terça-feira, 31 de julho de 2007

a fábula do rato

Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que haveria ali.

Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado.

Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos:

- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa!

A galinha disse:

- Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.

O rato foi até o porco e disse:

- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira!

- Desculpe-me Sr. Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser orar. Fique tranqüilo que o Sr. Será lembrado nas minhas orações.

O rato dirigiu-se à vaca. E ela lhe disse:

- O quê? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!

Então o rato voltou para casa abatido, para encarar a ratoeira. Naquela noite ouviu-se um barulho, como o da ratoeira pegando sua vítima.

A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pego.

No escuro, ela não viu que a ratoeira havia pego a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher… O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre.

Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha. O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal.

Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la.

Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco.

A mulher não melhorou e acabou morrendo.

Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo.


"Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que quando há uma ratoeira na casa, toda fazenda corre risco. O problema de um é problema de todos."

segunda-feira, 30 de julho de 2007

diferenças...

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Um Dia de Chuva
Um dia de chuva é tão belo como
um dia de sol.
Ambos existem;
cada um como é.



Fernando Pessoa

domingo, 29 de julho de 2007

amizade!

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Os amigos são aqueles que estão totalmente à vontade para colocar em comum as grandes dificuldades, as grandes experiências. A amizade é o desafio de chegar mais longe, com o apoio de alguém que sempre está no caminho.


Victor Feytor Pinto

sábado, 28 de julho de 2007

liberdade

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... Liberdade, essa palavra
Que o sonho humano alimenta
Que não há ninguém que explique
E ninguém que não entenda...

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Cecília Meireles

sexta-feira, 27 de julho de 2007

quem sou eu?

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Khalil Gibran
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Ainda ontem pensava que não era
mais do que um fragmento trêmulo sem ritmo
na esfera da vida.
Hoje sei que sou eu a esfera,
e a vida inteira em fragmentos rítmicos move-se em mim.

Eles dizem-me no seu despertar:
'Tu e o mundo em que vives não passais de um grão de areia
sobre a margem infinita
de um mar infinito'.

E no meu sonho eu respondo-lhes:

'Eu sou o mar infinito,
e todos os mundos não passam de grãos de areia
sobre a minha margem'.

Só uma vez fiquei mudo.
Foi quando um homem me perguntou:
'Quem és tu?'".

quinta-feira, 26 de julho de 2007

não entendo

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Não entendo.
Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender.
Entender é sempre limitado.
Mas não entender pode não ter fronteiras.
Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.
Não entender, do modo como falo, é um dom.
Não entender, mas não como um simples de espírito.
O bom é ser inteligente e não entender.
É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida.
É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice.
Só que de vez em quando vem a inquietação: - quero entender um pouco.
Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.
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Clarice Lispector

quarta-feira, 25 de julho de 2007

a lista

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Oswaldo Montenegro


Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas mentiras você condenava
Quantas você teve que cometer
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você

terça-feira, 24 de julho de 2007

dias felizes!

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A vida nada mais é do que a congruência de dias felizes. Dias que acontecem e nunca mais esquece, dias que significam lembranças de uma vida inteira, dias de intensidade extrema. Sinta-se alguém de sorte se viver DIAS FELIZES, pois a maioria dos mortais apenas sobrevive. Viver não é ver os dias passarem, e sim, passar pelos dias. Para isso, durante o caminho terá que ter sabedoria para curtir cada momento, e então, quando chegar a sua hora, quando for o seu momento, você saberá fazer dele inesquecível.


Thayze Darnieri

segunda-feira, 23 de julho de 2007

ruas de outono

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Ana Carolina
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Nas ruas de outono
Os meus passos vão ficar
E todo abandono que eu sentia vai passar
As folhas pelo chão
Que um dia o vento vai levar
Meus olhos só verão que tudo poderá mudar
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Eu voltei por entre as flores da estrada
Pra dizer que sem você não há mais nada
Quero ter você bem mais que perto
Com você eu sinto o céu aberto
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Daria pra escrever um livro
Se eu fosse contar
Tudo que passei antes de te encontrar
Pego sua mão e peço pra me escutar
Seu olhar me diz que você quer me acompanhar
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Eu voltei por entre as flores da estrada
Pra dizer que sem você não há mais nada
Quero ter você bem mais que perto
Com você eu sinto o céu aberto
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Quero ter você bem mais que perto
Com você eu sinto o céu aberto...

