peço a você um favor, se puder. Não me esqueça num canto qualquer.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

feliz natal!





"Naquele primeiro Natal,
anjos e estrelas convidavam pastores e reis.
Hoje, é o silêncio. Um silêncio convidador.
Silêncio para contemplar o Natal.
Hoje, o convite continua igual, meu Deus.
Convite para ir à gruta e contemplar a cana da família pobre;
para renovar a fé: "aquele Menino é Deus";
para assumir a mensagem da simplicidade, Senhor.
Como precisamos nos abrir às coisas simples da vida.
Como precisamos nos libertar de tantos narcisismos,
de tanta badalação por causa do dinheiro e da fama,
a ponto de apagar o brilho humano da vida nos pobres."



folheto da missa no Santuário São Judas - Jabaquara - São Paulo - SP

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Total



"Todos estão loucos, neste mundo? Porque a cabeça da gente é uma só, e as coisas que há e que estão para haver são demais de muitas, muito maiores diferentes, e a gente tem de necessitar de aumentar a cabeça, para o total."




João Guimarães Rosa, excerto de Grande Sertão Veredas

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O menino do pijama listrado III




"Shmuel também sorriu e os dois meninos ficaram juntos, sem jeito por um instante, desacostumados que estavam a ficar do mesmo lado da cerca.

Bruno sentiu um impulso de abraçar Shmuel, apenas para mostrar-lhe o quanto gostava dele e como fora bom conversar com ele durante o ano que passara ali.

Shmuel também sentiu um impulso de abraçar Bruno, apenas para agradecer-lhe pelas incontáveis gentilezas, e pela comida que trazia de presente, e pelo fato de que iria ajudá-lo a procurar pelo pai.

No entanto, nenhum deles abraçou o outro; em vez disso, começaram a caminhada desde a cerca até o campo, um caminhada que Shmuel fizera quase todos os dias já há quase um ano, quando escapava dos olhares dos soldados e conseguia chegar até a única parte de Haja-Vista que parecia não estar sob vigilância constante, um lugar no qual ele tivera a sorte de encontrar um amigo como Bruno."



trecho do livro O menino do pijama listrado, John Boyne

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

meus andares vazios




"No vazio cabe um monte de coisa, mas nenhuma se encaixa. Todas deslizam pelo rio de lágrimas que inundam todos os meus andares vazios. A hora que eu chorar, vai ser o choro mais triste do mundo."



trecho da crônica Vazio, de Tati Bernardi

domingo, 21 de dezembro de 2008

Give it me




"Don't stop me now

Don't need to catch my breath

I can go on and on and on..."



trecho da música Give it me, de Madonna

sábado, 20 de dezembro de 2008

louca...




"Uma pessoa louca é uma pessoa que nunca enlouqueceu."



Mauro Pietrobon

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

nossos instintos




"É absolutamente instintivo, portanto não passível de retaliação. Até porque as mulheres também têm seu método de escolha. Só que, nesse caso, o ouvido vem antes e a visão, depois. O sujeito pode ser careca, barrigudo e peludo como um primata, mas se disser a coisa certa, leva. Mulher gosta de homem inteligente, dotado de atitude e, de preferência, bem-sucedido, não pela segurança financeira que isso proporciona, mas porque para elas é a admiração, e não a carne, o maior afrodisíaco."



trecho da crônica Até tu, Saramago?, de Giovana Madalosso

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

a graça de ser só





"O fato de não me casar não me priva do amor. Eu o descubro de outros modos. Tenho diante de mim a possibilidade de ser dos que precisam de minha presença. Na palavra que digo, na música que canto e no gesto que realizo, o todo de minha condição humana está colocado. É o que tento viver. É o que acredito ser o certo."



trecho do texto A graça de ser só, do Padre Fábio de Melo

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O menino do pijama listrado II




"Lembra-me de como ela sempre tinha a roupa certa para mim. Usando a roupa certa, você se sente como a pessoa que está fingindo ser, ela sempre me dizia. Creio que é isso o que estou fazendo, não?"



trecho do livro O menino do pijama listrado, de John Boyne

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

amigo com H





Cléo Araújo



Ele é do tipo que não compartilha emoções à toa.

Não conta intimidades, a menos que haja um propósito muito claro para tanto. Ou que eu fique pressionando até ele espanar.

Prático, direto, sem dramas e sem entrelinhas.
Seguro, sorridente e estável.
Fofinho, maldoso e crítico.

É assim, um belo exemplar de amigo com H. Se você é moça e tem um, saiba que se trata este de privilégio de poucas. Não, não vale aquele, que se faz de amigo, mas que no fundo quer mais é te comer. Não vale ninguém, aliás, com sentimentos outros que não a indulgente e altruísta fraternidade. Não ria rapaz. Esse tipo de amizade existe sim.

