domingo, 30 de setembro de 2007

felicidade

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"A felicidade não é um destino. É um método de vida."





Burton Hills

sábado, 29 de setembro de 2007

perdão!

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"Se você prestar atenção você vai ver que as pessoas que mais te perdoaram são as que mais te amam, porque o amor não vive sem o perdão."





Pe. Fábio de Melo

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

amor incondicional

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"...O amor, como sentimento, é incondicional sempre - ou não é amor por definição. Talvez seja apenas carinho, amizade, partilha... Ou seja lá o nome que se dê. A AÇÃO de amar é que não é incondicional. Posso amar alguém e será incondicional. Mas, a expressão deste amor é que pode depender do relacionamento, ou seja, do que a outra pessoa oferece, ou faz. Matadores que estão na penitenciária ainda recebem visitas de suas mães, que os amam, mas isso não quer dizer que elas farão o que eles pedirem. Você entende? Posso amar até sozinho, sem nenhuma reciprocidade, por causa da própria definição de amor. Entretanto, relacionamentos em geral exigem, sim, ações condicionais. Mas, não podemos misturar o relacionamento com o sentimento, ou vira tudo um "negócio". Se a métrica do amor for apenas o "cada um tira o que deseja", basta um dos dois não poder oferecer algo e "acaba" o amor."
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Autor Desconhecido

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

mãos atadas

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Zélia Duncan





Tenho as mãos atadas ao redor do meu pescoço
Eu queria mesmo era tocar seu corpo
Reprimo meus momentos
Jogo fora os sentimentos e depois?
Depois toco meu corpo eu tenho frio
Sou um louco amargurado e até vazio
E me chamam atenção
Mas eu sou louco é de paixão e você?
Você que me retire desse poço
Eu sei ainda sou moço pra viver
E te ver assim tão crua
A verdade é toda nua
E ninguém vê



Eu tenho as mãos atadas sem ação
E um coração maior que eu para doar
Reprimo meus momentos
Jogo fora os sentimentos sem querer
Eu quero é me livrar
Voar
Sumir
Perder não sei, não sei, não sei querer mais
A qualquer hora é sempre agora chora
Quero cantar você
Vou fazer uma canção
Liberte o meu pensar
Aperte os cintos pra pousar
Agora é hora de dizer
Muito prazer sorte ou azar e amar
Simplesmente amar você

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

espectador de mim mesmo

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Tenho uma espécie de dever de sonhar sempre, pois, não sendo mais, nem querendo ser mais, que um espectador de mim mesmo, tenho que ter o melhor espectáculo que posso. Assim me construo a ouro e sedas, em salas supostas, palco falso, cenário antigo, sonho criado entre jogos de luzes brandas e músicas invisíveis.







Fernando Pessoa

terça-feira, 25 de setembro de 2007

fálica




Tati Bernardi



Clarice era uma mulher fálica. E o que fazer com essa nova informação? Usar isso para o quê? Comer uma mulher? É, não seria uma má idéia para ela que estava cansada de atrair homens "xânicos".

Explico, calma. Clarice, uma publicitária de 31 anos, tinha acabado de descobrir na sua terapia que era uma mulher com pinto. Não na vida real, na vida comportamental. Resumindo: ela se comportava, em alguns muitos casos, como homem. Ela entrava pisando firme num restaurante e já ía pedindo uma mesa para dois não fumantes, ela pegava a mão do cara respeitoso e enfiava no meio dos peitos dela,ela não gostava de discutir muito o relacionamento a dois quando estavam sozinhos e num lugar reservado, achava que essa situação só poderia pedir gemidos.

Mas tudo o que Clarice queria, era um homem com o pinto maior do que o dela. Era tão difícil assim? Um homem que a fizesse sentir tão mulher que a deixasse descansar dessa auto-defesa homem de ser. Ane, sua amiga que vivia da pensão do ex marido, passava o dia lendo revistas idiotas e acabara por ficar mais metida a Freud do que metida por homens: Se você quer um homem de verdade, seja uma mulher de verdade. Mas você fica aí querendo competir com eles, não é?