domingo, 22 de julho de 2007

amor incerto

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Se existem verdades absolutas, uma delas é o medo que temos de sofrer. Para tanto, ingenuamente tentamos controlar as situações ao nosso redor, como se essa possibilidade fosse viável. Obcecados pelo instinto de proteção, gastamos energia e tempo tentando controlar os pensamentos, as atitudes e até os sentimentos. No entanto, esquecemos que a vida se baseia no imprevisível, no incontrolável, no surpreendente. Nenhum sentimento é garantido, nenhuma conseqüência é revelada antecipadamente. O futuro é incerto. E apesar de tamanha imprevisibilidade, temos em nosso coração toda a sede para conquistarmos o que desejamos, muito diferente de controlar, prever ou obter garantias. Muitas pessoas não conseguem encontrar o amor, não se entregam a uma relação profunda e verdadeira, simplesmente porque estão, todo tempo, na busca por certezas. As perguntas gritam, as dúvidas atormentam e a iminência em se deparar com a dor assombra, impedindo-os de avistar uma outra possibilidade, tão plausível quanto a de sofrer. Será que ele me ama? Será que vale a pena perdoar e tentar de novo? Será que ele não vai me trair? Será que não estou sendo idiota? Será que não vou sofrer mais do que se ficar sozinho? Será? Será? O que será, eu responderia com muita tranqüilidade, não importa agora. Na verdade, nunca importará! A pergunta correta é: “Eu quero?” Quando aprendermos a responder, com respeito e responsabilidade, essa simples perguntinha, teremos previsto qualquer possibilidade. Sim, porque o amor é uma chance, uma oportunidade, não uma garantia, e jamais uma certeza. Podemos vivê-lo conforme nossa vontade, de acordo com nosso coração ou... Passaremos a vida inteira tentando controlar o incontrolável, garantir o incerto. Jamais saberemos se o outro está sendo fiel, se o amor que sentimos é correspondido na mesma medida, se vamos sofrer ou seremos felizes. Jamais saberemos do amanhã. Então, que usemos nossa inteligência, a despeito de todo o medo, ou seja, que de uma vez por todas, abramos mão dessa tentativa inútil de controlar o amor, a vida, o outro e nos concentremos em nós, em nossos reais objetivos. Descobriremos que nos ocupar com nossos próprios sentimentos já é trabalho para vida inteira. Descobriremos que agir conforme nossa vontade é o bastante para que nos sintamos preenchidos, embora possamos mesmo vir a sofrer. Simplesmente porque o sofrimento é uma possibilidade tão possível quanto a felicidade. E digo mais, só entrará de fato no coração de alguém, mesmo sem certeza, quando tivermos a audácia e a coragem de nos entregar ao imprevisível, quando conseguirmos compreender que a segurança é mérito pessoal. Portanto, se quiser, fizer por merecer, qualquer possibilidade de dor e sofrimento valerá a pena. Porque quando a gente quer de verdade, a magia do amor nos faz entender que sofrer faz parte do caminho e, no final das contas, é tudo crescimento, aprendizagem, evolução e, por fim, a tão desejada felicidade. Isso não significa que ela esteja no final do caminho ou no final da vida, simplesmente porque ser feliz é entregar-se ao imprevisível e aceitar a dor e a alegria como partes do amor.

sábado, 21 de julho de 2007

palavras de um futuro bom



Jota Quest
Anda...
Enquanto o dia acorda a gente ama
Estou pronto pra te ouvir aqui na cama
Te espero vamos rir de todo mundo
Nesse quarto tão profundo...

Pára, repara tente ver a tua cara
Contemple esse momento é coisa rara
Uma emoção assim só se compara
A tudo que nós já passamos juntos...

Preciso tanto aproveitar você
Olhar teus olhos, beijar tua boca
Ouvir palavras de um futuro bom
Preciso tanto aproveitar você
Olhar teus olhos, beijar tua boca...
Dizer palavras de um futuro bom...

Anda...
Enquanto o dia acorda a gente ama
Estou pronto pra te ouvir aqui na cama
Te espero, vamos rir de todo mundo
Nesse quarto tão profundo...

Pára, repara tente ver a sua cara
Contemple esse momento é coisa rara
Uma emoção assim só se compara
A tudo que nós já passamos juntos
Nesse quarto em um segundo...

Preciso tanto aproveitar você
Beijar teus olhos, olhar tua boca
Dizer palavras de um futuro bom
Preciso tanto aproveitar você
Beijar teus olhos
Olhar tua boca
Ouvir palavras de um futuro bom...

sexta-feira, 20 de julho de 2007

onde mora o amor

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Por Rubem Alves


"Amor é a coisa mais alegre.
Amor é a coisa mais triste.
Por causa dele falo palavras como lanças.
Amor é a coisa mais alegre.
Amor é a coisa mais triste.
Amor é coisa que mais quero.
Por causa dele podem entalhar-me,
sou de pedra sabão.
Alegre ou triste,
amor é a coisa que mais quero."