Falo aqui do amigo puro, legítimo. Aquele, em cujo elogio ou crítica você sempre pode acreditar porque nunca, jamais ele vai querer copiar o seu corte de cabelo. Também, pudera.

Você foi a única (entre mulheres, homens, peixes-beta e cães) que topou assistir com ele os seis episódios de Guerras nas Estrelas numa única maratona, que começou às seis da tarde e acabou às sete da manhã. Não à toa, o amigo com H gosta tanto de você. Gosta a ponto de dizer que você é tão legal, mas tão legal, que mais pessoas no mundo precisariam saber disso. E um elogio dele faz de você uma pessoa mais segura e mais feliz.

Um amigo com H que se preze estica a festa de casamento de amigos em comum numa boate gay só porque você achou que essa seria a maneira mais divertida de se encerrar a noite. Ele não só entra no clima, dizendo que a noite ainda era longa quando já se via o sol nascer, como curte a valer o inferninho GLS, mesmo se tratando este de um amigo com H macho pra caralho. O amigo gay, aliás, também é um baita, senão o maior, dos amigos com H.

Um amigo com H dirige para você na estrada e costuma ser inimigo declarado do seu novo namorado. Mas no fundo ele adora o cara. Só implica com ele porque te conhece muito, e provavelmente mais do que esse “fulano” que chegou agora e te deixou com essa cara de boba-alegre.

Você e seu amigo com H dividem um quarto de hotel. Mas só se precisarem, porque ele ronca. E ele vê você toda desarrumada, como nenhum outro homem a viu antes - a não ser seu pai e seu cabeleireiro. Ele dá até a dica de uma pomada para essa espinha nojenta que você exibe no queixo. Zomba da sua chapinha, do seu pijama de vaquinhas coloridas e da sua placa para não ranger os dentes. Mas você nem fica brava porque se lembra: ele a levantou no ombro no show do U2 durante cinco músicas seguidas, sem reclamar. E ainda cantou “The time of my life” num dueto com você no karaokê. Mesmo sem saber a letra.

O amigo com H, no entanto, às vezes te faz chorar. Culpa daquela sinceridade dolorida, que você ama tanto. Mas, mesmo que ele lhe tire algumas lágrimas de vez em quando – quando questiona seu trabalho, sua infelicidade nos relacionamentos com os homens ou seu temperamento amargo - não admite que outro homem o faça. Ah, rapá, se prepare porque aí ele vira bicho!

O amigo com H pára de fumar para te encorajar a fazer o mesmo. Mas como você não consegue, ele acende uma cigarrilha na noite de ano novo, só para você não se sentir tão por fora. Se não fosse ele, aliás, além de por fora, você não teria música nenhuma no seu Ipod. É ele quem te passa todas, de Jesus and Mary Chain a Roxette.

Amigo com H pede cola e passa cola, bate a assopra, segura na mão e manda você se foder. E o melhor de tudo é que ele não vai descobrir que quer se casar com você no dia em que ficar noiva. E que você não vai dar um escândalo na igreja no dia do casamento dele. Embora alguns cochichem “certeza que ela já deu para ele” e outros apostem que ele já te comeu, vocês sabem que a idéia de serem um “casal” é tão ridícula quanto aquela camiseta do Homer Simpson que ele usa de final de semana.

E vocês riem. Como de hábito, um do outro. E juntos, do resto do mundo.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

... naquele momento





"Naquele momento, com o coração batendo a mil ao mesmo tempo em que parecia que poderia parar a qualquer segundo, sentiu a mais inexplicável vulnerabilidade humana. A existência."



trecho do texto Luís Alberto, de Pedro Neschling
http://www.bloglog.globo.com/pedroneschling/

domingo, 14 de dezembro de 2008

passado morto




"Atiramos o passado ao abismo, mas não nos inclinamos para ver se está bem morto."




William Shakespeare

sábado, 13 de dezembro de 2008

mais alguém




"O amor é um descanso
Quando a gente quer ir lá
Não há perigo no mundo
Que te impeça de chegar
(...)
Agora é hora de vibrar mais um romance tem remédio
Vou viajar lá longe tem
O coração de mais alguém

Não deixe idéia de não ou talvez
Que talvez atrapalha..."



trecho da música Mais Alguém, de Roberta Sá

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O menino do pijama listrado I




"Nossa casa não é uma construção, ou uma rua, ou uma cidade, ou coisa alguma tão artificial quanto os tijolos e a argamassa. O lar é onde mora a família de alguém, não é mesmo?"


trecho do livro O menino do pijama listrado, de John Boyne

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

... talvez!




