sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

reflexos de você




Thaís SBA



Eu te enxergaria a distância... e mesmo assim com alguma coisa subentendida.

Eu te veria através, misteriosamente escondido por trás da própria transparência.

Eu te roubaria num beijo, como aqueles beijos que nascem num segundo eterno e morrem antes da eternidade.

Eu te ganharia num toque, como aqueles toques com trilha sonora de fundo, acompanhados de um olhar vindo de baixo para cima.

Mas como as únicas coisas no mundo que não são nossas são as pessoas e como eu não te roubo em um beijo e sequer te ganho num toque, e muito menos te olho nos olhos, me contento em respirar teu perfume, contemplar teu sorriso e sentir teu mistério no espaço entre nós dois.

Silencioso como silencia a morte, encantador como encanta a vida.

Teu sorriso ilumina um mistério regado a não sei o quê. Um fluido de dúvidas e curiosidade, que aumentam mais e mais ao deparar-se com a contradição que são teus olhos.

Suave como um suspiro e suplicante como uma prece.

Apagando os raios solares com as lágrimas e renascendo uma manhã com um coração vazio e fascinante.

Cristal muito mais que lapidado e muito mais brilhante do que o próprio brilho.

Teu olhar é tão triste que chega a doer na alma.

E teu sorriso é tão puro que chega a escorrer no sangue.

Eu ficaria horas só falando de você.

E você lá do outro lado com o coração ocupado em amar um alguém.

Gosto de você.

Gosto de você como se gosta de um fim de tarde de quadro.

Gosto de você como se gosta de um sonho sem fim.

Gosto de você como se gosta de um retrato do céu.

Gosto de você como gosta a brisa dos mares.

Gosto de você como a lua gosta do amor.

Fixaram você como tatuagem de luz lá no peito.

Perturbadora e angelical.

Assim é tua índole.

Destruidora e doente.

É o gosto desesperador da tua ausência.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Aumente um ponto




Tati Bernardi


Monto ao meu modo cada pedaço da história, conto ao meu jeito, reinvento meus momentos. Tenho medo de passar despercebida ou ser foco de distração.

Clareio meus negritos, rasgo minhas películas.

Eu me vejo essa mulher cheia de parágrafos, mas desconfio das percepções alheias. Tenho medo de que pulem minhas linhas ou cheguem rápido demais ao ponto final.

Não sei virar páginas, ainda que tenha as minhas viradas todos os dias.

Só minha capa é dura, por dentro adoraria ser devorada.

Onde existo inteira é fantasia da minha mente: o mundo não me enxerga e tampouco eu através dele.

Sou um conto e nem sei se meu.

Me conte aí pra ver se existo.

E se eu calar, acabar, for chata ou impossível de ser lida até o final?

Eu bem arrumada e escovada desfilo simplesmente: às vezes o enredo é tão superficial que nem eu quero saber meu final.

Nos diálogos de conquista, solto sempre uma besteira enorme e, por uma analogia às loiras burras do cinema antigo, me torno atraente e acessível.

Mas não tente comer papel, que embrulha o estômago.

Sou conto, não sou mulher.

Sexy como uma mulher nua em revista.

Interessante como entrevista.

Fútil como fofoca.

Prolixa como notícias que são sempre iguais.

Sou breve na vida das pessoas, pois em essência sou engraçada, leve e de mentira como uma crônica.

Sou três pontinhos, exclamação e interrogação. Tudo junto. Para os mais corajosos.

Sou romance, mas não costumo durar para a segunda edição.

Sou mistério: sofrido, complicado e melhor deixar para lá. Mas sempre uma pulga atrás da orelha de quem lê. No que vai dar isso tudo?

Na minha orelha, você leria: menina que não sabe se existe, sabe que ama, mas não sabe o quê, o porquê e até quando.

Sabe que é amada, mas faz de conta que não, porque é um livro de faz de contas.

Sabe que é feliz, mas faz de conta que não, para ser drama.

Complica tudo para transformar a vida num livro de aventuras.

Não sou auto-ajuda, porque quem pensa ter as respostas vive preso a elas.

Espero ansiosamente ser cabeceira de alguém especial, pois não agüento mais tantas traças.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Não entendo





Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.



