quarta-feira, 31 de outubro de 2007

o amor de Deus

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"O amor explicou cada coisa.
O amor resolveu tudo para mim.
É por isso que admiro o amor onde quer que se encontre.
Se o amor é tão bom e simples...
Se sentimos saudade e nostalgia...
Então eu entendo por que Deus aprecia as pessoas simples...
Cujos os corações são puros mas não sabem expressar o amor.
Deus veio de longe... e Ele parou a um passo do vazio... perto de nossos olhos.
Talvez a vida seja uma onda de surpresas...
Uma onda maior do que a morte.
Não tenha medo. Nunca!"





João Paulo II

terça-feira, 30 de outubro de 2007

chatterton

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Ana Carolina e Seu Jorge







Sangue, sangue, sangue...



Chatterton suicidou
Kurt Cobain suicidou
Getúlio Vargas suicidou
Nietzsche enlouqueceu
E eu não vou nada bem
Não vou nada bem



Chatterton suicidou
Cléopatra suicidou
Isocrátes suicidou
Goya enlouqueceu
E eu não vou nada bem
Não vou nada bem
Não vou nada bem...



Chatterton suicidou
Marco Antonio suicidou
Cleópatra (foda-se) suicidou
Schumann enlouqueceu
E eu (puta que pariu!)
Não vou nada bem
Não vou nada bem



Suicidou...
Todo mundo que vocês estão pensando aí...
Tiro no pé (suicidou) deram tiro no pé
Não vou nada bem...
Puta que pariu!

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

imaginação

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Em momentos de crise, só a imaginação é mais importante que o conhecimento.



Albert Einstein

domingo, 28 de outubro de 2007

destino

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Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão.




Fernando Pessoa

sábado, 27 de outubro de 2007

eternidade

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Se você morrer antes de mim, pergunte se pode levar um amigo.




Stone Temple Pilots

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

cuidador do fogo

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Victor e Léo



O fogo não pode apagar
Por aqui devo permanecer
Ao seu lado sou mais que um simples alguém

Essa chama que insiste em chamar
Pelo meu nome sem se render
Rodeado de estrelas
Bebo sem te esquecer

Sou um curandeiro louco
Sou o cuidador do fogo
Sou alguém que pede pra você me acender

Acenda a minha escuridão
Me mostre o seu clarão
Diga logo que me quer
Só eu sei acender seu fogo de mulher

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

enfermidade

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O trágico não vem a conta-gotas.



Guimarães Rosa

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Super Trouper

Benny Andersson, Björn Ulvaeus

Super Trouper beams are gonna blind me
But I won't feel blue
Like I always do
'Cause somewhere in the crowd there's you
I was sick and tired of everything
When I called you last night from
Glasgow All I do is eat and sleep and sing
Wishing every show was the last show
(Wishing every show was the last show)
So imagine I was glad to hear you're coming
(Glad to hear you're coming)
Suddenly I feel all right
(And suddenly it's gonna be)
And it's gonna be so different
When I'm on the stage tonight
Tonight the
Super Trouper lights are gonna find me
Shining like the sun
(Super Trouper)
Smiling, having fun
(Super Trouper)
Feeling like a number one
Tonight the
Super Trouper beams are gonna blind me
But I won't feel blue
(Super Trouper)
Like I always do
(Super Trouper)
'Cause somewhere in the crowd there's you
Facing twenty thousand of your friends
How can anyone be so lonely
Part of a success that never ends
Still I'm thinking about you only
(Still I'm thinking about you only)
There are moments when
I think I'm going crazy
(Think I'm going crazy)
But it's gonna be alright
(You'll soon be changing everything)
Everything will be so different
When I'm on the stage tonight
Tonight the
Super Trouper lights are gonna find me
Shining like the sun
(Super Trouper)
Smiling, having fun
(Super Trouper)
Feeling like a number one
Tonight the
Super Trouper beams are gonna blind me
But I won't feel blue
(Super Trouper)
Like I always do
(Super Trouper)
'Cause somewhere in the crowd there's you
So I'll be there when you arrive
The sight of you will prove to me
I'm still alive
And when you take me in your arms
And hold me tight
I know it's gonna mean so much tonight
Tonight the
Super Trouper lights are gonna find me
Shining like the sun
(Super Trouper)
Smiling, having fun
(Super Trouper)
Feeling like a number one
Tonight the
Super Trouper beams are gonna blind me
But I won't feel blue
(Super Trouper)
Like I always do
(Super Trouper)
'Cause somewhere in the crowd there's you

terça-feira, 23 de outubro de 2007

imortalidade

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Embora se seja homem e mortal, não se deve ter sentimentos humanos e mortais, mas é preciso se imortalizar dentro do possível e viver de acordo com o mais excelente que há em nós, ainda que seja uma exígua porção de nossa realidade.





