sexta-feira, 31 de agosto de 2007

a primeira vez

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Tati Bernardi


Você sempre me disse que sua maior mágoa era eu nunca ter escrito um texto sobre você. Nem que fosse te xingando, te expondo. Qualquer coisa.

Você sempre foi o único homem que me amou. E eu nunca te escrevi nem uma frase num papelzinho amassado. Você sempre foi o único amigo que entendeu essa minha vontade de abraçar o mundo quando chega a madrugada. E o único que sempre entendeu também, depois, eu dormir meio chorando porque é impossível abraçar sequer alguém, o que dirá o mundo.

Outro dia eu encontrei um diário meu, de 99, e lá estava escrito “hoje eu larguei meu namorado sentado e dancei com ele no baile de formatura”. Ele, no caso, é você. Dei risada e lembrei que em todos esses anos, mesmo eu nunca tendo escrito nenhum texto para você, eu por diversas vezes larguei vários namorados meus, sentados, e dancei com você. Porque você é meu melhor companheiro de dança, mesmo sendo tímido e desajeitado.

Depois encontrei uma foto em que você está com um daqueles óculos escuros espelhados de maconheiro. E eu de calça colorida daquelas “bailarina”. E nessa época você não gostava de mim porque eu era a bobinha da classe. Mas eu gostava de você porque você tinha pintas e eu achava isso super sexy. E eu me achei ridícula na foto mas senti uma coisa linda por dentro do peito.

Aí lembrei que alguns anos depois, quando eu já não era mais a bobinha da classe e sim uma estagiária metida a esperta que só namorava figurões (uns babacas na verdade), você viu algum charme nisso e me roubou um beijo. Fingindo que ia desmaiar. Foi ridículo. Mas foi menos ridículo do que aquela vez, ainda na faculdade, que eu invadi seu carro e te agarrei a força. Você saiu cantando pneu e ficou quase dois anos sem falar comigo.

Eu não sei porque exatamente você não mereceu um texto meu, quando me deu meu primeiro cd do Vinícius de Morais. Ou quando me deu aquele com historinhas de crianças para eu dormir feliz. Ou mesmo quando, já de saco cheio de eu ficar com você e com mais metade da cidade, você me deu aquele cartão postal da Amazônia com um tigre enrabando uma onça.

Também não sei porque eu não escrevi um texto quando você apareceu naquela festa brega, me viu dançando no canto da mesa, e me disse a frase mais linda que eu já ouvi na minha vida “eu sei que você não gosta de mim, mas deixa eu te olhar mesmo assim”.

Talvez eu devesse ter escrito um texto para você, quando eu te pedi a única coisa que não se pede a alguém que ama a gente “me faz companhia enquanto meu namorado está viajando?”. E você fez. E você me olhava de canto de olho, se perguntando porque raios fazia isso com você mesmo. Talvez porque mesmo sabendo que eu não amava você, você continuava querendo apenas me olhar. E eu me nutria disso. Me aproveitava. Sugava seu amor para sobreviver um pouco em meio a falta de amor que eu recebia de todas as outras pessoas que diziam estar comigo.

Depois você começou a namorar uma menina e deixou, finalmente, de gostar de mim. E eu podia ter escrito um texto para você. Claro que eu senti ciúmes e senti uma falta absurda de você. Mas ainda assim, eu deixei passar em branco. Nenhuma linha sequer sobre isso.

Depois eu também podia ter escrito sobre aquele dia que você me xingou até desopilar todos os cantos do seu fígado. Eu fiquei numa tristeza sem fim. Depois pensei que a gente só odeia quem a gente ama. E fiquei feliz. Pode me xingar quanto você quiser desde que isso signifique que você ainda gosta um pouquinho de mim.

Minhas piadas, meu jeito de falar, até meu jeito de dançar ou de andar. Tudo é você. Minha personalidade é você. Quando eu berro Strokes no carro ou quando eu faço uma amiga feliz com alguma ironia barata. Tudo é você. Quando eu coloco um brinco pequeno ao invés de um grande. Ou quando eu fico em casa feliz com as minhas coisinhas. Tudo é você. Eu sou mais você do que fui qualquer homem que passou pela minha vida. E eu sempre amei infinitamente mais a sua companhia do que qualquer companhia do mundo, mesmo eu nunca tendo demonstrado isso. E, ainda assim, nunca, nunquinha, eu escrevi sequer uma palavra sobre você.

Até hoje. Até essa manhã. Em que você, pela primeira vez, foi embora sem sentir nenhuma pena nisso. Foi a primeira vez, em todos esse anos, que você simplesmente foi embora. Como se eu fosse só mais uma coisa da sua vida cheia de coisas que não são ela. E que você usa para não sentir dor ou saudade. Foi a primeira vez que você deixou eu te olhar, mesmo você não gostando de mim.