Clarice Lispector

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

meninos e meninas



Legião Urbana




Quero me encontrar, mas não sei onde estou
Vem comigo procurar algum lugar mais calmo
Longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita
Tenho quase certeza que eu não sou daqui


Acho que gosto de São Paulo
Gosto de São João
Gosto de São Francisco e de São Sebastião
E eu gosto de meninos e meninas


Vai ver que é assim mesmo e vai ser assim pra sempre
Vai ficando complicado e ao mesmo tempo diferente
Estou cansado de bater e ninguém abrir
Você me deixou sentindo tanto frio


Não sei mais o que dizer
Te fiz comida, velei teu sono
Fui teu amigo, te levei comigo
E me diz: pra mim o que é que ficou?


Me deixa ver como viver é bom
Não é a vida como está, e sim as coisas como são
Você não quis tentar me ajudar
Então, a culpa é de quem? A culpa é de quem?


Eu canto em português errado
Acho que o imperfeito não participa do passado
Troco as pessoas
Troco os pronomes


Preciso de oxigênio, preciso ter amigos
Preciso ter dinheiro, preciso de carinho
Acho que te amava, agora acho que te odeio
São tudo pequenas coisas e tudo deve passar


Acho que gosto de São Paulo
E gosto de São João
Gosto de São Francisco e de São Sebastião
E eu gosto de meninos e meninas

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

mesmo assim!?



"Amigo é aquele que sabe tudo a seu respeito, e, mesmo assim, ainda gosta de você."


Kin Hubbard


domingo, 24 de fevereiro de 2008

saudades




'' ... Saudade é amar um passado que ainda não passou,
É recusar um presente que nos machuca,
É não ver o futuro que nos convida ... ''

Pablo Neruda

sábado, 23 de fevereiro de 2008

não te esqueças!




"Sofre, mas serve e segue. Se te falharam todos os recursos de proteção do mundo, não te esqueças de que tens contigo a escora infalível de Deus."


Emmanuel

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Sexta-Feira




Dyego Spindola


Toda sexta-feira já estava combinado. Futebol às sete, logo depois uma cerveja com os amigos e em seguida balada, porque ninguém é de ferro.

Naquela sexta eu havia acordado com uma baita ressaca. A noite de quinta com suas doses de tequila e suas loucuras conjugais haviam me deixado derrubado, fisicamente e moralmente! Mais fazer o quê?? Prometi pra mim mesmo: “De hoje em diante não bebo mais”... Ah se promessas de bêbado tivessem valia, seriam desfeitas no primeiro surto de lucidez.

Saí do trabalho estressadíssimo, não agüentava a Dona Vera me enchendo o saco por causa dos famosos relatórios mensais de faturamento. Mas tinha uma coisa boa: se tinha relatórios tinha grana, já que recebo meu mísero ordenado no último dia útil do mês, e se é pra relaxar que seja hoje: Sexta-feira!! Dia mundial dos trabalhadores, competentes ou não.

O Marcelo e o Antônio nem apareceram no futebol, já chegaram no famoso Bar do Vandu’s, bêbados. Bem ao menos eu tinha a certeza: - Há mais loucos do que eu!! Cheguei pedi o de sempre: cerveja gelada e um torresminho... E ali foram-se horas e horas de conversa jogada fora. Após a décima garrafa de “essência de cevada”, (é essência de cevada, cerveja se tornou muito vulgar!!), onde eu já não distinguia se havia mulher bonita ou feia, surge na mesa ao lado um ser de cabelos longos e loiros de um perfume doce que chamava atenção de todos! Eu!! Burro, tapado, inocente, caio na besteira de apostar em mim mesmo! “coisa que eu não faço!! não cumpro com quase nada!! há não ser com a pensão do meu filho”... Levanto da mesa, bato no peito e digo à meus companheiros:

- Se eu não beijar essa mulher, bebo todo vinho desse bar, e vocês sabem, eu odeio vinho!

Maldita hora! Perdi a sanidade mental que me restava... Creio que nem lúcido conseguiria ganhar a “loira cheirosa”, muito menos bêbado como um alambique!!

Tomei um fora! E que sorte a minha! Ela ainda foi educada...

Aposta feita... Tinha que cumprir! Pior que perder uma aposta é não cumprir com o combinado! Depois da terceira, terceira?? É acho que terceira ou quarta garrafa daquele horrível suco de uva não me lembrava nem do meu nome...

Acordei ao meio-dia de um sábado ensolarado, um esparadrapo na coxa e outro no antebraço... Desesperado!

De hoje em diante eu juro: - Não bebo mais!!.... nem mais, nem menos!!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Um deus chamado Ego




Tati Bernardi


Dizem pra você respirar, contar até três, acalmar o fígado, a mente, o peito.

