domingo, 31 de agosto de 2008

O Caçador de Pipas III



"Ele ficou me encarando por um bom momento. Estávamos sentados ali, dois meninos debaixo de uma cerejeira, e, de repente, nos olhávamos, olhávamos de verdade. Foi então que aconteceu de novo: o rosto de Hassan mudou. Talvez não tenha mudado, não para valer, mas, de repente, tive a sensação de estar olhando para dois rostos: um deles, o que eu conhecia aquele que era minha lembrança mais remota; o outro, o segundo rosto, era o que estava escondido logo abaixo da superfície. Já tinha visto isso acontecer antes e aquilo sempre me deixava um pouco atordoado. Esse outro rosto só aparecia por uma fração de segundo, mas isso era o bastante para me deixar com a pertubadora sensação de que talvez o tivesse visto em algum lugar. Então, Hassan piscava e voltava a ser ele mesmo. Simplesmente Hassan."



trecho do livro O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini

sábado, 30 de agosto de 2008

ilusion



"Uma vez eu tive uma ilusão
E não soube o que fazer..."



trecho da música Ilusion, de Julieta Venegas com Marisa Monte

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

eu carrego você comigo




E.E. Cummings


Carrego seu coração comigo
Eu carrego no meu coração
Nunca estou sem ele


Onde quer que vá, você vai comigo
E o que quer que faça
Eu faço por você


Não temo meu destino
Você é meu destino meu doce
Eu não quero o mundo por mais belo que seja


Você é meu mundo, minha verdade
Eis o grande segredo que ninguém sabe


Aqui está a raiz da raiz
O broto do broto e o céu do céu
De uma árvore chamada VIDA
Que cresce mais que a alma pode esperar ou a mente pode esconder
E esse é o pródigo que mantém as estrelas á distância


Eu carrego seu coração comigo
Eu o carrego no meu coração

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

perguntas..




"Deve-se ler para fazer perguntas".


Franz Kafka

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

meus passos...




"... Grande é a tarefa que nos espera... Para todos os seres humanos, constitui quase um dever pensar que o que já se teve realizado é sempre pouco em comparação com o que ainda resta por fazer. A liberdade sonhada não lhe será oferecida como um presente, mas sim, como um direito a ser conquistado durante toda a vida. Por isso vá e vença".
.
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Papa João XXIII

terça-feira, 26 de agosto de 2008

sobrepujando maquiavel




"Não que os fins justifiquem os meios, mas alguns fins só podem ser alcançados por alguns meios."


João Porto

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

o mal elemento




"Não dá, assim não dá. Deveria ter cadeia pra esse tipo de elemento daninho. Pior é que vicia. Não é que acordei me achando hoje? Agora neguinho me trata mal e eu não deixo. Agora neguinho quer me judiar e eu mando pastar. Dei de achar que mereço ser amada. Veja se pode."



trecho do texto O mal elemento, de Tati Bernardi

domingo, 24 de agosto de 2008

O Caçador de Pipas II




"A geração de crianças afegãs cujos ouvidos só conheceram o som das bombas e da artilharia ainda estava por nascer. Bem juntinhos, na sala de jantar, esperando o dia clarear, nenhum dos três fazia a menor idéia de que um jeito de viver tinha terminado. O nosso. Não de imediato, mas aquele instante tinha marcado o começo do fim."



trecho do livro O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini


sábado, 23 de agosto de 2008

10 coisas que eu odeio em você




"Odeio o modo como fala comigo
e o modo como corta seu cabelo
Odeio como dirige o meu carro
e odeio quando você me encara
Odeio suas enormes botas de combate
e o modo como lê minha mente
Odeio tanto você que isso me deixa doente
e até me faz rimar
Odeio o modo como está sempre certo
Odeio quando você mente
Odeio quando me faz rir
e mais ainda quando me faz chorar
Odeio quando não está por perto
e o fato de não me ligar
Mas, mais que tudo, odeio o fato de não conseguir te odiar
Nem um pouco, nem por um segundo
Nem mesmo só por te odiar".

Katharina Stratford, no filme 10 Coisas que eu odeio em você

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

parte da bondade




"Ser bom não significa fazer o bem; é ter conhecimento do que é bom e ruim para si mesmo".


Yrae Nascimento

nome da vitória!