Mas o que era então uma mulher de verdade? Ou pelo menos uma que atrairia um homem de verdade? Seria a meiga falsa que já deu pra meia cidade mas continua com o semblante de virgem com medinho? Ou seria aquela mulher que espera o príncipe encantado que vai ensinar a vida para ela, mostrar a vida para ela e pagar a vida para ela e tudo o que ela precisa fazer é um boquetinho com a tática de cobrir os dentes com os lábios voltados para dentro da boca?

"Uma mulher de verdade é feminina, só isso". Fernanda, sua amiga de infância que vivia querendo competir com ela mas no fundo a admirava muito fala isso prendendo os cabelos num elástico ensebado e ajeitando os peitos no decote. Clarice se irrita e pensa em falar um milhão de palavrões à amiga que tem seus dias nada meigos, como os de hoje. Mas falar palavrão seria pouquíssimo feminino da parte dela. Perfeito! Constatando isso ela solta todos eles, se libertando do assunto e da feminilidade.

As amigas percebem que os homens nas mesas em volta olham feio e com apenas um olhar, ou melhor, quatro olhares, elas fuzilam Clarice, a fálica que sempre põe o pau na mesa e afasta todos os testosteronas em volta. Clarice permanece confusa, puta da vida e mal humorada durante exatos dez minutos. E depois abre o maior berreiro. Chora, soluça, enfia o rosto no meio das mãos. Naquele momento, ainda que vermelha e toda borrada de rímel, a frágil Clarice atrai mais o interesse dos homens do que quando chegou no restaurante em seu carro novo, feliz e bem sucedida.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Incondicionalmente

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Capital Inicial



Eu sigo você aonde você for
Eu preciso de você pra aliviar a minha dor
Eu já estive aqui e ouço a sua voz
Me dizendo que há um oceano entre nós


Eu sigo você aonde você for
Eu preciso de você pra aliviar a minha dor
Te incomoda que eu fale assim?
O que mais você quer mudar em mim?


Te incomoda que eu fale assim?
O que mais você quer mudar em mim?
Você me quer
Incondicionalmente?
Ou me quer mais
Um pouco diferente?


Eu já estive aqui e ouço a sua voz
Me dizendo que há um oceano entre nós
Que tipo de poder te satisfaz?
Por que você quer que sejamos tão iguais?


Te incomoda que eu fale assim?
O que mais você quer mudar em mim?
Você me quer
Incondicionalmente?
Ou me quer mais
Um pouco diferente?

domingo, 23 de setembro de 2007

conjecturas

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"O falso é às vezes a verdade de cabeça para baixo."



Sigmund Freud

sábado, 22 de setembro de 2007

paixão!

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Viver a vida como deve ser... Sem pensar demais, apenas querer, tentar e experimentar e assim vou vivendo a vida como ela me parece acontecer. Na ausência de paixão maior do que simplesmente viver, diante de irrefutável prazer, porque não propagar minha existência por toda a eternidade? Para tanto, somente um caminho - sutil, e por vezes, doloroso - cativar os corações alheios. Visto que não há maior elixir para imortalidade, pois quem conquista verdadeiramente um coração está condenado por todo sempre a permanecer vivo dentro daquela alma.





Thayze Darnieri

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

carne e osso





Moska e Zelia Duncan




A alegria do pecado
Às vezes toma conta de mim
E é tão bom não ser divina
Me cobrir de humanidade me fascina
E me aproxima do céu

E eu gosto
De estar na terra
Cada vez mais
Minha boca se abre e espera
O direito ainda que profano
Do mundo ser sempre mais humano

Perfeição demais
Me agita os instintos
Quem se diz muito perfeito
Na certa encontrou um jeito insosso
Pra não ser de carne e osso
Pra não ser carne e osso

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

prosperidade

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Jamais considere seus estudos como uma obrigação, mas como uma oportunidade invejável para aprender a conhecer a influência libertadora da beleza do reino do espírito, para seu próprio prazer pessoal e para proveito da comunidade à qual seu futuro trabalho pertencer.