E que a felicidade só existe na alma, jamais na mente, jamais no ego. A mente é doente, como a própria palavra diz, quem vive nela é “demente”. E o ego, um diabinho de cinco anos que a gente carrega nos ombros. Ele nos faz nos curvarmos para os nossos próprios desejos não realizados. E viver com essa aparência cansada ou submissa. É uma criança mimada e teimosa.

E dizem pra gente entregar tudo isso na terra. E alongar o corpo. E soltar a última molécula de oxigênio ainda presa, como o passado ou um frame de vida mal resolvido, atravancando nosso espírito. Solte o ar, solte o ar. Deixe ir.

E dizem pra gente acalmar nossos batimentos, curar nossos ódios, matar nossas vinganças. E deixar a vida nos levar.

Tudo isso é lindo. É magnífico. Vai melhorar sua pele. Seu cabelo. Seu sono. Vai colocar um sorriso lindo e pleno no seu rosto. As pessoas vão arrumar menos encrenca com você no trânsito e na vida ou, talvez, as pessoas continuem iguais, mas você nem as perceba mais.

Você está se iluminando. Parabéns!

Acredito muito em tudo isso, tanto que faço aulas de yoga, de meditação e pratico todas as coisas acima. Mas, assim como o próprio Buda nos ensinava o caminho do meio, cá estou eu para defender um pouco de maldade em nossos corações. A velha, boa, benfeitora e incontrolável maldade.

É uma pitada de ódio no meu peito e não a calmaria da paz que me faz levantar às oito da manhã, todos os dias, para malhar a bunda. Eu malho a bunda porque odeio as modeletes saradas que querem roubar meus machos e não porque sou irmã espiritual delas nesse cosmos chamado existência. Graças ao meu ego e à minha raiva por seres mais esteticamente abençoados é que estou ficando mais saudável e com o corpo melhor a cada dia. Viva o ego!

É com um pouquinho de inveja das pessoas que têm carros altos, coberturas com piscinas ou casas lindas e bem longe do caos que eu mantenho 456 empregos ao invés de ficar abraçando árvores. Sim, eu acredito que dinheiro traz felicidade. Ou vai me dizer que do alto ou de longe os problemas não lhe parecem menores?

O ego é sim um monstro. Já me roubou paz em muitas noites e alegria em muitas manhãs. Eu cresci com ele soprando no meu ouvido que ainda não estava bom. Nunca estava bom. Eu poderia ser mais. Mais bonita, mais inteligente, mais rica, mais politicamente engajada, mais criativa, mais engraçada, mais cheirosa, mais esperta.

Ao longo desses anos ele me judiou como ninguém. Mãe, pé na bunda de namorado e amigo falso são fichinhas perto do que meu ego é capaz de fazer comigo. Aliás, quando sofro por qualquer coisa ou por qualquer pessoa, não sofro por nenhuma dessas coisas, mas sim pelo que elas causam nele, no maldito ego. E ele, em contrapartida e vingativo, causa em mim.

Mas hoje eu olho pra ele e não vejo mais um monstro de mil cabeças. Eu vejo uma criancinha assustada, de cinco anos, meio gordinha, meio dentuça, com medo de ser feia. Uma garotinha que me judiou muito ao longo da vida, mas que hoje eu só quero abraçar e agradecer. Foi ela que me trouxe até aqui.

Foi ela que me deu meus empregos que eu amo, o poder de escrever tudo o que eu penso e ser lida, o dinheiro para comprar as coisas que eu preciso, a garra para continuar com todos os meus sonhos e nunca deixar de sonhar.

E essa garotinha (ou meu ego, tanto faz) não é nem um pouco boazinha. Ela carrega coisas feias, mesquinhas, sujas e mal educadas em seu coração. Mas é ela, quem diria, que, depois de conquistar algumas coisas e evoluir um pouco, me disse esses dias que ainda não está bom. Nunca está bom. Eu posso ser ainda mais feliz. Eu posso me amar ainda mais. E só isso.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

caminhos?




"E se não achar meu caminho, basta-me crer procurá-lo de coração".



