segunda-feira, 31 de março de 2008

coisas...





“Há coisas que vão realmente romper limites, e isso me excita.”



Joss Stone

domingo, 30 de março de 2008

Rebecca III




"Os pequenos sons normais de todos os dias. E sem razão alguma um provérbio dos meus tempos de colégio me veio à memória: "O Tempo e a Maré não esperam por ninguém". Essas palavras voltaram-me constantemente ao pensamento. O Tempo e a Maré não esperam por ninguém."



trecho do livro Rebecca, Daphne Du Maurier

sábado, 29 de março de 2008

Não é fácil


Marisa Monte



Não é fácil
Não pensar em você
Não é fácil
É estranho
Não te contar meus planos
Não te encontrar


Todo dia de manhã
Enquanto tomo meu café amargo
É, ainda boto fé
De um dia te ter ao meu lado


Na verdade eu preciso aprender
Não é fácil, não é fácil


Onde você anda
Onde está você
Toda vez que saio
Me preparo pra talvez te ver


Na verdade eu preciso esquecer
Não é fácil, não é fácil


Todo dia de manhã
Enquanto tomo meu café amargo
É, ainda boto fé
De um dia te terá ao meu lado


O que eu faço
O que posso fazer?
Não é fácil
Não é fácil


Se você quisesse ia ser tão legal
Acho que eu seria mais feliz
Do que qualquer mortal


Na verdade não consigo esquecer
Não é fácil
É estranho

sexta-feira, 28 de março de 2008

subdesenvolvimentos...





"Subdesenvolvimento não se improvisa. É obra de séculos".



Nelson Rodrigues

quinta-feira, 27 de março de 2008

como eu gosto...




Thayze Darnieri



Gosto da sua risada, na verdade, gosto da sua boca quando sorri. Gosto do seu olhar enigmático que me diz muito quando não fala nada. Gosto quando se sente feliz, gosto de saber inconscientemente quando está feliz de verdade. Gosto de quando o sol reflete no seu rosto pela manhã. Gosto da distância que inexplicavelmente nos aproxima. Gosto da respiração que precede as revelações dos segredos. Gosto de saber que mesmo ausente fisicamente, de alguma forma, a minha presença se faz necessária. Gosto da raiva que sinto de você quando me decepciona. Gosto de acreditar na sua sinceridade quando fala comigo. Gosto da cumplicidade. Gosto do equilibrio das personalidades. Gosto do seu mal humor repentino. Gosto da segurança que transmite quando fala. Gosto da sua despretensiosa superioridade.


Gosto de ser sozinha. Gosto de estar sozinha. Gosto da facilidade de mudar de idéia, bem como da dificuldade de mudar de opinião. Gosto de ler o que escreve. Gosto de escrever, do prazer louco que sinto em ler os sentimentos. Gosto de sentar na calçada, observar o vai e vem das pessoas e imaginar seus pensamentos. Gosto de falar, gosto de conversar, gosto de dividir experiências, gosto de histórias de família. Gosto de homem, gosto da fragilidade camuflada pela fortaleza, gosto da sensação de segurança, gosto de como pode ser surpreendente uma conversa despretensiosa. Gosto de mulher, gosto da força velada pela sensibilidade, gosto do desenrolar das histórias sem sentido, gosto de como é clichê o mistério.


Gosto da durmência que sinto ao violar regras. Gosto de me sentir correta. Gosto de ajudar. Gosto da maneira pouco usual de encarar a realidade. Gosto de segredos. Gosto de ouvir baixinho. Gosto de gritar. Gosto da pessoa que me torno quando bebo, gosto de não me lembrar do que não vai fazer falta, gosto da amplitude dos sentidos. Gosto da liberdade. Gosto do vento. Gosto de tomar banho de chuva. Gosto da lua. Gosto de sentar no chão. Gosto de correr de mãos dadas. Gosto de tropeçar, gosto de ser desastrada. Gosto de como dão sempre certo as coisas e mesmo quando dão errado, ainda sim ser vitoriosa.


Gosto de pessoas. Gosto da amizade. Gosto do amor, gosto de escolher com quem desejo estar. Gosto de tentar. Gosto dos amigos que não vejo. Gosto ainda mais dos que vejo sempre. Gosto de fechar os olhos para sentir a sua mão tocar os meus cabelos. Gosto sofrer as consequências dos meus atos. Gosto de saber que amor existe. Gosto de saber que sou amada. Gosto de saber que não sou uma única pessoa, por isso, consigo a proeza de estar em vários lugares ao mesmo tempo.