Albert Einstein

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

aos filhos de sagitário

Oswaldo Montenegro


Era claro e sábio
Era manso, metade animal
E livre como ancião
Que já não teme o final
E eu amava, amava
Adormecia com gosto de sal na boca
E amava assim
Com a devoção natural
Dos deuses, dos animais
Ah! quanto tempo atrás
Ah! quantas noites passeia galopar em você
Doce centauro, amo você
Doce centauro...

terça-feira, 18 de setembro de 2007

O contrato

Tati Bernardi



Combinamos que não era amor. Escapou ali um abraço no meio do escuro. Mas aquilo ali foi sono, não sei o que foi aquilo. Foi a inércia do amor que está no ar mas não necessariamente dentro de nós.
A gente foi ao cinema, coisa que namorados fazem. Mas amigos fazem também, não? Somos amigos. Escapou ali um beijo na orelha e uma mão que quis esquentar a outra. Mas a gente correu pra fazer piadinha sexual disso, como sempre. E a orelha ouviu uma sacanagem qualquer, e a mão se encaixou ali no meio das minhas pernas.
Você me chamou de amor ontem, enquanto a gente transava. Eu quis chorar. Mas também quis rir muito da sua cara. Acabei só esquecendo isso. Talvez o “mô” que você murmurou, seja porque no dia anterior, naquela mesma cama, você tenha comido alguma “Mônica”. Prefiro pensar assim. Se eu for muito, mas muito escrota, talvez eu me proteja de me assustar muito. Caso você seja escroto. Eu sendo de pedra não quebro com a sua pedra. Sei lá.
Aí teve aquela cena também. De quando eu fui te dar tchau só com a manta branca e o cabelo todo bagunçado. E você olhou do elevador e me perguntou: não to esquecendo nada? E eu quis gritar: tá, tá esquecendo de mim. E você depois perguntou: não tem nada meu aí? E eu quis gritar: tem, tem eu. Eu sempre fui sua. Eu já era sua antes mesmo de saber que você um dia não ia me querer.
Mas a gente combinou que não era amor. Você abriu minha água com gás predileta e meu sabonete de manteiga de cacau. E fuçou todas as minhas gavetas enquanto eu tomava banho. E cheirou meu travesseiro pra saber se ainda tinha seu cheiro. Ou pra tentar lembrar meu cheiro e ver se ele ainda te deixa sem vontade de ir embora. Mas ainda assim, não somos íntimos. Nada disso. Só estamos aqui, reunidos nesse momento, porque temos duas coisas muito simples em comum: nada melhor pra fazer e vontade de fazer sexo. Só isso. É o que está no contrato. E eu assino embaixo. Melhor assim. Muito melhor assim. Tô super bem com tudo isso. Nossa, nunca estive melhor. Mas não faz isso. Não me olha assim e diz que vai refazer o contrato. Não faz o mundo inteiro brilhar mais porque você é bobo. Não faz o mundo inteiro ficar pequeno só porque o seu chapéu é muito legal. Não deixa eu assim, deslizando pelas paredes do chuveiro de tanto rir porque seu cabelo fica ridículo molhado. Não faz a piada do vampiro só porque você achou que eu estava em dias estranhos. Não transforma assim o mundo em um lugar mais fácil e melhor de se viver. Não faz eu ser assim tão absurdamente feliz só porque eu tenho certeza absoluta que nenhum segundo ao seu lado é por acaso.
Combinamos que não era amor e realmente não é. Mas esse algo que é, é realmente muito libertador. Porque quando você está aqui, ou até mesmo na sua ausência, o resto todo vira uma grande comédia. E aquele cara mais novo, e aquele outro mais velho, e aquele outro que escreve, e aquele outro que faz filme, e aquele outro divertido, e aquele outro da festa, e aquele outro amigo daquele outro. E todos aqueles outros viram formiguinhas de nariz vermelho. E eu tenho vontade de ligar pra todos eles e falar: putz, cara, e você acha mesmo que eu gostei de você? Coitado.
Adoro como o mundo fica coitado, fica quase, fica de mentira, quando não é você. Porque esses coitados todos só serviram pra me lembrar o quão sagrado é não querer tomar banho depois. O quão sagrado é ser absurdamente feliz mesmo sabendo a dor que vem depois. O quão sagrado é ver pureza em tudo o que você faz, ainda que você faça tudo sendo um grande safado. O quão sagrado é abrir mão de evoluir só porque andar pra trás é poder cruzar com você de novo. Não é amor não. É mais que isso, é mais que amor. Porque pra te amar mais, eu tenho que te amar menos. Porque pra morrer de amor por você, eu tive que não morrer. Porque pra ter você por perto um pouco, eu tive que não querer mais ter você por perto pra sempre.
E eu soquei meu coração até ele diminuir. Só pra você nunca se assustar com o tamanho. E eu tive que me fantasiar de puta, só pra ter você aqui dentro sem medo. Medo de destruir mais uma vez esse amor tão santo, tão virgem. E eu vou continuar me fantasiando de não amor, só pra você poder me vestir e sair por aí com sua casca de não amor.
E eu vou rir quando você me contar das suas meninas, e eu vou continuar dizendo “bonito carro, boa balada, boa idéia, bonita cor, bonito sapato”. E eu vou continuar sendo só daqui pra fora. Porque no nosso contrato, tomamos cuidado em escrever com letras maiúsculas: não existe ninguém aqui dentro.
Mas quando, de vez em quando, o seu ninguém colocar ali, meio sem querer, a mão no meu joelho, só para me enganar que você é meu dono. Só para enganar o cara da mesa ao lado que você é meu dono. Eu vou deixar. Vai que um dia você acredita.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