E foi por isso, porque você deixou de ser o menino que me amava e passou a ser só mais um que me usa, que você, assim como todos os outros, mereceu um texto meu.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

viver

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"A vida passa muito rápido. Se você não parar de vez em quando para vivê-la, vai perceber que já passou."







Ferris Bueller

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

virgindade emocional





Martha Medeiros



Todo mundo sabe o que é sexo. Nasce intuindo e em seguida vira PhD, pois basta ligar a tevê ou abrir uma revista e as informações caem no nosso colo com riqueza de detalhes. Masturbação, sexo oral, ponto G, preliminares, orgasmos múltiplos: você pode ser virgem na prática, mas sabe tudo na teoria e vai mandar bem quando chegar sua vez.

A pessoa virgem têm suas dúvidas, claro, e cria algumas fantasias antes da estréia, mas logo descobre que sexo é uma atividade saudável, prazerosa e que fica melhor com o tempo. Não tem muito mistério. O problema é quando se é virgem no coração.

Virgindade emocional não tem a ver com juventude. Você pode ter vida sexual ativa desde os 14 anos e chegar aos 30 sem saber nada sobre o amor. Pode ter transado com dezenas de pessoas e uma que nunca lhe encostou um dedo abalar você de forma surpreendente. Pode estar casado e com filhos, achando-se o bambambam dos relacionamentos, e ser nocauteado por uma paixão que põe por terra todas as suas certezas. Podemos ser experts em sexualidade, mas passamos a vida engatinhando quando o assunto é amor.

De certa maneira, é uma virgindade que não se extingüe. Mesmo os mais experientes, aqueles que já amaram muitas vezes, até esses podem ser flagrados em uma situação-limite. A primeira vez em que se é deixado. A primeira vez que ficamos fragilizados com a ausência de uma pessoa. A primeira vez que sentimos um ciúme doentio. A primeira vez que ficamos dependentes de uma relação. A primeira vez que alguém fica dependente de nós. A primeira vez que traímos. A primeira vez que somos traídos. Tudo isso é um aprendizado muito mais intenso do que o sexo, e muito mais demorado.

Se isto parece assustador, por outro lado é excitante saber que ainda existe muito terreno a ser explorado, muitas lições para serem aprendidas, muitas posições a serem adotadas diante de um impasse amoroso, posições que nada tem a ver com o Kama Sutra. Não há manual de instruções para o amor, não há reportagem que nos ensine a melhor performance. Emocionalmente, por mais que já tenhamos vivido, seremos sempre um pouco virgens, aguardando a próxima primeira vez.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

mudo amor

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Como imperfeito ator que em meio à cena

O seu papel na indecisão recita,

Ou como o ser violento em fúria plena

A que o excesso de forças debilita;

Também eu, sem confiança em mim, me esqueço

No amor de os ritos próprios recitar,

E na força com que amo me enfraqueço

Rendido ao peso do poder de amar.

Oh! Sejam pois meus livros a eloqüência,

Augures mudos do expressivo peito,

Que amor implorem, peçam recompensa,

Mais do que a voz que muito mais tem feito.

Saibas ler o que o mudo amor escreve,

Que o fino amor ouvir com os olhos deve.



Willian Shakespeare

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

emoções!










"Somos feitos de emoções, basicamente todos nós estamos procurando por emoções, é apenas uma questão de encontrarmos a maneira com que devemos vivenciá-las."
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Ayrton Senna

domingo, 26 de agosto de 2007

luxúria

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Isabella Taviani




Dobro os joelhos

Quando você, me pega

Me amassa, me quebra

Me usa demais...


Perco as rédeas

Quando você

Demora, devora, implora

Sempre por mais...



Eu sou navalha

Cortando na carne

Eu sou a boca

Que a língua invade

Sou o desejo

Maldito e bendito

Profano e covarde...



Desfaça assim de mim

Que eu gosto e desgosto

Me dobro, nem lhe cobro

Rapaz! Ordene, não peça

Muito me interessa

A sua potência

Seu calibre, seu gás...



Sou o encaixe

O lacre violado

E tantas pernas

Por todos os lados

Eu sou o preço

Cobrado e bem pago

Eu sou um pecado capital...



Eu quero é derrapar

Nas curvas do seu corpo

Surpreender seus movimentos

Virar o jogo

Quero beber, o que dele

Escorre pela pele

E nunca mais esfriar

Minha febre...


sábado, 25 de agosto de 2007

loucuras!





"Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos".






Martha Medeiros

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

injustiça

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"É pior cometer uma injustiça do que sofrê-la, porque quem a comete transforma-se num injusto e quem a sofre não."


Sócrates

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

monte castelo

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Renato Russo
recortes do Apostólo Paulo em I Coríntios 13
e Luis de Camões em Soneto 11






Ainda que eu falasse

A língua dos homens

E falasse a língua do anjos

Sem amor, eu nada seria...



É só o amor, é só o amor

Que conhece o que é verdade

O amor é bom, não quer o mal

Não sente inveja ou se envaidece...