Gosto de não me preocupar com o amanhã. Gosto de lutar pelos meus sonhos. Gosto de aprender, pelo simples fato de estar viva. Gosto de mudar. Gosto de não fazer sentido. Gosto do que todo mundo gosta, gosto também do que ninguém gosta. Gosto de parecer, gosto de ser, gosto de não ser, gosto de inventar. Gosto de brigar quando vale a pena, no entanto, prefiro calar quando passa do divertido. Gosto de viver, mas gosto de procurar sentido. Gosto da sua companhia, gosto de você e gosto muito mais de mim!

meu nome é marisa!

terça-feira, 25 de março de 2008

escolhas diárias




Martha Medeiros



Alguém aí me explica quem resolveu catalogar o mundo? Rotular pessoas? Criar um manual de vida coletivo que mora no imaginário de cada um? Não, não pode! Oh falta do que fazer... Me perdoem a grosseria do termo. Mas é bem isso!


Exagero meu? Um pouco. Sou intensa, exagerada, atrevida, curiosa, doce, ácida, tenho milhões de reticências. Não sou boa com números. Com frases-feitas. E com morais de história. Gosto do que me tira o fôlego. Venero o improvável. Almejo o quase impossível. [...] Tenho um ritmo que me complica. [...] Uma palavra que nunca dorme. Gosto de pensar assim: se a gente faz o que manda o coração, lá na frente, tudo se explica. Por isso, faço a minha sorte. Sou fiel ao que sinto. Aceito feliz quem eu sou. Tenho mudado de humor conforme a lua. Me irritado fácil. Desinteressando-me à toa por algumas casualidades e pessoas.


Recuso-me terminantemente a concordar com a existência de um mundo limitado, colocar uma LOGO na testa, parar de escrever, parar de sonhar, ter uma vida normal (porque é conveniente para o convívio com os outros), e parar de falar o que eu penso. E o que eu penso? Que podemos ser mais. Que temos pré-conceitos demais. Adoramos julgar o outro. Rotular o vizinho, sem olhar pra dentro de nós mesmos. Não nos sentimos capazes de sermos o que somos. De sermos tudo que podemos e queremos. De sentir felicidade plena todos os dias (apesar de sabermos que é difícil, mas não impossível).


Essa felicidade, é sim, tocada e sentida... Isso me basta! Mas não dá nada! Mantenho a pose e prossigo. Mas, bonito mesmo é essa coisa da vida: um dia, quando menos se espera, a gente se supera. E chega mais perto de ser quem – na verdade – a gente é. Peixes fora dágua, sempre acham mares diferentes.

segunda-feira, 24 de março de 2008

batalhas diárias...





"Sejamos bons e depois seremos felizes. Ninguém recebe o prêmio sem primeiro fazer por isso."



Jean-Jacques Rosseau

domingo, 23 de março de 2008

milagre!




"Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo."


Guimarães Rosa

sábado, 22 de março de 2008

tempo...




"É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão. O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem sabe ver."



Gabriel Garcia Marquez

sexta-feira, 21 de março de 2008

Tolerância



Ana Carolina



Como água no deserto
Procurei seu passo incerto
Pra me aproximar
A tempo


O seu código de guerra
E a certeza que te cerca
Me fazem ficar atento


Não me importa a sua crença
Eu quero a diferença
Que me faz te olhar
De frente


Pra falar de tolerância
E acabar com essa distância
Entre nós dois


Deixa eu te levar
Não há razão e nem motivo
Pra explicar


Que eu te completo
E que você vai me bastar


Tô bem certo de que você vai gostar
Você vai gostar


Como lava no oceano
Um esforço sobre-humano
Pra recomeçar
Do zero


Se pareço ainda estranho
Se não sou do seu rebanho
E ainda assim
Te quero


É que o amor é soberano
E supera todo engano
Sem jamais perder
O elo


E é por isso que te espero
E já sinto a mesma coisa em seu olhar


Deixa eu te levar
Não há razão e nem motivo
Pra explicar


Que eu te completo
E que você vai me bastar, eu sei


Tô bem certo de que você vai gostar
Você vai gostar

quinta-feira, 20 de março de 2008

você tem experiência?