“Não faça sua felicidade depender do que não depende de você".



Humberto Rohden

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Felipe e Isabel




Tony Bellotto



Felipe e Isabel são casados e têm dois filhos pequenos. Ambos exercem a mesma estranha profissão. Estranha para gente como eu, que ainda não a conhecia. Mas é um tipo de trabalho que vem crescendo muito no Brasil. Felipe e Isabel são, respectivamente, marido e esposa de aluguel - também chamados consultores do lar. Não pensem em conotações sexuais ou românticas. O que eles alugam a solteiros, descasados, solitários e também a casais sem tempo ou paciência, é o know how burocrático - ou funcional - dos casamentos, imprescindível à harmonia de qualquer lar.

Isabel, por exemplo, oferece a homens sem-cônjuge tudo o que eles podem esperar de uma boa esposa à moda antiga (como era isso mesmo?): roupa lavada e passada, casa arrumada, flores na sala, bolo na geladeira, comida quente e um sorriso no rosto.

Felipe, por sua vez, contempla as sem-cônjuge (surge um novo termo, quem sabe no futuro não será tão corriqueiro quanto sem-terra?) com procedimentos nos quais apenas homens tradicionais são fluentes (ainda existem caras assim por aí? Estamos precisando de um aqui em casa): trocar a lâmpada queimada do quarto, dar um jeito na pia entupida, levar o lixo para fora, passear com o cachorro, trocar o pneu furado e demonstrar segurança inabalável. Tudo isso com a vantagem de que não se discute a relação.

O que difere Felipe e Isabel de empregados domésticos tradicionais é a iniciativa de sugerir, com a autoridade de um marido ou esposa, compra de toalhas, troca de cortinas, revisão do carro e até uma viagem no feriado. Ao fim do dia Felipe e Isabel retornam ao próprio lar cansados e com a sensação de dever cumprido. Felipe corre para a cozinha, onde prepara um jantar delicioso, e Isabel, depois de consertar o chuveiro - que anda dando problemas ultimamente -, leva o carro para abastecer no posto da esquina.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

sobre Hamlet




Thayze Darnieri



Por desleixo, conhecia a história de Hamlet apenas superficialmente. Entretanto, resolvi agir diferente dessa vez, ir assistir a idealização alheia de uma obra antes da minha concretização mental do enredo. Essa atitude, no entanto, leva-me a recuar, uma vez que, sem o conhecimento prévio não seria possível deter um entendimento aprofundado e amplo do contexto proposto. Contudo, sem essas amarras, pude mergulhar em Shakespeare sem me preocupar com o próximo ato, sem saber o que ficou perdido em meio ao texto original e estabelecer a minha visão de Hamlet por trás dos olhos de Aderbal Freire Filho.

Mesmo sem me aprofundar em Shakespeare, a idéia inicial sobre qualquer adaptação do autor pede figurino e cenários dispendiosos, algo que remeta imediatamente ao século XVI. Todavia, o Hamlet de Wagner Moura é simples, atual e acessível, nada de português arcaico ou babados. Este Hamlet propõe a flexibilidade de interpretação, as mil facetas e uma inesgotável possibilidade de análises e encenações intrínsecas a poética de Shakespeare.

Wagner é brilhante na pele do jovem Hamlet, atormentado pelo fantasma do pai, angustiado, cheio de dúvidas, idealizador de uma vingança que se ergue na certeza da verdade. A sua interpretação criou elo nas engrenagens da representação, ao invés de utilizá-las de forma solta. O Hamlet de Wagner Moura extravasa através de gestos largos e enfáticos, dispara falas ensopadas de deboche, mas sem se perder ao pronunciar seu texto denso e contundente, sua emoção transborda de forma quase ofegante como o ritmo de sua respiração.

Não obstante, esse foco se dissipa em alguns momentos e pude concluir que essa montagem não é um sucesso exclusivamente por causa dele, o Wagner Moura da televisão sobrepuja todos os conceitos populares quando percebe-se o desempenho da totalidade do elenco. Gillray Coutinho cunha um personagem cômico impagável por meio da prolixidade de seu texto. Além da forte presença cênica de Tonico Pereira, a expressividade peculiar de Georgiana Góes e a irremediável atenção aos aspectos de palco de Caio Junqueira.