O amor é o fogo que arde sem se ver

É ferida que dói e não se sente

É um contentamento, descontente

É dor que desatina sem doer...




Ainda que eu falasse

A língua dos homens

E falasse a língua dos anjos

Sem amor, eu nada seria...




É um não querer mais que bem querer

É solitário andar por entre a gente

É um não contentar-se de contente

É cuidar que se ganha em se perder...




É um estar-se preso por vontade

É servir a quem vence o vencedor

É um ter com quem nos mata a lealdade

Tão contrário a si, é o mesmo amor...




Estou acordado e todos dormem
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Todos dormem, todos dormem

Agora vejo em parte

Mas então veremos face a face

É só o amor, é só o amor

Que conhece o que é verdade...




Ainda que eu falasse

A língua dos homens

E falasse a língua do anjos

Sem amor, eu nada seria...

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

mulher tem dessas coisas

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Gabriela Souza Gomes





Existem coisas na vida que não bastam ser sentidas. De tão gostosas e intensas precisam de poesia, oração, canto e declaração: sentir não é o suficiente.

Dizem por aí que alguns sentimentos são indescritíveis. Concordo que seja complicado tentar descrever a intensidade, mas creio que valha o esforço. Mesmo que não se chegue à exatidão: Viva o esforço! E abençoada seja a nossa vontade. Pois mulher tem dessas coisas.

Não basta amar. É preciso propagar ao vento e deixar que ele espalhe as boas novas ao mundo. Não adianta estar anonimamente triste, os amigos precisam ser comunicados. Não satisfaz odiar, tem que arquitetar planos cruéis e mirabolantes para, só depois, pedir desculpas a si mesma pela falta de nobreza. Não adianta cortar o cabelo, comprar roupa nova e fazer dieta. Alguém tem que notar, pô!

Mulher tem dessas coisas. Fala a maior parte do que pensa e sente. Normalmente, o que não deveria ser compartilhado; muitas vezes, aquilo que jurou guardar apenas pra si. E termina vendendo enganos a si própria, ao acreditar que os homens agirão de forma igual, que não conseguirão segurar a ansiedade e a língua: hão de confessar tudo de supetão.

Se o cara ficar por um tempo em silêncio é porque algo tem a esconder. Se perder o olhar no nada, é porque tá lembrando da ex, ou será aquela loira que cumprimentara minutos atrás? Se ele fala que te acompanha numa boa ao supermercado, deve tá dizendo isso apenas para evitar brigas. Afinal, "qual prazer teria ele em fazer o super comigo?" - tu pensas. E em busca de respostas, acaba subestimando até o que tu vias de bom nesse programinha indispensável.

Se te olhar da cabeça aos pés não é porque tá te achando linda, é porque vai criticar a roupa e pedir que use uma saia igualzinha a que a mãe dele costuma vestir para ir à missa de Domingo.

Mulher tem dessas coisas. Tá sempre perturbada com as 0,3g a mais que a balança desregulada denunciou. Ora bolas, a gente tem necessidade de agradar.

Pode até ser que os fantasmas existam em forma de gente. Que o olhar perdido trace sim, no ar, as formas voluptuosas da loirássa aquela e que o parceiro encare o super apenas para manter a paz na relação. Afinal, homem tem dessas coisas.

Que mulher é exagerada, é verdade. Mas cá pra nós, antes pequemos por excesso do que por omissão, né meninas?

terça-feira, 21 de agosto de 2007

outra vez

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Roberto Carlos



Você foi o maior dos meus casos
De todos os abraços
O que eu nunca esqueci
Você foi, dos amores que eu tive
O mais complicado e o mais simples pra mim


Você foi o melhor dos meus erros
A mais estranha estória
Que alguém já escreveu
E é por essas e outras
Que a minha saudade faz lembrar
De tudo outra vez....


Você foi
A mentira sincera
Brincadeira mais séria que me aconteceu
Você foi
O caso mais antigo
O amor mais amigo que me apareceu


Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim
Outra vez

Esqueci de tentar te esquecer
Resolvi te querer por querer
Decidi te lembrar quantas vezes eu tenha vontade
Sem nada perder

Você foi
Toda a felicidade
Você foi a maldade que só me fez bem
Você foi
O melhor dos meus planos
E o pior dos enganos que eu pude fazer

Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim
Outra vez

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

escrevo diante da janela aberta

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Mario Quintana
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Escrevo diante da janela aberta.

Minha caneta é cor das venezianas:

Verde!... E que leves lindas filigranas.

Desenha o sol na página deserta!


Não sei que paisagista doidivanas

Mistura os tons... acerta... desacerta...

Sempre em busca de nova descoberta,

Vai colorindo as horas quotidianas...


Jogos da luz dançando na folhagem!

Do que eu ia escrever até me esqueço...

Pra que pensar? Também sou da paisagem...


Vago, solúvel no ar, fico sonhando...