Honestino Guimarães

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

ojos así



Shakira



Ayer conocí un cielo sin sol
Y un hombre sin suelo
Un santo en prisión
Y una canción triste sin dueño

Ya he ya he ya la he
Y conocí tus ojos negros
Ya he ya he ya la he
Y ahora si que no
Puedo vivir sin ellos yo

Le pido al cielo solo un deseo
Que en tus ojos yo pueda vivir
He recorrido ya el mundo entero
Y una cosa te vengo a decir
Viaje de bahrein hasta beirut
Fui desde el norte hasta el polo sur
Y no encontré ojos así
Como los que tienes tú

Rabboussamai fikarrajaii
Fi ainaiha aralhayati
Ati ilaika min hatha lkaaouni
Arjouka labbi labbi nidai
Viaje de bahrein hasta beirut
Fui desde el nuerte hasta el polo sur
Y no encontré ojos así
Como los que tienes tú

Ayer vi pasar una mujer
Debajo de su camello
Un río de sal un barco
Abandonado en el desierto

Ya he ya he ya la he
Y vi pasar tus ojos negros
Ya he ya he ya la he
Y ahora si que no
Puedo vivir sin ellos yo

Le pido al cielo solo un deseo
Que en tus ojos yo pueda vivir
He recorrido ya el mundo entero
Y una cosa te vengo a decir
Viaje de bahrein hasta beirut
Fui desde el norte hasta el polo sur
Y no encontré ojos así
Como los que tienes tú


Rabboussamai fikarrajaii
Fi ainaiha aralhayati
Ati ilaika min hatha lkaaouni
Arjouka labbi labbi nidai
Viaje de bahrein hasta beirut
Fui desde el norte hasta el polo sur
Y no encontré ojos así
Como los que tienes tú


Le pido al cielo solo un deseo
Que en tus ojos yo pueda vivir
He recorrido ya el mundo entero
Y una cosa te vengo a decir
Viaje de bahrein hasta beirut
Fui desde el norte hasta el polo sur
Y no encontré ojos así
Como los que tienes tú

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

vida nova!




"Hoje é o primeiro dia do resto de nossas vidas."

Charles Dederich

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Ensaio sobre a cegueira II





"A culpa foi minha, chorava ela, e era verdade, não se podia negar, mas também é certo, se isso lhe serve de consolação, que se antes de cada acto nosso nos puséssemos a prever todas as consequências dele, a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar. Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma forma bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles, infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-lo, para congratular-nos ou pedir perdão, aliás, há quem diga que isso é que é a imortalidade de que tanto se fala."


trecho do livro Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago


sábado, 16 de fevereiro de 2008

Eu sou a lenda





"A ficção para ser purificadora precisa ser atroz. O personagem é vil para que não o sejamos. Ele realiza a miséria inconfessa de todos nós".


Nelson Rodrigues




Sem grandes pretenções e muito menos credenciais, apenas como uma mera amante do cinema, aventuro-me em "criticar" este filme que me deliciei em ver. Justo pelo prazer de assistir algo que surpreendentemente corresponde as suas expectativas, Eu sou a lenda se adequa perfeitamente nesse raro apontamento. Essencialmente, por não estar dentro das minhas preferências cinematográficas, pelo falo de não me adaptar tão facilmente a presença de monstros (ou melhor, mutações extremamentes ferozes de seres humanos e animais), que certamente resultarão em mim eventuais sustos. Entretanto é pela exata proporção de figuras assustadoras, cuja a plástica não deforma os traços humanos, em equilíbrio com atroz humanidade do enredo, por fim, converteu-se em um contexto inacreditavelmente plausível.

Will Smith, mais uma vez perfeito, demonstra em cenas cotidianas banais o beco sem saída na qual Robert Neville se meteu, tão magistral que é praticamente impossível não se colocar em seu lugar, totalmente sozinho na imensidão de New York onde lhe cabe o título solitário - Salvador do Mundo. Para tanto, a presença da cachorra Sam como figura inerente a trama, remete-me automaticamente ao sr. Wilson, a bola de Náufrago, ou seja, a personagem se faz mais importante pelo seu significado do que pela simples presença, bem como, o primordial suporte dramático implícito ao elemento em um filme que por pouco não é um monólogo.

Fácil observar, também, sem carácter religioso, que a história nasce em decorrência da prepotência da ciência como solução para todos os males, contudo, sem jamais anular seus méritos. No entanto, nesse caso, as consequências são desastrosas pela maneira pouco criteriosa que a cura é diagnosticada e tomada como verdade absoluta. Lógico, que por se tratar de ficção, tal situação dificilmente seria transportada para o mundo real, entretanto, por se passar em um futuro não muito distante, a iminência da realidade induz refletir sobre a efetiva possibilidade de algo igualmente assustador assolar a Terra.

Sobretudo, a trilha sonora principal foi o quesito mais encantador, conferido ao carisma natural do Bob Marley, que funcionou perfeitamente como artifício para abrandar os ânimos após os momentos de turbulência, funcionando, por vezes, quase como um personagem. Todavia, confesso que boa parte a minha inclinação seja devido a igual identificação do personagem com a música.