Num processo de seleção da Volkswagen, os candidatos deveriam responder a seguinte pergunta: ’Você tem experiência?’ A redação abaixo foi desenvolvida por um dos candidatos. Ele foi aprovado e seu texto está fazendo sucesso, e ele com certeza será sempre lembrado por sua criatividade, sua poesia, e acima de tudo por sua alma.


REDAÇÃO VENCEDORA:


Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar.

Já me queimei brincando com vela.

Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto.

Já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo.

Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista.

Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora.

Já passei trote por telefone.

Já tomei banho de chuva e acabei me viciando.

Já roubei beijo.

Já confundi sentimentos.

Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido.

Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro.

Já me cortei fazendo a barba apressado.

Já chorei ouvindo música no ônibus.

Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer.

Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrela.

Já subi em árvore pra roubar fruta.

Já caí da escada de bunda.

Já fiz juras eternas.

Já escrevi no muro da escola.

Já chorei sentado no chão do banheiro.

Já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante.

Já corri pra não deixar alguém chorando.

Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só.

Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado.

Já me joguei na piscina sem vontade de voltar.

Já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios.

Já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.

Já senti medo do escuro.

Já tremi de nervoso.

Já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial.

Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar.

Já apostei em correr descalço na rua.

Já gritei de felicidade.

Já roubei rosas num enorme jardim.

Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um ’para sempre’ pela metade.

Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol.

Já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.

Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração. E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: ’Qual sua experiência?’. Essa pergunta ecoa no meu cérebro: experiência... experiência... Será que ser ’plantador de sorrisos’ é uma boa experiência? Não! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!

Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta: Experiência? Quem a tem, se a todo momento tudo se renova?

quarta-feira, 19 de março de 2008

terça-feira, 18 de março de 2008

Seiscentos e Sessenta e Seis





A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ªfeira...
Quando se vê, passaram 60 anos...
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio
seguia sempre, sempre em frente...
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...



Mário Quintana

segunda-feira, 17 de março de 2008

Rebecca II





"Faz falta um invento, disse eu impulsivamente, que permita encerrar, enfrascar as memórias, como se faz aos perfumes, para que nunca perdessem o aroma, nunca se deteriorassem. Para que, quando o desejássemos, pudéssemos abrir o vidro e respirar de novo o momento feliz ali conservado".



trecho do livro Rebecca, de Daphne Du Maurier

domingo, 16 de março de 2008

meu eu em você



Victor e Léo


Eu sou o brilho dos teus olhos ao me olhar
Sou o teu sorriso ao ganhar um beijo meu
Eu sou teu corpo inteiro a se arrepiar
Quando em meus braços você se acolheu


Eu sou o teu segredo mais oculto
Teu desejo mais profundo, o teu querer
Tua fome de prazer sem disfarçar
Sou a fonte de alegria, sou o teu sonhar


Eu sou a tua sombra, eu sou teu guia
Sou o teu luar em plena luz do dia
Sou tua pele, proteção, sou o teu calor
Eu sou teu cheiro a perfumar o nosso amor


Eu sou tua saudade reprimida
Sou o teu sangrar ao ver minha partida
Sou o teu peito a apelar, gritar de dor
Ao se ver ainda mais distante do meu amor


Sou teu ego, tua alma
Sou teu céu, o teu inferno a tua calma
Eu sou teu tudo, sou teu nada
Minha pequena, és minha amada
Eu sou o teu mundo, sou teu poder
Sou tua vida, sou meu eu em você


Eu sou a tua sombra, eu sou teu guia
Sou o teu luar em plena luz do dia
Sou tua pele, proteção, sou o teu calor
Eu sou teu cheiro a perfumar o nosso amor


Eu sou tua saudade reprimida
Sou o teu sangrar ao ver minha partida
Sou o teu peito a apelar, gritar de dor
Ao se ver ainda mais distante do meu amor


Sou teu ego, tua alma
Sou teu céu, o teu inferno a tua calma
Eu sou teu tudo, sou teu nada
Minha pequena, és minha amada
Eu sou o teu mundo, sou teu poder
Sou tua vida, sou meu eu em você

sábado, 15 de março de 2008

silêncios...




"Se meu silêncio não te diz nada, minhas palavras lhe serão inúteis"



Autor Desconhecido

sexta-feira, 14 de março de 2008

Não sei quantas almas tenho





Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.