E me transmuto... iriso-me....estremeço...

Nos leves dedos que me vão pintando!
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A Rua dos Cataventos

domingo, 19 de agosto de 2007

jeito de ser

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Martha Medeiros





Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento. É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.


É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto. É uma elegância desobrigada. É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca. É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros. É possível detectá-la em pessoas pontuais.


Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.


Oferecer flores é sempre elegante. É elegante não ficar espaçoso demais. É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao de outro. É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais. É elegante retribuir carinho e solidariedade. Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto. Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante. Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural através da observação, mas tentar imitá-la é improdutivo. A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que com amigo não tem que ter estas frescuras. Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que não irão desfrutá-la. Educação enferruja por falta de uso. E, detalhe: não é frescura.

sábado, 18 de agosto de 2007

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

eu não sei

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Eu não sei o que sei. A verdade é uma metáfora da vida: só tem sentido quando recolhidos os detalhes. Hoje é dia de recolher detalhes. Vida pequena, quase um respiro de tão miúda, mas bela. Mas não há o que se fazer, senão esperar pela serenidade.

Tenho vivido a convicção de que a sinfonia só é bela porque reúne os acordes dissonantes, maiores e menores. O resultado final é uma explosão de beleza. O todo preenchendo o espaço, cumprindo a sina de sacralizar o choro de quem chora, e o riso de quem ri. A sinfonia é triste e bela ao mesmo tempo. Não há como querer uma parte só.

Hoje, neste dia em que minha pauta tem acordes tristes, recorro-me ao carinho de quem luta comigo, de quem me ama e me quer bem. Só assim é suportável viver esta passagem... Deus é o regente de tudo. Tenho certeza de que o movimento de seus braços ordenarão o despertar dos acordes serenos, momento em que prepararemos o sorriso e a alegria.

A sinfonia da vida é linda, mas dói. Maturidade é o fruto a ser recolhido, cada vez que na partitura da vida, há um interlúdio de tristeza.





Pe. Fábio de Melo

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Quem gosta de frio é...

... pingüim. Sem vibração e alto-astral é muito difícil cercar-se de boa companhia.


Célia Leão



Entusiasmo é uma palavra de origem grega, cujo significado inicial era trazer Deus dentro de si. Hoje, o significado da palavra é outro. Virou sinônimo de vibração, de saber aproveitar bons momentos, de alegria. Esse é um estado de espírito contagiante. Algumas experiências recentes fizeram com que me deparasse com o entusiasmo ao meu lado. E com a falta dele também. Para um bom entusiasmado, meia festa basta. Um mínimo evento vira comemoração empolgada. Para quem não tem, tudo é sempre mesmice. A vida é preto-e-branco, nada tem muita graça, é tudo sempre mais ou menos. Normal, comum, dentro do esperado.

Vou te contar! Haja paciência para não desanimar diante desses seres que nos rodeiam. E haja cuidado para que a nossa animação não se desfaça e a “sem-gracice” não tome conta da gente também e acabe com o dia, por melhor que ele tenha começado. Essas criaturas são uma chatice em qualquer lugar, mas, no trabalho, são piores. Imagine passar horas ao lado de alguém que não vibra com nada, não compra idéia nenhuma nem arregaça as mangas a fim de fazer com que uma idéia nova saia do papel? Que tédio!
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Pense no que acabei de descrever e tente lembrar-se de algum projeto que tenha sido ceifado em seu início pela falta de entusiasmo e pela negatividade de alguém que estava próximo. Foi chato, não foi? Tente se lembrar ainda de alguma situação em que o algoz da coisa foi você. Sim, de vez em quando incorporamos um baixo-astral básico. Isso é humano. Mas, se esse espírito persiste em ser seu companheiro fiel, reveja conceitos, faça um esforço e mude djá!
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Não, não aceito como argumento que esta é uma característica sua e ponto final. Temperamento é algo que temos a obrigação de lapidar. É igual a trio elétrico: só não muda que já morreu. Posto isso, vamos combinar: se o desânimo e a falta de vibração têm sido seus companheiros de sempre, é tempo de mudar o que te incomoda, repensar conceitos e viver de maneira mais entusiástica.
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Afinal, assim como o bom humor, peça fundamental no comportamento de quem se importa com a própria imagem, ser vibrante e cheio de energia positiva também faz parte do perfil de quem não deseja viver como uma ilha. É só se dar conta de que as pessoas de alto-astral sempre estão cercadas de mais gente que deseja se contagiar com esse espírito. Ou você prefere o isolamento? Desânimo para tudo faz com que as pessoas se afastem de você porque, cá entre nós, quem gosta de frio é geladeira e pingüim.
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Revista Você SA

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

boa pessoa!

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"Convém não facilitar com os bons, convém não provocar os puros. Há no ser humano, e ainda nos melhores, uma série de ferocidades adormecidas. O importante é não acordá-las".