(Adélia Prado)



Concordo. Que coisa melhor poderá haver?

Mas o danado – coisa estranha – é como o vento. Uma hora vem, outra hora vai, e não há artes no mundo que o possam agarrar. Como dizia o Fernando Pessoa: "Leve, leve, muito leve, / um vento muito leve passa, / e vai-se, sempre muito leve..."

Onde é que mora para que possamos buscá-lo? Sei que mora em algum lugar, mas lá não se pode chegar... Até se pode, mas o jeito ficou desacreditado. E quase ninguém (acho que só os poetas) o procuram lá. Amor mora no país das palavras. Palavras – não são elas "pontes e arco-íris que se estendem sobre coisas eternamente separadas?" Melhor que uma ponte de palavras, arco-íris onde nunca se chega, é um anel da H. Stern. Di-amante. Dizem que são eternos. Por isso mesmo, coitados, não combinam com o amor, que "não é eterno. posto que é chama". O que é eterno é como o vento. Diamantes ao contrário, são bons para cortar vidro, duros, impenetráveis. Valem pelo que custam.

Mas amor não custa nada. Quem pensa que o amor custa e compra anel da H. Stern é porque ou não o tem ou não entende o que ele é. Diamante no dedo, anel, está garantido, só se investe tanto dinheiro no que se ama, bom investimento, como casa e automóvel.

No dedo, para não sair nunca mais. Mas o amor não é assim. Vai e vem. E é por isso que dói tanto. Quando vem é a coisa mais alegre. Quando vai é a coisa mais triste. Pôr-de-sol. Mais se parece com uma gota de chuva numa folha de couve, o raio de sol se decompondo nas sete cores do arco-íris. Mas, tente pegá-la... Tente colocá-la no anel. No anel só ficam coisas duras e mortas. Quem pega perde. Vento engarrafado não serve para empinar pipas e nem faz o cabelo voar... Gota de chuva brilhando em folha de couve a gente só pode olhar e se extasiar. Alguns pensam que o casamento faz o milagre, que é capaz de por a gota de chuva no anel. Que ele consegue engaiolar o vento. E até inventaram esta palavra terrível que vamos repetindo sem nos lembrar do que significa: conjugal, com-jugo, sob a mesma canga, como parelha de bois amarrados... Tanta festa com vídeo, todos iguais, diferença só na cor das roupas, a noiva está linda (todas), salgadinhos e champanhe, discurso de padre que ninguém ouve, os fotógrafos, irreverentes, atrapalhando tudo, o importante é mostrar o álbum colorido, depois. Mas toda a mágica não adianta. A gota de chuva ri, o vento dança...

O amor mora num outro lugar: as palavras. Por isso que o Milan Kundera diz que começamos a amar uma mulher no momento em que ligamos seu rosto a uma metáfora poética. Amamos uma pessoa pela poesia que vemos escrita no seu corpo. Bem diz a Adélia Prado que "erótica é a alma". Estranho isso, porque se pensa que o amor mora é no corpo e até se dá o nome de "fazer amor" a união de dois corpos. Mas o corpo é como a flauta, o órgão, o violão, o violino – coisa que só fica bonita quando dele sai música. Amamos um corpo pela música que nos faz ouvir. Conheço muito piano fechado, desafinado, importado, que ninguém sabe tocar, mas que dá um toque de elegância ao ambiente. Quem tem um piano deve ser sensível. E, no entanto, não se sabe distinguir um acorde maior de um menor.

Amamos uma pessoa pelas palavras que a ouvimos dizer, por vezes em silêncio. Mesmo quando se está "fazendo amor" – muito bom, prazer enorme no corpo. Até os bichos sabem disso e ficam alucinados quando o corpo berra. Mas logo se esquecem depois do prazer. Certo: às vezes também nós somos bichos. Mas o prazer (curto) se transforma em alegria quando além do prazer que o corpo sente, a alma ouve as palavras que moram dentro dos olhos: "Como é bom que você existe. O universo inteiro fica luminoso, por sua causa. Vou chorar quando você se for. Terei saudades. Ficarei com um pedaço arrancado de mim. Será triste. Tristeza que não abandonarei por nada, pois ela marca a sua presença, que se foi.". Não, não é o prazer que se sente no corpo, é a alegria que se sente na alma. A gente se sente bonito. O outro é um espelho onde nos contemplamos, e nos seus olhos a nossa imagem se transfigura, e é como se fôssemos deuses. Não há prazer no corpo que resista a um espelho mau.