Vitor: Vitória certa. Do latim "triunfo, vitória, vencedor, conquistador". Indica uma pessoa competente, mas que apresenta certa reserva em expor seus pontos de vista, tendência que deve combater se quiser atingir o sucesso pleno. Indica a paixão pela cerimônia e pelo luxo. É próprio de pessoas que sentem atração especial por grandes solenidades, pelos ritos e pela glória.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

amigo!




"Neste instante em que seus olhos se ocupam das palavras que meu coração resolveu improvisar...

Eu gostaria de lhe agradecer pelas inúmeras vezes que você me enxergou melhor do que eu sou.

Pela sua capacidade de me olhar devagar...

Já que nesta vida muita gente já me olhou depressa demais.

Eu que nem sempre soube acertar...

Aprendi com você que arrependimento é bem melhor do que culpa.

Obrigado por você não ter desistido de mim.

Obrigado pelo seu dom de multiplicar o que sou e o que posso.

Eu, que na solidão dos meus dias sou tentado a pensar pequeno.

Quando o encontro, sou sempre surpreendido com seu poder de me fazer ver o mundo com as mesmas lentes dos poetas...

Obrigado, hoje e sempre!"



trecho do livro Amigo - somos muitos, mesmo sendo dois, de Fábio de Melo

terça-feira, 19 de agosto de 2008

O Caçador de Pipas I




"Foi há muito tempo, mas descobri que não é verdade o que dizem a respeito do passado, essa história de que podemos enterrá-lo. Porque, de um jeito ou de outro, ele sempre consegue escapar".



trecho do livro O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

coragem...




"Não são as perdas e nem as caídas o que fazem fracassar nossa vida, se não a falta de coragem para levantarmos e seguirmos adiante".


Samael Aun Weor

domingo, 17 de agosto de 2008

é o que me interessa




"A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa".


trecho da música É o que me interessa, do Lenine

sábado, 16 de agosto de 2008

ouse!




"Ouse, ouse... ouse tudo! Não tenha necessidade de nada! Não tente adequar sua vida a modelos, nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém. Acredite: a vida lhe dará poucos presentes. Se você quer uma vida, aprenda ... a roubá-la! Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer. Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso: algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!"



Lou Salomé

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

quem interessa!




"Quando eu olhar pro lado eu quero estar cercado só de quem me interessa".


trecho da música É o que me interessa, do Lenine

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Que bicho me mordeu?




Tati Bernardi


Não sei quem mora aqui. Não tenho idéia do tamanho. Só tenho medo. Muito medo. Medo de de repente, assim, num fim de tarde qualquer, eu morder alguma canela ou sair correndo de quatro. Não sei.

Medo de comer demais, dormir demais, cagar no meio da rua, latir. Morrer de repente. Do corpo não agüentar o tamanho da minha alma. Medo de alimentar demais o bicho, perder forças pra ele. Deixar que ele ganhe de mim, arrebente a coleira. Não sei que bicho é. Não sei se é manso. Não sei. Só sei que evito tudo. Beber, fumar, amar, me drogar, sonhar, viajar, passar muito tempo longe de casa, perder o controle, vomitar, virar do avesso, olhar pra ele. Eu não posso perder o controle, entende? Não posso pois não sei o tamanho do meu bicho.

É tanta raiva, eu sei. Meu bicho perdeu a data da vacina. Um corpo 48, um pé 33 e uma mão menor que a do meu primo de dez anos. Isso é tudo o que eu tenho contra ele. Esse é o tamanho da jaula que arrumaram pra fera. Mas ele quase quebra, quase quebra a jaula o tempo todo. Ele quase bate nas pessoas, atropela os folgados, cospe nos sujos, arranha os safados, vomita nos podres, escalda os enganadores, afoga os que partiram sem que eu deixasse, dilacera os que deixaram de me amar, arregaça os posudos. Quase. É uma luta sobrenatural pra ser humana. Tão forte que quase não consigo. Quase não sou humana.

Como pouco, sinto pouco, nado raso, amo o superficial, bebo só as beiradas, belisco a vida. Tudo para me manter imaculada. Tudo para sentir o mínimo possível o mundano das coisas. Tudo para ser quase desumana de tanto negar a vida. Para negar minhas vontades de bicho. Para jamais me lembrar dele. Eu sempre fico com fome, eu sempre acordo antes do sono acabar, eu sempre paro antes do peito arrebentar, eu sempre sento antes da pressão cair, eu sempre tenho prazer antes de sentir prazer. Eu sempre vou até onde é seguro. Eu tenho medo do meu abismo e da soltura do meu bicho. O que ele pode fazer comigo? O que ele pode fazer com você?

