sexta-feira, 31 de outubro de 2008

meio sem lar...




"Vim parar nessa cidade, por força da circunstância
Sou assim desde criança, me criei meio sem lar..."



trecho da música Garganta, de Ana Carolina

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

conjecturas!




"Passarei a viver com pouco dinheiro, mas não vou me incomodar com isso, já que não verei mais diferença entre um guardanapo de pano ou de papel, um ingresso para a numerada ou para a geral. Ficarei horas de pé na calçada em frente ao boteco, tomando cerveja morna no copo de plástico e ouvindo o papo de meia dúzia de maconheiros, e acharei que tive uma noite incrível. Minha alma irá encher-se como uma esponja. Não terei mais medo de candidatos de esquerda, radicais livres e frituras. Me sentirei imortal, indestrutível e, de repente, vou achar que posso mudar o mundo. Já me vejo com a veia do pescoço saltada, tentando convencer os meus colegas de golfe a entrarem numa ONG pela libertação do Tibet. Serei ignorado e, a partir desse dia, só irei andar com a minha própria tribo..."



trecho da crônica Reflexões sobre um fio de cabelo, de Giovana Madalosso

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

São Paulo, a Bienal do vazio




"Mas o barulho dos motores, o ruído do helicópteros, o forte cheiro de gasolina, a poluição e outras moléstias do mundo contemporâneo não são temas deste bienal. A estrela é o vazio."



comentário do Jornal El País sobre a 28ª Bienal de São Paulo

terça-feira, 28 de outubro de 2008

alerta silencioso...




"A verdade mora no silêncio que existe em volta das palavras.
Prestar atenção ao que não foi dito, ler as entrelinhas.
A atenção flutua: toca as palavras sem ser por elas enfeitiçada.
Cuidado com a sedução da clareza!
Cuidado com o engano do óbvio!"



Rubem Alves

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

vitoriosa...




"Quero sua risada mais gostosa
Esse seu jeito de achar
Que a vida pode ser marvilhosa

Quero sua alegria escadandalosa
Vitoriosa por não ter
Vergonha de aprender como se goza..."


trecho da música Vitoriosa, de Ivan Lins



domingo, 26 de outubro de 2008

sampa...




"E foste um difícil começo,
afasto o que não conheço.
A quem vende outro sonho feliz de cidade
aprende depressa a chamar-te de realidade.
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso..."



trecho de Sampa, de Caetano Veloso

sábado, 25 de outubro de 2008

perecibilidade do homem!




"Não se adia um olhar, um sorriso, uma frase. Há sempre uma palavra que não devemos calar. Somos perecíveis, mas esquecemos que somos perecíveis."



Nelson Rodrigues

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O Caçador de Pipas X




"... lembrei de baba dizendo que o meu problema era que sempre tive alguém enfrentando as coisas por mim".



trecho do livro O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

um lar!




"O comportamento das pessoas é que define os espaços, não o contrário".



Marcelo Rosenbaum

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

porque escrever?




"Escrever é uma maneira que eu tenho de me completar. (...) Às vezes, eu escrevo porque quero dizer determinada coisa que eu acho que não foi dita; às vezes, porque me interessa que conheçam meu ponto de vista. Às vezes, escrevo também por prazer."



João Cabral de Melo Neto

terça-feira, 21 de outubro de 2008

eu fui...




"Eu fui.
Os trilhos levavam para muito longe, você apertou a minha mão.
Eu não tive medo."



trecho da crônica Os trilhos, de Bianca Rosolem
extraído do blog: http://blonicas.zip.net/

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

só...




"A solidão do homem é um problema político."



Carlinhos de Oliveira

domingo, 19 de outubro de 2008

três!




"Desde a noite dos tempos o número três foi, assim, sinônimo de pluralidade, de multidão, de amontoado, de além, e constituiu, conseqüentemente, uma espécie de limite impossível de conceber ou precisar"


Georges Ifrah

sábado, 18 de outubro de 2008

uma razão para amar!




"O amor não depende da nossa vontade, e esse é o seu maior mistério. Não está no âmbito dos nossos poderes humanos amar alguém a pedido, ou por ordem."