Enfim, uma história de suave provocação, que instiga a velha reflexão a cerca das mazelas do mundo atual, e ainda, em possibilidades futuras de forma contundente. A dor da lucidez anunciada diante da insanidade humana...


Thayze Darnieri

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Ensaio sobre a cegueira I




Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.

Livro dos Conselhos


Epígrafe do livro Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

para viver um grande amor




"Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor"


Vinícius de Moraes

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

marca registrada!




"Um dia sem risada é um dia desperdiçado."



Charles Chaplin

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Lacunas de mim





Thaty Hamada

Não sei o porquê, mas sinto que meu cérebro está maior. Sabe quando dói ficar pensando em certas coisas? Parece que isso incha, preenchendo todo o espaço de emoção e sensibilidade que existe na massa cinzenta. Começou ontem a noite, quando de uma simples resposta surgiram milhões de sensações estranhas, rodeadas de pensamentos chulos, inúteis, desproporcionais. Quantas vezes pararei na faixa de pedrestes e me perguntarei: será que eu vivo mesmo? ...

Esse espaço entre a razão de ser e o estado de dever é que me mutila.

O vermelho da roupa me faz lembrar da infância, o brinco novo me deixa melhor, os cabelos estão mais compridos, meus pés ainda estão gelados. E tudo isso porque você não vem logo, porque eu não me venho logo. A difícil compreensão de pensar tanto e ser tanto num momento um tanto pequeno, cinco segundos, eu diria. O desprazer de às vezes ser quem sou e ao mesmo tempo me sentir aliviada por não ser outra. A triste sensação do medo que corrói aos poucos aquilo que está fixo, imutável durante o tempo que eu quiser. O grande e afetuoso abraço que desejo todos os dias e nunca o tenho. O desespero da minha escolha por uma vida desregrada que por fim se tornou normativa demais. A virtuosa palavra que sai sempre quando estou assim: Por quê?

Esse espaço entre o desejo de ter a capacidade de entender e de pensar um pouco menos é que me aflige.

Acho que estou cheia de emoção desvairada, de saudade anestesiada, de coração pulsante e de vontade de chegar logo o dia em que me espelharei em mim mesma. E aí não medirei meu humor pelo estado das minhas unhas, não mesmo.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

O que vem...




"... Tudo isso não quer dizer em uma poesia de uma poeta sem dom de escrever, mas de alguém que sente, e que tente chegar na tua mente, e que chegue e você não percebe. Te peço, acorde!
O amor é lindo até demais, não destrói o carinho de alguém, se você é capaz de amar, ele só te engrandece..."


trecho do texto O que vem..., de Angélica Abe

domingo, 10 de fevereiro de 2008

pequenezas!




"A inveja é a homenagem que o medíocre presta ao mérito."



José Ingenieros

sábado, 9 de fevereiro de 2008

isso


Titãs




Isso!
Que acontece com a gente
Acontece sempre
Com qualquer casal
Isso!
Ataca de repente
Não respeita cor
Credo ou classe social
Isso! Isso!...

Parecia que não ía
Acontecer com a gente
Nosso amor era tão firme
Forte e diferente...

Não vá dizer
Que eu não avisei você
Olha o que vai fazer
Não vá dizer...

Não adianta mesmo reclamar
Acreditar que basta
Apenas se deixar levar
Isso!
Que atrapalha nossos planos
Derrubou o muro
Invadiu nosso quintal
Isso!
Passam-se os anos
Sempre foi assim
E será sempre igual
Isso! Isso!...

Parecia que não ía
Acontecer com a gente
Nosso amor era tão firme
Forte e diferente...

Não vá dizer
Que eu não avisei você
Olha o que vai fazer
Não vá dizer...

Isso! Isso!...