pensando em você

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Pimentas do Reino


Estava satisfeito só em ser teu amigo
Mas o que será, que aconteceu comigo?
Aonde foi que eu errei?
Às vezes me pergunto se eu não entendi errado
Grande amizade com estar apaixonado
Se for só isso logo vai passar
Mas quando toca o telefone será você?
O que eu estiver fazendo eu paro de fazer
E se fica muito tempo sem me ligar
Arranjo uma desculpa pra te procurar
Que tolo mas eu não consigo evitar


Porque eu só vivo pensando em você
É sem querer, você não sai da minha cabeça mais
Eu só vivo acordada a sonhar
Imaginar nós dois
Às vezes penso ser um sonho impossível
Uma ilusão terrível será?
Eu já pedi tanto em oração
Que as portas do seu coração
Se abrissem pra eu te conquistar
Mas que seja feita a vontade de Deus
Se ele quiser então, não importa quando, onde
Como eu vou ter seu coração.


Eu faço tudo pra chamar sua atenção
De vez em quando eu meto os pés pelas mãos
Engulo a seco o ciúme
Quando outro apaixonado quer tirar de mim sua atenção
Coração apaixonado é bobo
Sorriso teu e eu me derreto todo
O teu charme, teu olhar
Tua fala mansa me faz delirar
Mas quanta coisa aconteceu e foi dita
Qualquer mínimo detalhe era pista
Coisas que ficaram para trás
Coisas que você nem lembra mais
Mas eu guardo tudo aqui no meu peito
Tanto tempo estudando teu jeito
Tanto tempo esperando uma chance
Sonhei tanto com esse romance
Que tolo mais eu não consigo evitar


Porque eu só vivo pensando em você
É sem querer, você não sai da minha cabeça mais
Eu só vivo acordado a sonhar
Imaginar nós dois
Às vezes penso ser um sonho impossível
Uma ilusão terrível será?
Eu já pedi tanto em oração
Que as portas do seu coração
Se abrissem pra eu te conquistar
Mas que seja feita a vontade de Deus
Se ele quiser então, não importa quando, onde
Como eu vou ter seu coração

domingo, 16 de setembro de 2007

mãos dadas

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Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.


Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente,os homens presentes, a vida presente.




Carlos Drummond de Andrade

sábado, 15 de setembro de 2007

eu sei

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Renato Russo




Sexo verbal
Não faz meu estilo
Palavras são erros
E os erros são seus...