Fernando Pessoa

quinta-feira, 13 de março de 2008

minhas raízes!






"A árvore, para sobreviver ao inverno, precisa que a seiva se concentre na raiz, fazendo cair as folhas; é isto que a faz sobreviver às dificuldades. Assim também é a nossa vida, precisamos de raízes para que possamos sobreviver. E estas raízes são os nossos amigos, que nos sustentam. Temos que viver como os bambus, que só crescem unidos. Se um bambu quiser crescer sozinho, ele não vai resistir à força do vento. É preciso criar raízes na vida de nossos amigos."



Pe Fábio de Melo

quarta-feira, 12 de março de 2008

Rebecca I





"Voltar atrás é impossível. O passado ainda está muito perto de nós, e as coisas que tentamos esquecer nos voltariam a memória, e aquela sensação de medo, de furtiva inquietação, em luta constante para silenciar o pânico desarrazoado - agora vencido graças a Deus! - poderia de uma maneira imprevista tornar-se um companheiro de todos os momentos, como no passado."




trecho do livro Rebecca, de Daphne Du Maurier

terça-feira, 11 de março de 2008

eu!?




"Eu já tenho idade de ser várias coisas, inclusive eu mesma."



Tati Bernardi

segunda-feira, 10 de março de 2008

Para ler antes de dormir




Thaty Hamada



O rádio-relógio marcava meia noite e vinte minutos, ela estava com seu livro de 230 páginas e ele com seu notebook no colo, ambos sentados na cama de casal que mais parecia um quilômetro de colchão. Ela não desfocava os olhos das páginas amareladas e com odor de naftalina, ele esfregava o nariz e se individualizava através dos cálculos, idéias, pensamentos lógicos. Ela não tinha nenhuma lógica, nenhuma idéia, só queria continuar lendo aqueles contos de Rubem Fonseca, enquanto ele, agora, dobrava o joelho e fazia cara de dor, uma caimbra o condenava.


Ela parecia tristemente curiosa em seus pensamentos, afinal o que ele fazia ali naquela tela que não a olhava e não dizia como estava linda naquele pijama de seda vermelho? E ele mexia nos cabelos e se perguntava o que ela lia para não querer abraçá-lo e pedir para que a beije? O tempo corria, já se passaram 4 minutos e eles continuavam com a mesma expressão, ora preocupada ora surpresa.


Ela o olha de canto de olho, como quem paquera um desconhecido na fila ao lado, ele olha para os pés dela que se mexem embaixo do edredom. Ele anseia pelo desejo dela de o desejar intensamente. Ela anseia pela sua atenção e carinho. Os dois fazem alguns movimentos com as mãos, afinal, estava um frio agradável e ambos precisavam de um mínimo de calor.


Até que, apesar do movimento assustador, ele diz suavemente: "Aconteceu alguma coisa?" e ela responde surpreendida: "Não, não aconteceu nada. Por quê?". Ele pensa um pouco, olha pra tela do computador e retruca quase num cochicho: "Só perguntei...", mas ela continua: "Aconteceu alguma coisa?"


"Não, nada não."

"Pode me falar..."

"Eu sei, mas não aconteceu nada."


Silêncio.


Silêncio absoluto durante 5 minutos.


Até que ela voltou a virar as páginas e ele recomeçou sua digitação rápida. Mais 10 minutos de pura concentração e ele não se aguenta: "Por que você lê tanto?", ela o olha fixamente nos olhos que brilhavam à luz do abajur e responde com leveza: "Por que eu gosto, sempre gostei... não se lembra dos versos nas cartas que escrevia a você?" "Claro que me lembro, mas não entendo o porquê de você ler tanto, diariamente, sempre antes de dormir...". Espantada ela marca a página do livro com seu marcador preferido e diz: "Porque virou rotina, talvez assim como nós dois, não acha?".


Silêncio.


Ela abre o livro e sorri com ar de satisfação, mas não dura muito até que ele bruscamente tira o livro de suas mãos, coloca o notebook de lado e a abraça. Pronto, desejo realizado. Ela se sente amada, protegida e feliz. Ele se sente amargurado e cheio de dúvidas, como aquilo, aquela rotina silenciosa se tornou tão incomoda?