Nelson Rodrigues

terça-feira, 14 de agosto de 2007

sonhos

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"Os sonhos são a satisfação que o desejo se realize".
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Sigmund Freud

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

O garoto do pandeiro

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Tati Bernardi



No meio de pessoas ensebadas e poças nojentas de cerveja e mijo, ele surgiu com seu pandeirinho. O mundo cheio de motivos para ir embora congelou naqueles olhos verdes melancólicos e ao mesmo tempo despretensiosos. A festa ganhou sentido e por alguma razão minha vida também.

Foram três ou quatro anos de um amor que beirava a obsessão: eu andava pelas ruas e achava que todo mundo era ele. Cheguei ao ponto de um dia me olhar no espelho e também achar que era ele. Fiquei louca de pedra mesmo.

Não comia, não dormia, não ria, não tinha a menor idéia do que fazer da vida.

Tentei terapia, ioga, curso de artes plásticas, budismo, cartomante, centro espírita. Nada adiantava. Eu não conseguia encontrar uma razão para viver ou um alento para sobreviver. A única coisa que eu fazia era chorar o dia todo porque o tal do garoto perfeito não queria saber de mim.

Até hoje, amigos da época da faculdade ainda me encontram e perguntam "E fulano?". Eu apenas sorrio e respondo incerta: "Passou, coisa de quando eu era criança". Depois fico um pouco envergonhada em lembrar o quanto eu enchia o saco de todo mundo com a minha monotemática - eu basicamente não falava de outra coisa.

Toda vez que tinha um trabalho pra fazer na faculdade, minha inspiração era a cidade natal dele, ou alguma banda que ele gostava muito, a etimologia do seu nome, a rua onde ele morava, a pinta do lado esquerdo do seu rosto.

Eu lia o que ele lia, escutava o que ele escutava, ia aonde ele ia, torcia pelo mesmo time e cheguei até a me apaixonar pelas mulheres que ele paquerava. Eu gostava tanto dele que acabei virando ele, mas não me perguntem o que isso quer dizer.

Foi o maior amor que já senti na vida. Lembro até hoje de uma sensação muito absurda da época: todas as vezes que o metrô parava na estação próxima ao cortiço em que ele morava, eu sentia uma bola de fogo tão grande no peito que eu pedia a Deus: "Não me deixe morrer antes de vê-lo só mais uma vez".

A república onde ele e mais 200 estudantes comunistas da USP dormiam ficava no beco mais escuro da Avenida São João. As paredes eram forradas de imagens do Lênin, Che, Fidel, Lula (os tempos mudaram mesmo.) e uma ou outra atriz pornô. A trilha musical para minhas inesquecíveis tardes de amor começava quase sempre com a letra "c": muito Chico, variando um pouco para Cazuza, Caetano ou Cartola.

A emoção de estar ali com ele era tão forte que eu sempre ia embora antes da hora com medo de vomitar ou explodir. Minha boca secava, entortava, eu só falava burrices. Era um horror e ao mesmo tempo a glória.

A história terminou junto com a faculdade. Ele sumiu no mundo e eu cai na vida. Tive dezenas de namorados, aprendi a amar menos, o que foi uma pena, e aprendi a ser mais cínica com a vida, o que também foi uma pena, mas necessário. Viver pra sempre tão boba e perdida teria sido fatal.
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Dez anos depois recebo uma ligação estranha, a mesma voz de sempre, as mesmas lacunas que eu, sempre nervosa, nunca soube preencher. A bola de fogo ainda estava dentro de mim, minhas pernas ainda podiam fraquejar, minha boca ainda secava, eu ainda guardava em mim os restos corajosos e puros do primeiro, e sempre maior, amor.

Cortei o cabelo, comprei roupa nova, fui o caminho inteiro me dizendo "Agora você é uma mulher, comporte-se como tal" e rezando a Deus para que ao menos dessa vez me ajudasse a controlar o queixo que sempre tremia.

Cheguei primeiro, estalei os dedos, mordi a boca, suspirei, fechei os olhos. De repente ele estava lá. Olhei bem, olhei de novo, olhei mais uma vez. Não. O que tinham feito do meu amor? O que tinham feito do meu demônio, da minha morte, da minha vida, da minha essência, dos meus valores, das minhas verdades?

Ele se sentou ao meu lado com olhos verdes apagados e limitados, comentou que retardatariamente ainda tocava seu pandeirinho e acreditava no PT. Sua camisa era brega, seu cheiro era oleoso e seu papo era digno de descontrole dos queixos realmente, pois dava muito sono.

Nos beijamos e nada, nenhuma disparada no coração, nenhuma dobrada involuntária nos joelhos, nada de estrelas, sininhos, fogos e cores vibrantes. O garoto perfeito dos olhos verdes perfeitos e das músicas perfeitas era agora apenas o garoto desinteressante do pandeiro. Como eu pude quase morrer pelo garoto do pandeiro?