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Orgulho e preconceito




"... mas o Sr. Darcy, o amigo, logo chamou sobre si as atenções do salão pela sua alta e elegante estatura, os traços formosos e o porte desenvolto, correndo célere, cinco minutos após a sua entrada, o rumor de que ele possuia rendimentos no valor de dez mil libras anuais. Os cavalheiros classificaram-no como um belo tipo de homem, as senhoras declararam ser ele bem mais formoso que o Sr. Bingley, e ele foi longamente admirado, até os seus modos deixarem transparecer um enfado que muito afetou a sua popularidade. A partir desse momento consideraram-no um orgulhoso e pedante, longe de se mostrar divertido, e nem as suas extensas prosperidades no Derbyshire o impediram de ter uma expressão sinistra e desagradável e ser indigno de comparação com o amigo.
O Sr. Bingley em breve tinha feito conversa a todas as principais pessoas na sala. Alegre e animado, dançou todas as danças, lamentou o baile terminar tão cedo e falou em ele próprio realizar um em Netherfield. Tais qualidades, só por si, falavam. E que contraste entre ele e o seu amigo! O Sr. Darcy dançou apenas uma vez com a Sra. Hurst e outra com a Menina Bingley, recusou ser apresentado a qualquer outra jovem e passou o resto da noite passeando pelo salão, conversando ocasionalmente com um ou outro do seu grupo. O seu caráter estava definido. Era o homem mais orgulhoso e desagradável do mundo, e todos esperavam que ele não mais voltasse ao seu convívio. Entre as pessoas mais inflamadas contra ele contava-se a Sra. Bennet, cuja antipatia pelo seu comportamento geral se avivara num ressentimento particular por ele ter desdenhado uma das suas filhas."


trecho do livro Orgulho e Preconceito, de Jane Austen

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

A procura da pessoa mágica





Tati Bernardi


Ontem mesmo falei uma coisa que ninguém entendeu. Ninguém. E era assim, como se pode dizer, uma coisa boa. Não que eu seja um gênio ou melhor do que os outros. Mas eu tenho coisas boas que se perdem por aí única e exclusivamente porque falta nesse mundo, ao menos no meu, a pessoa mágica.

Já nem faço mais tanta questão que seja o pai dos meus filhos. Comecei a apelar. Pode ser um amigo, uma amiga, um cachorro, um sapo. Qualquer ser que entenda minhas coisas boas e que me dê aquele olhar de “é, aquele cara é realmente bizarro” ou “é, eu sei de que cena do filme você está falando” ou ainda “sei bem que dor é essa, tipo uma angústia numa parte do peito que nem existe, sei bem”.

A pessoa mágica já chegou a mim de algumas maneiras. Mas se perdeu completamente, provando que mágica é tudo mentira mesmo. Porque eu não faço questão de muita coisa nessa vida. Já aceitei o trânsito, já aceitei minha bunda não ser igual à da Juliana Paes, já aceitei o mala do ex-namorado não me querer nem com todos os meus personagens juntos tentando alegrar seu mundo. Já aceitei tudo. Menos viver sem a pessoa mágica.

Mas estou falando da pessoa verdadeiramente mágica. Aquela que não enfia a varinha no meu peito depois e diz “hey, deixei seu mundo menos idiota por um tempo, mas a verdade é que sou falso, medíocre e adoro te ver na sua lama existencial”.

Não é pedir muito. Um ser. Apenas um. Pode ser até uma coisa pior do que sapo e cachorro: pode ser um amigo da internet. Pode ser nerd. Feio. Mal vestido. Não, pensando bem não pode não. A pessoa mágica tem que se vestir bem, cheirar bem, viver bem ou ao menos buscar isso (porque looser fazendo ironia inteligente não é autêntico, o cara foi ver sitcom na casa do primo melhor de vida e decorou as falas. Péssimo.) e ser real. Pensando bem a pessoa mágica tem que ser muito, muito incrível. Onde é que estão as pessoas muito incríveis?

Até tem. Eu até tenho alguns amigos e conhecidos um pouco mágicos. Eu tenho um que é a melhor pessoa do mundo para conversar de livros e filmes. Tenho uma outra perfeita para falar de relacionamentos e fazer ironias contra pessoas chatas e bregas. Tenho um que é perfeito para falar das dores da alma do lugar no peito que nem existe. Tenho a pessoa mágica para me dar prazer. Tenho a pessoa mágica para me lembrar quem eu sou na essência.

Talvez não exista a pessoa 100% mágica. Justamente para a gente poder ter várias pessoas, justamente para a gente ver um pouco de magia em tudo.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

O conto dos três irmãos






Era uma vez três irmãos que estavam viajando por uma estrada deserta e tortuosa ao anoitecer. Depois de algum tempo, os irmãos chegaram a um rio fundo demais para vadear e perigoso demais para atravessar a nado. Os irmãos, porém, eram versados em magia, então simplesmente agitaram as mãos e fizeram aparecer uma ponte sobre as águas traiçoeiras. Já estavam na metade da travessia quando viram o caminho bloqueado por um vulto encapuzado.

E a Morte falou. Estava zangada por terem lhe roubado três vítimas, porque o normal era os viajantes se afogarem no rio. Mas a Morte foi assusta. Fingiu cumprimentar os três irmãos por sua magia, e disse que cada um ganhara um prêmio por ter sido inteligente o bastante para lhe escapar.