Não quero lembrar
Que eu erro também
Um dia pretendo
Tentar descobrir
Porque é mais forte
Quem sabe mentir
Não quero lembrar
Que eu minto também...


Eu sei! Eu sei...


Feche a porta do seu quarto
Porque se toca o telefone
Pode ser alguém
Com quem você quer falar
Por horas e horas e horas...


A noite acabou
Talvez tenhamos
Que fugir sem você
Mas não, não vá agora
Quero honras e promessas
Lembranças e histórias...


Somos pássaro novo
Longe do ninho
Eu sei! Eu sei...

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

lições

Duas crianças estavam patinando num lago congelado da Alemanha. Era uma tarde nublada e fria, e as crianças brincavam despreocupadas.

De repente, o gelo se quebrou e uma delas caiu, ficando presa na fenda que se formou. A outra, vendo seu amiguinho preso e se congelando, tirou um dos patins e começou a golpear o gelo com todas as suas forças, conseguindo por fim quebrá-lo e libertar o amigo.

Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram ao menino:

- Como você conseguiu fazer isso? É impossível que tenha conseguido quebrar o gelo, sendo tão pequeno e com mãos tão frágeis!

Nesse instante, um sábio que passava pelo local, comentou:

- Eu sei como ele conseguiu.

Todos perguntaram:

- Pode nos dizer como?
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- É simples, respondeu. Não havia ninguém ao seu redor, para lhe dizer que não seria capaz.

“Deus nos fez perfeitos e não escolhe os capacitados, capacita os escolhidos”.

Fazer ou não fazer algo, só depende de nossa vontade e perseverança.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

um amor puro

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Djavan







O que há dentro do meu coração
Eu tenho guardado pra te dar
E todas as horas que o tempo
Tem pra me conceder
São tuas até morrer



E a tua história, eu não sei
Mas me diga só o que for bom
Um amor tão puro que ainda nem sabe
A força que tem é teu e de mais ninguém



Te adoro em tudo, tudo, tudo
Quero mais que tudo, tudo, tudo
Te amar sem limites
Viver uma grande história



Aqui ou noutro lugar
Que pode ser feio ou bonito
Se nós estivermos juntos
Haverá um céu azul



Um amor puro
Não sabe a força que tem
Meu amor eu juro
Ser teu e de mais ninguém
Um amor puro

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

é preciso correr riscos

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"No sentido mais básico, risco pode ser definido como a possibilidade de perda".
Lawrence Gitman

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Modo de usar-se

"Coitada, foi usada por aquele cafajeste". Ouvi essa frase na beira da praia, num papo que rolava no guarda-sol ao lado. Pelo visto a coitada em questão financiou algum malandro, ou serviu de degrau para um alpinista social, sei lá, só sei que ela havia sido usada no pior sentido, deu pra perceber pelo tom do comentário.
Mas não fiquei com pena da coitada, seja ela quem for. Não costumo ir atrás desta história de "foi usada". No que se refere a adultos, todo mundo sabe mais ou menos onde está se metendo, ninguém é totalmente inocente. Se nos usam, algum consentimento a gente deu, mesmo sem ter assinado procuração. E se estamos assim tão desfrutáveis para o uso alheio, seguramente é porque estamos nos usando pouco.
Se for este o caso, seguem sugestões para usar a si mesmo: comer, beber, dormir e transar, nossas quatro necessidades básicas, sempre com segurança, mas também sem esquecer que estamos aqui para nos divertir. Usar-se nada mais é do que reconhecer a si próprio como uma fonte de prazer.
Dançar sem medo de pagar mico, dizer o que pensa mesmo que isso contrarie as verdades estabelecidas, rir sem inibição – dane-se se aparecer a gengiva. Mas cuide da sua gengiva, cuide dos dentes, não se negligencie. Use seu médico, seu dentista, sua saúde.
Use-se para progredir na vida. Alguma coisa você já deve ter aprendido até aqui. Encoste-se na sua própria experiência e intuição, honre sua história de vida, seu currículo, e se ele não for tão atraente, incremente-o. Use sua voz: marque entrevistas. Use sua simpatia: convença os outros. Use seus neurônios: pra todo o resto. E este coração acomodado aí no peito? Use-o, ora bolas. Não fique protegendo-se de frustrações só porque seu grande amor da adolescência não deu certo. Ou porque seu casamento até-que-a-morte-os-separe durou "apenas" 13 anos. Não enviuve de si mesmo, ninguém morreu.
Use-se para conseguir uma passagem para a Patagônia, use-se para fazer amigos, use-se para evoluir. Use seus olhos para ler, chorar, reter cenas vistas e vividas – a memória e a emoção vêm muito do olho. Use os ouvidos para escutar boa música, estímulos e o silêncio mais completo. Use as pernas para pedalar, escalar, levantar da cama, ir aonde quiser. Seus dedos para pedir carona, escrever poemas, apontar distâncias. Sua boca pra sorrir, sua barriga para gerar filhos, seus seios para amamentar, seus braços para trabalhar, sua alma para preencher-se, seu cérebro para não morrer em vida.Use-se. Se você não fizer, algum engraçadinho o fará. E você virará assunto de beira de praia.