Mas, aí, sem que se saiba por que, a gota de chuva cai, o vento se vai, e ficamos de mãos vazias. E só nos resta esperar. Como esperamos que o ipê floresça de novo. As flores desapareceram, mas voltarão. Amor é isto: a dialética entre a alegria do encontro e a dor da separação. E neste espaço o amor só sobrevive graças a algo que se chama fidelidade: a espera do regresso. De alguma forma, a gota de chuva aparecerá de novo, o vento permitirá que velejemos de novo, mar afora. Morte e ressurreição. Na dialética do amor, a própria dialética do divino. Quem não pode suportar a dor da separação não está preparado para o amor. Porque o amor é algo que não se tem nunca. É evento de Graça. Aparece quando quer, e só nos resta ficar à espera. E quando ele volta a alegria volta com ele. E sentimos que valeu a pena suportar a dor da ausência, pela alegria do reencontro.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

É o que tem pra hoje

Por Tati Bernardi

Queria ser uma dessas pessoas que chegam rapidamente até o outro lado da praia, mesmo quando é fofa e de tombo.
Que arquitetam planos de vida.
Que começam assistentes e terminam donos.
Que começam miojo e terminam grande evento culinário um sábado sim, um não.
Que não se demoram na hora de olhar o cardápio, a vitrine, o Guia da Folha, os rapazes da noite.
Fico vendo que fulano foi lá, escreveu o roteiro, quase um ano de trabalho. Depois foi lá, filmou tudinho, mais um ano de trabalho. Na semana da estréia já estava envolvido em outro projeto. Projetos atrás de projetos. Ah: e fulano tem absoluta certeza que nasceu pra isso.
Fico vendo que fulana foi lá: em 2000 pós, 2001 mba, 2002 carro do ano, 2003 casamento, 2004 casa, 2005 filho, 2006 rotavírus. Uma vida na agenda.
Mas enquanto isso, será que fulano sabe dos 456 livros que poderia ler? Das 456 mulheres que poderia comer? Do pôr do sol em Fernando de Noronha? Do prazer surreal que é dormir até tarde sem saber que dia é?
Como fulano pode ter certeza que está no lugar certo, na hora certa, no momento certo, com a pessoa certa, se há zilhões de segundos, dias, ruas, bairros, cidades, países e sonhos nesse mundo?
Passo os dias me perguntando. Aquele povo todo, correndo na paulista, se apertando no metrô, parado no trânsito da Marginal, passando crachás, apertando mãos, escovando os dentes naquelas escovinhas que dobram no meio pra caber na bolsa, almoçando em quilos, sorrindo em falso, respirando ar condicionado, sonhando com a bunda alheia, com o salário alheio, com o final do dia.
Eu não consigo ser uma coisa. Não consigo viver por algo. Tenho esse saco sem fundo onde cabe o mundo. Mas cabe tanto, tanto, que vivo vazia. Porque ainda não aprendi a me preencher.
Porque ainda ando por aí meio maravilhada e irritada, caçando meus pedaços, desejos e inspirações. Até que depois de ver um pouco de tudo e todos, eu saiba finalmente que cara e que forma tem o meu mural de recortes, a minha colcha de retalhos.
Mas no meio do caminho se é muito feliz. E esse texto está assim meio estranho porque to escrevendo ele… Quem diria: um pouco bêbada. Agora, por exemplo, to feliz porque bebi saquê e cantei “O amor e o poder” em um karaokê louco. To muito feliz. E talvez um pouco bêbada. Odeio crachás. E eu to feliz porque to ouvindo uma versão de “My way” cantada pelo Gipsy Kings e são quatro e cinco da manhã. E porque estou tendo o maior ataque de riso do mundo simplesmente porque nada faz sentido. E que bom que não faz.
Como diria meu cabeleireiro gay e com pedras no rim: “é o que tem pra hoje, meu bem”. E eu não me culpo pela minha pressa em ficar. E eu não te culpo pela sua pressa em ir. É em tantas pressas contrárias que a gente se esbarra pelo mundo e se diverte um pouco.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

abraço

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Djavan Anterio



Abraço de quem ama
Abraço de quem gosta
Abraço que encanta
Abraço que conforta

Abraço que alegra
Abraço de confiança
Abraço que carrega
Abraço de esperança

Abraço de segredo
Abraço de fé
Abraço que ameniza o medo
Abraço deitado, sentado ou em pé