Então, o irmão mais velho, que era um homem combativo, pediu a varinha mais poderosa que existisse: uma varinha que sempre vencesse os duelos para seu dono, uma varinha de um bruxo que derrotara a Morte! Ela atravessou a ponte e se dirigiu a um velusto sabugueiro na margem do rio, fabricou uma varinha de um galho de árvore e entregou-a ao irmão mais velho.

Então, o segundo irmão, que era um homem arrogante, resolveu humilhar ainda mais a Morte e pediu o poder de restituir a vida aos que ela levara. Então a Morte apanhou uma pedra da margem do rio e entregou-a ao segundo irmão, dizendo-lhe que a pedra tinha o poder de ressuscitar os mortos.

Então, a Morte perguntou ao terceiro e mais moço dos irmãos o que queria. O mais moço era o mais humilde e também o mais sábio dos irmãos, e não confiou na Morte. Pediu, então, algo que lhe permitisse sair daquele lugar sem ser seguido por ela. E a Morte, de má vontade, lhe entregou a própria Capa da Invisibilidade.

Então, a Morte se afastou para um lado e deixou os três irmãos continuarem a viagem e foi o que eles fizeram, comentanto, assombrados, a aventura que tinham vivido e admirando os presentes da Morte.

No devido tempo, os irmãos se separaram, cada um tomou um destino diferente.

O primeiro irmão viajou uma semana ou mais e, ao chegar a uma aldeia distante, procurou um colega bruxo com quem tivera uma briga. Armado com a varinha de sabugueiro, a Varinha das Varinhas, ele não poderia deixar de vencer o duelo que se seguiu. Deixando o inimigo morto no chão, o irmão mais velho dirigiu-se a uma estalagem, onde se gabou, em altas vozes, da poderosa varinha que arrebatara da própria Morte, e de que a arma o tornava invencível.

Na mesma noite, outro bruxo aproximou-se sorrateiramente do irmão mais velho enquanto dormia em sua cama, embriagado pelo vinho. O ladrão levou a varinha e, para se garantir, cortou a garganta do irmão mais velho.

Assim, a Morte levou o primeiro irmão.

Entrementes, o segundo irmão viajou para a própria casa, onde vivia sozinho. Ali, tomou a pedra que tinha o poder de ressuscitar os mortos e virou-a três vezes na mão. Para sua surpresa e alegria, a figura de uma moça que tivera esperança de desposar antes de sua morte precoce surgiu instantaneamente diante dele.

Contudo, ela estava triste, como que separada dele por um véu. Embora tivesse retornado ao mundo dos mortais, seu lugar não era ali, e ela sofria. Diante disso, o segundo irmão, enlouquecido pelo desesperado desejo, matou-se para poder verdadeiramente se unir a ela.

Então, a morte levou o segundo irmão.

Embora a Morte procurasse o terceiro irmão durante muitos anos, jamais conseguiu encontrá-lo. Somente quando atingiu uma idade avançada foi que o irmão mais moço despiu a Capa da Invisibilidade e deu-a de presente ao filho. Acolheu, então, a Morte como uma velha amiga e acompanhou-a de bom grado, e, iguais, partiram desta vida.


trecho do livro Harry Potter e as Relíquias da Morte, de J. K. Rowling

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

sabedoria de vida!




"A vida não é a que gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la"


Gabriel García Márquez

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

ah, o tempo!




"O tempo é muito lento para os que esperam. Muito rápido para os que tem medo. Muito longo para os que lamentam. Muito curto para os que festejam. Mas, para os que amam, o tempo é eterno."



William Shakespeare

domingo, 3 de fevereiro de 2008

águas de março



Elis Regina

É pau é pedra
É o fim do caminho
É um resto de toco
É um pouco sozinho

É um caco de vidro
É a vida é o sol
É a noite é a morte
É um laço é o anzol

É peroba do campo
É o nó da madeira
Caingá, Candeia
É o matita-pereira

É madeira de vento
Tombo da ribanceira
É um mistério profundo
É o queira ou não queira

É o vento ventando
É o fim da ladeira
É a viga é o vão
Festa da Cumeeira

É a chuva chovendo
É conversa ribeira
Das águas de março
É o fim da canseira

É o pé é o chão
É a marcha estradeira
Passarinho na mão
Pedra de atiradeira

É uma ave no céu
É uma ave no chão
É um regato é uma fonte
É um pedaço de pão

É o fundo do poço
É o fim do caminho
No rosto um desgosto
É um pouco sozinho

É um estrepe é um prego
É uma ponta é um ponto
É um pingo pingando
É uma conta é um conto