Ela o olha e sorri. E ele, enfim, descobre o porquê daquela rotina, aquilo era tudo o que ele sempre sonhou, desde a época de namoro: sentar-se ao lado dela, olhá-la com o livro do dia e vê-la sorrir quando terminado um abraço. Ele retribui o sorriso. Ela diz as três palavrinhas do amor, ele diz quatro com a inclusão do "também".


Ele pega o computador, ela abre o livro...


Ambos se entreolham e sorriem. Estavam felizes, se amavam e isso não era dúvida, afinal dali a 3 minutos, eles iriam apagar as luzes e se abraçar como dois namorados com saudades, pois era o que eles sempre sonharam em viver.

You've Got a Friend



James Taylor

When you're down and troubled
and you need a helping hand
and nothing, ooh, nothing is going right.
Close your eyes and think of me
and soon I will be there
to brighten up even your darkest nights.

You just call out my name,
and you know wherever I am
I'll come running, oh yeah baby
to see you again.
Winter, spring, summer or fall,
all you have to do is call
and I'll be there, yeah, yeah, yeah
You've got a friend.

If the sky above you
should turn dark and full of clouds
and that old north wind should begin to blow
Keep your head together and call my name out loud
and soon I will be knocking upon your door.
You just call out my name,
and you know where ever I am
I'll come running to see you again.
Winter, spring, summer or fall,
all you go to do is call
and I'll be there, yeah, yeah, yeah

Hey, ain't it good to know that you've got a friend?
People can be so cold.
They'll hurt you and desert you.
Well they'll take your soul if you let them.
Oh yeah, but don't you let them.

You just call out my name,
and you know wherever I am
I'll come running to see you again.
Oh babe, don't you know that,
Winter, spring, summer or fall,
Hey now, all you've go to do is call.
Lord, I'll be there, yes Iwill.
You've got a friend.
You've got a friend.
Ain't it good to know you've got a friend.
Ain't it good to know you've got a friend.
You've got a friend.

sábado, 8 de março de 2008

mulheres...




thayze darnieri
maria jéssica janaína marcela heloísa léia rios yohana helen márcia
paula raquel angélica abe alice laura viviane valéria gisele jaqueline samara fernanda marlene rejane claudia mara francisca de jesus ana emily elizabeth érica valquiria gabriella
luana vó hilda érica valquiria gabriella luana priscila ilda amorim helena melissa rafaela poliana fernanda ludmilla bernardes ana emily elizabeth érica valquiria gabriella renata maciel angela luana priscila silvana bernardes alessandra roberta isabela lara silvério aparecida amanda isabel carol adriana ellen cristine aline fabiane franceli carolina antônia mariana ulhoa bárbara andréia brenda cássia celina vitória zélia duncan alba graziele juliana carla amélia clarice lispector bianca dorotéia alexandra cristina eliana patrícia evangelista diana bruna bela thatiana nina mayla silvério yasmim jurema lia clarissa berta cilene luiz margarida daniela isadora adélia prado lídia marli larissa eliene flavia luiz magda thalita elisa glaucia jane ivone luiz camila gladys isaura isabela carolina joana luzia estela linda célia luiz olívia ananda manuela odara grasielle franzol luiza regina clarice nádia mirela bernardes rosa marta paloma nathália coelho mercedes flora nair ana carolina rebeca rita lúcia sandra zélia duncan gisela simone glória sabrina kelly inajara vera selena olga vânia marília bia lívia alzira silvia vanessa izete araújo paola socorro nívea manoela ana clara susy hortência susana sofia marisa monte adelaide tânia remédios úrsula roberta larissa danni carlos ivete mônica chica yara marisa silvério teca isís virginia marina leida pinheiro regiane luciana teresa maria eduarda regiane luciana teresa ana luiza letícia marjorie cândida solange patrícia de jesus branca sheila soraya dália tati bernardi selma magnólia júlia edna luiz madalena sônia enikátia fleury ingrid norma daulcina samanta iris açucena martha medeiros stefany eva zilca alves mirian agnes débora eulália








sexta-feira, 7 de março de 2008

O amor é...