Aristóteles

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

A força da influência feminia

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Thayze Darnieri



Somos todos iguais perante Deus e a lei. No entanto, essa não foi uma conquista de um dia, lutou-se bastante para alcançar esse patamar. Para tanto, a mulher detém em seu DNA a batalha pela isonomia, visto que foram anos de trabalho árduo para atingir o status de igualdade perante a supremacia masculina.


Fácil testemunhar como mulher batalhadora nos dias de hoje, enquanto mulher do mundo contemporâneo. Sem desmerecer os esforços e dificuldades enfrentadas pela mulher atual, entretanto, é com destreza que vivência experiências antes inimagináveis e sem o peso do olhar punitivo da sociedade. Quando se imaginaria mãe sem marido, ou sendo chefe de um homem em profissão privativamente masculina, ou simplesmente se divorciando, no entanto, são vitórias possíveis pela força de trabalho da mulher no mundo capitalista.


Não obstante, o papel da mulher no trabalho não era bem visto, mas assim mesmo participavam ativamente de todas as áreas. A mulher fez, portanto, a figura do elemento obstrutor do desenvolvimento social, quando, na verdade, é a sociedade que estabeleceu obstáculos para realização plena da mulher.


Enfim, perante o domínio instituído pela causa feminina, os obstáculos foram regulados a medida das necessidades da ordem operante na sociedade competitiva. Com isso, finalmente, a mulher adquiriu a sua tão sonhada liberdade para viver a sua maneira e não apenas como sombra do homem.


domingo, 21 de outubro de 2007

efeito espelho

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"O outro é uma modificação do meu eu".


(E. Husserl)




Empatia consiste na capacidade que um indivíduo tem de colocar-se no lugar do outro. Talvez seja a chave-mestra dos relacionamentos duradouros e da tolerância. Mas como se faz pra gente tentar encarnar o espírito naquelas "categorias" de pessoas que simplesmente incomodam?



Comecemos pela ex do seu namorado. Dói saber que a gente não foi o primeiro em muita coisa, que o seu dito cujo amou e foi amado. E não vai adiantar tentar odiar e menina por pura inveja. In-ve-ja sim. Porque a verdade é que você não queria estar no lugar dela, o que seria apenas cobiça (E é bem possível que você amasse outra pessoa enquanto eles estavam juntos.) Inveja, porque é simplesmente o sentimento de não querer que o outro tenha algo. Ciúme? Ciúme é querer manter o que se têm, minha filha. E sabemos que "ciúme retroativo" não é apenas questão de manutenção.


Por outro lado, como será que você se sentiria ao ver alguém que gostou (Pode conjugar esse verbo para o presente, se assim desejar.) com outra? Poucos são os dotados da nobreza (Ou indiferença) de desejar um sincero "seja feliz sem mim" e talvez ninguém o seja. Sempre que olhamos a nova "conjugue" daquele... Daquele, lembra? Então, sempre que a avistamos não pensamos: "Eu sou melhor que ela porque sou melhor na cama" ou "O cabelo dela é feio"ou "O QI dela equivale o de uma ameba"? O fato é que o cara está com a Dona Ameba e não com você. E não importa se ele disse que "ia amar você pra sempre" porque não teve a coragem de dizer um "Adeus" e resolveu tacar você no banco das reservas. Porque é bem verdade que quando a gente repara bem direitinho na vida desses torturadores de plantão que juram amor eterno e vão embora das nossas vidas, o que a gente encontra é um banco de reservas lotado de pobres meninas, que, como nós, odiaremos a próxima e aguardamos novamente a nossa reentrada em campo.


É muito fácil acreditar que voce está com o melhor homem do mundo e que todas as ex dele odeiam você e são apaixonadas por ele. Deve ser um excelente tônico pra crescer auto-estima, mas nem sempre é verdade e a "ré" em questão pode estar apenas tentando ser legal e se redimir pelo pé na bunda que acertou o bom-moço. E quem sabe ela não fez um bem danado, não é graças a ela que ele aprendeu que quem não dá assistência abre pra concorrência e trate sua pessoa' "pão-de-ló" por isso?