Tenho medo do meu bicho. Medo de ir seja onde for. De nunca mais voltar. De esquecer quem eu sou. Medo de gritar bem alto no meio do restaurante. Chutar carros. Rasgar contratos. Uivar para a lua. Dar o bote. Matar ou morrer por uma questão de sobrevivência. Ranger os dentes. Babar. Enfurecer os olhos. E ligar para aquela amiga falsa e mandar ela a merda. Ela e sua pose de merda. E encontrar o branquelo do outro lado da rua e mugir. E encontrar o garoto sorriso e picar de verdade o seu peito. Fazer ninho em seu coração. Até sangrar. Até que eu possa cantar ali dentro. Para ensurdecer o seu peito de merda. Quero ver quem ganha a briga sem educações e civilidades.

Eu tenho medo do tanto que ele rumina. O tanto que ele jamais perdoa e guarda um mundo de rancor em seu corpo pronto para atacar. O tempo todo. Meu touro pronto a sair chifrando o mundo. Morrendo na frente de gente que torce contra e a favor. Morrendo em praça pública. Tenho medo que meu bicho seja frágil e morra. E de só me restar uma casca, um plástico, uma vida oca.

Talvez eu seja injusta. Talvez ele seja apenas um cão de guarda me guiando cega pelo mundo. Talvez um pássaro louco pra sair voando. Mas tenho medo. Não quero ver a cara dele. Tenho medo dele esquecer que tenho amigos, empregos e gente me julgando o tempo todo. E me fazer bicho. Me fazer implorar carinho, comida, colo. Medo dele andar com o cu por aí, sem roupa, mostrando meu lado sujo pra quem quiser olhar pra baixo. Medo dele avançar, atacar, assustar. Medo dele me comer por dentro e eu sucumbir a essa vida que tanto julga nosso lado animal.

Medo de eu me descontrolar. Calma, monga! Calma! E virar a mulher gorila. E quebrar a jaula e afugentar todo mundo. A Tati é louca. A Tati é estranha. Que medo de ser louca. Que medo de ser estranha. Ela brigou com o namorado, a amiga, a mãe, o dupla, a empregada, a atendente da NET. Ela foi embora antes da hora, ela disse o que sentia, ela fez cara de que estava tudo uma grande merda. Calma, monga. Calma! E quem não briga, quem não é verdadeiro, ao invés de bicho tem o quê? Câncer. Ninguém escapa dessa vida. Nem quem medita. Nem quem compra a maior e a melhor coleira do universo. Ninguém escapa. Nascemos bicho, morremos bicho e passamos a vida com medo de saber que bicho é.

Eu tenho medo dele ser mais forte do que eu. Tenho mais medo ainda dele ser mais fraco. Mas pavor mesmo eu tenho quando é ele quem está com medo. O famoso medo de ter medo. Medo dele entrar em parafuso e eu parecer uma aberração. Solta por aí. Se mijando, se cagando, se vomitando, dizendo que ama, que odeia, sentindo coisas que não parecem muito humanas e ao mesmo tempo são as que nos dão alguma humanidade. Pedindo abrigo, comida, latindo, mugindo, miando, relinchando, coaxando, urgindo, vendo o mundo de quatro, arregaçada no chão, com as tetas inchadas, a barriga pra cima, por um pouco de segurança. Um pouquinho só.

E ele com medo é lama na certa. Ele me maltrata, pula em mim, rouba minha fome, me martela o cérebro latindo mais alto que tudo, arranha meu peito, caga no meu caminho, mija nas minhas certezas … só sossega quando eu volto pra casa, pro equilíbrio, pro centro, pro seguro. Até que eu seja eu novamente. Até que ele possa me soltar para que eu esqueça dele aqui dentro e dos outros lá fora. E siga a dura vida dos bípedes com dores nas costas e dentes grandes.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

não vou me adaptar




Arnaldo Antunes e Nando Reis



Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia,
Eu não encho mais a casa de alegria.
Os anos se passaram enquanto eu dormia,
E quem eu queria bem me esquecia.


Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar.