Abraço de amigo
Abraço forte
Abraço querido
Abraço de boa sorte
.
Abraço de desculpas
Abraço de perdão
Abraço de boa viagem
Abraço de irmão

Abraço de saudade
Abraço de pureza
Abraço sem maldade
Abraço com firmeza

Abraço que aquece
Abraço arrependido
Abraço que não se esquece
Abraço de um amor perdido

Abraço de pai
Abraço maduro
Abraço de mãe
Abraço seguro

Abraço...


terça-feira, 17 de julho de 2007

confesso

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Ana Carolina
Confesso acordei achando tudo indiferente
Verdade acabei sentindo cada dia igual
Quem sabe isso passa sendo eu tão inconstante
Quem sabe o amor tenha chegado ao final

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Não vou dizer que tudo é banalidade
Ainda há surpresas mas eu sempre quero mais
É mesmo exagero ou vaidade
Eu não te dou sossego, eu não me deixo em paz

.
Não vou pedir a porta aberta é como olhar pra trás
Não vou mentir nem tudo que falei eu sou capaz
Não vou roubar teu tempo eu já roubei demais

.
Tanta coisa foi acumulando em nossa vida
Eu fui sentindo falta de um vão pra me esconder
Aos poucos fui ficando mesmo sem saída
Perder o vazio é empobrecer

.
Não vou querer ser o dono da verdade
Também tenho saudade mas já são quatro e tal
Talvez eu passe um tempo longe da cidade
Quem sabe eu volte cedo ou não volte mais

segunda-feira, 16 de julho de 2007

desejo...

Vitor Hugo



Desejo primeiro que você ame,

E que amando, também seja amado.

E que se não for, seja breve em esquecer.

E que esquecendo, não guarde mágoa.

Desejo, pois, que não seja assim,

Mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos,

Que mesmo maus e inconseqüentes,

Sejam corajosos e fiéis,

E que pelo menos num deles

Você possa confiar sem duvidar.

E porque a vida é assim,

Desejo ainda que você tenha inimigos.

Nem muitos, nem poucos,

Mas na medida exata para que, algumas vezes,

Você se interpele a respeito

De suas próprias certezas.

E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,

Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil,

Mas não insubstituível.

E que nos maus momentos,

Quando não restar mais nada,

Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante,

Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,

Mas com os que erram muito e irremediavelmente,

E que fazendo bom uso dessa tolerância,

Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem,

Não amadureça depressa demais,

E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer

E que sendo velho, não se dedique ao desespero.

Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e

É preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste,

Não o ano todo, mas apenas um dia.

Mas que nesse dia descubra

Que o riso diário é bom,

O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra,

Com o máximo de urgência,

Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,

Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato,

Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro

Erguer triunfante o seu canto matinal

Porque, assim, você sesentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente,

Por mais minúscula que seja,

E acompanhe o seu crescimento,

Para que você saiba de quantas

Muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,

Porque é preciso ser prático.

E que pelo menos uma vez por ano

Coloque um pouco dele

Na sua frente e diga "Isso é meu",

Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra,

Por ele e por você,

Mas que se morrer, você possa chorar

Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo homem,

Tenha uma boa mulher,

E que sendo mulher,

Tenha um bom homem

E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,

E quando estiverem exaustos e sorridentes,

Ainda haja amor para recomeçar.

E se tudo isso acontecer,

Não tenho mais nada a te desejar.

domingo, 15 de julho de 2007

mensagem que não foi mandada

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Sei que no ano passado não respondi ao seu cartão de Natal, embora ele me tivesse comovido - nós estávamos tão longe! Durante o ano várias vezes pensei em lhe escrever: mas talvez eu fosse à Europa, e então seria melhor, quem sabe a gente poderia se ver.

Meses atrás alguém me falou de você; estava bela e triste em Paris, hesitava em casar com um americano... Casou-se? E onde passou o Natal? Imagino que outra vez no país do Báltico, numa velha fazenda, junto de seus filhos. Sabia - que há duas semanas, numa velha fazenda do Brasil, numa noite de Natal de muita chuva, houve um homem que acordou de madrugada pensando em você.