O amor é o sentimento mais extraordinário que coube ao ser humano. Começa antes de nós nascermos e prolonga-se para além da nossa morte. Nesse intervalo experimentamos o amor sob diversas formas. O amor aos pais, aos irmãos, aos avós, aos namorados/as, aos filhos, aos netos, à humanidade, a Deus. São formas de amor diferentes, com intensidades diferentes, mas todas elas fazem parte da pessoa que somos e, sobretudo, da humanidade que somos. O amor, diz-se, move montanhas. Faz-nos ultrapassar limites, quebrar barreiras, conseguir o impossível. Alimenta a arte, a literatura, a música - a vida. E é bom ver que uma das formas mais arrebatadoras do amor, aquela que nos leva querer fundir-nos com de corpo e alma com outra pessoa, se prolonga tanto como nas nossas vidas.




Sofia Barrocas, Notícias Magazine

fonte: Sitio Peludo
http://sitiopeludo.blogspot.com/

quinta-feira, 6 de março de 2008

Ensaio sobre a cegueira III





"... agora somos todos iguais perante o mal e o bem, por favor, não me perguntem o que é o bem e o que é o mal, sabíamo-lo de cada vez que tivemos de agir no tempo em que a cegueira era uma exceção, o certo e o errado são apenas modos diferentes de entender a nossa relação com os outros, não a que temos com nós próprios, nessa ação há que fiar, perdoem-me a prelecção moralística, é que vocês não sabem, não podem saber, o que é ter olhos num mundo de cegos, não sou rainha, não, sou simplesmente a que nasceu para ver o horror, vocês sentem-no, eu sinto-o e vejo-o, e agora ponto final na dissertação, vamos comer. Ninguém fez perguntas, o médico só disse, Se eu voltar a ter olhos, olharei verdadeiramente os olhos dos outros, com se estivesse a ver-lhes a alma, A alma, perguntou o velho da venda preta, Ou o espírito, o nome pouco me importa, foi então que, surpreendentemente, se tivermos em conta que se trata de pessoa que não passou por estudos adiantados, a rapariga dos óculos escuros disse, Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos."



trecho do livro Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago

quarta-feira, 5 de março de 2008

pecado?







"Odeie o pecado e ame o pecador".




Mahatma Gandhi

terça-feira, 4 de março de 2008

desejo e reparação





Thayze Darnieri



Sempre são muito complicadas adaptações cinematográficas de obras literárias, o feito de transpor uma história escrita com suas nuances para a tela com a devida proporção é tarefa para cabeças criativas e competentes. Confesso falar sem propriedade, por desconhecer o conteúdo do livro Reparação, de Ian McEwan, meu arrebatamento efêmero na porta do cinema foi pelo crédito do diretor ser o mesmo de Orgulho e Preconceito, esse sim, agora com o justo merecimento, visto que li o livro e vi o filme, e julgo que ambas se completam harmoniosamente, adaptado com o devido mérito e sem o alarde da mídia. Imaginei que por se tratar também de uma adaptação e ter Keira Knightley no elenco já eram motivos suficientes para o meu encanto, entratanto, outros pontos transformam um enredo que teria tudo para ser espetacular e entusiasmante numa história sem sal.

Briony, a figura central de toda história, tanto que é por ela e por causa dela que tudo acontece, é um ser pertubador como todas as crianças-adultas, portadoras de um aparente norte seguro, mas que no fundo possuem uma engrenagem fora do lugar. O sentimento de Briony por reconhecimento é tão forte, perceptível nos primeiros momentos do filme, que desencadeia uma inveja corrosiva de Cecília, sua irmã, que julga ser extremamente inerte para merecer todos os elogios. Em consequência desse sentimento produz dentro do seu imaginário uma paixonite por Robbie, cujo o coração já pertence a Cecília, inicialmente participa como ávida telespectadora dessa história de amor ainda não consumada. No entanto, a vida lhe proporcina a oportunidade de destruir pela raiz o amor que tanto a atormenta, uma vez que Briony não é pessoa de deixar os descuidos da vida por pouco, se aproveita do engano de Robbie para conseguir o que realmente qurer.