Compte-Sponville

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

quem entende?




"A superioridade do economista sobre o resto dos mortais é que fala do que ninguém entende. Se uma girafa aparecesse, ali, de repente, não seria tão olhada, apalpada, farejada."



Nelson Rodrigues

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

mais além...




"Aquele conforto da falta de novidade deixava-me pensativa, imaginando o que aconteceria além dos trilhos do trem."



trecho da crônica Os trilhos, de Bianca Rosolem
extraído do blog: http://blonicas.zip.net/

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

o primeiro




"Há sempre o primeiro. Na minha vida, ele está guardado num cantinho morno da memória, como uma lembrança de uma época que já não existe, da qual tenho saudade mas para a qual ainda não desejo voltar. O primeiro está lá e sempre estará. De qualquer forma, era preciso que alguém fosse o primeiro pra depois morar ali naquele canto. Depois do primeiro vêm todos os outros, não menos importantes, cada um com sua particularidade, seus podres e suas delícias.
Me pergunto às vezes se gostamos de uma pessoa ou de tudo que vivemos e compartilhamos com ela, ou da época em que a conhecemos, ou de tudo isso junto... Enfim, vêm todos os outros..."



trecho do texto Os Garotos da Minha Vida, de Mari Moscou

terça-feira, 14 de outubro de 2008

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

aquela dor!



"... então pisava forte naquela água pra fazer de conta que pisava de raiva nas lágrimas que não queria mais derramar."



trecho da crônica Uma saudade uma janela e a garoa, de Luís Couto

domingo, 12 de outubro de 2008

minha criança...



"Todos têm uma criança alegre dentro de si, mas poucos a deixam viver".


Augusto Cury

sábado, 11 de outubro de 2008

O Caçador de Pipas IX




"Aqui era como um rio, correndo, sem pensar no passado. Eu podia entrar nesse rio, deixar os meus pecados mergulhados lá no fundo, permitir que a água me levasse para algum lugar ao longe. Algum lugar onde não houvesse fantasmas, nem recordações, nem pecados".



trecho do livro O Caçador de Pipas, de Klaled Hosseini

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

férias?




“Greve sem cortar ponto é férias remunerada".



nosso presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ex-sindicalista, em mais uma fala atrapalhada

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

tortura lenta




Aureliano Lessa



Há tormentos sem nome, há desenganos
Mais negros que o horror da sepultura;
Dores loucas, e cheias de amargura,
E momentos mais longos do que os anos.


Não são da vida os passageiros danos
Que dobram minha fronte; a desventura
Eu a desdenho... A minha sorte dura
Fadou-me dentro da alma outros tiranos.


As dores da alma, sim; ela somente,
Algoz de si, acha um prazer cruento
Em torturar-se ao fogo lentamente.


Oh! isto é que é sofrer! nenhum tormento
Vale um gemido só da alma tremente,
Nem séculos as dores de um momento!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

poucas palavras




"O homem prefere uma ditadura organizada à democracia baderneira."



trecho da crônica A Humanidade ama a ordem, de Maitê Proença


terça-feira, 7 de outubro de 2008

meu destino...




"Meu destino não é de ninguém
E eu não deixo os meus passos no chão..."



trecho de Primeiros erros, do Capital Inicial

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

se você quisesse saber




Tati Bernardi



Eu tenho vontade de te contar tantas coisas. Mas você não sabe como dói e como é solitário ser gente. Gente tem mais é que guardar esses absurdos. Ontem, por exemplo, eu estava no avião, indo pra tal da palestra que eu te contei que tinha em Porto Alegre, e o medo voltou. Sabe o que eu fiz? Peguei um caderninho que sempre levo comigo e anotei tudo o que o medo queria me dizer. Fiquei besta de ver que se ele queria me dizer alguma coisa, ele não era exatamente eu. Era só o medo. Olhei o Rivotril que minha mãe colocou na minha bolsa e aquilo não me pareceu nenhuma solução. Eram apenas duas coisinhas brancas e pequenas num recortinho de embalagem. Duas coisinhas que jamais terão o tamanho de tudo isso que tem aqui dentro. Eu senti meus pés tão fortes e meu rosto tão corado. Eu gostei de mim e da vida como não gostava há muito tempo. A vida soprou no meu ouvido para eu parar com essa coisa de não me dar comida e não me dar confiança. E isso é idiota mas quis muito que você fosse o único a saber.