Voltei pra casa amando e odiando o tempo. Amando porque o tempo havia passado, odiando porque o tempo havia passado.

domingo, 12 de agosto de 2007

samson

Regina Spektor

You are my sweetest downfall
I loved you first
Beneath the sheets of paper lies my truth
I have to go
Your hair was long when we first met
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Samson went back to bed
Not much hair left on his head
Eat a slice of wonder bread and
Went right back to bed
And the history books forgot about us
And the bible didn't mention us
Not even once
.
You are my sweetest downfall
I loved you first
Beneath the stars came falling on our heads
But they're just old light
Your hair was long when we first met
.
Samson came to my bed
Told me that my hair was red
Told me i was beautiful and
Came into my bed
Oh i cut his hair myself one night
A pair of dull scissors in the yellow light
And he told me that i'd done alright
And kissed me till the morning light
.
Samson went back to bed
Not much hair left on his head
Eat a slice of wonder bread and
Went right back to bed
Oh we couldn't bring the columns down
Yeah we couldn't destroy a single one
And the history books forgot about us
And the bible didn't mention us
Not even once
.
You are my sweetest downfall
I loved you first

sábado, 11 de agosto de 2007

pescador de ilusões

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O Rappa


Se meus joelhos não doessem mais

Diante de um bom motivo

Que me traga fé, que me traga fé

Se por alguns segundos eu observar

E só observar

A isca e o anzol, a isca e o anzol

A isca e o anzol, a isca e o anzol

Ainda assim estarei pronto pra comemorar

Se eu me tornar menos faminto

Que curioso, que curioso

O mar escuro trará o medo lado a lado

Com os corais mais coloridos

Valeu a pena, eh eh

Valeu a pena, eh eh

Sou pescador de ilusões

Sou pescador de ilusões

Se eu ousar catar

Na superfície de qualquer manhã

As palavras de um livro sem final

Sem final, sem final, sem final, final

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

a formiguinha e a cigarra (nova versão)

Era uma vez, uma formiguinha e uma cigarra muito amigas.
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Durante todo o outono, a formiguinha trabalhou sem parar, armazenando comida para o período de inverno. Não aproveitou nada do sol, da brisa suave do fim da tarde e nem do bate papo com os amigos ao final do trabalho tomando uma cervejinha. Seu nome era "trabalho" e seu sobrenome "sempre".
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Enquanto isso, a cigarra só queria saber de cantar nas rodas de amigos e nos bares da cidade; não desperdiçou um minuto sequer, cantou durante todo o outono, dançou, aproveitou o sol, curtiu para valer sem se preocupar com o inverno que estava por vir.
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Então, passados alguns dias, começou a esfriar. Era o inverno que estava começando. A formiguinha, exausta de tanto trabalhar, entrou para a sua singela e aconchegante toca repleta de comida.
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Mas alguém chamava por seu nome do lado de fora da toca. Quando abriu a porta para ver quem era, ficou surpresa com o que viu: sua amiga cigarra estava dentro de uma Ferrari com um aconchegante casaco de vison.
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E a cigarra disse para a formiguinha:- Olá, amiga, vou passar o inverno em Paris. Será que você poderia cuidar da minha toca?
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E a formiguinha respondeu: - Claro, sem problemas! Mas o que lhe aconteceu? Como você conseguiu dinheiro para ir a Paris e comprar esta Ferrari?
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E a cigarra respondeu: - Imagine você que eu estava cantando em um bar na semana passada e um produtor gostou da minha voz. Fechei um contrato de seis meses para fazer shows em Paris...
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A propósito, a amiga deseja algo de lá? - Desejo sim. Se você encontrar o La Fontaine (autor da fábula original) por lá, manda ele ir para a puta que pariu!
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Moral da História: "Aproveite sua vida, saiba dosar trabalho e lazer, pois trabalho em demasia só traz benefício em fábulas do La Fontaine e ao seu patrão."
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Trabalhe, mas curta a sua vida. Ela é unica!

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Colcha de Retalhos

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Precisamos sempre aprender com as lições
que a própria vida nos proporciona.
E ela nos oferece oportunidades maravilhosas
de aprendizado, se tivermos olhos atentos
para ver e entender.





Criatividade é um recurso humano que nos dá condições de modificar o ambiente que não nos é favorável. O processo da criatividade é o processo da reconstrução do espaço, da nova leitura, da nova interpretação. Uma colcha de retalhos é uma criativa forma de reciclar o que não tem mais utilidade. Precisamos aprender...

A colcha de retalhos é uma metáfora da vida. No encontro das diferenças, está a causa da beleza. Tecidos diversos, cores múltiplas e o desenho da trama que geras o resultado final. Cada colcha condensa uma multiplicidade de cores e nuances. A sabedoria na feitura consiste em saber escolher e dispor os retalhos. Retalhos de cores vivas ficam mais bonitos, se estivessem emoldurados de cores sóbrias. É a regra que faz prevalecer o bom gosto.