Eu não tenho mais a cara que eu tinha,
No espelho essa cara já não é minha.
Mas é que quando eu me toquei, achei tão estranho,
A minha barba estava desse tamanho.


Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

distração


Zélia Duncan


Se você não se distrai, o amor não chega
A sua música não toca
O acaso vira espera e sufoca
A alegria vira ansiedade
E quebra o encanto doce
De te surpreender de verdade
Se você não se distrai, a estrela não cai
O elevador não chega
E as horas não passam
O dia não nasce, a lua não cresce
A paixão vira peste
O abraço, armadilha



Hoje eu vou brincar de ser criança
E nessa dança, quero encontrar você
Distraído, querido
Perdido em muitos sorrisos
Sem nenhuma razão de ser
Olhando o céu, chutando lata
E assoviando Beatles na praça
Hoje eu quero encontrar você



Se você não se distrai,
Não descobre uma nova trilha
Não dá um passeio
Não rí de você mesmo
A vida fica mais dura
O tempo passa doendo
E qualquer trovão mete medo
Se você está sempre temendo
A fúria da tempestade


segunda-feira, 11 de agosto de 2008

liga e desliga




"Belezas são coisas acesas por dentro. Tristezas são belezas apagadas pelo sofrimento".


Jorge Mautner

domingo, 10 de agosto de 2008

O efeito da paternidade




Diogo Mainardi


No New York Times, num artigo publicado no último domingo, o jornalista David Carr fez um relato dos tempos em que era um celerado que espancava a mulher, comercializava cocaína e consumia LSD, peiote, maconha, cogumelo, mescalina, anfetamina, Quaalude, Valium, ópio, haxixe e todos os tipos de bebida alcoólica. A paternidade o transformou. Depois de perder a guarda das duas filhas, ele resolveu abandonar as drogas, arranjar um emprego, recuperar a custódia das crianças e garantir-lhes uma vida serena.

Eu sempre fui um pai dedicado. Tenho um bom emprego e garanto uma vida serena aos meus filhos. Hoje, depois de uma semana de férias com os dois, estou prestes a empreender o caminho inverso ao de David Carr, mergulhando no crack, LSD, peiote, maconha, cogumelo, mescalina, anfetamina, Quaalude, Valium, ópio, haxixe e todos os tipos de bebida alcoólica.

A paternidade se tornou um empenho permanente. Fico dia e noite com meus filhos. Falo apenas com lees e sobre eles. O museu é o museu dos meninos. O restaurante é o restaurante dos meninos. De maneira geral, os filhos tiveram esse efeito sobre mim: eles me apequenaram e me embruteceram. Eles ocuparam minha mente como Antônio Conselheiro ocupou Canudos, impondo suas idéias primitivas e suas práticas regressivas. Questões que pareciam definitivamente superadas voltaram a me atazanar. Antes de ter filhos, eu abria um livro e indagava sobre Santo Agostinho. Agora abro um livro e me indago inde está Seymour, o bonequinho de madeira (Seymour, o bonequinho de madeira, está escondido dentro daquele pote cheio de lápis de cor).

Até recentemente, a paternidade era vista como uma atividade trivial, a ser cumprida com naturalidade. Em certos casos, com desprezo. Agora é o oposto: o papel dos pais foi inchado, foi superdimensionado. Virei um behaviorista com meus pequenos Albert, permanentemente engendrando mecanismos para estimular seu desenvolvimento emocional e cognitivo. Minha vida e a de meus filhos são aborrecidas como um programa educacional da TV canadense. Os acontecimentos mais prosaicos acabam ganhando uma utilidade pedagógica. Qual é mais alto: o prédio de tijolos brancos ou o prédio de tijolos vermelhos? Eram dezoito paradas de metrô até Coney Island: se já fizemos sete, quantas paradas ainda faltam? Consegue ler em voz alta o que este blogueiro pilantra escreveu sobre o papai?

Neste momento, meu filho de 7 anos, por algum motivo, quer reconfigurar meu computador. E meu filho de 3 anos, por algum outro motivo, quer dar uma martelada em meu dedo. Onde está a mescalina? (A mescalina deve estar com Seymour, o bonequinho de madeira.)



extraído da Revista Veja, edição 2071, do dia 30 de julho de 2008.

sábado, 9 de agosto de 2008

opressores...




"Quem se curva diante dos poderosos mostra a bunda aos oprimidos".