Queria te contar, também, que na hora da palestra me deu tanto medo de desmaiar no meio da fala que tomei dois copos inteiros de guaraná. Mas na hora mesmo, de falar, eu lembrei de você me dizendo que ansiar ou sentir assim a vida pode fazer as palavras assumirem um poder mais mágico e, acho que porque gostei do que você falou ou simplesmente porque gosto de você, consegui não tremer o microfone e até fiz algumas pessoas rirem de alguma piada. Foi bom. Gostei da vida de novo. E de mim. E nossa. Só Deus, aquele que você não acredita que existe, sabe o quanto eu quis te contar tudo isso.


Você não imagina como dói e como é solitário ser gente. Você nem sonha. Gente não pode ligar pro moço que conhece há dias e perguntar que raio ele ta fazendo que não liga, não pergunta, não continua apertando o play. Gente não pode fazer isso. Mas então que merda eu sou se gente não pode fazer isso? Sou menos ou mais que gente? Eu só queria que você soubesse que hoje ouvi a tal da música da Nina Simone que diz que o baby Just cares for me e fiquei rindo que nem besta. Uma senhora achou graça. Um homem bocejou. Uma criança cabeçuda além da conta se escondeu. O mundo sabe do que é essa minha cara, mas nem por isso está preocupado em me dar os pêsames ou os parabéns. Gostar de alguém, de novo, deveria ser algo como um enterro ou um nascimento. Mas gente acha só que é mais uma perda de tempo. E eu, que sei lá que merda sou, queria muito que não fosse.


Queria te contar que descobri porque te tratei mal da última vez. É que o raio da blusa cinza furada te deixa tão bonito e eu tenho mania de chorar quando acho alguma coisa muito bonita. E pra não chorar eu trato mal. A vida me emociona o tempo todo mas se eu ficasse chorando, quem ia pagar minhas contas e quem ia me querer cheia de olheiras? Então eu corro. Me dá de novo a vontade de ir embora. Eu to sempre indo embora mas aí vai um super clichê...: é de tanto que eu só queria ficar. E queria que você não achasse que sou sempre louca, ainda que eu seja.


Queria te dizer que foi mesmo ridículo quando você disse que gostava da sua aula de francês porque era mais divertida do que qualquer outra coisa e eu comparei isso com minha aula de personal de musculação. Agora me diz como eu posso falar tanta besteira só por causa de uma blusa cinza? Isso não é engraçado? Seria engraçado, se ser gente não fosse tão trágico e dizer essas coisas tão absurdo. Ser gente é um saco, um porre, uma coisa entravada no peito. Mas o que eu queria mesmo te dizer é que, só porque talvez você queira saber, nem gente mais eu ando conseguindo ser.

domingo, 5 de outubro de 2008

mais inteligência...



"A inteligência é indissociável da curiosidade".


Eduardo Almeida Reis











sábado, 4 de outubro de 2008

O Caçador de Pipas VIII




"Mas o tempo pode ser uma coisa bem voraz - às vezes se apodera de todos os detalhes só para si mesmo."



trecho do livro O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

minha paz!




"Ver você dormindo e sorrindo
É tudo que eu quero pra mim..."


trecho da música A Estrada, do Cidade Negra

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

no seré




No seré una mujer perfecta
De las que golpeas al ver pasar
No seré alta y maravillosa
Pero se lo que puedo hacer
No sabré andar como una princesa
Ni vivir como en alta sociedad
Y no se engañar a tu corazón
Pero se que te puedo hacer feliz

Y aunque muchas veces no sé lo que quiero
Y aunque hay días en que veo todo negro,
No quiero irme de ti, para estar cerca de ti

Pero sé que te puedo hacer feliz

No seré lo que te imaginabas
No diré lo que quieres escuchar
No sé bien si será para siempre

Pero sé que te puedo hacer feliz



música No seré, de Julieta Venegas

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

somos um país de analfabetos


Lya Luft



Segundo pesquisa do confiável IBGE, estamos num vergonhoso lugar entre os países da América Latina, no que diz respeito à alfabetização. O que nos faltou e tanto nos falta ainda? Posso dizer que tem sobrado ufanismo. Não somos os melhores, não somos invulneráveis, somos um país emergente, com riquezas ainda nem descobertas, outras mal administradas. Somos um povo resistente e forte, capaz de uma alegria e fraternidade que as quadrilhas, o narcotráfico e a assustadora violência atuais não diminuem. Um povo com uma rara capacidade de improvisação positiva, esperança e honradez.