Martha Medeiros

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

normalidade!

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"Eu tenho o maior medo desse negócio de ser normal"




John Lennon

domingo, 9 de setembro de 2007

afinidade

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Afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. É o mais independente.

Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias , as impossibilidades. Quando há afinidade, qualquer reecontro retoma a o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi interrompido.

Ter afinidade é muito raro. Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas. O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples e claro diante de alguém com que você tem afinidade.


Afinidade é ficar longe pensando a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar palavras. É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.


Afinidade é sentir com. Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo. Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado. Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.


Sentir com, é: não ter necessidade de explicar o que está sentindo; é olhar e perceber; é mais calar do que falar, jamais explicar, apenas afirmar.


Afinidade é jamais sentir por. Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo. Mas quem sente com, avalia sem se contaminar. Compreende sem ocupar o lugar do outro. Aceita para poder questionar. Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.


Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças. É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidades vividas.


Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação. Porque o tempo e separação nunca existiram. Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar. E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais a expressão do outro sob a forma ampliada do eu individual aprimorado.





Arthur da Távola

sábado, 8 de setembro de 2007

o amor!

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"Se um dia tiver que escolher entre o mundo e o amor...
Lembre-se: Se escolher o mundo ficará sem o amor, mas se escolher o amor, com ele conquistará o mundo."





Albert Einstein

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

O Que Eu Também Não Entendo





Jota Quest
Fernanda Mello e Rogério Flausino



Essa não é mais uma carta de amor
São pensamentos soltos
Traduzidos em palavras
Para que você possa entender
O que eu também não entendo...


Amar não é ter que ter
Sempre certeza
É aceitar que ninguém
É perfeito prá ninguém
É poder ser você mesmo
E não precisar fingir
É tentar esquecer
E não conseguir fugir, fugir...


Já pensei em te largar
Já olhei tantas vezes pro lado
Mas quando penso em alguém
É por você que fecho os olhos
Sei que nunca fui perfeito
Mas com você eu posso ser
Até eu mesmo que você vai entender...


Posso brincar de descobrir
Desenho em nuvens
Posso contar meus pesadelos
E até minhas coisas fúteis
Posso tirar a tua roupa
Posso fazer o que eu quiser
Posso perder o juízo
Mas com você eu tô tranquilo, tranquilo...


Agora o que vamos fazer
Eu também não sei
Afinal, será que amar é mesmo tudo?
Se isso não é amor
O que mais pode ser?
Estou aprendendo também...


Já pensei em te largar
Já olhei tantas vezes pro lado
Mas quando penso em alguém
É por você que fecho os olhos
Sei que nunca fui perfeito
Mas com você eu posso ser
Até eu mesmo que você vai entender...