O vermelho vivo parece pedir o azul marinho que o contrasta. O amarelo vibrante solicita um retalho que o destaque, mas que não o torne excessivo. Os contrastes são sempre bem vindos, quando a estética precisa ser observada. A harmonia tão desejada se concretiza no encontro das diferenças. Uma colcha feita apenas de retalhos vibrantes pode se tornar facilmente cansativa aos nossos olhos. Da mesma forma como uma pintura não pode ser bonita se for feita apenas de luz. A sombra é a moldura que nos abre os olhos para observarmos a beleza do que está iluminado.

Penso que a felicidade humana esteja intimamente ligada à nossa capacidade de saber costurar os retalhos da vida que temos. Cada dia é um retalho a ser colocado na colcha. Há dias em que os retalhos são felizes. Há outros em que os retalhos estão tocados pela tristeza.


Viver é trabalho de artesão. Desenhar a trama da colcha, costurar os tecidos, buscar a harmonia das cores. Para cada dia, o seu retalho: para cada dia, a sutura necessária, o empenho mais honesto que nos permite esperar por dias melhores. O grande desafio é não cairmos na ilusão de uma colcha feita apenas de retalhos felizes. O contraste é a realidade da hora. Onde houver a condição humana, lá estarão o sofrimento e suas conseqüências.


Eu não sei quais são os retalhos que você hoje tem diante de seus olhos. Não sei o que prevalece neles. Se a dor ou a alegria. O que sei é que a você cabe o desafio de não desprezar nenhum deles, incorporando-os, construindo sua colcha, aprendendo o artesanato que será para a vida toda. Não desanime. Descubra a graça de reconciliar os seus contrários. Dá trabalho, eu sei. Trabalhos artesanais são sempre exigentes, mas no artesanato de cada dia, há o aprendizado de uma vida inteira.




Pe. Fábio de Melo

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

coragem

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Diz uma antiga fábula que um camundongo vivia angustiado com medo do gato.


Um mágico teve pena dele e o transformou em gato.


Mas aí ele ficou com medo do cão, por isso o mágico o transformou em cão.


Então, ele começou a temer a pantera e o mágico o transformou em pantera.


Foi quando ele se encheu de medo do caçador.


A essas alturas, o mágico desistiu. Transformou-o em camundongo novamente e disse: “Nada que eu faça por você vai ajudá-lo, porque você tem a coragem de um camundongo”.


É preciso coragem para romper com o projeto que nos é imposto.


Enfim, aprenda que coragem não é a ausência do medo, e sim a capacidade de avançar apesar do medo.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

medos

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As vezes dá medo de tudo, uma vontade de fazer diferente... Entretanto, aprendi que enfrentar é sempre a melhor escolha! Não quero passar a vida inteira pensando no que poderia ter sido. Quero e vou realizar, para contar aos meus netos as peripercias, as lutas, as maluquices que vovó passou para chegar até aqui. Quero ser exemplo a ser seguido e não apenas mais uma, que no fim das contas, não fez nenhuma diferença.




Thayze Darnieri

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

manual de não-instrução

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Minha vida tem um buraco que não sei de que é feito. Era para tudo ser muito fácil, mas eu encasquetei de fazer tudo do jeito mais difícil. Meu problema sou só eu. Não me odeie por eu ser assim. Eu tenho a culpa de todas as culpas e, as que não tenho, tomo para mim. Eu tenho crises de segunda a noite porque me dá um vazio de não me achar. Eu tenho crises de quarta porque me achei e não gostei. Tem quem me ache sublime por tão alegre e tão melancólica assim. Eu me acho insuportável. Ok, e ao mesmo tempo a pessoa mais legal do mundo.

Eu não gosto que me escolham caminhos e fico puta porque há um tempo tenho deixado a vida escolher. Eu tenho tudo e às vezes me sinto completamente sem nada só porque a chuva cai e o sol não brilha. E se brilha, tem o maldito tom de amarelo a que eu chamo de pureza. Que eu já não sei se sei distinguir.

Eu tenho medo de crescer e ao mesmo tempo cresci rápido demais. Eu me afobo e paro. Mas quando paro, fico afobada, porque acho que o tempo passou e eu não fui junto.

Porque você gosta de mim? Você me perguntou e se perguntou isso em um recado de voz. Eu não sei responder. Você gosta de mim por tudo o que eu sou e por tudo o que eu não sou. E eu sofro, porque não sei ser não sendo. Não ser é ser sem escolher. E eu gosto de escolher, lembra?
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De verdade? Não sei porque te falo tudo isso. Acho que quero te convencer de uma vez que eu sou louca para poder agir feito uma sem o medo de de repente você descobrir que eu sou louca e de repente não gostar mais de mim. Ou quero te convencer que não existe porque gostar de mim. Só porque sou louca.