O sonho de morar fora daqui para escapar não vale. Na velha e sisuda Europa não há um sol como este. Recordo meu espanto na primeira estada por lá, num verão, vendo o sol oblíquo e pálido. Lá não se ri, não se abraça como aqui. Eles trabalham mais e ganham mais, é verdade. A pobreza por lá é menos pobre porque, se fosse miserável, morreriam todos de frio na primeira nevasca. O salário-desemprego é tão bom que, infelizmente, muitos decidem viver só com ele: o mercado de trabalho lá também é cruel, e com os estrangeiros, nem se fala. Em muitas coisas somos muito melhores.

Mas somos um país analfabeto. Alfabetizado não é, já disse e escrevo freqüentemente, aquele que assina seu nome, mas quem assina um documento que leu e compreendeu. A verdadeira democracia tem de oferecer a todos esse direito, pois ler e escrever, como pensar, questionar e escolher, é um direito. É questão de dignidade. Quando eu era professora universitária, na década de 70, já recebíamos nas faculdades vários alunos que mal conseguiam escrever uma frase e expor um pensamento claro. "Eu sei, mas não sei dizer nem escrever isso" é uma desculpa pobre. Não preciso ser intelectual, mas devo poder redigir ao menos um breve texto decente e claro. Preciso ser bem alfabetizado, isto é, usar meu instrumento de expressão completo, falado e escrito, dentro do meu nível de vida e do nível de vida do meu grupo.

Para isso, é essencial uma boa escola desde os primeiros anos, dever inarredável do estado. Não me digam que todas as comunidades têm escolas e que estas têm o necessário para um ensino razoável, para que até o mais pobre e esquecido no mais esquecido e pobre recanto possa se tornar um cidadão inteiro e digno, com acesso à leitura e à escrita, isto é, à informação. Um sujeito capaz de fazer boas escolhas de vida, pronto para se sustentar e que, na grave hora de votar, sabe o que está fazendo. Enquanto alardeamos façanhas, descobertas, ganhos e crescimento econômico, a situação nesse campo está cada vez pior. Muito menos pessoas se alfabetizam de verdade; dos poucos que chegam ao 2º grau e dos pouquíssimos que vão à universidade, muitos não saem de lá realmente formados. Entram na profissão incapazes de produzir um breve texto claro. São desinteressados da leitura, mal falam direito. Não conseguem se informar nem questionar o mundo. Pouco lhes foi dado, pouquíssimo lhes foi exigido.

A única saída para tamanha calamidade está no maior interesse pelo que há de mais importante num país: a educação. E isso só vai começar quando lhe derem os maiores orçamentos. Assim se mudará o Brasil, o resto é conversa fiada. Investir nisso significa criar mais oportunidades de trabalho: muito mais gente capacitada a obter salário decente. Significa saúde: gente mais bem informada não adoece por ignorância, isolamento e falta de higiene. Se ao estado cabe nos ajudar a ser capazes de saber, entender, questionar e escolher nossa vida, é nas famílias, quando podem comprar livros, que tudo começa. "Quantos livros você tem em casa, quantos leu este mês? E jornal?", pergunto, quando me dizem que os filhos não gostam de ler. Família tem a ver com moralidade, atenção e afeto, mas também com a necessária instrumentação para o filho assumir um lugar decente no mundo. Nascemos nela, nela vivemos. Mas com ela também fazemos parte de um país que nos deve, a todos, uma educação ótima. Ela trará consigo muito de tudo aquilo que nos falta.


extraído da Revista Veja, edição 2080, do dia 1º de outubro de 2008.

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