Aliás, tentando aproximar nossas pobres almas da "Madre Teresa de Calcutá", qual o problema de ela dar em cima do seu namorado? Será que ela não é apenas menos falsa do que aquela criaturinha dócil que se diz amiga, foi peguete do cara, tem um casinho pelo qual se diz apaixonada, mas é só virar de costas que ela manda uma gracinha? Todo mundo tem o direito de tentar ser feliz com quem deseja, certo? Talvez ela seja só mais corajosa que algumas que passarão a vida sentadas à espera das idealização que fazem sobre aqueles "seres-perfeitos" que continuarão para sempre platônicos, pois elas nunca se aproximarão. Não sugiro que trate a menina como sua melhor amiga, mas sim educação e elegância. Como todo mundo deve ser.


Não, não é nem um pouco bonito (E nem católico, eu diria.) juntar um bando de amigas bêbadas pra dar uma maltratada na menina, seja ela a anterior ou a próxima depois de você, porque provavelmente você já conhece o sofrimento de estar nessa posição. Como diria o Herbert Vianna, "vai sempre ter alguém, com mais dinheiro mais respeito, mais ou menos tudo que se pode ter. Vai sempre sobrar, faltar, alguma coisa, somos imperfeitos e o que falta sobra pro que já se tem". Talvez você seja a mais linda, mais sexy e etc, etc, mas talvez o relacionamento deles dê mais certo porque ela aceita que ele jogue futebol de botão no sábado à noite. E ela não é uma tremenda duma bundona por isso, nem você é malvada. As pessoas são apenas diferentes. A única coisa que não vale é ser cruel.




sábado, 20 de outubro de 2007

brincadeiras

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Se você tivesse acreditado nas minhas brincadeiras de dizer verdades, teria ouvido verdades que teimo em dizer brincando. Eu falei muitas vezes como palhaço, mas nunca desacreditei da seriedade da platéia que sorria.



Mário Quintana

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

pessoa perfeita?

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Aprendemos a amar não quando encontramos a pessoa perfeita, mas quando conseguimos ver de maneira perfeita uma pessoa imperfeita.




Sam Keen

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

dia de pessoa especial!

foto: Vitor Veríssimo



Não sei se, com excepção da sabedoria, os deuses imortais ofereceram ao homem alguma coisa melhor que a amizade.




Cícero

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

gostar e querer





Posso até fazer as coisas que eu não goste, mas nunca vou fazer as coisas que eu não quero.



Autor Desconhecido

terça-feira, 16 de outubro de 2007

respostas

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"Se eu pudesse deixar algum presente à você, daria além do pão, o trabalho. Além do trabalho, a ação. E, quando tudo mais faltasse, um segredo: o de buscar no interior de si mesma a resposta e a força para encontrar a saída..."




Gandhi

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

sozinha no mundo?

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"...eu sofro sendo assim, eu sofro porque, quando você acha mais da metade do mundo babaca, você passa muito tempo sozinho."



Tati Bernardi

domingo, 14 de outubro de 2007

insistência!

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As coisas não mudam, nós é que mudamos. O início de um hábito é como um fio invisível, mas cada vez que o repetimos o ato reforça o fio, acrescenta-lhe outro filamento, até que se torna um enorme cabo e nos prende de forma irremediável, no pensamento e ação.





Orison Swett Marden

sábado, 13 de outubro de 2007

Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus

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A sociedade quer definir o que é certo. São quatro loucuras da sociedade. A primeira é instituir que todos têm de ter sucesso, como se ele não tivesse significados individuais. A segunda loucura é: Você tem de estar feliz todos os dias. A terceira é: Você tem que comprar tudo o que puder. O resultado é esse consumismo absurdo. Por fim, a quarta loucura: Você tem de fazer as coisas do jeito certo. Jeito certo não existe. Não há um caminho único para se fazer as coisas. As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade. Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito. Tem gente que diz que não será feliz enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento. Você pode ser feliz tomando sorvete, ficando em casa com a família ou com amigos verdadeiros, levando os filhos para brincar ou indo a praia ou ao cinema. Quando era recém-formado em São Paulo, trabalhei em um hospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes. Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte. A maior parte pega o médico pela camisa e diz: "Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei a vida inteira, agora eu quero aproveitá-la e ser feliz". Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada. Ali eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas. Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis ou ações, mas sim de ter esperado muito tempo ou perdido várias oportunidades para aproveitar a vida.