Você me pediu para escrever um poema para você. Mas para escrever poema, tem um lado meu que precisa de férias dos dedos ávidos por palavras que façam sentido sem beleza. Porque, afinal, as vezes eu acredito em beleza, as vezes não.

Sabe porque eu não me encontro? Porque por definição eu sou contraditória e quem é contraditória não pode se definir. Se não me defino, não sei quem sou, não me encontro. Mas se deixo de ser contraditória, deixo de ser eu e, logo, também não me encontro.

Me explica, porque você encanou de me encontrar?
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Myla Verzola

domingo, 5 de agosto de 2007

metade


Oswaldo Montenegro


Que a força do medo que tenho

Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito

Não me tape os ouvidos e a boca

Porque metade de mim é o que eu grito

Mas a outra metade é silêncio

Que a música que ouço ao longe

Seja linda ainda que tristeza

Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada

Mesmo que distante

Porque metade de mim é partida

Mas a outra metade é saudade

Que as palavras que falo

Não sejam ouvidas como prece

E nem repetidas com fervor

Apenas respeitadas

Como a única coisa que resta

A um homem inundado de sentimento

Porque metade de mim é o que ouço

Mas a outra metade é o que calo

Que essa minha vontade de ir embora

Se transforme na calma e na paz que eu mereço

E que essa tensão que me corrói por dentro

Seja um dia recompensada

Porque metade de mim é o que penso

E a outra metade um vulcão

Que o medo da solidão se afaste

E que o convívio comigo mesmo

Se torne ao menos suportável

Que o espelho reflita em meu rosto

Um doce sorriso que eu me lembro ter dado na infância

Porque metade de mim é a lembrança do que fui

E a outra metade não sei

Que não seja preciso mais que uma simples alegria

Pra me fazer aquietar o espírito

E que o teu silêncio me fale cada vez mais

Porque metade de mim é abrigo

Mas a outra metade é cansaço

Que a arte nos aponte uma resposta

Mesmo que ela não saiba

E que ninguém a tente complicar

Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer

Porque metade de mim é platéia

E a outra metade é a canção

E que a minha loucura seja perdoada

Porque metade de mim é amor

E a outra metade também

sábado, 4 de agosto de 2007

amigo apaixonado

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Victor e Léo





Pensando bem
Eu gosto mesmo de você
Pensando bem quero dizer
Que amo ter te conhecido


Nada melhor
Que eu deixar você saber
Pois é tão triste esconder
Um sentimento tão bonito


Hoje mesmo vou te procurar
Falar de mim
Sei que nem chegou a imaginar
Que eu pudesse te amar tanto assim


Sempre fui um grande amigo seu
Só que não sei mais se assim vai ser
Sempre te contei segredos meus
Estou apaixonado por você


Esse amor entrou no coração
Agora diz o que é que a gente faz
Pode dizer sim ou dizer não
Ser só seu amigo não da mais

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

amor perfeito

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Babado Novo



Fecho os olhos pra não ver passar o tempo
Sinto falta de você
Anjo bom, amor perfeito no meu peito
Sem você não sei viver



Então vem
Que eu conto os dias, conto as horas pra te ver
Eu não consigo te esquecer
Cada minuto é muito tempo sem você



Os segundos vão passando lentamente
Não têm hora pra chegar
Até quando te amando, te querendo
Meu Coração quer te encontrar



Então vem
Que nos teus braços esse amor é uma canção
Eu não consigo te esquecer
Cada minuto é muito tempo sem você, sem você



Eu não vou saber me acostumar
Sem suas mãos pra me acalmar
Sem seu olhar pra me entender
Sem seu carinho, amor, sem você



Vem me tirar da solidão
Fazer feliz meu coração
Já não importa quem errou
O que passou, passou



Então vem...

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

por onde andei

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Nando Reis



Desculpe estou um pouco atrasado
Mas espero que ainda dê tempo
De dizer que andei errado e eu entendo



As suas queixas tão justificáveis
E a falta que eu fiz nessa semana
Coisas que pareceriam óbvias até pra uma criança



Por onde andei enquanto você me procurava
E o que eu te dei foi muito pouco ou quase nada
É que eu deixei algumas roupas penduradas
Será que eu sei que você é mesmo tudo aquilo que me faltava



Amor eu sinto a sua falta
E a falta é a morte da esperança
Como um dia que roubaram seu carro
Deixou uma lembrança



Que a vida é mesmo coisa muito frágil
Uma bobagem uma irrelevância
Diante da eternidade do amor de quem se ama



Por onde andei enquanto você me procurava...

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

construção

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"...Não tem nada de iluminado no ato de se encolher, pois os outros se sentirão inseguros ao seu redor. Nascemos para manifestar a glória do Espírito que está dentro de nós. E a medida que deixamos nossa luz brilhar, damos permissão para os outros fazerem o mesmo. À medida que libertamos nosso medo, nossa presença libera outros"




Nelson Mandela

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