Posso brincar de descobrir
Desenho em nuvens
Posso contar meus pesadelos
E até minhas coisas fúteis
Posso tirar a tua roupa
Posso fazer o que eu quiser
Posso perder o juízo
Mas com você eu tô tranquilo, tranquilo...


Agora o que vamos fazer?
Eu também não sei!
Afinal, será que amar é mesmo tudo?
Se isso não é amor
O que mais pode ser?
Estou aprendendo também...

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

melhores mulheres

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"As Melhores Mulheres pertencem aos homens mais atrevidos.

Mulheres são como maçãs em árvores.

As melhores estão no topo.

Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles têm medo de cair e se machucar.

Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir.

Assim, as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade, ELES estão errados...

Elas têm que esperar um pouco mais para o homem certo chegar...

Aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore”.



Machado de Assis

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

o sonho

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Clarice Lispector







Sonhe com aquilo que você quiser.



Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.



Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.



As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades
que aparecem em seus caminhos.



A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

poema em linha reta

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma covardia!
Não, são todos o Ideal, se os ouço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

somente observe...

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"Para saber quem somos, basta que se observe o que fizemos da nossa vida. Os fatos revelam tudo, as atitudes confirmam. O que você diz - com todo respeito - é apenas o que você diz."





Martha Medeiros

domingo, 2 de setembro de 2007

A Humanidade sempre foi uma ilusão à-toa

Arnaldo Jabor




Estou de saco cheio; vou telefonar para o Nelson Rodrigues para ver se ele me dá alguma luz, lá do céu. Disco o telefone preto. Não quero mais falar sobre esta guerra santa, mas caio sempre neste tatear confuso, tentando raciocinar com as luzes do bom senso, de causa e efeito, da psicologia. Mas o terror não se explica. Ali, entre o Tigre e o Eufrates, é que nasceu o mundo e pode ser que acabe ali também. O telefone toca. Já ouço as risadinhas dos serafins que ficam contando piadinhas de sacanagem.

— Nelson... sou eu, o Arnaldo...

— Você me ligando, rapaz... como um telefonista de si mesmo... Achei que tinha me esquecido...

— Eu jamais te esqueço... mas estou apavorado com a História humana...

— Pára com isso, rapaz, a História não existe... Não é que a História acabou, como disse aquele japonês do Pentágono; não, a História nunca existiu... Ela foi uma invenção daquele alemão, o tal de Hegel, que, aliás, está ali sentado numa nuvem, chorando lágrimas de esguicho numa cava depressão... O sujeito achava que a “história” se movia em direção a uma “espiritualidade absoluta” e, de repente, descobre que meia dúzia de malucos, cheirando a banha de camelo, com camisolas imundas e com a face alvar da estupidez completa, estão transformando a vida humana numa sinistra piada de português... ha! ha!... A História humana é um pesadelo humorístico. Você achava que a vida era movida pelas “relações de produção” e coisa e tal... Pois, está aí... a única coisa que existe é a loucura humana... Aqueles macacos que, na Idade do Gelo, se esconderam numas cavernas sujas pra não morrer de frio, tiveram de inventar a tal da “linguagem”, para preencher o vazio entre eles e a natureza... O homem não é superior aos outros animais, não. Ele é inferior, ele veio com defeito de fábrica... O Nietzsche, aquele cara esquisitão que também anda por aqui, bigodudo, muito sério, falando sozinho, escreveu que “num planeta distante, animais inteligentes inventaram o Conhecimento. Foi o instante mais arrogante e mentiroso do universo. Mas, depois de alguns suspiros da Natureza, o planeta acabou e os tais animais inteligentes morreram...” O Nietzsche é um craque... Sempre que eu posso, tomo um cafezinho com ele.

— Mas Nelson, o herói suicida é invencível...

— Engraçado... todo mundo está impressionado com os suicidas... A coisa mais fácil do mundo é o sujeito se matar, rapaz. Na minha infância profunda, toda semana, casais de namorados se jogavam do Pão de Açúcar, os amantes faziam pactos de morte e tomavam guaraná com formicida, as mocinhas ateavam fogo às vestes e se jogavam dos prédios como busca-pés de São João... Era lindo... as mulheres suspirando por um suicídio de amor...