Sua beleza apenas não explica isso; nem essa graça frívola e melancólica; nem nossa amizade tão rápida, tão pouca. Entretanto, quando despertei por acaso, na madrugada, estava pensando em você, e gravemente, seriamente, com o sentimento de que era urgente que você estivesse tendo um Feliz Natal. Lembra-se aquela tarde, no Coliseu? Escurecia, mas ainda havia luzes estranhas nas nuvens que pareciam pintadas por El Greco. E no imenso anfiteatro em ruínas acenderam-se pequenas chamas trêmulas, como no tempo dos imperadores. Estávamos quietos, ouvindo músicas; voltei-me lentamente; silenciosa, você chorava. Ficamos mais amigos; aquelas luzes, a música, a criança que naquele dia fazia anos e em quem você pensava, tudo isso reviveu um instante nesta última noite de Natal enquanto a chuva batia no telhado.

Acordei; e sem acender a luz, fiquei olhando a noite de chuva pela janela aberta; os gritos haviam se calado, havia apenas raros sapos coaxando na noite triste. Havia aquele cartão de Natal do ano passado que eu não respondi. E então eu senti que era preciso que você naquele instante, em algum país em que estivesse caindo muita neve, estivesse cálida e feliz, os olhos iluminados de uma alegria triste da infância. Onde? Não importava; ainda meio dormindo eu tinha a ilusão de que, pensando intensamente em você, eu estava, de algum modo, naquele momento, ajudando você; como se através das noites do mundo a ternura de um homem grisalho diante de uma janela escura pudesse atravessar mares e terras para abençoar a trêmula cabeça de alguém.




Rubem Braga - A Traição das Elegantes (1697)

sábado, 14 de julho de 2007

amigo, um ensaio

Marcelo Batalha

Difícil querer definir amigo. Amigo é quem te dá um pedacinho do chão, quando é de terra firme que você precisa, ou um pedacinho do céu, se é o sonho que te faz falta. Amigo é mais que ombro amigo, é mão estendida, mente aberta, coração pulsante, costas largas. É quem tentou e fez, e não tem o egoísmo de não querer compartilhar o que aprendeu. É aquele que cede e não espera retorno, porque sabe que o ato de compartilhar um instante qualquer contigo já o realimenta, satisfaz. É quem já sentiu ou um dia vai sentir o mesmo que você. É a compreensão para o seu cansaço e a insatisfação para a sua reticência. É aquele que entende seu desejo de voar, de sumir devagar, a angústia pela compreensão dos acontecimentos, a sede pelo "por vir". É ao mesmo tempo espelho que te reflete, e óleo derramado sobre suas aguas agitadas. É quem fica enfurecido por enxergar seu erro, querer tanto o seu bem e saber que a perfeição é utopia. É o sol que seca suas lágrimas, é a polpa que adocica ainda mais seu sorriso. Amigo é aquele que toca na sua ferida numa mesa de chopp, acompanha suas vitórias, faz piada amenizando problemas. É quem tem medo, dor, náusea, cólica, gozo, igualzinho a você. É quem sabe que viver é ter história pra contar. É quem sorri pra você sem motivo aparente, é quem sofre com seu sofrimento, é o padrinho filosófico dos seus filhos. É o achar daquilo que você nem sabia que buscava. Amigo é aquele que te lê em cartas esperadas ou não, pequenos bilhetes em sala de aula, mensagens eletrônicas emocionadas. É aquele que te ouve ao telefone mesmo quando a ligação é caótica, com o mesmo prazer e atenção que teria se tivesse olhando em seus olhos. Amigo é multimídia. Olhos... amigo é quem fala e ouve com o olhar, o seu e o dele em sintonia telepática. É aquele que percebe em seus olhos seus desejos, seus disfarces, alegria, medo. É aquele que aguarda pacientemente e se entusiasma quando vê surgir aquele tão esperado brilho no seu olhar, e é quem tem uma palavra sob medida quando estes mesmos olhos estão amplificando tristeza interior. É lua nova, é a estrela mais brilhante, é luz que se renova a cada instante, com múltiplas e inesperadas cores que cabem todas na sua íris. Amigo é aquele que te diz "eu te amo" sem qualquer medo de má interpretação : amigo é quem te ama "e ponto". É verdade e razão, sonho e sentimento. Amigo é pra sempre, mesmo que o sempre não exista.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

renda-se!

. imagem: Renata Maciel

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Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa todo o entendimento. Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Eu sou uma pergunta.

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Clarice Lispector

quinta-feira, 12 de julho de 2007

loucura!

Gosto dos venenos mais lentos!
Das bebidas mais fortes!
Dos cafés mais amargos!
Tenho um apetite voraz.
E os delírios mais loucos.