ISTOÉ
Roberto Shinyashiki

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Características de Libra

Elemento - ar
Regente - Vênus
Dia da semana - sexta-feira
Cores - rosa e verde claro
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Libra é momento em que se troca os frutos colhidos na natureza. Portanto é o primeiro signo social, a metade do zodíaco, aonde aprendemos a nos relacionar. Libra é o signo de ar voltado para a busca de sua identidade através das relações com os outros. Libra tem sempre dois caminhos e pesa na sua balança para depois decidir. Se você é libriano(a) sabe disso, que tomar decisões é algo difícil pois você leva em consideração as posições de todas as pessoas envolvidas. Por isso é que começa aqui o princípio de justiça, equilíbrio e proporção. Nasce daí também um interesse e habilidade para lidar com artes em geral, com senso estético incomum e equilíbrio de cores, ritmos e formas. Deriva daí também a preocupação com o social, o papel social, os valores aprovados pela sociedade, os direitos humanos, que se refletem numa necessidade de agradar, de ser aceito e de encontrar aprovação e apreciação social. Tem senso de justiça e direitos humanos acima da média, como simboliza a própria balança. A busca pelos relacionamentos, faz você funcionar muito melhor em parceria, ter grande motivação para buscar companhia e complementariedade nas suas atividades em geral, querer uma relação perfeita, justa e ideal, com os mesmos direitos para ambos os lados, seja esta realação de cunho pessoal, afetivo ou profissional. Por isso, você tem forte aptidão para lidar com o público ou para conhecer, cuidar, atender e entender o outro. Você busca harmonia e equilíbrio em tudo, aprecia o conforto e precisa viver cercado de beleza. Gosta de movimento, lugares públicos, atraentes, mas não gosta de barulho, conflitos, grosserias, aborrecimentos e brigas porque eles o desequilibram. Tem muito charme, boa aparência e refinamento naturais, além de capacidade de seduzir, criar laços, cativar, ser amável e agradável. Compreende o sexo oposto, é estratégico, conciliador, diplomático, podendo chegar aos extremo de se tornar oportunista, hipócrita e instável. Deve atentar para a indecisão, a tendência a não querer se comprometer e a fazer concessões, engolir desaforos e fingir para não abrir mão de um relacionamento do qual se tornou dependente.
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Palavra-chave: RELACIONAR-SE.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Triz...



Tati Bernardi


Eu quase consegui abraçar alguém semana passada. Por um milésimo de segundo eu fechei os olhos e senti meu peito esvaziado de você. Foi realmente quase. Acho que estou andando pra frente.


Ontem ri tanto no jantar, tanto que quase fui feliz de novo. Ouvi uma história muito engraçada sobre uma diretora de criação maluca que fez os funcionários irem trabalhar de pijama. Mas aí lembrei, no meio da minha gargalhada, como eu queria contar essa história para você. E fiquei triste de novo.


Hoje uma pessoa disse que está apaixonada por mim. Quem diria? Alguém gosta de mim. E o mais louco de tudo nem é isso. O mais louco de tudo é que eu também acho que gosto dele. Quase consigo me animar com essa história, mas me animar ou gostar de alguém me lembra você. E fico triste novamente.


Eu achei que quando passasse o tempo, eu achei que quando eu finalmente te visse tão livre, tão forte e tão indiferente, eu achei que quando eu sentisse o fim, eu achei que passaria. Não passa nunca, mas quase passa todos os dias.


Chorar deixou de ser uma necessidade e virou apenas uma iminência. Sofrer deixou de ser algo maior do que eu e passou a ser um pontinho ali, no mesmo lugar, incomodando a cada segundo, me lembrando o tempo todo que aquele pontinho é um resto, um quase não pontinho.


Você, que já foi tudo e mais um pouco, é agora um quase. Um quase que não me deixa ser inteira em nada, plena em nada, tranqüila em nada, feliz em nada.