Hamlet, literalmente, clama aos atores "que não declamem, mas busquem conciliar um registro sóbrio com vitalidade, que ajustem a palavra à ação e vice-versa para, assim, alcançarem a medida do natural porque o teatro é o espelho da natureza". Eis, portanto, aonde acredito ser a inspiração dessa montagem, porém, uma historia que sempre elucidará a complexidade do humano, seja na profusão dos sentimentos seja na miséria da existência.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Sim





“Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura essa hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me me crer
O que nunca poderei ser. "



Ricardo Reis

domingo, 7 de dezembro de 2008

Não me ofereça




Não me ofereça coisas.
Não me ofereça sapatos.
Ofereça-me comodidade para meus pés e o prazer de caminhar.
Não me ofereça casa.
Ofereça-me segurança, conforto e um lugar que prime pela limpeza e felicidade.
Não me ofereça livros.
Ofereça-me horas de prazer e o benefício do conhecimento.
Não me ofereça discos.
Ofereça-me lazer e a sonoridade da música.
Não me ofereça ferramentas.
Ofereça-me o benefício e o prazer de fazer coisas bonitas.
Não me ofereça móveis.
Ofereça-me o conforto e a tranqüilidade de um ambiente aconchegante.
Não me ofereça coisas.
Ofereça-me idéias, emoções, ambiência, sentimentos e benefícios.
Por favor, não me ofereça coisas.



Autor desconhecido

sábado, 6 de dezembro de 2008

há flores em tudo...




"Olhei até ficar cansado de ver os meus olhos no espelho
Chorei por ter despedaçado as flores que estão no canteiro
Os punhos e os pulsos cortados
E o resto do meu corpo inteiro
Há flores cobrindo o telhado
Embaixo do meu travesseiro
Há flores por todos os lados
Há flores em tudo o que eu vejo..."


trecho da música Flores, do Titãs

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

mundo pequeno




“... E achando um absurdo erros de português. E imperdoável eu não falar outras línguas. E que eu deveria conhecer mais o mundo. E que eu deveria falar dos outros. E que eu deveria falar menos de mim. E que eu deveria, deveria, deveria. Tem sempre alguém reclamando de ter virado personagem. E reclamando de nunca ter virado nada. Tem sempre alguém reclamando que é muito triste, que é muito pesado, que é muito bobinho, que é muito zorra total, que é escatológico, que é muito adolescente, que é muito puro, que tem muita putaria, que é velho demais pra minha idade, que sempre fala a mesma coisa, que não diz coisa com coisa, que incomoda, que não causa nada, que me expõe demais, que me protege, que diz tudo sobre mim, que não diz nada. Tem sempre alguém chegando e indo embora por causa deles. Atraído, espantado, enojado, louco, excitado.”



trecho do texto Mundo Pequeno, de Tati Bernardi

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

minha paixão!




"O que a Fotografia reproduz ao infinito só ocorreu uma vez: ela repete mecanicamente o que nunca mais poderá repetir-se existencialmente.”



Roland Barthes

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

capacidade de amar...




"Amar alguém é viver o exercício constante, de não querer fazer do outro o que a gente gostaria que ele fôsse. A experiência de amar e ser amado é acima de tudo a experiência do respeito. Como está a nossa capacidade de amar? Uma coisa é amar por necessidade e outra é amar por valor. Amar por necessidade é querer sempre que o outro seja o que você quer. Amar por valor é amar o outro como ele é, quando ele não tem mais nada a oferecer, quando ele é um inútil e por isso você o ama tanto. Na hora em que forem embora as suas utilidades, você saberá o quanto é amado! Tudo vai ser perdido, só espero que você não se perca. Enquanto você não se perder de si mesmo você será amado, pois o que você é significa muito mais do que você faz! O convite da vida cristã é esse: que você possa ser mais do que você faz!”


Padre Fábio de Melo

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

A Cidade do Sol IV




"Naquela noite, deitaram-se na cama como marido e mulher, com as crianças ressonando em seus colchões. Laila pensou na facilidade com que preenchiam o espaço entre eles com palavras quando eram mais moços; lembrou de como falavam desordenadamente, sempre se atropelando um ao outro, cutucando-se mutuamente para enfatizar alguma coisa que dissessem, sempre prontos para rir à toa, sempre loucos para se divertir. Tinha acontecido tanta coisa desde então, tanta coisa que precisava ser dita... Mas, naquela primeira noite, a enormidade de tudo aquilo a deixava sem palavras. Bastava-lhe estar ali, ao lado dele. Bastava saber que ele estava ali, sentir o calor daquele corpo junto ao seu, estar deitada ao seu lado, sentir a cabeça dele roçando a sua, a mão direita dele segurando a sua esquerda."



trecho do livro A Cidade do Sol, de Khaled Hosseini

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

planos e planos!




"Nós somos os arquitetos do nosso futuro".


Elmar Altvater

Pop