Clarice Lispector

quarta-feira, 11 de julho de 2007

boa sorte/good luck

Vanessa da Mata/Ben Harper





É só isso
Não tem mais jeito
Acabou
Boa sorte

Não tenho o que dizer
São só palavras
E o que eu sinto
Não mudará
.
Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz

Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais

That's it
There is no way
It's over
Good luck

I have nothing left to say
It's only words
And what l feel
Won't change

Tudo o que quer me dar
Everything you want to give me
É demais
It too much
É pesado
It's heavy
Não há paz
There is no peace

Tudo o que quer de mim
All you want from me
Irreais
Isn´t real
Expectativas
Expectations
Desleais

Mesmo, se segure
Quero que se cure
Dessa pessoa
Que o aconselha
Há um desencontro
Veja por esse ponto
Há tantas pessoas especiais
.
Now even if you hold yourself
I want you to get cured
From this person
Who advises you
There is a disconnection
See through this point of view
There are so many special people in the world
So many special people in the world...

terça-feira, 10 de julho de 2007

vivência

A terra nos ensina mais coisas sobre nós mesmos, que todos os livros. Porque nos oferece resistência. Ao enfrentar um obstáculo o homem aprende a se conhecer. Contudo para superá-lo, ele necessita de ferramenta. Uma plaina, um arado. O lavrador, em sua labuta, vai arrancando lentamente alguns segredos à natureza; e a verdade que ele obtém é universal.


Saint-Exupery - Terra dos Homens (1973)

segunda-feira, 9 de julho de 2007

ainda, silêncio!


Não diga as coisas com pressa. Mais vale um silêncio certo que uma palavra errada. Demora naquilo que você precisa dizer. Livre-se da pressa de querer dar ordens ao mundo. É mais fácil a gente se arrepender de uma palavra que de um silêncio. Palavra errada, na hora errada, pode se transformar em ferida naquele que disse, e também naquele que ouviu. Em muitos momentos da vida o silêncio é a resposta mais sábia que podemos dar a alguém. Por isso, prepara bem a palavra que será dita. Palavras apressadas não combinam com sabedoria. Os sábios preferem o silêncio. E nos seus poucos dizeres está condensada uma fonte inesgotável de sabedoria. Não caia na tentação do discurso banal, da explicação simplória. Queira a profundidade da fala que nos pede calma. Calma para dizer, calma para ouvir. Hoje, neste tempo de palavras muitas, queiramos a beleza dos silêncios poucos.
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Pe. Fábio de Melo

domingo, 8 de julho de 2007

silêncio!

"Existe, no silêncio, tão grande sabedoria, que, na maioria das vezes, ele se torna a mais perfeita das respostas."

Fernando Pessoa

sábado, 7 de julho de 2007

ilusão é combustível de perdedores

por Prof. Cabral


E é mesmo! Ganhadores têm sonhos e visão, não têm ilusão.
Dedicação é a capacidade de se entregar à realização de um objetivo.
Não conheço ninguém que tenha progredido na carreira sem trabalhar pelo menos doze horas por dia nos primeiros anos. Não conheço ninguém que conseguiu realizar seu sonho sem sacrificar sábados e domingos pelo menos uma centena de vezes.
Da mesma forma, se você quiser construir uma relação amiga com seus filhos, terá de se dedicar a isso, superar o cansaço, arrumar tempo para ficar com eles, deixar de lado o orgulho e o comodismo.
Se quiser um casamento gratificante, terá de investir tempo, energia e sentimentos nesse objetivo.
É muito triste e doloroso sentir que atualmente, já no século XXI, enfrentamos uma terrível INVERSÃO DE VALORES sociais e morais. O errado é tido como certo e o certo como errado, a ponto de o colega que se esforça para fazer as coisas corretas, com dignidade e honradez ser chamado de "pessoa certinha", "pessoa sem JOGO DE CINTURA", "pessoa que quer aparecer"... (e assim vai).
As fraudes se perpetram, logo a partir do ensino fundamental. O pai paga para que seu filho seja aprovado, mesmo quando não tem mérito mínimo para tal.
Aquele aluno que "COLA", fraudando os colegas, fraudando a escola, fraudando o professor, fraudando a sua pátria e os seus pais, fraudando a sua própria "dignidade", é o "ESPERTO", enquanto aquele que trilha o caminho da honestidade é chamado de TOLO, porque tirou uma menção menor do que o "ESPERTO".
O sucesso é construído à noite! Durante o dia você faz o que todos fazem. Mas, para conseguir um resultado diferente da maioria, você tem de ser especial. Se fizer igual a todo mundo, obterá os mesmos resultados dos fracassados.
Não se compare à maioria, pois, infelizmente, ela não é modelo de sucesso. Se você quiser atingir uma meta especial, terá de estudar no horário em que os outros estão tomando chope com batatas fritas. Terá de planejar, enquanto os outros permanecem à frente da televisão vendo novelas e outros programas improdutivos. Terá de trabalhar enquanto os outros tomam sol à beira da piscina.
A realização de um sonho depende da dedicação. Há muita gente que espera que o sonho se realize por mágica. Mas toda mágica é ilusão. E ilusão não tira ninguém do lugar onde está. Ilusão é combustível de perdedores.
Plante em você a dignidade e a honra. Combata os preconceitos e a tirania. Construa templos à virtude e cave masmorras ao vício.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