Millôr Fernandes

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

O Terceiro Travesseiro IV



"É interessante como as pessoas fazem juízo errado de caras como eu. Quando se pensa em alguém assim, logo se imagina que o cara gosta de se vestir de mulher, gosta de ‘dar’ e gosta de qualquer homem, e isso, pelo menos para mim, não é verdade."


trecho do livro O Terceiro Travesseiro, de Nelson Luiz de Carvalho

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

o que quer uma mulher?




"Nunca fui capaz de responder à grande pergunta: o que uma mulher quer?"


Sigmund Freud

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

sobre o vazio





Pedro Neschling



Às vezes o cansaço leva à completa falta de inspiração. O cronista se senta na cadeira em frente à tela vazia, versão moderna da página em branco, e fica horas olhando pra frente buscando um bendito assunto. Que insiste em não vir.

A impressão que se tem é que tudo a sua volta está rindo da situação. É humilhante. Onde foram se meter todos aqueles assuntos que estavam na fila, na cabeça, só esperando para virar palavras conectadas em formas de frases que façam sentido?

O pior é saber que o público não tem tempo a perder lendo bobagens e muito menos vontade de saber das dificuldades do infeliz escritor. Os leitores querem graça, ritmo, novidade. Querem ser agradados e essa, afinal, é a sua função no negócio.

O tempo passa, minutos rapidamente se transformam em horas, a noite clareia num novo dia. E a página lá, vazia, rindo. Ela sabe que venceu.

A frustração gera raiva, um sentimento de incompetência. Tudo parecia tão fácil antes...

Escrever sobre isso seria inútil. Muitos já o fizeram de forma definitiva. Querer explicar a dor impotência é, literalmente, chover no molhado, ser repetitivo, clichê.

O jeito é aceitar que não tem jeito.

Mas o cronista é valente. Ele não pode se entregar. Assumir a derrota o desmereceria de forma irreversível, o transformaria num reles fracassado. Então ele tecla a primeira palavra e reza para que venham as demais.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

O Terceiro Travesseiro III




"A vida é muito estranha, e é uma pena que o vigor físico não seja acompanhado pelo raciocínio lógico da experiência; corpo e mente têm pontos de partida diferentes."



trecho do livro O Terceiro Travesseiro, de Nelson Luiz de Carvalho

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Saudades da minha terra



Sérgio Reis



De que me adianta viver na cidade
Se a felicidade não me acompanhar
Adeus, paulistinha do meu coração
Lá pro meu sertão quero voltar
Ver a madrugada, quando a passarada
Fazendo alvorada começa a cantar
Com satisfação arreio o burrão
Cortando o estradão saio a galopar
E vou escutando o gado berrando
Sabiá cantando no jequitibá

Por nossa senhora, meu sertão querido
Vivo arrependido por ter te deixado
Esta nova vida aqui na cidade
De tanta saudade, eu tenho chorado
Aqui tem alguém, diz que me quer bem
Mas não me convém, eu tenho pensado
Eu digo com pena, mas essa morena
Não sabe o sistema que eu fui criado
Tô aqui cantando de longe escutando
Alguém está chorando com o rádio ligado

Que saudade imensa do campo e do mato
Do manso regato que corta as campinas
Aos domingos ia passear de canoa
Nas lindas lagoas de águas cristalinas
Que doce lembrança daquelas festanças
Onde tinham danças e lindas meninas
Eu vivo hoje em dia sem ter alegria
O mundo judia, mas também ensina
Estou contrariado, mas não derrotado
Eu sou bem guiado pelas mãos divinas

Pra minha mãezinha já telegrafei
E já me cansei de tanto sofrer
Nesta madrugada estarei de partida
Pra terra querida, que me viu nascer
Já ouço sonhando o galo cantando
O inhambu piando no escurecer
A lua prateada clareando a estrada
A relva molhada desde o anoitecer
Eu preciso ir pra ver tudo alí
Foi lá que nasci, lá quero morrer

domingo, 3 de agosto de 2008

sexto sentido



"Um palpite feminino vale cem vezes mais do que uma certeza masculina".


Bruno Mazzeo

sábado, 2 de agosto de 2008

meus personagens...




"Meus personagens não precisam ser de bronze. Aliás, prefiro que sejam de carne e osso".



Fernando Morais

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Memórias Póstumas de Brás Cubas III




"Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá a graça aos vermes."



trecho do livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis

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