Todos os dias eu quase te ligo, eu quase consigo ser leve e te dizer: “Ei, não quer conhecer minha casa nova?” Eu quase consigo te tratar como nada. Mas aí quase desisto de tudo, quase ignoro tudo, quase consigo, sem nenhuma ansiedade, terminar o dia tendo a certeza de que é só mais um dia com um restinho de quase e que um restinho de quase, uma hora, se Deus quiser, vira nada. Mas não vira nada nunca.


Eu quase consegui te amar exatamente como você era, quase. E é justamente por eu nunca ter sido inteira pra você que meu fim de amor também não consegue ser inteiro.


Eu quase não te amo mais, eu quase não te odeio, eu quase não odeio aquela foto com aquelas garotas, eu quase não morro com a sua presença, eu quase não escrevo esse texto. O problema é que todo o resto de mim que sobra, tirando o que quase sou, não sei quem é.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

...

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um não. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo...
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Fernando Pessoa

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Tabacaria

Álvaro de Campos
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
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Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
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Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
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Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
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Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
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Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
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(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
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Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
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(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
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Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
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Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
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Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
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Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
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Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
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Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
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Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
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Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
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(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

quase sem querer

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Legião Urbana



Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso.
Só que agora é diferente:
Estou tão tranquilo
E tão contente.
Quantas chances
desperdicei
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada p'ra ninguém.
Me fiz em mil pedaços
P'ra você juntar
E queria sempre achar
Explicação p'ro que eu sentia.
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir p'ra si mesmo
É sempre a pior mentira.
Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saber tudo.
Já não me preocupo
Se eu não sei porquê
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê
E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.
Tão correto e tão bonito
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos.
Sei que às vezes uso
Palavras repetidas
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?
Me disseram que você
estava chorando
E foi então que percebi
Como lhe quero tanto.
Já não me preocupo
Se eu não sei porquê
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê
E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu quero o mesmo que você

domingo, 7 de outubro de 2007

acima do sol

.


Skank

Assim ela já vai
Achar o cara que lhe queira
Como você não quis fazer


Sim, eu sei que ela só vai
Achar alguém pra vida inteira
Como você não quis

Tão fácil perceber
Que a sorte escolheu você
E você cego nem nota

Quando tudo ainda é nada
Quando o dia é madrugada
Você gastou sua cota

Eu não posso te ajudar
Esse caminho não há outro
Que por você faça

Eu queria insistir
Mas o caminho só existe
Quando você passa

Quando muito ainda pouco
Você quer infantil e louco
Um sol acima do sol

Mas quando sempre e sempre nunca
Quando ao lado ainda e muito mais longe
Que qualquer lugar

Outro dia ela já vai
Achar o cara que lhe queira
Como você não quis fazer

Sim, eu sei que ela só vai
Achar alguém pra vida inteira
Como você não quis

Se a sorte lhe sorriu
Porque não sorrir de volta
Você nunca olha a sua volta

Não quero estar sendo mal
Moralista ou banal
Aqui está o que me afligia

Ôo, um dia ela já vai
Achar o cara que lhe queira
Como você não quis fazer

Sim, eu sei que ela só vai
Achar alguém pra vida inteira
Como você não quis

sábado, 6 de outubro de 2007

sozinha

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"E ninguém é eu, e ninguém é você. Esta é a solidão."




Clarice Lispector

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Signal Fire

Vídeo da música Signal Fire, do Snow Patrol que faz parte da trilha sonora do filme Homem Aranha 3. [com legenda]

"The perfect words never crossed my mind..."

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

um amigo!

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"Enquanto se tenha ao menos um amigo, ninguém é inútil"



Robert Louis Stevenson

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Não te amo

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Não te amo, quero-te: o amar vem d'alma.
E eu n'alma --- tenho a calma,
A calma --- do jazigo.
Ai! não te amo, não.


Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida --- nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!


Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.


Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?


E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.


E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.





Almeida Garrett

terça-feira, 2 de outubro de 2007

ausência do amor

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"A causa de todas as doenças, sejam físicas, sejam psíquicas, é a impotência de sentimento. Desde o câncer no seio até a brotoeja, tudo é falta de amor."





Nelson Rodrigues

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

A alegria na Tristeza

Martha Medeiros
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O título desse texto na verdade não é meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se "Alegría de la tristeza" e está no livro "La vida ese paréntesis" que, até onde sei, permanece inédito no Brasil.

O poema diz que a gente pode entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la.

Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir.

Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora.

Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento.

Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.

Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada.

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