de volta ao planeta dos macacos

Lá fora,
Todos os corações procuram a sua órbita
Novas propostas pro mundo
Novos encaixes pras coisas
Que ainda não estão no lugar
Atento às diversidades
Em busca de um mundo melhor
É preciso provar das loucuras
Ativar novas possibilidades
De volta ao planeta dos macacos...

Rogério Flausino
Introdução da música De volta ao Planeta dos Macacos do Jota Quest

quinta-feira, 5 de julho de 2007

felicidade

"Quando a gente acha que tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas."

Emily Paul

quarta-feira, 4 de julho de 2007

tudo bem

Lulu Santos/Nelson Motta


Já nao tenho dedos pra contar
De quantos barrancos despenquei
E quantas pedras me atiraram
Ou quantas atirei
Tanta farpa tanta mentira
Tanta falta do que dizer
Nem sempre é "so easy" se viver

Hoje eu não consigo mais me lembrar
De quantas janelas me atirei
E quanto rastro de incompreensão
Eu já deixei
Tantos bons quanto maus motivos
Tantas vezes desilusão
E quase
Quase nunca a vida é um balão

Mas o teu amor me cura
De uma loucura qualquer
É encostar no seu peito
E se isso for algum defeito
Por mim tudo bem
Tudo bem

terça-feira, 3 de julho de 2007

As razões que o amor desconhece

por Martha Medeiros
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Você tem uma inteligência bem acima da média. Lê livros, revistas e jornais. Gosta de filmes de Woody Allen, dos irmãos Coen e de Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor. É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido em comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego estável, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, entende muito de computador e seu fettuccine ao molho de ervas é de fazer qualquer um comer ajoelhado. Você tem bom humor não pega no pé de ninguém e acredita que ainda não inventaram nada melhor que sexo. Com um currículo desses, criatura, por que diabo está sem namorado? Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento mais uma equação matemática: eu maravilhosa + você encantador = dois apaixonados. Não funciona assim. Ninguém ama a outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrario os honestos, simpáticos e não-fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo-lhes a porta. O amor não é chegado a fazer contas, não obedece a razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar. Costuma ser despertado pelas flechas do cupido que por uma ficha limpa. Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai ligar e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário e só escuta Ernesto Gismonti e Sivuca, Sivuca e Ernesto Gismonti. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado, e, no entanto, você não consegue dispensá-lo. Quando a mão dele toca em sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita de boca, tem uma certa afeição por répteis e escreve poemas em noites de temporal. Por que você é vidrada nesse cara? Não pergunte a mim. Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas a que ela não respondeu, você deu flores e ela deixou a seco, você e levou para conhecer sua mãe e ela foi de blusa transparente. Você gosta de Rock e ela de trilha de novela, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina o Natal e ela detesta o Ano-Novo, nem no ódio vocês combinam. Então? Então que ela tem um jeito de passar a mão nos cabelos que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome. Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, se veste bem e é fã de Marisa Monte. Isso são apenas referências. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pelo modo como os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos espera. Ama-se por causa de uma massagem nos ombros, pela maneira de sorrir só com um lado da boca, pelas peculiaridades. Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos há as pencas, bom motoristas e bons pais de família, está assim, ó. Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor de sua vida é.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

o poder de liberdade


A liberdade não é apenas uma idéia ou um princípio abstrato. É poder, poder efetivo de fazer certas coisas. Não existe a liberdade em geral, isto é, em sentido amplo. Por isto, a liberdade é uma questão social, e não somente um direito do indivíduo particular, pois ela é relativa à distribuição dos poderes de ação em um dado momento. Quando há liberdade em um lugar, há restrição em outros: aquilo que uma pessoa pode fazer está em relação com o que as outras podem ou não fazer. A luta pela liberdade é importante devido às suas conseqüências na produção de relações eqüitativas, justas e humanas entre homens, mulheres e crianças.


John Dewey

domingo, 1 de julho de 2007

idiotas

"Um gênio não convence ninguém, o idiota sim."

Nelson Rodrigues

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