Contudo, causa da imaturidade ou cegueira perante os sentidos não percebe as irremediáveis consequências de um ato impensado, e desde então vive em reparar o seu erro, em destruir duas vidas que mal descobriram o amor. Nesse ponto o filme começa a ficar confuso e em alguns trechos sem nexo, apenas no final que percebe-se verdadeiro intuito e arrependimento de Briony.
.
A intriga alude a reflexão das improvaveis consequências que um ato impensado, sobretudo, egoísta pode ocasionar. Geralmente, revogamos na classe dos fatos imutáveis, acontecimentos pertencentes ao acaso, externos a ação de qualquer ser humano, todavia, quando se resigna a acontecimentos provocados por outras pessoas, é difícil retorná-los a classe do indiferente. Não obstante, é impossível saber se tais ações poderiam ser evitadas, pois como saber antes do ocorrido se o fato só é consciente após a inevitabilidade de algo concreto.
.
Por fim, considero-me agraciada pelo brilhantismo juvenil de Saoirse Ronan, que teve merecida indicação, mas mais do que isso seria exagero. E ainda, a presença atuante de James McAvoy, visto que outros personagens tão importantes quanto ele ao contexto do romance desaparacem. Evidentemente, não poderia deixar de comentar o título do filme em português, que apesar de válido o ponto de análise tenta transformar o autor numa espécie de Jane Austen, visto que Desejo e Reparação é algo que toma face como sendo da autoria de Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade, no entanto, dessa vez o romance termina antes do final feliz.

segunda-feira, 3 de março de 2008

força para viver!




"Não acredito em honestidade sem acidez, sem dieta e sem úlcera."



Nelson Rodrigues

domingo, 2 de março de 2008

do seu jeito





Martha Medeiros



"IVE LIVED A LIFE THAT'S FULL/I'VE traveled each and every highway/But more, much more than this/I've lived it my way".



Este é um verso de "My way", canção que foi imortalizada por Frank Sinatra e que também foi gravada pelo Sex Pistols e por Nina Hagen. É a história de um cara que viajou, amou, riu e chorou como todo mundo, mas fez isso do jeito dele. Numa sociedade cada vez mais padronizada, esta letra deveria virar hino nacional.


Abro revistas e encontro fórmulas prontas de comportamento: como ser feliz no casamento, como ter uma trajetória de sucesso, como manter-se jovem. Resolve-se a questão com meia dúzia de conselhos rápidos. Para ser feliz no casamento, todo mundo deve reinventar a relação diariamente. Para ter uma trajetória de sucesso, todo mundo deve ser comunicativo e saber inglês. Para manter-se jovem, todo mundo deve parar de fumar e beber. Todo mundo quem, cara pálida?


Todo mundo é um conceito abstrato, uma generalização. Ninguém pode saber o que é melhor para cada um. Fórmulas e tendências servem apenas como sinalizadores de comportamento, mas para conquistar satisfação pessoal pra valer, só vivendo do jeito que a gente acha que deve, estejamos ou não enquadrados no que se convencionou chamar "normal".


O casamento é a instituição mais visada pelas "fórmulas que servem para todos". Na verdade, todos convivem com o casamento desde a infância. Nossos pais são ou foram casados, e por isso acreditamos saber na prática o que funciona e o que não funciona. Só que a prática era deles, não nossa. A gente apenas testemunhou, e bem caladinhos. Ainda assim, a maioria dos noivos diz "sim" diante do padre já com um roteiro esquematizado na cabeça, sabendo exatamente os exemplos que pretende reproduzir de seus pais e os exemplos a evitar. Porém, não tiveram os mesmos pais, e nada é mais diferente do que a família do vizinho. Curto-circuito à vista.


É mais fácil imitar, seguir a onda, fazer de um jeito já testado por muitos e, se não der certo, tudo bem, até reações de angústia e desconsolo podem ser macaqueadas, nossas dores e nossos medos muitas vezes são herdados e a gente nem percebe, amamos e sofremos de um jeito universal. Agir como todo mundo é moleza. Bendito descanso pra cabeça: é uma facilidade terem roteirizado a vida por nós. Mas, cedo ou tarde, a conta vem, e geralmente é salgada.


Fazer do seu jeito - amores, moda, horários, viagens, trabalho, ócio - é uma maneira de ficar em paz consigo mesmo e, de lambuja, firmar sua personalidade, destacar-se da paisagem. Claro que não se deve lutar insanamente contra as convenções só por serem convenções - muitas delas nos servem e, se nos servem, nada há de errado com elas. Estão aí para facilitar nossa vida. Mas se não facilitam, outro jeito há de ter. Um jeito próprio de ser alguém, em vez de simplesmente reproduzir os diversos jeitos coletivos de ser mais um.


Jornal O Globo - 13/02/2005

sábado, 1 de março de 2008

o saber da sabedoria




"O saber a gente aprende com os mestres e com os livros. A sabedoria, se aprende com a vida e com os humildes."


Cora Coralina

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