— Mas esses caras acham que o suicídio leva ao céu... Aliás, você viu algum deles por aí?

— Olha... a gente só vai para o céu em que acredita... Os árabes não vêm para cá... Se bem que o paraíso deles até que não é longe... Outro dia, eu resolvi dar uma espiadinha lá... Rapaz, parecia o baile do Bola Preta! Os terroristas eram como artistas de televisão, dando autógrafos, cheios de macacas-de-auditório em volta. O Muhamad Atta, aquele chefe-suicida, estava deitado numa cama de ouro e rubis, com odaliscas do Catumbi rebolando a dança do ventre, ali, feito a Feiticeira... Tudo que eles jamais tiveram no deserto eles têm aqui em cima.

Pois, agora, rapaz, vou te dizer uma coisa “social”: os reis da Arábia Saudita, da Líbia, do Iêmen, todos adoram que o inimigo seja o americano, vivem felicíssimos nos seus palácios com cascatinhas artificiais e filhote de jacaré nadando dentro, enquanto os miseráveis batem cabeça para Alá e não percebem que são os otários de Maomé... Isso é que é o haxixe do povo!

— Nelson, você ficou marxista aí no céu...

— O Marx me chama de “reacionário”, mas me ouve muito... Ele anda chateadíssimo com as bobagens que escrevem sobre ele, inclusive amigos da Academia... Eu disse para ele: “Olha, Marx, a burrice é uma força da natureza, feito o maremoto”... Ele vive repetindo isso, achou uma graça infinita... Bom sujeito, o Marx...

— É... mas a História andou mil anos para trás...

— Rapaz, nunca saímos da barbárie... pensa bem... tivemos duas guerras mundiais num século, sem contar Vietnã e coisa e tal... Se os alemães fizeram aquilo tudo, se os americanos derreteram 150 mil em 30 segundos em Hiroshima, imagine aqueles cretinos... Reparou que eles parecem um homem só? Todos calmos, com a certeza da verdade lhes iluminando a fisionomia... A loucura é calma, o louco não tem dúvidas... Por isso, eles vão ganhar sempre... A razão é um luxo de franceses...

— Mas e o futuro da humanidade...

— O mundo nunca foi feliz... esse negócio de paz e felicidade global é invenção do comércio americano... O que houve agora é que os terroristas jogaram a gente de volta para dentro da tal “História”. Além do mais, isso tinha de acontecer... Como o homem ia suportar aquela paz americana, com tudo arrumadinho como um supermercado... A loucura é a revolta do animal domesticado dentro de nós.... Esse papo da Humanidade toda dando milho para os pombos na praça é lero-lero... Deus não quer isso. Vai olhar a Bíblia, o Torá; é tudo no “olho por olho”... Lembra da Inquisição? Deus é violento... (tou falando baixo que ele tá ali perto consolando o Hegel).

— Mas o ser humano...

— Rapaz... a humanidade é uma ilusão. “Tudo que é real é irracional, tudo que é irracional é real”. Se o mundo acabar, não se perde absolutamente nada...

— E nós?

— Agora sim, seremos o país do futuro. Graças a Deus, eles, os americanos, vão nos esquecer um pouco... Aí, a gente pode ir construindo a nossa grande Bahia intemporal, nosso Rio transcendental, nosso grande carnaval permanente. Finalmente, o subdesenvolvimento servirá para alguma coisa...

— Deus te ouça, Nelson...

sábado, 1 de setembro de 2007

pertubações

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"A alma se transvia e perturba, quando se serve do corpo para considerar qualquer objeto; tem vertigem, como se estivesse ébria, porque se prende a coisas que estão, por sua natureza, sujeitas a mudanças; ao passo que, quando contempla a sua própria essência, dirige-se para o que é puro, eterno, imortal, e, sendo ela desta natureza, permanece aí ligada, por tanto tempo quanto passa. Cessam então os seus transviamentos, pois que está unida ao que é imutável e a esse estado da alma é que se chama sabedoria".



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