É um peixe é um gesto
É uma prata brilhando
É a luz da manhã
É o tijolo chegando

É a lenha é o dia
É o fim da picada
É a garrafa de cana
Estilhaço na estrada

É o projeto da casa
É o corpo na cama
É o carro enguiçado
É a lama é a lama

É um passo é uma ponte
É um sapo é uma rã
É um resto de mato
Na luz da manhã

São as águas de março
Fechando o verão
E a promessa de vida
No teu coração

É uma cobra é um pau
É João é José
É um espinho na mão
É um corte no pé

São as águas de março
Fechando o verão
É a promessa de vida
No teu coração

É pau é pedra
É o fim do caminho
É um resto de toco
É um pouco sozinho

É um passo é uma ponte
É um sapo é uma rã
É um belo horizonte
É uma febre terçã

São as águas de março
Fechando o verão
É a promessa de vida
No teu coração

-Pau, -Edra, -Im, -Inho
-Esto, -Oco, -Ouco, -Inho
-Aco, -Idro, -Ida, -Ol
-Oite, -Orte, -Aço, -Zol

São as águas de março
Fechando o verão
É a promessa de vida
No teu coração

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Cem anos de solidão II




"O primeiro da estirpe está amarrado a uma árvore e o último está sendo comido pelas formigas."



trecho do livro Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

O assunto clichê, que não cansa ninguém, nem a mim nem a você




Thaís SBA


Por amor a gente se humilha, a gente quebra o orgulho, a gente muda o conceito, a gente respira difícil, a gente esquece da gente.
Por amor, a gente finge, a gente se engana, a gente se ilude, a gente se força a viver ou a gente acaba com a própria vida, corta os pulsos, toma remédios que infelizmente não nos mataram, e graças a Deus que não nos mataram.
Por amor, a gente quebra as promessas que fizemos, a gente vai para onde nunca fomos, a gente apela para quem nunca apelou.
Por amor, a gente mente pra Deus, a gente beija o diabo, a gente tenta fazer amor com quem não ama, a gente beija quem não quis beijar.
Por amor a gente se aproxima do céu e ao mesmo tempo do inferno. Por amor a gente odeia, porque o ódio é um amor que ficou doente, mas ainda assim, é amor.
Por amor, a gente fica mais legal para não sentir a dor que definha os ossos, os músculos, o sangue.
Por amor, a gente quebra as coisas ou a gente não se move por mais de uma hora. Por amor a gente procura não ficar parado um segundo sequer para não pensar no nosso amor.
Por amor nos tornamos anjos e assassinos, divinos e amaldiçoados, sensatos e ridículos. Por amor somos dois extremos. Por amor não sabemos quem somos. Por amor enfrentamos o mundo e nos ajoelhamos ante à ele, dando-nos como fracos.
Por amor a gente colhe flores, ou a gente as destroça nas mãos.
Por amor, quantos já não foram enterrados e outros renascidos. Quantos já não foram libertos e quantos não foram banidos? Quantos já não oraram e quantos já não choraram? Quantos litros de amor já não foram derramados sobre as malhas e não se enterraram na areia? Por amor, quanta coisa já não foi feita para ocupar a mente, quantos já não foram tolos, cretinos, dementes? Quantos não se mutilaram? Quantos já se odiaram? Quantos acordaram à noite e quantos que nem dormiram?
Quantas gotas de álcool? Gramas de nicotina? Tarja preta ou novalgina?
Quantos espelhos quebrados e copos reduzidos à cacos. E quantos porta-retratos não foram despedaçados?
Amor, a que me obrigas? Dor em diversas barrigas, frutos do nosso ventre! O quanto nos faz divinos e o quanto não nos faz gente?
Amor, que quando vidas gerou. E quantas delas tirou.
Amor que enternece os maus e que atraiçoa o são. Peso nos nossos pés, chagas nas nossas mãos. Que floresce flores nos túmulos e enaltece o nosso caixão.
Quantos homens por ti se despediram? E mulheres que jamais partiram? E crianças que já nasceram e outras nem se tornaram?
E por mais demônios e dementes, por mais frutos e sementes, por mais presos e animais, o amor nos faz escravos e ao mesmo tempo libertos. Faz-se tudo de errado, porém nada mais que o certo.
Nos faz santos e profanos
Nos faz acertos e enganos
E é por isso e nada mais, que nos tornamos humanos.

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